quarta-feira, 22 de junho de 2011

STANLEY KUBRICK | LOLITA

NINFETA

Um professor de meia-idade que leciona em uma Universidade, se apaixona loucamente por uma ninfeta de 14 anos. Baseado no polêmico romance de VLADIMIR NABOKOV e dirigido por STANLEY KUBRICK (LARANJA MECÂNICA).



Foi necessário um remake ridículo e artificial do diretor ADRIAN LYNE (ATRAÇÃO FATAL/9 Semanas e meia de Amor) para que esta fita resistisse lindamente ao tempo. Respeito em número e grau esta primeira versão do aclamado, dispensa mais comentários, STANLEY KUBRICK (ainda jovem e em ascensão) em parceria com o produtor JAMES B. HARRIS (GLÓRIA FEITA DE SANGUE/O GRANDE GOLPE – também dirigidos por Kubrick), neste terceiro filme, Kubrick e Harris quebram tabus e causam furor na sociedade americana dos anos dourados, mesmo que o ano ainda fosse 1962. Convidam o próprio autor do livro VLADIMIR NABOKOV, acusado durante muitos anos por ter escrito uma prosa pornográfica (LOLITA chegou a ser banido em muitos países) para adaptar o roteiro (um dos poucos filmes de Kubrick em que o cineasta não escreve o script. Os outros também foram: Medo e Desejo [1953] e Spartacus [1960]) que conta a trama de um professor divorciado de meia-idade Humbert (JAMES MASON), que veio da Inglaterra para lecionar literatura na cidade de Ramsdale, New Hampshire (EUA). Ele procura uma casa na qual possa alugar por alguns meses e conhece a dona do local, uma mulher viúva e também de meia-idade Charlotte Haze (SHELLEY WINTERS). Depois de algum tempo, ele acaba se casando com Charlotte, porém, o motivo pelo qual casou é para poder ficar perto de uma ninfeta deslumbrante chamada Lo... LOLITA (SUE LYON). Esta moça é filha de Charlotte e responsável por fazer todos os homens (geralmente mais velhos) ficarem loucos por ela. Uma ninfa provocante, sensual e sarcástica. Além de muito inteligente, características que deixam sua pobre mãe, a viúva faminta e carente, desconcertada e enciumada por ela. A relação da filha, mãe e padrasto se torna cada vez mais perigosa, mas Kubrick suaviza tudo isso, deixa o seu filme mais nas entrelinhas e divertido. Ou seja, não há nenhuma cena de nudez sequer ou mesmo de sexo!

Nos fervorosos diálogos, percebemos todas as insinuações. Aliás, a fita não se permite ser vazia e clichê com cenas de transas calorosas , como na segunda versão.

Ainda na história aparece um sujeito louco, (também pela glamorosa LO). Ele é Clare Quilty, interpretado magistralmente pelo camaleão PETER SELLERS (A PANTERA COR-DE-ROSA) e que voltaria a trabalhar com o diretor em DR. FANTÁSTICO (1964). Sellers faz este sujeito, um malandro desonesto, que se envolveu com a garota antes de Humbert e que se disfarça de vários personagens para poder seguir Humbert quando esta com Lolita em algum Drive-In ou Motel. Dois gigantes em cena, Mason e Sellers, e a cada revisão fica ainda melhor de se assistir.

Kubrick começa o seu filme de uma maneira incomum à época, colocando o final da trama logo no começo e depois o desenrolar que chega ao ponto de partida. Um artifício que muitos acham que foi Quentin Tarantino que inventou com a cena da lanchonete em PULP FICTION.

É marca registrada de Kubrick lhe permitir fazer auto-referência (como na loja de discos em Laranja Mecânica com a capa do vinil de 2001), aqui há uma fala de Sellers brincando com o personagem de Mason , dizendo que é SPARTACUS [fita de Kubrick de 1960] (“Sou Spartacus! Eu estou aqui para libertar os escravos?”). A cena se passa em uma mansão bagunçada e vemos um bêbado decadente e um louco decadente lhe apontando uma arma. Ambos foram vencidos por LOLITA. Humbert vai acertar as contas com Quilty e a cena do tiro no retrato da morte é um momento antológico. Outra cena inesquecível é quando Humbert vê Lolita pela primeira vez (o que fez com que ele decidisse alugar um cômodo na casa de Charlotte), a adolescente esta tomando sol no jardim, seminua e nada inocente. Esta imagem, este plano extraordinário, marcou o imaginário de gerações que assistiram ao filme. Só com esta fotografia de Lo, o filme de Kubrick impõe respeito.

Kubrick voltou a explorar o tema da obsessão sexual, de certa maneira, em DE OLHOS BEM FECHADOS (seu canto do cisne), mas 37 anos atrás, ele teve que usar uma linguagem mais profunda, humorada, leve e subliminar, idêntica a própria obra de Nabokov. Assim, para ter essa fórmula, ele convidou o autor, que mais conhece a sua história, para transformar a escrita em imagem.

E o que dizer da fantástica Shelley Winters como Charlotte? Uma atriz estupenda (lembra muito HELEN HUNT, esteticamente falando). Ela tem as melhores falas e é a personagem mais carente, que nega ser mãe daquela menina com nome lírico e melodioso. Uma vítima da conveniência de um casamento com um homem iludido de amor e obcecado por uma garota quente como pimenta e que ao mesmo tempo, é carente de mãe e pai. SUE LYON sumiu do cinema, seu último filme foi uma participação no trash de 1980 – ALLIGATOR, o Jacaré Gigante (clássico das sessões da tarde). Embora tenha feito alguns cults como A NOITE DO IGUANA (1964) e SETE MULHERES (1966) foi LOLITA que marcou sua carreira. O papel principal também foi oferecido para TUESDAY WELD e MARLON BRANDO foi chamado para interpretar o professor.


LOLITA, um nome adorável, um diminutivo poético, segundo Quilty. Em um filme sensual, provocante, escandaloso e que não precisa do óbvio explícito. Basta um plano Kubrikiano, um olhar e um sorriso naquele belo celulóide em preto e branco.
A música “YA YA”, composta por Nelson Riddle (do grupo de rock dos anos 50-60 The Ventures) marcou neste filme e se tornou um clássico hit, também na voz de Sue Lyon na versão “Lolita Ya-Ya”.
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e venceu o Globo de Ouro, a revelação Sue!

Como eles sempre fazem um filme de Lolita?
Kubrick se foi para responder esta pergunta.


EUA – 1962
DRAMA/ROMANCE
WIDESCREEN
153 min.
P&B
18 ANOS
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE







MGM APRESENTA
EM ASSOCIAÇÃO COM SEVEN ARTS PRODUCTIONS

DE 
JAMES B. HARRIS E STANLEY KUBRICK
ESTRELANDO: James Mason  Shelley Winters
Peter Sellers como ‘QUILTY’
E Sue Lyon como ‘LOLITA’

Co-estrelando: Gary Cockrell. Jerry Stovin
Diana Decker. Lois Maxwell
Bill Greene. Shirley Douglas. John Harrison

Música de NELSON RIDDLE
Fotografia de OSWALD MORRIS
Montagem ANTHONY HARVEY
Elenco JAMES LIGGAT

Escrito por
VLADIMIR NABOKOV
BASEADO EM SEU LIVRO “LOLITA”

PRODUZIDO POR  
JAMES B. HARRIS 

DIRIGIDO POR  
STANLEY KUBRICK
©1962 Seven Arts/Harris-Kubrick Productions Ltd.

11 comentários:

renatocinema disse...

Filmaço.

Sou contra 90% das refilmagens. Não vi a versão recente de Lolita, e nem pretendo.

Refilmagem só respeito a de Tim Burton, que muda a cara da obra original. Filmar por filmar, não acrescenta nada.


Sobre seu texto sobre Lolita concordo com muita coisa.

Aqui os diálogos são fervorosos, o que leva o filme a uma sensualidade que não precisa de nada "explícito".

Parabéns pela referência ao mestre Kubrick.

Celo Silva disse...

Excelente texto para uma das maiores obras primas do cinema. Um abraço.

http://umanoem365filmes.blogspot.com/

M. disse...

Ah vale muito à pena assistir este filme! Filmão.

Reinaldo Glioche disse...

Mais uma aula de cinema proposta aqui no Cine Rodrigo.Ao se apropriar de Lolita e desbravar as obsessões e técnicas alinhavadas por Kubrick nesse clássico, você conclama à nostalgia cinéfila Rodrigo. Parabéns!
Abs

Rodrigo Mendes disse...

RENATO: Obrigado por mais um comentário. Acho que até Tim Burton não deveria refilmar nada. O que já foi contado já foi! Vide Planeta Dos Macacos. Ou mesmo A Fantástica Fábrica, ou mesmo ALICE! Rs

Veja o filme de Lyne e perceba visualmente o que estou dizendo. Apenas por curiosidade mórbida. hehe
Abraços.

CELO: Agradeço mais uma vez sua presença e elogios. Abs.

M: Vale mesmo. E pagaria o imgresso se passasse no telão. Beijos.

REINALDO: Agradeço tbm a voce grande Glioche pelos elogios. É sempre bom os seus comentários. Kubrick fez um filme que resiste lindamente ao tempo enquanto o do Lyne já morreu. Abraços.

Rodrigo

alan raspante disse...

Sou, absolutamente, loooouco para conferir este filme. Louco mesmo!

Rodrigo Mendes disse...

ALAN: É fácil achar o filme. Assista e poste no Cigarros. Aproveite esta sua onda clássica! Rs Abraços.

Anônimo disse...

O tipo de filme que te deixa boquiaberto durante TODO o filme. Principalemte pelo tema abordado em uma época tão conservadora!

http://filme-do-dia.blogspot.com

Fabiane Bastos disse...

Oi Rodrigo!
Sou a Fabiane do DVD, Sofá e pipoca.

Adoraríamos trocar banners c/ seu ótimo blog. Já colocamos o seu lá na nossa página. O código do nosso também está p/ vc pegar.
(http://dvdsofaepipoca.blogspot.com)

Abs
As blogueiras do sofá!

P.s.:Desculpe a demora na reposta, mas lá no blog tudo passa pela decisão de 3 moças muito atarefadas, rsrs.

Rodrigo Mendes disse...

KAHLIL: Filmaço não é mesmo cara? Somente Kubrick ensina como fazer um filme de Lolita. Abraços!

FABIANE:Olá moça!!! Que bom que vamos agora trocar links. Adorei o sofá de vcs e todas as sessões. Vou lá. Beijos pra vc e outro para as demais moças.

Rodrigo

Fabiane Bastos disse...

Valeu Rodrigo!

Abs!

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