SESSÃO
DINOSSAURO
4
AMORES E PERDAS
Um fazendeiro casado e com um filho, tem um caso de amor com outra mulher da cidade, ambiciosa, ela sugere que ele mate a esposa durante uma viagem de barco até uma cidade grande próxima, com a desculpa de levá-la até um parque de diversões. Ele se arrepende e durante a viagem vem uma tempestade e a mulher afoga-se de verdade.
Com uma premissa destas nem parece romance e ou/ história de amor, não? AURORA (Sunrise, 1927) foi o primeiro filme americano do alemão F.W. MURNAU (1888-1931), considerado uma das fitas mais bonitas de todos os tempos. Por isso, premiada com Oscars de atriz (JANET GAYNOR) e também por outros trabalhos, de fotografia (KARL STRUSS e CHARLES ROSHER) e com um prêmio especial chamado: unique and artist picture.
Há duas versões, uma muda e outra com sonorização. A trilha musical é sincronizada e podem-se ouvir os diálogos numa sequência na rua em que o casal se beija; o que nos faz pensar que poderia ter sido o primeiro filme falado da história do cinema, mas também era o mesmo ano de O Cantor De Jazz.
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| MURNAU |
O filme teria sido um fracasso de bilheteria, fato que não chegou a afetar a carreira do diretor Murnau, que morreu cedo em um desastre de carro. Ele descreveu seu filme como: “A história de dois seres humanos. Esse canto ao Homem e à Mulher vem do nada e de tudo, poderia situar-se em qualquer tempo e lugar. Em toda a parte, o Sol se levanta e se põe no turbilhão das cidades ou ao ar livre de uma fazenda. A vida é sempre a mesma; ora amarga, ora doce, com seus risos e lágrimas, seus erros e seus perdões.” Melhor descrição, impossível!
Este é mais um registro jurássico do cinema. AURORA ainda não perdeu a sua beleza e atmosfera e continua contando esta clássica história de amor e perda, que faz entender por que na época houve tanta reclamação contra a chegada do cinema falado, que segundo os críticos, cortava a fluidez da imagem e tudo virava teatro filmado. Mesmo porque, “naquela altura”, havia necessidade de pouquíssimos letreiros explicativos, já que tudo é narrado pelo visual, que raramente chegou a tamanho requinte. Principalmente nas passagens de tempo, digressões da trama, que incluem fusões e cenas paralelas. Um belíssimo trabalho.
O excêntrico diretor Murnau (o considero o maior gênio da fase do cinema mudo) de filmes como o assustador NOSFERATU (1922 – Vide abaixo. Uma fita que abalou a minha vida com aquela imagem grotesca do Vampiro), e de outras obras-primas como: FAUSTO (1926) e A ÚLTIMA GARGALHADA (1924), além de PHANTOM (1922) dentre outras...estava aqui em seu apogeu quando conduziu a bela Janet Gaynor, que na verdade nunca foi tão delicada e discreta nos filmes, como a esposa que desconfia da infidelidade do marido (um inspirado GEORGE O´BRIEN) e percebe que ele planejou a viagem de barco simplesmente para matá-la.
Na verdade, este não é um filme para ser considerado por ter imagens tão memoráveis (sim são belas), ainda influenciadas pelo expressionismo alemão. E, para provar que somente os cineastas alemães tinham este toque especial com seu expressionismo, o filme contêm uma cena fantástica, a mais célebre, que mostra o casal passeando e por trás deles a paisagem vai mudando até quando eles estão se beijando no meio da rua. Mas toda a sequência no parque de diversões construído em décor é igualmente linda. Um filme notável, uma obra de arte do cinema romântico e mudo. Fico mudo, sem mais palavras.
EUA-1927 - MUDO E SONORO
ROMANCE
WIDESCREEN
97 min.
PRETO E BRANCO
LIVRE
FOX
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
WILLIAM FOX APRESENTA
F.W. MURNAU´S
SUNRISE
A song of Two Humans
Estrelando GEORGE O´BRIEN & JANET GAYNOR
MARGARET LIVINGSTON. BODIL ROSING e JANE WINTON
Música de HUGO RISENFELD Direção de Arte ROCHAS GLIESE
Fotografado por KARL STRUSS e CHARLES ROSHER
Escrito por CARL MAYER
Baseado em livro de HERMANN SUDERMANN A Trip to Tilsit
Titulagens por KATHERINE HILLIKER e H.H. CALDWELL
Dirigido por F.W. MURNAU
Sunrise ©1927 Twentieth Century Fox Film Corporation










6 comentários:
Muito legal seu blog, não conhecia. Parabéns pelo trabalho e êxito sempre. Saudações!
Paulo Néry
Filmes Antigos Club Artigos
http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/
A premissa é super interessante, hein? Desde que a Madame comentou no blog dela (e deu nota máxima) eu estou bastante curioso para ver... Agora, virou objetivo para 2012! rs
Rodrigo, Incrível esse post cara, vc me despertou o enorme interesse em adquirir esse filme. Eu não tenho o habito de baixar filmes e esses filmes dos anos 20 são muito raros de achar no Brasil (Como quase tudo do passado aff)e quando achamos são muito caros, vou em busca desse Sunrise graças a seu ótimo artigo.
Parabéns pelos ótimos textos desse seu especial Sessão Dinossauros... kkkkk
Abração
Sinais Em Breve? Vou aguardar ansioso pois adoro esse filme e junto com o Sexto Sentido são as obras primas de Shyamalan... Abração
PAULO: Obrigado pela visita e apreciação. Seu blog já esta devidamente linkado nos meus favoritos na coluna Outras Sessões.
Grande abs!
ALAN: Lembro do texto da Madame. Um filme notável Alan, procure assistí-lo!
Abs.
Obrigado meu caro JEFFERSON, sempre presente aqui. Valeu brother! Eu até que baixo filmes, mas clássicos como este eu me recuso. Vc acha na Livraria Cultura com certeza, inclusive esta edição da Fox que postei. Se não tiver na loja, encomende.
Aguarde por Sinais, tb acho bom, a reta final dos ótimos filmes que Shyamalan fazia depois de começar a derrapar.
Abs!
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