terça-feira, 27 de março de 2012

STEVE McQUEEN | SHAME

SOLIDÃO SEXUAL

Brandon é um homem pós-moderno que vive na cidade de Nova York e mantém a sua vida particular em segredo, o que lhe permite realizar os mais variados atos sexuais fora de controle. Porém, sua rotina mudará com a chegada repentina da irmã Sissy, alterando sem querer a sua vida por tempo indeterminado. Dor física e mental em um filme surpreendente.


O texto pode conter informações detalhadas da fita e que para alguns pode ser considerado Spoiler. Mesmo assim, recomendo a leitura. A experiência de assistir a um filme é uma jornada muito pessoal, sobretudo se tratando deste ótimo exemplo de cinema. Obrigado. Boa Sessão.


É normal sentirmos vergonha quando o assunto é íntimo, quando o papo é sexo, ainda mais se tratando de nossa condição sexual. Não conseguimos nos expor em uma mesa de jantar para os amigos a nossa privacidade tão abertamente e sem encanação, mesmo quando a conversa esta totalmente descontraída. É complicado falarmos detalhes de nossos desejos e fantasias, geralmente todo mundo diz o essencial.

SHAME é um filme brilhante e que sabe mostrar perfeitamente os vícios e anseios incontroláveis de um homem sociopata, viciado em sexo em tempo integral, seja se masturbando ou penetrando ferozmente em várias moças desconhecidas sem laço afetivo. 

O diretor STEVE McQUEEN - favor não confundir com o saudoso astro de Sete Homens e Um Destino e Fugindo Do Inferno (1930-1980), este é um talentoso cineasta que despontou na indústria recentemente, dirigiu o tão comentado HUNGER (2008) e prepara mais uma fita com o seu astro-fetiche, o ator do momento e galã, MICHAEL FASSBENDER (num filme sobre escravidão: Twelve Years Slave) - realiza um trabalho cuidadoso ao abordar um assunto polêmico, delicado e que não procura atalhos para contar a história de um sujeito aparentemente bem sucedido chamado Brandon Sullivan (Fassbender) que sofre de um transtorno de personalidade onde não consegue se relacionar muito bem afetivamente, não sabe manter monogamia sendo caracterizado por um comportamento estranho e impulsivo. Não tem o menor afeto ao indivíduo, tem desprezo pelas “normas sociais” (faz a sua própria lei e se magoa diariamente) e tem indiferença aos direitos e sentimentos dos demais. Para ele o que importa é buscar o gozo, transar loucamente e ponto. Bom dia e nem quero saber se foi bom pra você. Passar bem. Essa psicopatia é clara em sua personalidade um tanto antissocial, embora sua distinção e elegância tentem provar o contrário e é exatamente neste ponto que McQueen quer chegar, pelo menos em minha percepção. Em geral, acho que o personagem personificado pelo brilhante Fassbender (ator que merece elogios mesmo!) é severo demais com as pessoas e consigo mesmo quando se distancia de uma relação amorosa, no trabalho, amigável e familiar. Sua “cabeça” esta voltada à união física do corpo culminando no sexo que não tem aquele prazer que merecia. Ele desperdiça nos milhares de espermas que ejacula diariamente a possibilidade do verdadeiro prazer. Prefere gozar e dar descarga em sua própria vida, um poço da pornografia. No entanto, só vemos esses problemas sendo expostos quando sua irmã caçula Sissy Sullivan (Mulligan) faz uma visita inesperada, colocando em risco a saúde mental do irmão e sua própria relação com o mesmo.


O filme não tem interesse em mostrar o que aconteceu com esses dois seres carente de afeto. Segundo Sissy: “Não somos pessoas ruins, nós viemos de um lugar ruim.” Fica o mistério e a fascinação da plateia ao ouvir tal diálogo, mas seguimos com o filme. Fica claro que ela se torna o obstáculo do irmão. Existe uma piada na qual dizem que a pior coisa não é a mão adormecer, e sim a irmã pentelha interromper no meio da punheta (piadinha infame que merece ser dita na única cena engraçada do filme). Quando isso ocorre, constrangido e enfurecido, Brandon demonstra o seu lado psicótico e doentio para com ela. Esta invasão de privacidade é o antagonismo principal do filme, destrói uma relação que já é bastante ferida e aquece o interesse entorpecente da plateia pelo filme cada vez mais.

SHAME já começa de certa forma silenciosamente (porque Brandon, o principal da história, só aparece nu e não diz uma só palavra) a música sensacional de HARRY ESCOTT com uma bela composição no piano, toma conta do clima, inúmeras cenas do galanteador Fassbender mostrando o pênis e totalmente despido, sem vergonha, levantando da cama e caminhando em seu apartamento. A secretária eletrônica é ligada e na linha sua desesperada irmã lhe chamando para atendê-la, mas ele finge que a voz não existe e prefere urinar despreocupadamente. Esta no metrô observado uma mulher (LUCY WALTERS) que lhe retribui uma cantada. O lobo não perde tempo e deseja avançar até a caça e assim abocanhá-la. Os olhos expressivos de Fassbender nos diz que por ele, faria sexo selvagem com ela ali mesmo, no vagão, pra depois esquecer que um dia ela esteve com ele. O trágico herói não precisa dizer muito, do modo como McQueen e Fassbender o apresenta, nota-se que estamos vendo na tela um homem que esta prestes a cair mais fundo em seu próprio abismo, sempre sozinho. É incrível como a arte imita a vida e não o contrário. É notável em um belo filme saber como existem pessoas neste mundo que são bonitas, tem um ótimo emprego, belas roupas, moradia confortável e um perfil chamativo para estar facilmente com outras pessoas mais bonitas e sem o menor problema. SHAME mostrou-me claramente que existem pessoas solitárias, sim, numa verdadeira abstinência sexual? De fato, mas que podem não estar tão sozinhas como um Brandon da vida, que esta com várias mulheres e ao mesmo tempo com nenhuma. Nós, cúmplices masculinos, não conseguimos nem por um segundo invejá-lo. E olha que ele é personificado por um belíssimo homem!


É patética sua tentativa de conseguir algo diferente com uma colega do trabalho, interpretado pela ótima NICOLE BEHARIE, que o questiona quando o mesmo quebra o maior clima romântico durante um jantar dizendo que o casamento é inútil, algo neste gênero. Ela, uma mulher sucedida e que acredita no romance e nos relacionamentos, não aprecia tal comentário. Com ela, ele tenta de todas as maneiras uma oportunidade para não ficar apenas no sexo, mas é frustrado pelo seu condicionamento psicológico. Falha, literalmente numa cena que pode ser discutida: quando os dois estão querendo ficar juntos é o único momento erótico da fita ou não? Em outras palavras, já que Brandon não chega ao gozo e fica mais próximo nos toques com uma mulher e assim McQueen faz o caminho inverso abordando o sexo em seu filme, mas é evidente que isso não é o único problema do “moderno homem sucedido”, pois ele fica um tanto confuso quando nutre um ciúme pela irmã ao tornar-se incômodo ouvir os sussurros dela fazendo sexo com o seu chefe, um sujeito engraçadinho e descompensado (interpretado por JAMES BADGE DALE), outro que entra intimamente na vida do casal de irmãos.  Sissy, uma jovem independente profissionalmente (é uma exímia cantora e musicista), mas dependente da família, de pessoas próximas a ela, uma mulher com jeito de garotona que carece desesperadamente de um abraço ou de um simples “Eu te amo”. Procura dar e nunca recebe, não só por ter um irmão frio, mas porque suas irresponsabilidades são claras. Além do mais é uma suicida perigosa. E o que dizer de Mulligan? Palmas para ela ao cantar New York, New York, uma interpretação envolvente e emocionante e que pode tirar um pouquinho de lágrimas de qualquer homem durão. Canta lindamente e sua performance é de dar inveja a Liza Minelli! Esta canção é um mistério-chave da premissa. Brandon se emociona por alguma razão e fica claro, pelo menos em minha opinião, nos olhos de Mulligan para ele, quando canta. Ela não evita as emoções em sua face e tampouco esconde uma espécie de arma contra o irmão.  É algo que ficou no passado e que não é revelado. Certamente McQueen não escreveu uma cena destas sem qualquer fundamento, é um momento bastante reflexivo que ecoa na imaginação do espectador. Era assim que tinha que ser. Até porque este é o único momento isolado do filme, já que o interesse maior é mergulhar nas cenas que desconstroem o sexo.

Lembranças do passado
Nada em Shame é para sensualizar ou criar alguma ligação erótica em quem assiste. É uma jornada tanto psicossexual (já visto em outras obras como no clássico canto do cisne de Stanley Kubrick, DE OLHOS BEM FECHADOS, 1999) como fisicamente viciante, machuca Brandon intensamente e a sua loucura pelo prazer fazem dele um homem maldito que se humilha noite afora sendo alvo de pessoas que estão comprometidas e até mesmo dos homossexuais (retratados como boca do lixo no filme, algo que me incomodou muito). Enfim, SHAME é um trabalho polêmico e bastante discursivo. Não por acaso esta causando inúmeros debates e impressões das mais variadas na blogosfera cinéfila.

Estupidamente foi ignorado no Oscar. Sabemos do histórico da cultura americana e da Academia com relação a filmes com esta temática. Era de praxe que iriam deixar o filme de fora, uma fita que explora de maneira tão fria nua e crua os anseios da sexualidade. Ao menos teve uma merecida indicação a Melhor Ator para Fassbender no Globo De Ouro deste ano. Entre pequenos outros prêmios e indicações em demais festivais internacionais de pouca mídia, Shame, pelo menos foi lembrado em Veneza. Lá ganhou o Cinem Awenire de Melhor Filme e ainda McQueen ganhou o prêmio FIPRESCI para seu filme no mesmo Festival. Fassbender ganhou o Vulpi Cup de Melhor Ator e ainda o diretor foi indicado ao Leão de Ouro.

McQueen filmou tudo em apenas 25 dias. É notável sua habilidade em conseguir extrair o máximo dos atores nos longos takes. É tão perturbador quanto vergonhoso em alguns momentos. Só para exemplificar, Mulligan nua em sua cena inicial ou mesmo na sequência do jantar quando a personagem de Nicole deixa Fassbender envergonhado com relação a sua crítica aos relacionamentos (ele se atrapalha na hora de fazer o pedido e de concluir seu pensamento). Ou mesmo na despedida na escada do metrô quando ele leva aquele fora esperado. Ou seja, cada momento de sutileza é levado a longos minutos em um único posicionamento de câmera. No cinema, confesso, me deixou com vergonha alheia. Um sentimento que não pude controlar durante boa parte da sessão, dá para esquecer que se trata de uma ficção. As cenas de sexo são poucas, mas quando surgem ficam guardadas na memória. Repito: nada é erótico, é apenas uma sucessão de fetiches por parte do mocinho. Na ultimate fuck parece que realmente Fassbender penetrou na atriz, mas McQueen é inteligente ao desfocar a cena magistralmente e os atores transam contra a câmera! Na verdade ele prefere mostrar com maior destaque as reações orgásticas dolorosas do personagem. Nunca poderia imaginar que existiam crises durante uma relação sexual. Ele penetra fundo, sem dó, quer mais e não fica satisfeito. Não chega a lugar algum e repensa a sua solitária vida. 


Fica aquela sensação de soft-porn. Pode ser vetada a pornografia, mas é explorado em cada pelinho pubiano do Fassbender a dor e sofrimento de seu solitário Brandon. O trágico homem que está perdido em meio a tantos corpos que se conectam a ele lhe dando prazer? Mas que não tocam em sua alma e nem sequer lhe fazem carinho. É do carinho que necessita o ser humano. Precisamos do apego e é somente assim que o sexo acaba ficando bem mais prazeroso. Caso contrário, viveremos em uma amargura inquietante e seremos jogados em nossos lençóis querendo morrer de vergonha.




INGLATERRA – 2011
DRAMA
EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS
101 min.
COR
16 ANOS
PARIS FILMES
✩✩✩✩✩ EXCELENTE



UM FILME DE  STEVE McQUEEN
MICHAEL FASSBENDER
CAREY MULLIGAN
S H A M E
Co-estrelando: 
JAMES BADGE DALE. NICOLE BEHARIE & LUCY WALTERS
Música Original por HARRY ESCOTT
Fotografia de SEAN BOBBITT Edição de Filmagem JOE WALKER
Direção de Arte JUDY BECKER Desenhos de arte CHARLES KULSZISKI
Elenco por AVY KAUFMAN Decoração de Set HEATHER LOEFFLER
Figurinos por DAVID C. ROBINSON Co- produção BERGEN SWANSON
Produtores Executivos
PETER HAMPDEN. TIM HASLAM. TESSA ROSS. ROBERT WALAK
Produzido por
IAIN CANNING & EMILE SHERMAN
Escrito por ABI MORGAN & STEVE McQUEEN
Direção
STEVE McQUEEN
Shame ©2011 Film4 / UK Film Council / See-Saw Films
Uma Associação: Momentum Pictures/ Lip Sync Productions/ HanWay Films


11 comentários:

Reinaldo Glioche disse...

Excelente análise Rodrigo. Não poderia ser diferente. Tenho, contudo, dois apartes a fazer. O primeiro é o uso do termo "psicopatia" para descrever a compulsão (vício)de Brandon. Não concordo com o emprego do termo. Nem todo o viciado tem um comportamento psicótico e psicóticos raramente são viciados em qualquer coisa que seja.
Isso posto, outro ponto que gostaria de respeitosamente discordar é de que era esperado da academia a "esnobada" em Shame. Concordo que o filme seja muito obscuro e sombrio para os padrões da academia - assim como outro solenemente esnobado (Precisamos falar sobre o Kevin)e, ainda, Os homens que não amavam as mulheres. Mas vejo essa tendência se modificando. Acho que filmes difíceis estão cada vez mais presentes no Oscar. Enfim, o que quero dizer, é que uma quebra de paradigma está em curso. Eles podem não ser tão sombrios quanto Shame, mas "Onde os fracos não têm vez" não seria uma escolha que a academia faria há 15 anos atrás.

Aquele abraço!

Rodrigo Mendes disse...

Olá Reinaldo.
Veja bem,
eu não quis dizer que Brandon chega a ter de fato um comportamento criminal (favor não confundir com Psicopata estilo Norman Bates) ou algo do tipo, aliás, esta teoria comportamental, na psicologia é também chamada de Psicopatia (assim como Sociopatia) e Brandon apresenta durante todo o filme um transtorno anti-social e pra mim é neste ponto que McQueen quer chegar. As aparências enganam já que ele é um homem distinto, elegante e todas as demais características que confundem um pouco para provar o contrário. Ele, além de ter essa compulsão, vício, é um homem que acaba se tornando perigoso pra si mesmo e para a irmã que entra em cena e acabada sendo responsável por atrapalhar sua rotina.

Conversei com uma amiga minha que foi minha professora de Psicologia na Faculdade, ela própria me explicou o termo.

E outra, as pessoas com atos criminais podem ou não ter qualquer tipo de vício ou vice-versa. O ser humano é um ser muito complexo e tem gente que apresenta sintomas de tudo quanto é doença mental que podem até se hibridizar. Enfim, mas obrigado pela extensão do assunto.

Quanto a segunda discordância. Não disse que esperava Shame no Oscar, era de praxe mesmo! Você citou ótimos exemplos de filmes esnobados por terem assuntos um tanto polêmicos (o que na cabeça de cada um é muito relativo). Acho que o caso de "Onde Os Fracos Não Têm Vez" é bem isolado, como os filmes do Tarantino, Oliver Stone ou Scorsese que tem projeções no evento da Academia. Os Coen desde "Fargo", outro filme mega violento, já conseguiram também este espaço midiático e pra mim são filmes leves perto de temáticas como as de "Shame" ou mesmo o filme com a Tilda Swinton e a fita do Fincher. O curioso deste universo sombrio nos filmes é que a violência é facilmente aceita e o sexo não. Pode? Espero que este patamar realmente mude, mas não sei viu. E desculpe, mas o que são os filmes do Marty no Oscar há mais de 15 anos? O que é o conteúdo de "Taxi Driver" e "Touro Indomável", por exemplo?

Abraço.

Alysson disse...

Só pela sua analise já me deu muita vontade de ver o filme, eu já tinha visto que esse filme ja estava causando muita polemica e muito burburinho em torno dessa trama sexual quero muito verrr adoro filme com esse tipo de temática.

Unknown disse...

Ah... ele é meu astro=fetiche tmb!!
hehhehe
Brincadeiras a parte, a sua resenha deste sensacional filme está acima da média... perfeita! Vi uma entrevista do Fassbender comentando sobre como a compulsão por sexo acaba sendo um vício aceitável - em alguns casos louvado - mas, tão pesado e degradante como qualquer outro... a solidão é diferente e muito bem explorada.

;D

Gilberto Carlos disse...

Todos comentam tanto sobre esse filme. Preciso ver. Adoro filmes ousados.

J. BRUNO disse...

Eu ainda não consegui assisti-lo até hoje e não estou me contendo de ansiedade, que só se faz aumentar a cada crítica ou comentário que leio sobre ele...

Wilson Antonio disse...

Que texto magnífico sobre o filme sensação desse começo de ano. Shame realmente merece cada análise que tem recebido, principalmente nas blog-esferas cinefílicas. Grande crítica para um filme incrível
parabens e grande abraço

Júlio Pereira disse...

Olá, Rodrigo. Pois então, Shame é mesmo magnífico. É um estudo perfeito de um personagem. O protagonista é um homem que não sente prazer no sexo, ao contrário, é pura dor e sofrimento - por isso a direção com tom melancólico, de cores frias e pálidas, de McQueen, é tão importante. A cena de sua colega de trabalho, por exemplo, exemplifica bem isso: numa tentativa de algo mais que o sexo passageiro (que, repito: não confere prazer, é necessidade), ele não consegue nem uma ereção. E sim, ele tem mesmo uma personalidade fechada, isolada. Por isso, sua irmã não só ameaça essa esfera que criou em sua volta, como representa uma paixão frustrada, aparentemente - em todos os momentos o filme sugere o incesto (por não poder ter o amor da irmã como quer, é frustrado e revoltado com ela, por isso as brigas). Chega a ser deprimente acompanhar a melancólica jornada desse personagem, sobretudo quando sua irmã entra novamente em sua vida - é aí, aliás, que o filme começa de verdade!

Sobre a canção New York, New York, se você observar a letra, vai perceber que há relação sim com os personagens - não é um mero método de demonstrar um conflito no passado entre os irmãos, já que isso é exposto através da discussão entre os dois, contraposta com um desenho animado infantil ao fundo, desfocado, sugerindo algum problema na infância (que não nos importa saber qual é, na verdade).

Aproveitando essa cena, é bom mesmo exaltar as atuações de Mulligan e Fassbender. Ambos soberbos, em papéis extremamente difíceis.

Tem uma coisa que acho muito interessante (e que vem sendo pouco comentada/lembrada): perceba que o McQueen expõe o Fassbender nu somente uma vez, não expondo o personagem, algo que reflete sua personalidade introspectiva, fechada; já Carey (para minha alegri) recebe uma longa tomada nua, contrapondo a personalidade de seu irmão, ou seja, revelando que ela é muito mais extrovertida e aberta que ele.

Em relação aos homossexuais, achei equivocado. Não são bocas de lixo nem nada do gênero. A cena só é cruel e pode dar isso a entender pois, embora o personagem seja heterossexual, não há orientação sexual quando se trata de suprir sua necessidade. Dessa forma, sua dor é clara, pois está fazendo algo que não tem prazer, mas faz porque precisa disso.

Em suma, Shame é uma obra excepcional, que merece debates, muita atenção, vários textos e os maiores elogios possíveis. Viva Steve McQueen!

Emmanuela disse...

Olá!! Que bom receber sua visita no cinema pela arte!!

Ainda não vi Shame, vontade não me falta, adoro filmes assim, que suscitam reflexões e expõem o que normalmente se oculta.

Grande abraço!

Rodrigo Mendes disse...

Alysson: Vai gostar do filme!

Karla: Acima da média? rs obrigado.
Olha, sexo é bom mas controlado e recíproco, quando essas duas coisas ultrapassam o limite, ou quando não há reciprocidade, a coisa caminha para a solidão, o que não acho válido. Não sei se concordo com Fassbender. Ele não concluiu o pensamento?
Bjs.

Gilberto: Não perca mais tempo. Assista!

Bruno: Acredito que também irá gostar do filme.

Wilson: Poxa, obrigado meu caro! Agradeço. SHAME é extraordinário.
Abs.

Júlio: É meu amigo....o interessante são essas experiências particulares que o filme gera. E concordo com você com relação a nudez dos protagonistas revelando simbolicamente quem eles são.

Sobre "New York, New York" acredito que simbolize ou indique algo forte, antagônico entre eles que não chegamos a saber já que não sabemos do passado deles (fica na imaginação e entendimento de cada um). Quanto ao gays eu continuo achando que o ambiente é representado como boca do lixo, entendo e concordo que Brandon foi lá já totalmente doente mentalmente e na total solidão apenas para suprir suas necessidades sexuais viciantes, porém, pelo conteúdo da cena e do ambiente nada me indica do contrário de que os homossexuais são tratados como lixo e exclusos da sociedade, ainda mais em um filme heterossexual como Shame. Infelizmente esses lugares existem, mas tem filmes que não explicam os motivos por detrás destes lugares. Assim, vejo que fica um cheiro de preconceito no ar. Há alguns filmes LGBT que também resolvem explorar burramente desta maneira. Minha crítica é apenas com a fórmula de apresentação e artifício que indaga um rótulo tolo para com os gays. Até porque os mesmos puteiros existem para os heterossexuais.

E é claro, embora o filme tenha este momento incômodo, Shame é realmente excepcional por outros motivos. Mulligan para sua alegria naquele longo take totalmente nua, rs!

Abraço

Obrigado pessoal!

Jefferson C. Vendrame disse...

Deve ser interessante, se chegar em minha cidade já tenho motivos pra ir vê-lo. Valeu pelo Post Rodrigo,como sempre ótimo...

Grande abraço

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