Amorsemfimamorsemfimamorsemfim.....
Um estudante de ensino médio e uma garota de quinze anos se apaixonam perdidamente, mas o amor deles é frustrado pelas circunstâncias e acidentes do destino.
AMOR SEM FIM é um dos filmes mais complicados de FRANCO ZEFFIRELLI, o diretor italiano radicado na América e que realizou obras como: A MEGERA DOMADA (1967), ROMEU E JULIETA (1968), IRMÃO SOL, IRMÃ LUA (1973) e JESUS DE NAZARÉ (1976 – Famosa e cult versão bíblica que conta com maestria a saga de Jesus Cristo feita originalmente na TV Italiana [RAI]. Minissérie com cara de Telefilme que foi escrita por Anthony Burgess). Enfim, um cineasta completo como Zeffirelli e com todo este currículo acaba realizando um filme regularzinho. Também diretor de Teatro e Ópera e foi até assistente do diretor LUCHINO VISCONTI. Um cara de ocasionais filmes bons como: SONHO PROIBIDO (1992), HAMLET (versão com Mel Gibson e Glenn Close – 1990) e o interessante CHÁ COM MUSSOLINI (com Cher e Judi Dench, 1999), de repente, no meio da carreira (Zeffirelli é velinho, nasceu em 1923!) é o diretor de uma fita com problemas de roteiro e com um casal central, inexperientes. Não que “Endles Love” seja um filme dispensável, ele só é meio piegas e irritante um pouco. Tem sim uma forte química sexual entre BROOKE SHIELDS e MARTIN HEWITT, um apaixonante e sufocante teor sobre o amor (sentimento falacioso) e uma trilha sonora musical fantástica que virou clássica na voz de LIONEL RICHIE e DIANA ROSS, mas mesmo assim não fazem do filme uma obra prima.
É nostálgico para os namorados da época (hoje até casados) e um programinha legal, mas só. É sobre um casal de classe média: ele tem dezessete e ela quinze anos. Eles namoram algum tempo e os pais da moça mantêm a casa aberta, não são caretas, deixa os filhos darem festas e namorarem a vontade e o rapaz, David Axelrod (Hewitt) vive na casa dos “sogros” e é amigo do irmão mais velho da moça (irmão é vivido por JAMES SPADER). A garota chama-se Jade (Shields), que se entrega totalmente ao rapaz. Eles transam na casa dela e, uma noite na sala, com a lareira acesa, a mãe de Jade (feito por SHIRLEY KNIGHT) pega, sem querer, a filha transando com o namorado – quer dizer, fazendo um amorzinho romântico. Ela apenas vê o corpo nu do rapaz de costas em cima da filha. Gemidos, agarrações, etc. A mãe não julga a cena. Deixa os dois em paz e volta pra cama. Só que o pai de Jade (nada careta mas no fim, como todo pai acaba ficando), feito por DON MURRAY, não aprova esse namoro depois de perceber esse laço sexual constante. Começa a achar (e no final ele tem razão) que a filha esta obcecada demais por esse relacionamento infantil e não se concentra mais nos estudos. O namoro deles chega num ponto que nem é mais saudável. Ela nem sequer dorme, porque fica a noite toda no quarto com o namorado (sempre ele pulava a janela escondido e saía pela manhã). Querendo dar um ponto final, o pai proíbe a filha de se encontrar com David apenas até o término das aulas. Eles aceitam? Não! E isso, para deixar o filme com algum conflito forte, já que os primeiros minutos são puro tédio, sem ação, só mostrando esse amor sem fim de colegiais que não sabem nada da vida e acham que encontraram a sua alma gêmea, os pais fazem de tudo para separá-los e assim David compra uma briga séria com a família da moça. Mas até este ponto, o filme é um verdadeiro comercial de margarina. Ou seja, tudo é muito bom, perfeito. Apenas sorrisos.
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| O Amor é lindo, além de gostoso, mas pode enjoar e enlouquecer. |
Diferentes da família dela, os pais de David são mais moralistas. A mãe, interpretada pela ótima BEATRICE STRAIGHT (conhecida por seu papel em POLTERGEIST) tem brigas mais severas com o filho sobre a moça. O pai dele (RICHARD KILLEY) é mais ameno e até gosta que o filho namore uma garota, mas o problema é que os dois não se desgrudam para nada e mudam suas personalidades. Eles ficam rebeldes, sobretudo David que praticamente enlouquece!
Sabem aquele filme de Super Cine? É uma história para assistir sábado à noite, se o casal não quiser balada. O começo é chato, só melhora lá perto do clímax, quando uma onda de desgraças começam a acontecer, o que faz a premissa ficar menos mamão com açúcar.
Não sei se Zeffirelli se inspirou em Shakespeare aqui, mas é notório um romance Romeu & Julieta que se torna proibido e mais gostoso. O problema é que eles ficam distantes quando o filme toma as rédeas e quando se reencontram, são outras pessoas. Particularmente não consegui sentir aquele tesão fervescente dos hormônios juvenis que assisti no primeiro ato, o anúncio de que amar demais pode (também) ficar chato. Por motivos estúpidos, eles amadurecem, e digo, depois de muitas desgraças que poderiam ter sido evitadas - se fosse a vida real, mas é cinema okay! Só depois, quando o filme fica bom, que eles voltam a fazer amor no segundo ato , mas já não são aqueles adolescentes inquietantes e já está tudo chegando ao fim.
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| Um estreante Tom Cruise |
As curiosidades são legais. TOM CRUISE faz sua estréia no cinema neste filme. Impossível não reconhecer o futuro astro. JAMI GERTZ (de OS GAROTOS PERDIDOS/TWISTER) fez testes para ser a Jade, mas ainda não era o momento da jovem atriz. MEG RYAN também tentou o papel que acabou caindo no colo da lindíssima (ainda muito bonita) Brooke!
Shields já havia estrelado o clássico repetitivo e adorável da Sessão Da Tarde A LAGOA AZUL. Engraçado como a atriz Shirley Knight que faz sua mãe, pediu ao diretor Zeffirelli que olhasse para outras candidatas e não para Brooke. Sim, Knight achava a moça ainda muito inexperiente e jovem demais para o papel (14 anos). Ela enviou pessoalmente ao diretor outros nomes como: LINDA BLAIR, ROSANNA ARQUETTE, BO DEREK, até mesmo CARRIE FISHER, a excelente JODIE FOSTER (em minha opinião seria outra ótima escalação), MELANIE GRIFFITH, JENNIFER JASON LEIGH, KRISTY McNICHOL, MICHELLE PFEIFFER e DEBRA WINGER. Todas elas fizeram carreiras. Mas no fim, Zeffirelli achou que por essa pouca idade é que Brooke seria perfeita. Reza a lenda que na cena de amor o diretor ficou apertando o dedão do pé de Brooke para provocar uma reação nela que seria como um orgasmo.
As titulagens “amorsemfimamorsemfimamorsemfim” indicam e ilustram esse amor que o espectador tem que entender: “Não acabará jamais. Eles estão juntos e conectados.” O único problema é justamente o roteiro, com resoluções tolas que tentam explicar esse amor sem fim.
O filme foi gentilmente massacrado pela crítica e por parte do público à época. Cada ator teve a sua indicação ao FRAMBOESA DE OURO do ano. Brooke (Pior Atriz), Martin Hewitt (apático demais, apesar de bonito. Recebeu a indicação de Pior Revelação do Ano) e Shirley Knight foi indicada ao prêmio de Pior Atriz Coadjuvante. O diretor Zeffirelli não ficou de fora. Merecida indicação a Pior Diretor. Pior Roteiro (esse faço coro) a JUDITH RASCOE e finalmente o de Pior Filme do Ano, o produtor DYSON LOVELL. Em compensação, o que salva e melhora a atmosfera da fita, sobretudo nas revisões, é a trilha escrita e co-cantada por Lionel Richie, em que sua canção teve merecidas indicações ao Oscar e Globo De Ouro.
Sinceramente, mesmo não sendo um fã deste pequeno trabalho de Zeffirelli, AMOR SEM FIM é um filme que recomendo para quem quer namorar, fazer amor e ficar junto, simplesmente depois de uma sessão. Não sou insensível, sou romântico e adoro fitas com o tema que trazem conflitos humanos mais adultos. Conseguem imaginar a dor de Clark Gable deixando Vivien Leigh para sempre? E, só no final ela entende que o amava e o quanto ele a amava? Sei reconhecer um filme essencialmente de amor quando vejo um. Não é o caso aqui, é apenas um passatempo de 1h56 que tem fim.
EUA – 1981
ROMANCE/DRAMA
WIDESCREEN - 116 min.
COR/UNIVERSAL- 14 ANOS/✩✩ REGULAR
POLYGRAM PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO
KEITH BARISH/DYSON LOVELL
UM FILME DE FRANCO ZEFFIRELLI
BROOKE SHIELDS. MARTIN HEWITT
endless love
SHIRLEY KNIGHT. DON MURRAY. RICHARD KILLEY. PENELOPE MILFORD Com:
BEATRICE STRAIGHT. JAMES SPADER
e Apresentando: TOM CRUISE
Música Original por JONATHAN TUNICK
Tema “Endless Love” por
LIONEL RITCHIE
Diretor de Fotografia DAVID WATKIN
Montagem MICHAEL J. SHERIDAN
Direção de Arte ED WITTSTEIN
Figurinos por KRISTI ZEA
Escrito por JUDITH RASCOE
Baseado no livro de SCOTT SPENCER
Produtor Executivo KEITH BERISH Produzido por DYSON LOVELL
Dirigido por FRANCO ZEFFIRELLI
Endless Love ©1981 PolyGram Filmed Entertainment UM FILME UNIVERSAL








9 comentários:
Oi Rodrigo,
Adorei essa postagem de "Amor sem fim". Gosto muito do trabalho de Franco Zefirelli e tenho quase todos os filmes dele. Este filme sem dúvida marcou muita gente na época.
Vi o filme recentemente e fiquei um pouco surpreso.
Achei que seria bem ruim e tinha convicção que o filme era apenas um passatempo.
Apesar de estar longe de ser um clássico, gostei do filme.
Vale pelo menos pelas curiosidades, como você mesmo cita.
Abraços
Não vou negar que fiquei super curioso, hahahaha
Nunca assisti esse filme completamente, amo Brooke Shields, mas das partes q vi, sempre achei um filme meio chato, mas eram outros tempos. Enfim, gostei da sua resenha, me deu até vontade de conferir, quem sabe veja esse ano ainda. Grande Abraço!
Vi esse filme na tevê, faz tempo... Uma bobagem, apesar da beleza dos protagonistas.
O Falcão Maltês
Nossa, eu assisti há muito tempo também. Hoje é bobinho pra mim, mas quando eu era adolescentizinha, nossa, achava o máximo. kkkkkk
Post indicado nos melhores da semana nos Blogs de Cinema classico. Abraço
http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/11/links-da-semana-de-7-1311.html
Acredita que eu ainda não tive tempo/oportunidade pra assistir esse filme? Quando eu era mais nova cheguei a ver algumas partes e fiquei toda encantada, mas já nem me lembro mais de como ele é. Provavelmente se eu assistir não ficarei tão encantada como na primeira vez HAHAHA
M: Entendo que o filme lhe é nostálgico e especial Magda, mas eu acho o trabalho mais preguiçoso do Zeffirelli. Tb curto os seus filmes, demais! Bjs.
RENATO: Talvez vale pelas cenas de nudez, não é? Rs!
Abs.
ALAN: Será que vc vai gostar Alan?
CELO: Acho que vc não vai curtir Celo. É um filme bem infantil na concepção. Talvez c possa gostar mais da segunda parte perto do clímax. Abs.
ANTONIO: Melhor ainda é a trilha sonora com a música-tema! Só.
CARLA: Rs rs... entendo Carla! É um filme bem teenager mesmo! Obrigado mais uma vez por indicar meu post. Beijos!
RUBI: Acho que não mesmo Rubi, rs! A gente amadurece... o tempo passa e certo tipo de premissa não faz mais a nossa cabeça.
Bjs.
Olha, confesso que não vi este filme não...
Mas, pela descrição, tem tudo para ser o piegas que comenta.
hehehe
;P
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