KAR WAI NO OCIDENTE
Uma jovem mulher, Elizabeth, faz uma viagem em busca da alma por toda a América para tentar resolver suas questões amorosas, arrasada depois que é abandonada por seu namorado. Assim, ela procura consolo freqüentando um bar de Nova York, dirigido por um inglês chamado Jeremy. No caminho aparece uma série de personagens incomuns.
Não posso deixar de admirar a carreira do diretor chinês WONG KAR WAI. Portanto posso dizer que sou um admirador incondicional de sua obra e pouco importa que este seu primeiro filme americano não chegue a ser uma obra prima como AMOR À FLOR DA PELE (2000). Ou mesmo mais brilhante como: 2046 – OS SEGREDOS DO AMOR (2004), FELIZES JUNTOS (1997), CINZAS DO PASSADO E AMORES EXPRESSOS (1994) e DIAS SELVAGENS (1990) fitas que precisam de revisões e mais apreciação por parte dos adoradores de uma boa sessão (boa é apelido) da sétima arte.
“Amor à Flor Da Pele” é seu filme mais conhecido e adorado e esta sua aventura na terra do Tio Sam é um filme menor, mas nem por isso regular e muito menos irregular. O importante é que Kar Wai tem um olhar, um estilo, extremamente autoral, pessoal que permeia toda sua obra conseguindo resultados notáveis, ou no mínimo interessantes – que é o caso desta fita.
Certamente ele ficou fascinado demais com a paisagem americana, tanto é que já sucedeu com outros cineastas estrangeiros, mesmos os brasileiros, para dar maior importância ao roteiro e a premissa. Talvez tenha procurado fazer um filme de estrada com uma história de amor, sem maiores pretensões. Também é discutível a escolha da cantora NORAH JONES, como estrela, já que a filha de Ravi Shankar não tem uma personalidade marcante, se torna apenas uma figura passiva em torno da qual gira a história e o elenco. De qualquer forma ele era fã e Norah foi a única escolha para protagonista em sua estréia no cinema.
Mantêm-se o clima de romance a la Kar Wai, enevoado, oblíquo, da melhor forma do diretor ao contar a história de Elizabeth (Norah) e Jeremy, um JUDE LAW cheio de energia e garra. É no bar dele que ela experimenta a torta Blueberry, que tem importância na trama, só que Elizabeth está determinada a viajar, depois de apenas um breve beijo no rapaz. Trabalhando como garçonete em uma lanchonete de Memphis, ela ouve os lamentos de um policial alcoólatra, interpretado pelo ótimo DAVID STRATHAIM diante da infidelidade da esposa (RACHEL WEISZ em um bom momento da carreira), mas quem entra com tudo é a musa NATALIE PORTMAN, que faz uma inveterada jogadora que ela encontra em Nevada e com quem experimenta os altos e baixos de Las Vegas, a cidade do pecado.
| Aquele Beijo... |
Segui-se a tradicional trilha musical com canções pop, a fotografia elaborada – aqui com externas inclusive do deserto visto por um Jaguar - o romance discreto mais sugerido que mostrado e, com isso não há dúvidas que é um filme de Kar Wai, menor, mas nem por isso menos agradável e interessante. É como um mestre se exercitando, contando histórias de relações humanas, em uma terra nova e fascinante, o ocidente.
| Amo minha Natalie Portman! |
EUA/FRANÇA/CHINA - 2007
ROMANCE
WIDESCREEN
COR
95 min.
10 ANOS
EUROPA FILMES
✩✩✩ BOM
UM FILME DE WONG KAR WAI
MY BLUEBERRY NIGHTS
ESTRELANDO:
NORAH JONES. JUDE LAW. DAVID STRATHAIM
RACHEL WEISZ. FRANKIE FAISON e NATALIE PORTMAN
Também-estrelando: CHAD DAVIS. KATYA BLUMENBERG. JOHN MALLOY. DEMETRIUS BUTLER
ADRIANE LENOX. BENJAMIN KANES. CHAN MARSHALL. MICHAEL HARTNETT
Música de RY COODER. Elenco por AVY KAUFMAN
Diretores De Fotografia DARIUS KHONDJI. PUNG-LEUNG KWAN
Edição e Cenografia por WILLIAM CHANG SUK PING
Figurinos por WILLIAM CHANG SUK PING e SHARON GLOBERSON
Produtores de Linha ALICE CHAN. PAMELA THUR- WEIR
Produção Associada STÉPHANE KOOSHMANIAN
Produção Executiva YE-CHENG CHAN
Produzido por WONG KAR WAI. JACKY PANG YEE WAH
História de Wong Kar Wai
Escrito por WONG KAR WAI e LAWRENCE BLOCK
Dirigido por
WONG KAR WAI
My Bluebarry Nights ©2007 Block 2 Pictures/ Jet Tone Production
Lou Yi Ltd./ Studio Canal








10 comentários:
Ótimo texto Rodrigo. Ah... eu amo esse filme. Trata-se de um Kar Wai vigoroso. É um filme sobre descobrimento super romântico, ainda que não seja romantizado, e profundamente melódico - ainda que não seja um musical. Até concordo que não se sustenta ante seus filmes chineses, mas tem um lugar especial no meu coração.
Abs
Nunca vi um filme do Kar Wai e me sinto extremamente arrependido por isso. Vou procurar esse e Amor À Flor da Pele do diretor, fiquei curioso com a filmografia do chinês.
Abraços.
De todos os filmes do Kar Wai, esse sem dúvida é o mais fraquinho. Não me convenceu muito não, ainda mais na revisão. Há passagens lentas demais beirando ao sono e o elenco, apesar de atraente, ajuda. Acho que o roteiro poderia ter sido um pouco mais ousado e lúcido. Há momentos que parece que tudo vai se perder...
Mas, ainda assim, temos uma Portman inspirada e gostei do desempenho de Nora que acaba por surpreender na atuação, ainda que sua personagem seja a mais passiva de todas no filme.
Abraço!
Rodrigo, eu simplesmente amo este filme. Amo mesmo. Com certeza, foi o que eu mais vi na vida (acho que perde até para "As Horas"). Gosto da Portman aqui, claro. Acho a história bacana!
[]s
Claro que não dá para comparar este com os trabalhos anteriores do diretor... Mas, eu gosto. E gosto principalmente deste ar de passividade, um tanto lento, meio road movie... Não sei, acho que é o tipo de filme que faz mais sentindo aos que tem a aparente - um tanto irritante - falta de expressividade da Norah... Acho que a personagem dela é daquelas que guardam a intensidade pessoal só para si, por trás de uma cara "lavada".
Enfim, não amo o filme, mas gosto... Ponto alto fica com David e Natalie com certeza!
Ah... e que linda estava a Rachel com aquele corte de cabelo!
;D
REINALDO: Belo comentário meu caro ;)
GABRIEL: Creio que irá gostar!
CRIS: Nas revisões continuo gostando do filme e achando ele bom, mas claro que não acho obra prima. Portman é sempre dez e Norah até que esta bem.
ALAN: Sim vc já havia dito que este é um filme de cabeceira seu! Rs
KARLA: Norah tem essa cara lavada por ser uma cantora famosa e de repente frente a um filme estelar de um diretor renomado e elenco ainda mais conhecido. A intenção era ser lento e ar road-movie mesmo, tanto é que acho essa artifício louvado quando um diretor oriental fica encantado com o ocidente. Por outro lado é marco de Kar Wai.
Rachel linda mesmo! Não só no cabelo.
Beijos Karla!
E, abraços aos amigos!
Rodrigo
Gostei muito do texto, meu caro Rodrigo! Esse filme não repete a perfeição de outros do Kar-wai, mas não é menos que excelente! Adoro "Um Beijo Roubado", tive a sorte de conferir no cinema e me senti embriagado pós-première rs.
Norah Jones não me incomoda como fez com tantos espectadores, mas ela junto ao Law representam mesmo o elo fraco do filme, não por eles em si, mas porque Portman, Weisz e Strathairn são presenteados por personagens excepcionais =P
Eu gosto muito de "My Blueberry Nights", uma bela aventura estrangeira de um dos diretores mais interessantes da nossa época.
abraços!
ELTON: Obrigado meu caro Telles! É isso mesmo... Kar Wai faz um filme que se aventura no estrangeiro. É bom, mas não obra impactante perto de suas fitas chinesas.
Abraço!
Gosto muitíssimo de Wong Kar Wai, e embora tenha adorado essa sua versão americana, tenho bastante resistência com algumas coisas, mesmo sabendo que elas existem aqui para atender a uma versão de cinema exigida por Hollywood, algo que o diretor não sofre em Hong Kong.
Meus filmes preferidos dele ainda são AMOR À FLOR DA PELE e FELIZES JUNTOS, mas esse UM BEIJO ROUBADO é tão doce, e a dupla Jude Law e a linda (e maravilhosa cantora) Norah Jones é tão "sweetie", que é impossível não se derreter. HAHHAHAHHAHAH
LUIZ: É isso mesmo cara! Impossível não curtir o filme. O passado do diretor ajuda...é uma curiosidade conferir "Um Beijo Roubado", sempre!
Abs.
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