SUSPENSE E HORROR
FEMININO
☠OUTUBRO DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
A esposa e amante de um diretor sádico conspiram o seu
assassinato, após a morte do sujeito, o corpo que deveria estar numa piscina,
desaparece misteriosamente levando as duas mulheres à loucura. Direção Henri-Georges Clouzot.
Sou um fã assumido de Alfred
Hitchcock. Quem não é? Mas devo tirar o chapéu
para outro grande cineasta que concebeu um dos filmes mais influentes do
gênero: As
Diabólicas (Les Diaboliques, 1955) fita do francês Clouzot (1907-1977) que é
deslumbrante. Um digno horror que sabe combinar lindamente ao suspense. Não é
por menos, os filmes do diretor são obras de arte, sua filmografia é repleta de
exemplares dignos como O Salário Do Medo (Le Salaire de La Peur, 1953) e A Prisioneira (La Prisonnière, 1968)
citando apenas alguns. Reza a lenda que Hitchcock se inspirou neste filme que
fora um enorme sucesso de bilheteria internacional. É fato de que o filme
emprestou a vários outros (Com a Maldade Na Alma, 64, de
Robert Aldrich, Irmãs Diabólicas, 73, do
De Palma) um pouco de sua premissa ardilosa que transforma momentos chocantes
em chavões. Clouzot dirige um filme sombrio e impiedoso, até mais forte e
intrigante que qualquer outro filme de Hitchcock – e as comparações são
inevitáveis – tanto que há quem diga que o mestre do suspense, a fim de
recuperar o seu posto absoluto rodou Psicose como resposta. Outros
afirmam que até mesmo o grande sucesso do diretor de sucessos como Janela
Indiscreta e Festim Diabólico é inspirado neste! De qualquer forma Les Diaboliques tem todos os
ingredientes que fazem a gente ficar entorpecido diante a tela.
Com muito terror físico, Clouzot conta a história de uma herdeira,
a professora e proprietária de um colégio interno, Christina, a doce, frágil e maltratada esposa (uma cena triste e repugnante é quando ela é forçada pelo marido a
comer uma comida estragada no refeitório da escola, já que o mesmo evitava
gastar o orçamento, controlando a fortuna dela) é interpretada dignamente
pela ótima Véra Clouzot (1913-1960),
esposa do diretor. Portando o marido, Michel,
papel de Paul Meurisse (1912-1979 –
também excelente como vilão) casado com uma mulher que não consegue
enfrentá-lo, se aproveita deste matrimônio de interesse e assim, toda a
administração do colégio fica a seu cargo, que controla tudo com mãos de ferro,
além de, bater na mulher, humilhá-la em situações aviltantes como a do jantar e
ganhando a fama de malvado, sendo odiado por todos, professores, alunos e até
mesmo por sua amante, Nicole Horner,
a sensual Simone Signoret
(1921-1985) no papel de sua carreira. Nicole vai até Christina e diz que é
evidente que Michel se casou apenas por dinheiro e que ainda o cara faz de tudo
para vê-la sofrer um infarto e assim, herdar toda a sua fortuna. Para se livrar
da situação, Christina aceita realizar um plano diabólico da misteriosa Nicole
– afinal qual são suas reais intenções?-
que consiste em matar o marido. Juntas, frias e calculistas, elas o assassinam.
Usam uma droga para fazê-lo dormir para então afogá-lo sem dó nem piedade numa
banheira. Depois era só desovar o presunto na piscina da escola e todos
alegarão que o cara bebeu demais e se afogou acidentalmente. Um crime perfeito.
Fim da história. Será? Com um bom antagonismo, o corpo desaparece sem deixar
vestígios, então entra na trama um detetive particular, Sr. Fichet, interpretado por Charles
Vanel (1892-1989) que não descansará até desvendar o mistério.
Um enredo excitante e que deixa Hitch com inveja. Além de
aterrorizante, As Diabólicas é um
filme que sabe projetar paixões fervescentes quando o adultério ocorre nas
paredes de uma escola provinciana arruinada. Três interpretações soberbas num
cenário lastimável. A fotografia de Armand
Thirard deixa uma sensação de que o mal acontece logo abaixo da superfície
é um preto e branco tão mórbido quanto impudico. A trilha musical de Georges Van Parys, (já nos títulos
iniciais quando a câmera filma em plongée
sob a piscina) é terrificante, ainda mais quando um coral infantil é
orquestrado.
O projeto é baseado em romance dos mesmos autores de Um Corpo Que Cai (Vertigo, de
Hitchcock), Pierre Boileau e Thomas Narcejac chamado: Celle Qui n´êtait Plus. Hitchcock tentou comprar os diretos autorais da obra, mas
perdeu. Seguidamente os escritores fariam para ele (por encomenda) D´Entre Les Morts que se transformaria no filme com Stewart e Kim Novak.
Em 1996, infelizmente, a obra teve uma péssima refilmagem por
Jeremiah Chechik, estrelada por Sharon
Stone, como a amante, Isabelle
Adjani, a esposa banana e Chazz
Palmiteri como o marido. Mesmo enredo, só muda a época, idioma, e o
detetive vira um personagem feminino na ótima, porém canastra, Kathy Bates que sofreu de câncer e
segundo o script, tem um seio só. É
um resultado tão repugnante como matar um homem afogado.
FRANÇA – 1955
TERROR/SUSPENSE
FULLSCREEN
CINEMAX/CRITERION/CONTINENTAL
PRETO E BRANCO
114 min.
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
UM
FILME DE
HENRI-GEORGES
CLOUZOT
SIMONE
SIGNORET. VÉRA CLOUZOT. PAUL MEURISSE
Charles Vanel. Jean Brochard. Pierre Larquey
Michel Serrault. Thérèse Dorny
Noël Roquevert Yves-Marie Maurin. Georges
Poujouly. Georges Chamarat
Jacques Varennes. Robert Dalban. Jean Lefebvre
Música
GEORGES VAN PARYS Fotografado por ARMAND THIRARD
Montagem
MADELEINE GUG Direção de Arte LÉON BARSACQ
Baseado
no Romance Celle Qui n´êtait Plus
de
PIERRE BOILEAU & THOMAS NARCEJAC
Roteiro
HENRI-GEORGES
CLOUZOT. JÉRÔME GÉRONIMI. RENÉ MASSON. FRÉDÉRIC GRENDEL
Produção
e Direção
HENRI-GEORGES
CLOUZOT
Les Diaboliques
©1955 Filmsonor/ Vera Films










3 comentários:
Rô,
Um clássico do cinema francês com inspiração em Corpo que Cai?
Já anotei pra caçar e comprar!
abços.
Pati,
na verdade As Diabólicas veio antes de Vertigo. Certamente a fita de Clouzot causou algum impacto na carreira do Hitch posteriormente. rs
Bjs!
Ainda não assisti, mas depois desse seu texto é impossível não ficar tentado. Quero conhecer "as diabólicas", rs
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