BRASIL MOSTRA O SEU CINEMA PARTE 3
☠OUTUBRO DAS BRUXAS☠
Pessoas aceitam servirem como cobaias para experimentos aterradores que consistem em representar imageticamente suas fobias.
Com o pretexto de realizar um documentário sobre o medo da sociedade contemporânea, um diretor fake (no caso o crítico de cinema JEAN-CLAUDE BERNARDET e não KIKO GOIFMAN) coloca indivíduos que aceitam participar em uma delicada situação: em contato com os seus medos, ou melhor, suas fobias que é o extremo do medo. Ou seja, aquilo que temos repulsa total!
O filme que é um documentário que se mistura com a ficção de um longa metragem, e atores profissionais e não-atores, que são dirigidos por essa figura estranha, um diretor sádico, aidético, com fobia de sangue (BERNARDET) que busca uma “imagem verdadeira”, seu fiel discurso, na qual o filme norteia onde só poderia vir através de um fóbico frente ao seu objeto do medo. Tudo é montado da maneira mais estranha e sadomasoquista possível. Por exemplo, uma mulher com fobia de lesma é amarrada diante a um cano de ferro na qual a bichinha gosmenta fica passeando em direção a face da mulher.
O filme que é um documentário que se mistura com a ficção de um longa metragem, e atores profissionais e não-atores, que são dirigidos por essa figura estranha, um diretor sádico, aidético, com fobia de sangue (BERNARDET) que busca uma “imagem verdadeira”, seu fiel discurso, na qual o filme norteia onde só poderia vir através de um fóbico frente ao seu objeto do medo. Tudo é montado da maneira mais estranha e sadomasoquista possível. Por exemplo, uma mulher com fobia de lesma é amarrada diante a um cano de ferro na qual a bichinha gosmenta fica passeando em direção a face da mulher.
KIKO GOIFMAN é documentarista de filmes como: 33, MORTE DENSA, TERRITÓRIO VERMELHO (sobre a proliferação de câmeras na cidade de São Paulo com depoimentos de mendigos em semáforos vermelhos), ATOS DOS HOMENS e o para TV: HANDERSON E COMO HORAS. Faz sua estréia em um filme de longa metragem diferente e original. “FilmeFobia” nunca deixa de ser interessante, quando mistura com a narrativa do documentário e faz o espectador assistir sem saber se esta vendo ficção ou realidade. Na verdade esses extremos (como a própria fobia temática) se misturam na fita de um jeito extremamente notável. É estranho mesmo assim. Claro que há momentos enfadonhos e desconcertantes quando os atores, alguns membros da equipe de filmagem “da fita dentro da fita” conversam de uma maneira chata, atrapalhada por uma péssima captação de som direto, em ambientes feios e fechados, na qual faz a platéia ficar confusa. Sabem quando a gente chega numa mesa de bar e o papo já esta rolando na quinta ou décima rodada de cerveja? Pois é! O que importa mesmo, de fato, é a idéia central de colocar essas pessoas nas engenhocas malucas que representam suas fobias. Isso fica claro, sempre, e aos poucos vamos entendendo qual a fobia de cada um. Por exemplo, custa a entender, ainda mais com um filme que tem pouca iluminação e onde mostra um homem que tinha fobia de botões! Isso mesmo, estranho não é? Particularmente, entre todas as fobias mais comuns (ratos, cobras, pombos, sangue), a dos botões foi a mais inventiva de todas. Também não sou cético a ponto de não acreditar nesse medo particular. Aliás, o ser humano é mais estranho que seus próprios medos. Um exemplo óbvio, e que o filme deixa claro numa explicação que abordava traumas do passado, como por exemplo, o de um homem que tem medo da morte e conta como passou a ter medo de morrer e também: fobia de vela, do cheiro de vela, de flores, de terra, de lugares escuros e de tudo relacionado com morte; caixões e funerárias. Ele só faltou mencionar que tinha fobia de defunto. Já que ele tinha Necrofobia.
O roteiro? Sim existe um roteiro, não se enganem, afinal um filme não sobrevive sem um script, foi escrito por HILTON LACERDA. Sinceramente não acho esse o seu melhor trabalho. Tudo na proposta deste projeto é mais bem aproveitado na imagem (cenografia, fotografia, figurinos, música incidental). No entanto Lacerda faz o que pode para assinar um virtuoso trabalho. Ele, de ótimas fitas como AMARELO MANGA de Cláudio Assis, BAILE PERFUMADO, ÁRIDO MOVIE, CARTOLA (vídeo-documentário) e os recentes: A FESTA DA MENINA MORTA (2008) de Nachtergaele e CAPITÃES DA AREIA (2011) de Cecília Amado e Guy Gonçalves. Mas o resultado de sua idéia é não se destaca nos diálogos de Bernardet, é melhor apreciado nas cenas de “fobias-masoquistas”. Tudo é melhor aproveitado e executado imageticamente, resultado este que Kiko quer obter por meio de seu personagem encarnado pelo “crítico-ator-estranho”, Claude-Bernardet, que irrita com o seu sotaque em português. Às vezes tinha que voltar a fita para compreender o que o velho disse.
Com o tempo as pessoas desencanam dos diálogos de chop e experimentam mais as cenas com as pessoas representando suas fobias. A pior representação de todas é um homem que diz ter medo de palhaços. Fobia conhecida, mas que não passa nada, simplesmente o cara não reage. Será? Certamente o filme brinca com essa sequência da Coulrofobia (medo de palhaço). O homem nem se mexe ou representa o medo diante a figura do palhaço, que sorri diabolicamente para ele diante uma proteção de vidro. Logicamente que nem sempre as reações humanas diante a face aterrorizante do seu medo precisa ser esperneando, chorando, tapando os olhos, gritando, etc. Além de cada um ter o seu próprio terror, ou uma coleção deles, nem todas as pessoas reagem explicitamente. É perturbador ver um ser humano quieto quando na verdade, esta sentindo medo.
É mesmo uma viagem louca a busca deste diretor (que também se faz de cobaia) que está buscando essa imagem verdadeira que mesmo com tamanha arte, ainda não consegue e ou/ esclarece o que almeja. Visto tantos tipos de fobias, cada uma na qual nem sabia que era possível existir (medo de botões, de relógios? Existe fobia até da vida!). Goifman faz Jean-Claude Bernardet citar apenas algumas poucas fobias reais durante o filme. Nem todas são representadas e as mais conhecidas como: acrofobia (de altura) claustrofobia (de ambientes fechados), nem são mostradas. Ao menos, um sujeito fica pendurado no alto com duas araras sobre seus braços (na posição de vôo) e a equipe de filmagem lança um vento artificial (truque muito comum em filmes como “Depois Do Vendaval” ou “Twister”) para mostrar que o cara tem medo de vento! Por mais estranho (e engraçado) que possa parecer, certos tipos peculiares de medo (de ralos, de água, de ser questionado. Sim existe o medo das opiniões alheias o que é muito comum nos blogues), não é possível sentir qualquer reação feliz, simpática ou descontraída ao ver o filme. Eu fico com pena da garota que tem fobia de ser tocada sexualmente e a equipe coloca a mocinha pendurada com os seios de fora e no chão diversos pênis de borracha presos sobre vários carrinhos de brinquedo que fazem barulho (bombeiros, polícia) movidos a pilha indo em direção a moça sofrendo com a fobia de ser estuprada e ela dá um breve resumo de seu passado quando era criança e seu pai, ginecologista, a examinava. Será? Ela não conta mais nada depois disso.
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| Uma fobia estranha: Ralos! |
Eu não sou sádico, não gosto ou tenho prazer em ver pessoas numa espécie de tortura em filmes (até por isso nem inclui a série Jogos Mortais no especial Outubro já que nem passei do número 1 da franquia), só que, até que o “FilmeFobia” pega um pouco leve. Poucas cenas de nudez e a curiosidade que matou o gato fazem com que todo mundo termine de assistir. Só que também incomoda muito. Só para ilustrar, ver um homem nu, chorando, amarrado em uma espécie de balcão e abaixo desta estrutura de madeira são colocados diversos roedores que não são criaturazinhas quietinhas. Se existe um mamífero temido é o rato! Eis a fobia comum, só que deste sujeito em cena, parecia ao extremo, um tipo mais perigoso de fobia. A unanimidade também tem pavor de cobras e no filme eles colocam uma mulher que tem fobia perto do bicho rastejante numa sala escura. Gritos.Outro resultado assustador!
A lista de palavras derivadas para os tipos de medo são estranhas demais. Todas elas terminam com “fobia”. São algumas que cito: “Quiraptofobia” ( Medo de ser tocado[a]), “Quilofobia” (medo de parar), “Ripofobia” (medo de defecar), “Somnifobia” (medo de dormir. Talvez provocada pelo Freddy Krueger), “Tacofobia” (medo de velocidade), “Teratofobia” (medo de pessoas deformadas ou crianças), “Talassofobia” (medo do mar), “Tecnofobia” (medo da tecnologia), “Sitofobia” (o medo de comida e de comer), “Zoofobia” (medo de animais), “Xenofobia” (medo de estrangeiros ou estranhos), “Aerodromofobia” (medo de viagens aéreas), “Aracnofobia” (a mais conhecida – medo de aranhas ), o curioso “Penterofobia” (e não “Sogrofobia”. Medo da sogra).
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| A Morte! Ter medo é normal, já a fobia é algo que precisa de tratamento. |
Enfim, a lista existe de A-Z e o filme mostra até poucos (talvez se não desperdiçassem em querer impressionar com a metalinguagem que não funciona pudessem ilustrar mais fobias). Tem gente que consegue ter medo de uma data especial: “a sexta-feira 13”, com Jason ou sem Jason o nome para essa fobia é: “Parasquevedequatriafobia”. Cruzes! Agora a melhor de todas é a ultra-fobia. O medroso que tem medo de todas as fobias, medo de tudo, e o nome para isso é: “Pantofobia”. Certo, não vamos chamá-lo de medroso. O que o filme transmite é que a fobia é mais doença psicológica do que “frescura” ou medo irracional. É normal sentir medo, mas de algo em particular a nível executivo, é algo que precisa de uma ajuda especializada. No final não da pra saber se o filme ajuda as pessoas a enfrentarem o medo colocando um homem amarrado na praia onde se aproxima um anão ou uma mulher (sempre amarrados) que tem pavor de celulares! Essa busca da imagem que o diretor quer obter é algo falacioso e muito esquisito. A proposta da narrativa se mistura na salada mista do doc./ficção. O resultado é ótimo e também irregular, em pontos isolados. A tortura, apesar de questionável ( a sessão com o homem que diz ter medo de palhaços, por exemplo) todo o conceito artístico (que entorpece) são os pontos bons. A narrativa dialogada, com uma irregular narração off/over e as conversas paralelas, são os pontos negativos da fita de Goifman. E, a presença de Jean-Claude Bernardet é tão impertinente quanto notável.
O filme tem até a participação do grande JOSÉ MOJICA MARINS como “O ZÉ DO CAIXÃO”, que aparece na sala de montagem dando dicas e sendo honesto com o material do filme. Mojica é a piada interna de “FilmeFobia”. Suas opiniões são do personagem Zé e não do cineasta autodidata, Mojica. Elementos que se bifurcam.
Eu nem quis pesquisar se existe o medo do cinema. “Cinefobia?” Já pensaram nisso?! Mas, infelizmente existem pessoas que tem fobia de Teatro, e com medo de me aprofundar mais, parei por aí. Qual a fobia dos leitores do Cinema Rodrigo? A minha fobia? Tenho medo de lembrar!
“A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles.”
[ALFRED HITCHCOCK]
BRASIL – 2008
DOCUMENTÁRIO/TERROR
FULLSCREEN
80 min.
COR
POLIFILMES
16 ANOS
✩✩✩ BOM
AUTENTIKA FILMES. CACHOEIRA FILMES.
PALEU TV. PLATEAU PRODUCTIONS. POLIFILMES
APRESENTAM
UM FILME DE KIKO GOIFMAN
COM: JEAN-CLAUDE BERNARDET
FILMEFOBIA
PARTICIPAÇÕES: ARIEL BOGOCHVOL. CRIS BIERRENBACH.
HILTON LACERDA. KIKO GOIFMAN. LIVIO TRACHTENBERG
RAVEL CABRAL E JOSÉ MOJICA MARINS
“OS FÓBICOS”
THIAGO AMARAL.......... Ratos
MARCELA BANNITZ.......... Água, Dreno
LUIZ CABRAL.......... Morte
TOMÁS DECINA.......... Botão
DEBORA DUBOC.......... Lesma
LAÍS MARQUES.......... Sexo, penetração
CAIO MARTINS.......... Borboleta e Anão
RITA MARTINS.......... Cobra
RICARDO NAPOLEÃO.......... Pombos
JUSTINE OTONDO.......... Agulhas
CAROL PINZAN.......... Cabelo
VITOR ÂNGELO.......... Palhaço
PRODUÇÃO EXECUTIVA E PRODUÇÃO DE
JURANDIR MÜLLER. ROBERTO TIBIRIÇÁ
Música Original LIVIO TRACHTENBERG
Fotografia de ALOYSIO RAULINO Edição VÂNIA DEBS
Direção De Arte CRIS BIERRENBACH.
Gestão de Produção CLARA RAMOS
Efeitos Especiais KAPEL FURMAN Figurinos por MAÍRA MESQUITA
Roteiro HILTON LACERDA Direção KIKO GOIFMAN
FilmeFobia Polifilmes ©2008/ Lançamento oficial 2009











6 comentários:
Filmefobia?
Taí algo que jamais
gostaria de sentir.
Prefiro viver numa eterna "psicose",
"à beira de um ataque de nervos".
Não conhecia o filme, apenas de nome, agora fiquei curiosa para assistir... Fobias são algo bem interessante de serem exploradas no cinema - especialmente o terror. A combinação documentário e ficção tão bem me agrada...
Vc me perguntou se eu tinha medo ou fobia de aranhas... Digamos assim, as pequenas até que consigo lidar, mas, só uma foto de uma aranha grande já me causa ansiedade... Nunca participaria de um experimento destes! ;P
Fobia de cinema? É assustadora demais para eu pensar! hehehe
;D
Meio trash.....vou tentar baixar. Quem sabe.
nossa e ainda é nacional! nem sabia da existência deste filme, claro, vou procurar ver!
fobia? hmn, olha, vendo agora essas fobias... eu não gostava de ser questionado no blogue. entrava em pânico... ah, tenho fobia de ratos. odeio. ficou louco se vejo um na frente. a ponto de nem entrar mais no local e tudo mais, rs
[]s
p.s.: comprei chuck e verei neste final de semana (ou se der, vejo antes)... só tô falando, pq eu vi que ele será o próximo =P
Adorei essa proposta, e Filmefobia já entrou pra um dos filmes que eu pretendo ver. Me pareceu ser interessantíssimo! Mas eu não me submeteria, rs. Tenho fobia de aranhas e eu detesto, detesto, detesto palhaços.
Abraços!
POEMA: Amei o seu poema cara. Rs! Abraços!
KARLA: Tb estou apreciando muiot esta mistura de formatos: documentário + ficção, só que falta alguns ajustes neste filme. Acho que Goifman se atrapalhou um pouco, o que realmente vale é ver os experimentos.
E do Homem-Aranha vc tem medo? Rsrs!
Beijos;)
RENATO: Recomendo um olhar no filme Renato. Ele é bem diferente e inusitado. Eu só achei bom mesmo! Abs.
ALAN: Eu conheci este filme na faculdade.
Jura que vc tem fobia de ser questionado? Já te questionei alguma vez? hehehe acho que várias né?
Eu tb não curto muito roedores, mas os de laboratório eu até pego na mão e não chega a ser uma fobia.
A minha FOBIA é a velocidade e o mais engraçado é que eu dirijo com o pé fundo no acelerador. Rs!
Abs.
GABRIEL: Nem eu me submeteria aos experimentos. Testar pra que se eu sei que tenho fobia? Rs! Mas é interessante como espectador. O palhaço deste filme nem dá muito medo...
Abraços.
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