segunda-feira, 14 de novembro de 2011

JAMES L. BROOKS | MELHOR É IMPOSSÍVEL

FALANDO DEMAIS, IMPOSSÍVEL RESISTIR

Pode parecer impossível, mas uma mãe solteira que trabalha de garçonete, um escritor misantropo e um artista plástico gay formam uma amizade improvável. Só que melhor é impossível quando o arrogante escritor (NICHOLSON) se apaixona pela gentil solteirona e carente (HUNT).
Dirigido por JAMES L. BROOKS (Os SimpsonsLaços de Ternura) MELHOR É IMPOSSÍVEL foi o filme do ano – junto com TITANIC de Cameron - e faturou o Oscar somente de melhor ator (JACK NICHOLSON) e melhor atriz (HELEN HUNT). Não é para menos. Excelentes atuações e uma química que do improvável, acontece. Melvin Udall, um famoso escritor mora na bela cidade de Nova York, mas o cara é extremamente ranzinza, intolerante, fanático por limpeza e chato ao quadrado. Tudo isso se explica por uma grave doença: ele é obsessivo compulsivo. Anda na corda bamba nas calçadas da cidade, ninguém pode tocá-lo, tem a mesma rotina diária todo santo dia, trabalha em casa, é mal com os vizinhos, odeia o cachorro do vizinho gay, usa vários sabonetes, tranca as portas e acende as luzes como um ritual e almoça no mesmo restaurante todo o dia. Senta na mesma mesa e gosta de ser atendido pela mesma garçonete, a paciente e gentil Carol Connelly (HUNT). Ele consegue o que quer com o seu dinheiro, mas isso não muda o fato das pessoas sentirem antipatia por ele. Um solitário (no filme o personagem tem meia-idade, mas Nicholson é mais velho) e que mora em um vazio apartamento. Parece que ele não liga para isso. Até que um dia, a sua vida vira de cabeça para baixo quando o seu vizinho gay, Simon (GREG KINNEAR) é atacado em casa por marginais e hospitalizado. Então, o seu cachorro acaba ficando com Melvin, sem que o mesmo esteja de acordo no início. Udall é assim: adora ofender os fracos e oprimidos, mas quando é jogado verbalmente contra a parede o cara se transforma em um covarde super-engraçado! Assim, o agente (gay) de Simon (CUBA GOODING JR. amaldiçoado pelo Oscar, mas em boa fase de carreira aqui) consegue por medo em Melvin e o faz ficar com o cachorro. O tempo passa e até a uva passa... Simon fica na pior e Melvin passa a gostar do bichinho, leva ele para todo lugar, separa (e paga) o bacon de seu almoço e o leva para passear. O mais curioso é que o cachorro tem os mesmos tiques que Melvin – anda na rua como ele e as afeições começam. O sujeito muda o seu comportamento. Claro, que se mete em muitas enrascadas, mas no fim acaba ganhando o coração da garçonete e a empatia de seu vizinho homo, que vira amigo confidente.


Só que “nesta comédia para o coração que da um nó na garganta”, como diz o slogan, tudo que é melhor, para Nicholson, é impossível. Ou seja, todo mundo é obrigado a compreender as manias do sujeito e ver que até pessoas como ele tem um bom coração. O filme não tem que se decidir entre comédia romântica e comédia porque é simplesmente uma comédia

Melvin? Por favor não abra a boca!
Hunt e Nicholson não são pombinhos apaixonados, são pessoas obsessivas. Ela pelo filho em tempo integral (o menino sofre de bronquite asmática e a mulher é super-ultra-mega protetora), assim sendo, não tem namorado apesar de beirar linda aos quarenta anos e mora com a mãe (SHIRLEY KNIGHT). Ela é o oposto de Melvin, bagunceira e dependente da mãe, além de achar que o filho precise abraçá-la forte todos os dias. Uma mulher vulnerável e extremamente carente. Simon é outro obcecado, só que pelo cachorro. Aliás, é também muito orgulhoso. Tudo que importa pra ele, em primeiro plano é saber se o animalzinho está bem e se ainda o tem afeição. Isso radicalmente muda quando o dog passa a preferir Melvin, o que deixa Simon numa maré de baixa auto- estima. O fato é que esses opostos se atraem de uma maneira impossível e melhor não poderia ser.

Melvin, com sua obsessão de planejar, ser arrumadinho e limpinho (demora um século para sair do banho) não é o único com problemas diagnósticos. Se observarmos bem todos nós temos as nossas próprias obsessões: manias, toques, etc. E, melhor que isso, é realmente impossível. No fundo são essas diferenças que antagonizam as nossas vidas e fazem delas, uma grande aventura e até mesmo uma arte.


Um filme que me faz rir, sempre, com o seu humor ferino, inteligente e um Nicholson inspirado. Mereceu o Oscar – e também o Globo de Ouro na mesma categoria. Melhor que isso, é impossível. Desculpe estar sendo repetitivo ao dizer isso!

EUA- 1997
COMÉDIA
WIDESCREEN e FULLSCREEN
139 min.
COR
LIVRE
SONY/Columbia Tris-star
✩✩✩✩✩ EXCELENTE


TRISTAR PICTURES APRESENTA UMA PRODUÇÃO: GRACIE FILMS
UM FILME DE JAMES L. BROOKS
JACK NICHOLSON. HELEN HUNT. GREG KINNEAR
“AS GOOD AS IT GETS”
CO-ESTRELANDO:
CUBA GOODING JR.. SHIRLEY KNIGHT. SKEET ULRICH. HAROLD RAMIS
YEARDLEY SMITH. LUPE ONTIVEROS. JESSE JAMES. MISSI PYLE
Música de HANS ZIMMER
Montagem RICHARD MARKS Fotografia JOHN BAILEY
Cenografia BILL BRZESKI Figurinos MOLLY MAGINNIS
Produtores Executivos
LAURENCE MARK. RICHARD SAKAI. LAURA ZISKIN
Produzido por KRISTI ZEA. BRIDGET JOHNSON
Escrito por JAMES L. BROOKS. MARK ANDRUS História de Mark Andrus
Produzido e Dirigido por
JAMES L. BROOKS
 As Good As It Gets ©1997 Gracie Films/Tristar Pictures

10 comentários:

Hugo disse...

James L. Brooks foi buscar inspiração em "Laços de Ternura" para criar drama simpático, com ótimas atuações de todo o elenco.

Até o romance inusitado entre Nicholson e Helen Hunt ser torna interessante.

Abraço

renatocinema disse...

Amigo disse tudo: "Excelentes atuações e uma química que do improvável, acontece."

Acho que esse é um daqueles filmes em que Nicholson arregaça a manga da camisa e fala vou brincar de atuar.....e ai esse ícone do cinema arrasa.

Oscar merecido tanto para ele quanto Helen Hunt que fez uma boa parceria com o eterno Estranho no Ninho.

J. BRUNO disse...

Confesso que quando assisti ao filme pela primeira vez, e isso já faz muito tempo,ele não me cativou, apesar de eu ter reconhecido as boas atuações... mas imagino que hoje eu veria de uma forma bem diferente! valeu pela dica!

M. disse...

Ah esse filme é muito bom! Jack Nicholson está formidável.

ANTONIO NAHUD disse...

Uma deliciosa comédia com um Nicholson melhor do que nunca.

O Falcão Maltês

Unknown disse...

um dos filmes q mais gosto, leve e reflexivo igualmente, grande atuação de Nicholson, deu até vontade de rever. Abs!

Unknown disse...

Nossa... Perdi as contas das vezes que revi este filme!!
Delicioso do início aos fim... e graças a esta química improvável mesmo!
Sem falar que o cachorrinho é muito fofo!!!heheheheh

Olha, estou com um novo blog além do nascida em versos: http://dietacinematografica.blogspot.com/
Se puder dar uma conferida... Agradeço!

;D

Reinaldo Glioche disse...

Mais um excelente e nostálgico texto em exibição no Cine Rodrigo. Adoro Melhor impossível. Sem delongas, melhor do que Titanic naquele ano...

Abs

Rodrigo Mendes disse...

HUGO: Inspiração em Laços de Ternura?

RENATO: Pois é, quando Nicholson brinca de ser ator o resultado é mais do que uma brincadeira, rs!

BRUNO: Reveja. Vale a pena. Uma comédia inteligentíssima, no ponto.

M: Adoro!

ANTONIO: Nicholson Melhor cada vez mais, às vezes eu acho que ainda é possível... rs

CELO: É sempre bom rever os filmes de que temos predileção.

KARLA: Ótima observação, o cachorrinho é um charme a parte, rs!
Adorei este seu novo blog.

REINALDO: Nostalgia pura. Obrigado amigo, tb acho que Melhor É Impossível apresenta melhores qualidades que Titanic, ma tb devemos ver que são filmes bem diferentes.

Abraços pessoal!
;)

Elton Telles disse...

"You make me wanna be a better man". Tem como não rir do enrolamento dessa cena e se emocionar com a genuidade dos sentimentos? E com o plus de duas atuações perfeitas de dois atores com uma química que sai faíscas da tela... eu também adoro "Melhor é Impossível", acho engraçado e também singelo em algumas aspectos, o que contraria com a figura mala de Melvyn, mas é um filme que não julga ninguém ali, apesar das fraquezas de cada, acho isso muito válido. E tu mencionou pouco, mas Greg Kinnear é o elemento perfeito que balanceia as diferenças entre o casal, também em uma atuação de destaque.

Volta, L. Brooks a fazer filmes assim! rs

abs!

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