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ANOS no Cinema Rodrigo!
As aventuras de um
pequeno alienígena perdido milhões de anos-luz longe de casa e acaba fazendo
amizade com um garoto de 10 anos na Terra.
É incrível como esta graciosa e encantadora fita de STEVEN
SPIELBERG não envelhece com o tempo. E já faz 30 anos! Em 2002 ele relançou o filme em uma Edição Especial Comemorativa de aniversário (20 anos) reunindo o elenco e equipe de produção exibindo este clássico em uma super Première com orquestra tocando ao vivo a música do filme, regida pelo maestro e compositor JOHN
WILLIAMS. No DVD de 2002 há uma saída de áudio em que a gente pode ouvir a sessão ao vivo durante o filme!
O mais incrível, e não faço mudanças em meu texto (publicado em Novembro de 2009) sobre E.T., é que mesmo tendo rendido mais de 700 milhões de dólares, o filme não teve uma continuação. Rodado em segredo e modestamente, Spielberg ingenuamente pensava que fazia um filme pessoal e até experimental naquela altura de sua carreira. Acabou sendo consagrado como o filme de encerramento no Festival de Cannes, onde foi aplaudido de pé e abriu caminho para uma carreira espetacular e esplêndido sucesso mundial (até em 2002 o filme foi sensação e senti no cinema algo que não pude prestigiar em 1982) E.T emociona, sempre.
Todo o elenco juvenil, por exemplo, aproveitou bem o sucesso. A menina DREW BARRYMORE (neta de John Barrymore e de toda a estirpe de atores da família Barrymore) era apenas uma guria de seis aninhos e seu grito ao descobrir o E.T. no armário ficou famoso. Amo-a.
Dali em diante teve uma carreira atormentada pelas drogas, mas bem sucedida que, na virada do século, a mantém como estrela e hoje, produtora de cinema.
O garoto HENRY THOMAS (atualmente só vi ele na superprodução Gangues De Nova York, de Scorsese) tinha dez anos na época e fora escolhido num teste onde fez Spielberg chorar ao contar sobre o dia em que seu cachorro morreu. Depois cresceu e nunca deixou de trabalhar, mesmo em poucos filmes de destaque - também ressalto aqui o filme “All The Pretty Horses”, em 2000 e na adolescência no telefilme Psicose IV: A Revelação, interpretando o jovem Norman Bates.
Bom, do grupo de amiguinhos, um deles C. Thomas Howell fez boa carreira como galã, inclusive em “Vidas Sem Rumo”, o filme “Blue Jeans” anos 80 de Coppola e no ótimo “A Morte Pede Carona” ao lado de Rutger Hauer. Erika Eleniak, que interpretou a garota que Elliot beija na escola (na cena dos sapinhos), depois posaria nua na Playboy Magazine; assim como Drew. Seria atriz em filmes como “A Força Em Alerta” e na comédia sessão da tarde; “A Família Buscapé” (como a filha robusta e gostosa).
Por incrível que pareça, virou astro o já ótimo e talentoso ator PETER COYOTE que faz o cientista que parece ser mau. Uma curiosidade no extra do DVD - Edição Especial de 20 anos: Harrison Ford fazia uma ponta como o professor de Elliot (nunca os adultos mostravam o rosto - apenas a mãe feita por DEE WALACE e depois Coyote), mas a cena com Ford foi retirada.
A sequencia de fuga com as bicicletas, quando elas voam, serviu de inspiração para o logotipo da firma de Spielberg, Kathleen Kennedy e Frank Marshall fundada na época, a Amblin Entertainment (Amblin era o nome de um curta rodado por Spielberg nos anos 60) - e quase não dá para notar dublês adultos nas bikes. O filme foi rodado sempre em câmera baixa (genial idéia), como se fosse mostrada pelo ponto de vista das crianças. E a famosa frase: " E.T. phone..home.." é nostálgica e ninguém esquece!
A atriz Debra Winger foi uma das pessoas que contribuiu para dublar a voz de E.T. Esta aventura foi indicada a vários OSCARS (Filme, diretor, roteiro, efeitos especiais); ganhou apenas o de: som, trilha musical (John Williams), efeitos visuais e sonoros. Naquela época a Academia ignorava Spielberg por inveja, teimosia ou burrice. É realmente inacreditável não terem dado o prêmio de Melhor Diretor do ano naquela fase da carreira dele.
O filme que “rapou” os prêmios da academia em 1983 foi “Gandhi” do diretor e ator Richard Attenborogh (que sem ressentimentos, faria para Spielberg a sua interpretação como o dono do Jurassic Park).
O rosto de E.T. foi moldado por Carlo Rambaldi e Stuart Freeborn (se não me engano) se inspirando nos rostos de Carl Sandburg e Albert Einstein. Quando estreou nos cinemas brasileiros, E.T. tinha um nome mais comprido: “E.T. ou Um Extraterrestre em sua Missão Na Terra", que pelo bom senso foi convenientemente esquecido.
O mundo inteiro se apaixonou pelo alienígena de Spielberg. Uma criatura feia, mas simpática. Spielberg criou e inventou o que foi, por muitos anos, a maior bilheteria de todos os tempos. Mais que um filme, tornou-se um fenômeno. E ainda é uma garrafa de vinho deliciosa.
O que era originalmente uma produção modesta, onde o produtor procurava ser fiel a suas fantasias, acabou atingindo toda a massa terrestre. E. T. seria, de certa maneira, o que teria acontecido se uma das criaturas de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, falando de modo ingênuo, tivesse sido deixada na terra por engano. É assumidamente um conto de fadas da era espacial, ainda mais infantil que Star Wars (mesmo mostrando muito mais o subúrbio americano - Spielberg ainda não esta preparado para uma ficção científica passada somente em outro mundo). Há inspirações a obra de James Matthew Barrie, autor de Peter Pan (como é de costume na obra de Spielberg), que é citado em um diálogo, embora existam outras definições como: “O pequeno príncipe revisitado". Para mim é o MÁGICO DE OZ ao avesso, também!
De qualquer forma, é inegável a competência de Spielberg como diretor de cinema, capaz de envolver o espectador em qualquer circunstância. Escrito em parceria com Melissa Matheson (embora Spielberg não receba os créditos) o roteiro tem origem na própria infância do cineasta, em um subúrbio semelhante ao filme, em que ele próprio sonhava um dia encontrar um amigo como aquele. Spielberg afirma que a fala do cientista é autobiográfica ao dizer: "Que a vida inteira sonhou em encontrar alguém assim".
E.T. foi rodado como “A Boy´s Life”, para que não lhe roubassem a idéia, com um orçamento pequeno, o filme se passa quase inteiramente em uma casa de subúrbio de uma família de pais divorciados, como a de Spielberg. Pela primeira vez ele trabalhou sem antes planejar as cenas em Story-boards, e deixou fluir naturalmente. É principalmente um filme sobre o universo das crianças, o herói é apenas um menino de 10 anos, o ótimo Henry Thomas como Elliot, que encontra o E.T. e é ajudado pelo irmão mais velho, pela irmã caçula e toda a sua turma.
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Henry
Thomas e Robert MacNaughton
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Todos os achados do roteiro são criativos e divertidos. A bebedeira de E.T. e o contra ponto à Elliot na escola (uma cena que foi cortada da versão em vídeo por ser 'mau exemplo'); ele assistindo ao clássico DEPOIS DO VENDAVAL ( The Quiet Man, 1952) na TV - e o mais legal, passando todas as sensações ao Elliot e a saída para a festa de Halloween com aquela rápida citação de Yoda. Há um doloroso arrependimento de Spielberg, por ter cortado a cena da banheira que depois seria salva na edição de 20 anos. O diretor acabou se arrependendo também por mudar algumas coisas na edição de vinte anos, como por exemplo, a estupidez de tirar as armas dos policiais por efeito de computação gráfica, na cena em que as bicicletas voam quando eles estão perseguindo os garotos.
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O diretor, a produtora Kathleen Kennedy e o elenco
dez anos atrás!
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É um brinde ver o etezinho brincando de baixo d água, outro ponto alto da obra, numa cena sabiamente recuperada! Mestre de filmes de aventuras, não é nenhuma surpresa ver a eficácia do diretor em realizar a cena de perseguição e toda aquela emoção e suspense. Na verdade, é um filme para ninguém botar defeito. Claro que a melhor criação é o próprio monstrinho, uma maravilha de concepção artística, que conquistou não apenas o coração de uma mãe que seria capaz de amar, todavia de crianças e adultos.
Continuará para sempre. Já estou preparado para mostrar a fita para a minha pequena sobrinha, Manuella Mendes.
Viva os 30 anos de E.T. na minha casa!
EUA - 1982
FANTASIA/AVENTURA
115 min.
Versão Original
121 min. Edição
Especial – 2002
COR
LIVRE
UNIVERSAL
★★★★★
Estrelando:
DEE WALLACE PETER
COYOTE
ROBERT MacNAUGHTON DREW BARRYMORE
E HENRY THOMAS Como ELLIOT
E HENRY THOMAS Como ELLIOT
Co-estrelando:
C. THOMAS HOWELL ERIKA
ELENIAK
Música de
JOHN WILLIAMS
Desenho De Arte......... James D. Bissell
Montagem..........Carol Littleton
Efeitos do E.T.criado por
CARLO RAMBALDI
Produzido por
STEVEN SPIELBERG
KATHLEEN KENNEDY
Roteiro de
MELLISSA MATHISON
Dirigido Por
STEVEN SPIELBERG
STEVEN SPIELBERG
E.T. The
Extra-terrestrial
©1982 Universal Pictures – Amblin Entertainment
















10 comentários:
Viva mesmo, E.T. é eterno, é mágico, é incrível. Ótimo texto. E parabéns pelos três anos de blog.
bjs
Obrigado Nanda!
E.T. ainda me faz querer ser aquele moleque que adorava acampar no quintal! Amo-o.
Bjs.
O seu texto me motivou a assistir a esse filme que há muito está para ser revisto! Vi quando era pequeno, me lebro pouco dele, e revi de novo, meio de canto de olho, quando adolescente - preciso vê-lo com um olhar mais crítico e também mais aguçado!
:D
Olá Rodrigo, acho que estou no mesmo barco que o Luís, faz tempo que eu vi o filme e me lembro de pouca coisa de sua trama, me recordo das cenas clássicas e do tanto que eu me emocionei. Eu também preciso revê-lo, é uma das grandes obras de Spielberg!
Parabéns pelo texto excelente meu amigo!
http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/06/pulp-fiction-tempo-de-violencia.html
http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/06/as-bicicletas-de-belleville.html
Sou fã também do E.T. Mas é um filme que não vejo há anos, desde criança. Tenho que rever agora pra saber o que acho. Só não o assisti no dia de seu aniversário pois quero a versão original, que virá em, blu-ray (não a que eu tenho, que é a com as lanternas no lugar de armas). Já coloquei minha sobrinha pra ver também (4 anos ela), e adorou o filme!
Luis, Bruno, Júlio: Obrigado pelos comentários.
E.T. é um daqueles clássicos inesquecíveis. É sempre bom dar uma revisada. Não podemos ficar muito tempo sem assistir a este filme. Síndrome de Peter Pan só funciona aqui.
Abraços a todos.
Esse filme é mágico, encantador (como você mesmo disse) e muito mais.
Eu, que nem sou grande fã de Spielberg assumo que nessa obra ele fez algo especial....único.
Primeiro, parabéns pelos 3 anos de posts excelentes!!
Este filme é um absurdo universal de lindo! Tem algo nele que é difícil de não comever até os mais durões...
Bela obra!
;D
Grande Rodrigo, como vai?
Sem dúvidas um dos maiores filmes de Spielberg e o preferido dele inclusive...
Você acredita que eu só vim conhecer esse filme no fim do ano passado? Eu nunca o tinha assistido na tv e nem no video, conhecia obviamente todo o sucesso e a fama dele mas nunca tinha visto. Aproveitei uma promoção, o comprei em uma versão dupla e o resultado foi o já imaginado antes de assisti-lo, ÓTIMO, assisti todos os extras, entrevistas etc...
Seu Post ficou perfeito, ótimo texto, lindas as fotos...
Grande abraço
Renato: Achava que era um fã de Spielberg.
Karla: Obrigado querida. Na verdade o blogue já tem quatro anos. 3 anos tem o post do E.T. que eu repostei especialmente para comemorar os 30 anos do filme. Fiz algumas mudanças no texto, mas não como o Spielberg que mudou a versão de 20 anos, rs
Beijos.
Obrigado Jefferson e vou bem e vc?
Valeu o carinho
E.T. é realmente o favorito do diretor, que também já disse querer ser lembrado por este e "A Lista de Schindler", de longe seus melhores trabalhos (tb aprecio demais Os Caçadores Da Arca Perdida).
Abração!
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