domingo, 1 de maio de 2011

STEVEN SPIELBERG | GUERRA DOS MUNDOS

SPIELBERG NA MEDIDA DO POSSÍVEL

ALIENS chegam em uma tempestade de raios e começam a aniquilar a humanidade a fim de tomar o nosso planeta. Baseado na obra literária de H.G.WELLS.

A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças). A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg. Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.


Pois é, nós não estamos sozinhos e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.


EUA – 2005

AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR




PARAMOUNT PICTURES E DREAMWORKS PICTURES 
APRESENTAM 
UMA PRODUÇÃO DA
AMBLIN ENTERTAINMENT/CRUISE-WAGNER
UM FILME DE STEVEN SPIELBERG 
TOM CRUISE
WAR OF THE WORLDS
BASEADO NO LIVRO DE  H.G. WELLS
DAKOTA FANNING   MIRANDA OTTO  JUSTIN CHATWIN & TIM ROBBINS
Co-estrelando:
Kate Kapshaw. Rick Gonzalez. Yul Vazquez
Lenny Venito. Lisa Ann Walter. David Alan Basche
Gene Barry. Ann Robinson
Música 
JOHN WILLIAMS
Efeitos Especiais INDUSTRIAL LIGHT E MAGIC
Supervisor sênior de efeitos visuais DENNIS MUREN
Figurinos JOANNA JOHNSTON
Montagem MICHAEL KAHN
Diretor de arte RICK CARTER
Diretor de Fotografia JANUSZ KAMINSKI
Produtora Executiva PAULA WAGNER
Produzido por
KATHLEEN KENNEDY. COLIN WILSON
Roteiro
DAVID KOEPP. JOSH FRIEDMAN
DIRIGIDO POR
STEVEN SPIELBERG

UM FILME PARAMOUNT ©2005

10 comentários:

M. disse...

Esse filme é tudo de bom! Os efeitos especiais são magníficos, outra coisa que curti muit além da fotografia foram os efeitos sonoros. Tudo isso numa tela grande de cinema causa um ultra efeito em quem assiste. Um abraço e ótimo fim de semana.

Amanda Aouad disse...

Fraquinho mesmo. Inconsistente. Acho que Spielberg se dá melhor construindo E.T.s bonzinhos.


bjs

renatocinema disse...

Achei fraco.

Tenho em casa a versão original que é muito superior. O roteiro muito mais interessante.


Não é péssimo, mas, muito mais ou menos.

Ricardo Morgan disse...

Apesar de alguns equívocos e furos de roteiro, achei o filme legal e que cumpre, de certa forma, a sua proposta sobre o ponto de vista de um pai de família. Eu daria 3 estrelas hehe
Um abraço

Anônimo disse...

Perto do nível de Spielberg, certamente esse filme decepciona. Mas 'Guerra dos Mundos' é muito melhor do que porcarias como 'Skyline' e 'Batalha de L.A.'.

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Dii Rainbow disse...

Oii
Eh interessante. Fiquei com vontade de vê-lo XD
BoA SEMANA!!

Reinaldo Glioche disse...

Vc disse tudo. Um filme mediano é péssimo para alguém como Spielberg.
Eu não desgosto desse guerra dos mundos,mas me incomoda o fato do filme se levar a sério demais (o que, me parece, tb te incomodou) e de o mundo precisar acabar para o personagem de Cruise virar bom pai...
Não era o tipo de filme para virar drama familiar...
Abs

Alan Raspante disse...

Olha Rodrigo, ainda não vi e nem tenho vontade! rsrs

Rodrigo Mendes disse...

M: Eu já prefiro mil vezes CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU. Já assistiu? Bjs.

AMANDA: É mesmo Amanda...Et´s hostis não é a praia dele! Bjs.

RENATO: Eu tbm tenho a versão original em casa. Superior mesmo!
Abs.

RICARDO: Poderia ser muito melhor. Abs!

KAHLIL: Ótimas citações pois 'Skyline' e 'Batalha de L.A.' são realmente piores que a fita de Spielberg. Abs!

DII: Não é interessante, rs! Abs! Boa semana tbm!

REINALDO: "e de o mundo precisar acabar para o personagem de Cruise virar bom pai..." Resumiu bem o fator principal que nos incomoda.
De fato, no nível Spielberg, e uma história dessas, faltou o toque Close Encounters, e como!
Abs.

ALAN: Não faça isso tão cedo, apenas em dia de chuva! Rs
Abs.

RODRIGO

Augusto César disse...

Não sou crítico de cinema e, talvez por isso, não consiga ver tão além da tela como você.

Gostei de "Guerra dos Mundos", mesmo reconhecendo seus erros e a infinita série de perguntas que ficam no ar. O desfecho, na minha opinião, foi mal executado e ficou parecendo forçação de barra só para ter um final feliz p/ humanidade.

No entanto, as cenas, mesmo que isoladamente, emocionam e atestam o "q" de qualidade de Spielberg - facilmente reconhecível. Um filme nota 7. Abraço, Rodrigo!

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