terça-feira, 11 de setembro de 2012

BILLY WILDER | QUANTO MAIS QUENTE MELHOR


Quanto Mais Revisões, Melhor!

Depois que dois músicos de Jazz sem um tostão furado testemunham um tiroteio entre gângsteres, acabam bolando um plano maluco em sua fuga, fugindo disfarçados de mulheres, as duas mais novas e esquisitas garotas que são integrantes de uma banda feminina. Só que a cantora do grupo (Monroe) acaba se apaixonando por uma das meninas (Curtis) e um velho rico pela outra (Lemmon).


“Ninguém é perfeito”, exceto esta atrevida comédia do genial BILLY WILDER (1906-2002) responsável por tantas obras-primas como: CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Boulevard, 1950), SE MEU APARTAMENTO FALASSE (The Apartment, 1960), A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (Ace In The Hole, 1951), PACTO DE SANGUE (Double Indemnity, 1944) e o meu favorito: O PECADO MORA AO LADO (The Seven Year Itch, 1955 – aquele em que o jato do respiradouro do metrô levanta as saias de Monroe). Portanto, em homenagem à própria deusa MARILYN MONROE que morreu há 50 anos no dia 5 de agosto de 1962 a Pandora Filmes esta distribuindo em alguns cinemas esta que é a maior comédia de todos os tempos (e faço coro ao American Film Institute pela votação) para ser apreciada novamente na tela grande.

Entrada inesquecível e antológica da deusa Monroe!
Marilyn estava no auge de sua beleza e sedução, mesmo estando um pouco gordinha, mas linda do mesmo jeito, como sempre, aliás, eternamente jovem. Não é o meu filme predileto com ela, especificamente (até prefiro ela no clássico The Seven Year Itch que a tornou um ícone), mesmo a fita sendo genial sem tirar nem por. Porém, acho que a loira esta fantástica no seu filme seguinte, dirigida por George Cukor em: ADORÁVEL PECADORA (Let´s Make Love, 1960). Muito mais a vontade vivendo Amanda Dell do que Sugar Kane (literalmente, Cana de açúcar). Há filmes mais cultuados da atriz como o já discursivo OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS (Gentlemen Prefer Blondes, 1953 de Hawks), mas acredito que todo mundo tem o seu filme favorito de Marilyn (no topo na década de 50!). Como filme é indiscutível que QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Some Like It Hot) é superior, mas não é o trabalho em que Marilyn tenha relaxado mais para fazer. Ironias do cinema. A estrela passava por diversos problemas na época, obviamente com relação ao seu casamento com Arthur Miller e uma gravidez não planejada que tragicamente a fez abortar (reza a lenda por ter feito inúmeros takes tropeçando nos pés de Curtis na cena da praia). Revendo mais uma vez, e pela primeira vez em uma sala de cinema, é notável certa baixa autoestima na diva. Diziam que ela não estava decorando o texto com facilidade o que chegou a irritar os colegas. Evidente que nada disso é transposto na tela. Só pelos olhares dela e principalmente na cena em que é pega bebendo escondida, a vulnerabilidade da personagem caiu como uma luva no cotidiano real da mulher mais desejada de todos os tempos. Não quero dizer que ela não brilha neste filme, todavia, pessoalmente noto que foi o filme em que ela teve mais dificuldades em compor o papel. Evidente que os esforços de Marilyn são louváveis e subestimados (nem sequer uma indicação ao Oscar! O filme só ganhou pelos Figurinos e foi indicado apenas nas categorias: Melhor Ator Coadjuvante, Lemmon, Direção de Arte, Fotografia, Diretor e Roteiro).


É curioso que o filme de Wilder é na verdade uma comédia de gangsteres cheia de reviravoltas e trapalhadas. Acabou sendo rodado em preto e branco apenas para esconder as maquiagens ridículas que aplicaram nos atores. TONY CURTIS (1925-2010) nunca esteve melhor ainda mais querendo ser Cary Grant na incrível cena do iate com Monroe e JACK LEMMON (1925-2001- mas Wilder queria originalmente Frank Sinatra para o papel) genialmente hilário! Lemmon vestido de mulher com aquela maquiagem fazendo caretas, me fez lembrar o saudoso Zacarias dos Trapalhões e para isso nem precisaria estar travestido. Só de lembrar as comparações começo a rir!


O filme tem ótimos momentos, um deles é a participação especial de George Raft como Spats Columbo, uma evidente paródia do ator para Scarface (de 1932).

Esta obra-prima começa com dois músicos de Jazz, devedores e mulherengos que estão vivendo uma série de desgraças (só que pimenta no ... dos outros é refresco e a plateia agradece). E, para complicar ainda mais a vida destes azarados homens, a dupla acaba sendo testemunha acidental de um massacre, entre mafiosos (filmada de maneira estilizada) e que com alguma sorte, conseguem fugir da violenta Chicago rumo à Flórida, numa viagem de trem, mas para isso são obrigados a se disfarçarem de mulheres para então conseguirem um emprego numa banda que só pode haver garotas. Então, Joe (Curtis) e Jerry (Lemmon), se transformam em Josephine e Daphne (risos incontroláveis ao vê-los assim pela primeira vez). O que acontece a seguir na espinha dorsal da premissa é o velho clichê das comédias, ambos se apaixonam pela mesma garota, Sugar Kane Kowalczyk (Monroe) só que a diferença neste filme (e não fazem mais comédias como antigamente) é que o chavão é repleto de situações inteligentes numa série de gags elaboradas, timing perfeito e interpretações extraordinárias. O mais legal nesta reviravolta de gargalhadas é quando entra em cena JOE E. BROWN (1892-1973) no papel do playboy Osgood que cai de quatro por Daphne. O perigo aumenta, não pelas mentiras de Joe se fazendo passar por milionário e enganando a burrinha da Sugar (risos), mas quando os mafiosos resolvem aparecer no Hotel onde estão hospedadas as nossas “heroínas”.

Tudo neste filme fervilha do início ao fim, embora o começo seja um pouco lento e com cara apenas de filme de gangster. O mais engraçado é certamente o desconforto de Lemmon e Curtis vestidos com roupas femininas e mantendo um jeito exagerado com a voz. De fato, Lemmon devora muitas vezes Curtis em cena em tais situações com a sua maravilhosa desinibição.

Wilder teve que produzir o seu filme de maneira independente e mais uma vez escreve um roteiro estupendo com o amigo I. A. L. DIAMOND (1920-1988) e foi ele quem insistiu para colocar a famosa última fala do filme que havia sido escrita numa noite anterior do término das filmagens. Obviamente que fora Diamond o responsável por uma das falas mais lembradas da história, um jeito inesperado e ousado de encerrar um filme com pitadas amorais para uma época. Era importante que os mocinhos não fossem caricatos, mas engraçados. Eles deveriam ser assumidamente heterossexuais e evidenciar complicações nos andares e expressões corporais femininas, além de reclamar das depilações maquiagem, etc. Tudo que uma mulher carrega numa bolsa e no nécessaire. Então, já que eles são “machos” travestidos, acabaram que vivenciando situações excruciantes, ainda mais quando as amigas chegam perto deles sufocando as tentações e é incrível a sequência da “festa do pijama” no trem!

Adoro Lemmon neste filme. Ele acaba se destacando, não tem como negar! Há tantos momentos que lembramos com graça e carinho. O ator dançando tango com o safado Osgood, segurando a rosa na boca de um jeito tão engraçado que é impossível descrever. Só digo que mesmo tendo passado 53 anos, o público ainda se mata de rir no cinema.  Ou mesmo quando Daphne, feliz com a notícia do noivado, começa a chacoalhar as maracas numa excitação absurda de genial. Por que não dizer uma obra-prima de timing perfeito?
Imagino que se o filme fosse em Technicolor o resultado seria grotesco. Temi por alguns instantes quando soube que a fita seria relançada, já que são de praxe remasterizações neste caso e pensei que eles queriam atrair público colorizando a obra. Confesso que fiquei feliz com a cópia exibida. Áudio e imagem fiéis ao filme de 1959 que por outra razão, além de querer esconder a maquiagem dos homens, ajudava a reforçar toda aquela época da Lei Seca e da máfia que parece ser mais bem contada de um jeito sombrio, noir e sem cor.

O cômico chega a perfeição e não tem outro filme que me faça relaxar como este. Comédia é uma das coisas mais complicadas de se fazer e tudo nesta película é composto de um modo híbrido com um humor ingênuo, burlesco de chanchada, que passeia pelo duplo sentido beirando ao escatológico, que porventura foi pensado da maneira mais sofisticada possível. Uma coisa é você rir de uma situação comum que se torna engraçada apenas naquele momento ou achar graça de piadas intelectuais com sorrisos leves e até dar risada de palavrões e graças aviltantes. No entanto, rir eternamente de um filme tão bem orquestrado em que a trama não tem limites (e todos ficam à vontade não importando a idade, classe social e, sobretudo com relação ao tempo), é uma farsa que poucos conseguem. Billy Wilder era este gênio.

Rir é o melhor remédio. Bom, eu diria que o melhor remédio é Quanto Mais Quente Melhor.


EUA- 1959
COMÉDIA
119 min.
PRETO & BRANCO
14 ANOS
PANDORA FILMES
✩✩✩✩✩ EXCELENTE

ASHTON PRODUCTIONS, Inc. Apresenta
A MIRISCH COMPANY PICTURE
UM FILME
DE
BILLY WILDER
Estrelando
MARILYN MONROE
TONY CURTIS              JACK LEMMON em:


GEORGE RAFT
PAT O´BRIEN       JOE E. BROWN
NEHEMIAH PERSOFF   JOAN SHAWLEE   BILLY GRAY
GEORGE E. STONE   DAVE BARRY   MIKE MAZURKI
HARRY WILSON   BEVERLY WILLIS   BARBARA DEW
Música por ADOLPH DEUTSCH
Fotografia de CHARLES LANG Jr. Montagem por ARTHUR P. SCHMIDT
Direção de Arte....... Ted Haworth   Decoração de Set..... Edward G. Boyle
Som….. Fred Lau   Efeitos Especiais..... Milt Rice
Guarda-Roupa..... Bert Henrikson   Vestidos de Monroe..... Orry-Kelly
Maquiagem { Emile LaVigne. Allan Snyder
Produtores Associados I. A. L DIAMOND. DOANE HARRISON
Escrito por
BILLY WILDER &  I. A. L DIAMOND       
Sugerido por uma história de R. THOEREN &  M. LOGAN
Produzido e Dirigido por
BILLY WILDER
Some Like It Hot ©1959
Ashton Productions, Inc./ Mirisch Company Picture/ United Artists
  

9 comentários:

Unknown disse...

uma das minha comédias favoritas. Lemmon e Curtis impagáveis e Monroe mostrando q não era só um rostinho bonito. A sensação de boa diversão permeia todo o filme. Deu uma vontade enorme de rever. Parabéns pelo texto. Abraço!

renatocinema disse...

Assim como Celo acho uma das melhores comédias. Clássico total

Só discordo quando diz: Marilyn estava no auge de sua beleza e sedução.

Acho sempre ela sedutora. kkk

Alan Raspante disse...

Com certeza: uma das melhores comédias de todos os tempos! Adoro demais o filme. Wilder realmente é o cara!!

Adoro a Marilyn, mas concordo contigo... Também não é a minha fita favorita dela, mas ela está exuberante como deve ser...

Deu até vontade de rever (acho que vou fazer isso ainda essa semana)!

Abs.

Luís disse...

Esse filme está há mil anos na minha lista de obras para ver! Espero vê-lo logo!

ANTONIO NAHUD disse...

Um filme inesquecível com um final antológico. Até o chato Curtis está bem.

O Falcão Maltês

J. BRUNO disse...

Colocaria este entre as 10 melhores comédias de todos os tempos, posto mais que merecido. Preciso revê-lo em breve! Comprei um box com filmes da Marilyn no mês passado e este é um dos que o integram.

Abraços Rodrigo!

Jefferson C. Vendrame disse...

Grande Rodrigo

Que Texto em cara! Perfeito!
Quanto Mais Quente Melhor é ótimo, e no cinema ainda? Que sonho seria assistir Marilyn Monroe na tela grande. Privilégio de poucos!

Grande Abraço

Parabéns pelo Post;

Rodrigo Mendes disse...

Celo: É diversão do começo ao fim, embora o primeiro ato seja basicamente um filme de gangster.

Renato: Mesmo gordinha ela era sexy. Eterna musa, eu sei! rs

Alan: Sua favorita é "Os Homens Preferem As Loiras", né? Adoro!

Luís: Não perca mais tempo!

Antonio: Não acho o Curtis chato.

Bruno: Parabéns pelo box!

Jefferson: Obrigado mesmo meu caro.
Tive a sorte e o privilégio de ver o filme na tela grande. Sessão lotada. Demais!

Abs. à todos!


Patt Baleeira disse...

Qual é a felicidade ao cubo de um Cinéfilo assumido?
Sinal Aberto da Rede Telecine..rs.
Adivinha o que assisti?
Maravilhoso Curtis e Miss Monroe.
Mais ou Menos assim:
"Fumo o tempo todo.
Não posso ter filhos.
Sou homem..."
***
"Ninguém é perfeito!"


bjs.

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