SESSÃO
DINOSSAURO
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A FACE ASSUSTADORA
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
Um gênio e louco desfigurado que vive nos porões de um Teatro apaixona-se por uma jovem solista, mas terá que disputar este amor quando a moça reencontra um namorado de infância.
Esqueça o musical de Andrew
Lloyd Webber, este filme é o original e o mais fiel a obra operística do horror
escrita pelo francês Gaston
Leroux (1868-1927)
que viveu o bastante para ver este extraordinário filme baseado em sua célebre
obra: Le Fantôme de I´Opéra. E que título bonito, não? Reza a lenda que o
próprio Leroux adaptou o script e
chega a receber os créditos principais pelo feito da obra literária, mas o que
poucos não sabem é que o roteirista Elliot
J. Clawson (de vários filmes mudos, inclusive de terror como Midnight
Madness, 1918,
também do diretor Julian) trabalhou na adaptação sem reconhecimento assim como
outros que também fizeram e acrescentaram ajustes à fita como: Bernard McCormack, Raymond L. Schrock (de mais de 150 filmes como roteirista) e Jasper Spearing, que certamente
ajudaram e muito no tratamento da premissa. Vale acrescentar que Richard Wallace (1894-1951 – diretor de
alguns filmes cults clássicos como The
Fallen Sparrow,
1943, um dos melhores trabalhos do ator John Garfield) chegou a contribuir com
um texto externo. Enfim! Foram muitas pessoas que fizeram deste celulóide
dinossauro uma relíquia impressionante da sétima arte, o maior sucesso da fase
muda do estúdio de Carl Laemmle, A Universal Pictures, a casa dos monstros.
Os títulos também são
magníficos: “Vocês estão dançando sobre os
túmulos de homens atormentados...”
uma sugestão de Walter Anthony
(1872-1945) que escreveu várias titulagens em obras consagradas: O
Homem Que Ri (The Man Who Laughs, 1928 – protótipo
para a criação do personagem Coringa de Kane) e Nada De Novo no Front (All Quiet On The Western Front, 1930 – um dos mais aclamados filmes
não de horror de Laemmle).
A beleza deste filme consegue
superar o lindo musical da Broadway. Na versão original o acompanhamento
musical é feito por Gustav Hinrichs
que no cinema só trabalhou para este filme. Outra versão musical, que aliás é ótima, é a versão de 1929 por
Sam Perry (de obras como O Corcunda de Notre Dame original de
1923 [ também do estúdio]
e Flash Gordon, a série matinê de 1940)
e William Schiller, quando o filme
foi relançado. Na década de 1990 também refizeram a programação musical da
fita, mas sem o mesmo brilho de outrora.
O
Fantasma... é
realmente fruto de um trabalho conjunto, não que cinema não seja isso, mas não
é obra de um único diretor, como o creditado Rupert Julian (1879-1943) um artesão por encomenda com sessenta
filmes no currículo, mas a maioria são como ator. Outros homens vieram dirigir:
Edward Sedgwick (que fez uma série
de filmes com Buster Keaton) e o sobrinho de Laemmle, Ernst, que também era diretor. Até mesmo o astro da fita, “O
Homem Das Mil Faces”,
Lon Chaney (1883-1930 – pai no querido
Lon Chaney Jr., O Lobisomem) chegou a assumir a cadeira de
diretor!
![]() |
| Cena antológica do mestre da caracterização Lon Chaney |
É magistral a reação da câmera
e a do espectador ao ver pela primeira vez o rosto monstruoso do trágico Phantom, apaixonado e vingativo. Todo
mundo (até mesmo a câmera saindo do foco) dá um salto para trás em pleno susto.
É um daqueles momentos de revelações dos filmes clássicos, entende? O monstro é
revelado num overacting único de
Chaney. Há vários momentos antológicos adaptados do livro, como a famosa queda
do lustre na platéia provocada pelo fantasma para mostrar a sua força e que a
irritante Carlotta (interpretada por Mary Fabian apenas na versão relançada
de 29!) não tem o fôlego e a voz encantadora de sua aluna, a inocente Christine Daee (a bela Mary Philbin).
Tem aqueles momentos de
herói com Norman
Kerry no papel do
jovem Visconde Raoul de Chagny, que
não está disposto a perder sua amada, raptada pelo louco fantasma e arrastada
para a escuridão. Sem contar na sequência colorida do sensacional Baile de
Máscaras, um espetáculo visual à parte, na qual Chaney se apresenta vestido
como A Morte Escarlate de Edgar Allan Poe aterrorizando com sua presença maléfica.
O filme conta com ilustres participações, numa ponta como uma simples bailarina
esta a radiante Ruth
Clifford (1900-1998),
atriz de mais de 160 papéis e figurações no cinema (Crepúsculo dos Deuses de Wilder; Rastros
de Ódio de
Ford; Amor Singelo
de Victor Fleming; Procura-se Uma Estrela de Stanley Donen, etc).
O diretor Julian se retirou da
produção depois de altas discussões criativas com a equipe, neste ínterim
assumiu Sedwick. Ben Carré foi
chamado para trabalhar nos cenários já que ele tinha experiência em óperas
parisienses. Chaney era quem criava a sua própria maquiagem e sem dúvida esta é
a minha predileta. Aquele rosto esquelético que ajuda a atormentar ainda mais
as cenas finais de uma trama escusa graças às várias mãos tomadas a frente no
roteiro. O bom de O Fantasma Da Ópera
é que pelo menos toda a ambientação continua insuperável. Chaney é a
cereja do bolo necessária para a fita, sem ele, certamente este filme não teria feito
tanta história.
O filme teve diversas cenas
filmadas em diferentes processos de cores, a do baile é a única que sobreviveu.
Muitas fontes afirmam que Chaney tomou as rédeas da direção do filme em vários
momentos já que estava ficando insuportável a comunicação com Julian.
Em 2008
ele foi exibido no Walt Disney Concert
Hall com acompanhamento musical ao vivo pela Orquestra Filarmônica de Los Angeles e o slogan continha o clichê: “Em filmes
mudos, ninguém pode ouvi-lo gritar!”
Apesar de gostar das outras
versões como a que Arthur Lubin fez
com Nelson Eddy em 1943 com nomes
dos personagens adaptados (tem até uma mais trash
com Robert Englund!), a com Hebert Lom
de 62 também é muito boa, e até mesmo do musical que o Schumacher fez com Gerard Butler, ainda assim este é indiscutivelmente o original,
portanto, o melhor. É um filme que oferece uma série de momentos de grande
valia, “disfarçada” pela arte cinematográfica já que teve problemas na
adaptação e concepção final. Os atores, sobretudo Chaney, são também os grandes
contribuintes. É uma aula de pantomima, de ótimas inspirações do melodrama do
cinema mudo e quando Chaney é abandonado pela amada Christine (Philbin
realmente horrorizada) é o momento de desfrutar e sentir pena do fantasma.
The Phantom Of The Opera is here inside your mind!
EUA
– 1925
MUDO
FULLSCREEN
93
min. Versão Original
P&B/COR
SILVER
SCREEN (Brasil)
LIVRE
✩✩✩✩✩
EXCELENTE
Uma Produção UNIVERSAL
Carl Laemmle Apresenta
THE
PHANTOM
OF
THE OPERA
Da Obra de GASTON LEROUX
Com: LON CHANEY.
MARY PHILBIN. NORMAN KERRY
ARTHUR EDMUND CAREWE. GIBSON GOWLAND
JOHN ST. POLIS. SNITZ EDWARDS
Fotografado
por….. { Milton Bridenbecker
{ Virgil Miller
{ Charles Van
Enger
Montagem ….. {
Edward Curtiss
{
Maurice Pivar
{ Gilmore Walker
Sets/Direção
de Arte Ben
Carré
Desenhos
de Arte Charles D. Hall. Elmer Sheeley
Maquiagens
por Lon Chaney
Produzido
por Carl
Laemmle
Roteiro
Gaston Leroux. Elliott. J. Clawson. Bernard McConville
Frank M. McCormack. Raymond L. Schrock
Jasper Spearing & Richard Wallace
Títulos por Walter Anthony. Tom Reed
Direção
Rupert Julian. Lon Chaney
Ernest Laemmle. Edward Sedgwick
Tha Phantom Of The Opera © 1925 A Universal Picture











2 comentários:
Só vi o de 62 e o musical. E devo confessar que tenho um amor por este último, por causa da peça e das músicas. Mas, fiquei curiosa em relação a esse original.
js
Nanda, acredito que irá apreciar este. Se gosta de filmes clássicos e do inconfundível mestre da caracterização, Lon Chaney pai.
Bjs.
Assista!!!!
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