quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O FANTASMA DA ÓPERA | 1925


SESSÃO DINOSSAURO
10
A FACE ASSUSTADORA

OUTUBRO DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA

Um gênio e louco desfigurado que vive nos porões de um Teatro apaixona-se por uma jovem solista, mas terá que disputar este amor quando a moça reencontra um namorado de infância.


Esqueça o musical de Andrew Lloyd Webber, este filme é o original e o mais fiel a obra operística do horror escrita pelo francês Gaston Leroux (1868-1927) que viveu o bastante para ver este extraordinário filme baseado em sua célebre obra: Le Fantôme de I´Opéra. E que título bonito, não? Reza a lenda que o próprio Leroux adaptou o script e chega a receber os créditos principais pelo feito da obra literária, mas o que poucos não sabem é que o roteirista Elliot J. Clawson (de vários filmes mudos, inclusive de terror como Midnight Madness, 1918, também do diretor Julian) trabalhou na adaptação sem reconhecimento assim como outros que também fizeram e acrescentaram ajustes à fita como: Bernard McCormack, Raymond L. Schrock (de mais de 150 filmes como roteirista) e Jasper Spearing, que certamente ajudaram e muito no tratamento da premissa. Vale acrescentar que Richard Wallace (1894-1951 – diretor de alguns filmes cults clássicos como The Fallen Sparrow, 1943, um dos melhores trabalhos do ator John Garfield) chegou a contribuir com um texto externo. Enfim! Foram muitas pessoas que fizeram deste celulóide dinossauro uma relíquia impressionante da sétima arte, o maior sucesso da fase muda do estúdio de Carl Laemmle, A Universal Pictures, a casa dos monstros.

Os títulos também são magníficos: “Vocês estão dançando sobre os túmulos de homens atormentados...” uma sugestão de Walter Anthony (1872-1945) que escreveu várias titulagens em obras consagradas: O Homem Que Ri (The Man Who Laughs, 1928 – protótipo para a criação do personagem Coringa de Kane) e Nada De Novo no Front (All Quiet On The Western Front, 1930 – um dos mais aclamados filmes não de horror de Laemmle).

A beleza deste filme consegue superar o lindo musical da Broadway. Na versão original o acompanhamento musical é feito por Gustav Hinrichs que no cinema só trabalhou para este filme. Outra versão musical, que aliás é ótima, é a versão de 1929 por Sam Perry (de obras como O Corcunda de Notre Dame original de 1923 [ também do estúdio] e Flash Gordon, a série matinê de 1940) e William Schiller, quando o filme foi relançado. Na década de 1990 também refizeram a programação musical da fita, mas sem o mesmo brilho de outrora.



O Fantasma... é realmente fruto de um trabalho conjunto, não que cinema não seja isso, mas não é obra de um único diretor, como o creditado Rupert Julian (1879-1943) um artesão por encomenda com sessenta filmes no currículo, mas a maioria são como ator. Outros homens vieram dirigir: Edward Sedgwick (que fez uma série de filmes com Buster Keaton) e o sobrinho de Laemmle, Ernst, que também era diretor. Até mesmo o astro da fita, “O Homem Das Mil Faces”, Lon Chaney (1883-1930 – pai no querido Lon Chaney Jr., O Lobisomem) chegou a assumir a cadeira de diretor!

Cena antológica do mestre da caracterização Lon Chaney

É magistral a reação da câmera e a do espectador ao ver pela primeira vez o rosto monstruoso do trágico Phantom, apaixonado e vingativo. Todo mundo (até mesmo a câmera saindo do foco) dá um salto para trás em pleno susto. É um daqueles momentos de revelações dos filmes clássicos, entende? O monstro é revelado num overacting único de Chaney. Há vários momentos antológicos adaptados do livro, como a famosa queda do lustre na platéia provocada pelo fantasma para mostrar a sua força e que a irritante Carlotta (interpretada por Mary Fabian apenas na versão relançada de 29!) não tem o fôlego e a voz encantadora de sua aluna, a inocente Christine Daee (a bela Mary Philbin).


Tem aqueles momentos de herói com Norman Kerry no papel do jovem Visconde Raoul de Chagny, que não está disposto a perder sua amada, raptada pelo louco fantasma e arrastada para a escuridão. Sem contar na sequência colorida do sensacional Baile de Máscaras, um espetáculo visual à parte, na qual Chaney se apresenta vestido como A Morte Escarlate de Edgar Allan Poe aterrorizando com sua presença maléfica. O filme conta com ilustres participações, numa ponta como uma simples bailarina esta a radiante Ruth Clifford (1900-1998), atriz de mais de 160 papéis e figurações no cinema (Crepúsculo dos Deuses de Wilder; Rastros de Ódio de Ford; Amor Singelo de Victor Fleming; Procura-se Uma Estrela de Stanley Donen, etc).


O diretor Julian se retirou da produção depois de altas discussões criativas com a equipe, neste ínterim assumiu Sedwick. Ben Carré foi chamado para trabalhar nos cenários já que ele tinha experiência em óperas parisienses. Chaney era quem criava a sua própria maquiagem e sem dúvida esta é a minha predileta. Aquele rosto esquelético que ajuda a atormentar ainda mais as cenas finais de uma trama escusa graças às várias mãos tomadas a frente no roteiro. O bom de O Fantasma Da Ópera é que pelo menos toda a ambientação continua insuperável. Chaney é  a cereja do bolo necessária para a fita, sem ele, certamente este filme não teria feito tanta história.


O filme teve diversas cenas filmadas em diferentes processos de cores, a do baile é a única que sobreviveu. Muitas fontes afirmam que Chaney tomou as rédeas da direção do filme em vários momentos já que estava ficando insuportável a comunicação com Julian. 

Em 2008 ele foi exibido no Walt Disney Concert Hall com acompanhamento musical ao vivo pela Orquestra Filarmônica de Los Angeles e o slogan continha o clichê: “Em filmes mudos, ninguém pode ouvi-lo gritar!”

Apesar de gostar das outras versões como a que Arthur Lubin fez com Nelson Eddy em 1943 com nomes dos personagens adaptados (tem até uma mais trash com Robert Englund!), a com Hebert Lom de 62 também é muito boa, e até mesmo do musical que o Schumacher fez com Gerard Butler, ainda assim este é indiscutivelmente o original, portanto, o melhor. É um filme que oferece uma série de momentos de grande valia, “disfarçada” pela arte cinematográfica já que teve problemas na adaptação e concepção final. Os atores, sobretudo Chaney, são também os grandes contribuintes. É uma aula de pantomima, de ótimas inspirações do melodrama do cinema mudo e quando Chaney é abandonado pela amada Christine (Philbin realmente horrorizada) é o momento de desfrutar e sentir pena do fantasma.

The Phantom Of The Opera is here inside your mind!

EUA – 1925
MUDO
FULLSCREEN
93 min. Versão Original
P&B/COR
SILVER SCREEN (Brasil)
LIVRE
✩✩✩✩✩ EXCELENTE

Uma Produção UNIVERSAL
Carl Laemmle Apresenta
THE PHANTOM
OF THE OPERA
Da Obra de GASTON LEROUX
Com: LON CHANEY. MARY PHILBIN. NORMAN KERRY
ARTHUR EDMUND CAREWE. GIBSON GOWLAND
JOHN ST. POLIS. SNITZ EDWARDS
Fotografado por…..  { Milton Bridenbecker
                  { Virgil Miller
                             { Charles  Van Enger
Montagem …..   { Edward  Curtiss
                     { Maurice Pivar
                       { Gilmore Walker
Sets/Direção de Arte Ben Carré
Desenhos de Arte Charles D. Hall. Elmer Sheeley
Maquiagens por Lon Chaney
Produzido por Carl Laemmle
 Roteiro
Gaston Leroux. Elliott. J. Clawson. Bernard McConville
Frank M. McCormack. Raymond L. Schrock
Jasper Spearing & Richard Wallace
Títulos por Walter Anthony. Tom Reed
Direção
Rupert Julian. Lon Chaney
Ernest Laemmle. Edward Sedgwick
Tha Phantom Of The Opera © 1925 A Universal Picture

2 comentários:

Amanda Aouad disse...

Só vi o de 62 e o musical. E devo confessar que tenho um amor por este último, por causa da peça e das músicas. Mas, fiquei curiosa em relação a esse original.

js

Rodrigo Mendes disse...

Nanda, acredito que irá apreciar este. Se gosta de filmes clássicos e do inconfundível mestre da caracterização, Lon Chaney pai.
Bjs.
Assista!!!!

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