KARLOFF & LUGOSI
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
Um
casal em lua de mel acaba preso em um castelo assombrado localizado na Hungria.
Imaginem o que vai acontecer?
Baseado
no conto do mestre Edgar Allan Poe.
Este é o primeiro trabalho
conjunto de dois astros do cinema clássico de terror.
BORIS KARLOFF (1887-1969) o Frankenstein, no papel do sinistro Hjalmar Poelzig e BELA LUGOSI (1882-1956), o Conde Drácula,
vivendo o Dr. Vitus Werdegast,
reunidos nesta obra encantadora inspirada em A Queda Da Casa De
Usher do
mestre Poe (1809-1849) autor de
várias histórias: O Corvo, Os Assassinatos Da Rua
Morgue, O Solar Maldito,
etc. A fita é um trabalho cuidadoso e até sensível do diretor Edgar G. Ulmer (1904-1972) de filmes como: Curva
Do Destino (Detour, 1945) e The
Strange Woman
(1946), filmes pouco notáveis entre o público, mas de certo reconhecimento
através da crítica. Certamente O Gato Preto (The
Black Cat, 1934)
é o seu melhor feito e o maior sucesso de sua carreira, o que se deve a
visibilidade graças a três grandes nomes: Poe, Karloff (creditado simplesmente
pelo sobrenome) e Lugosi.
A década de 1930 foi o apogeu
da Universal, a casa dos monstros originais e sem modéstia o
filho do fundador do estúdio, Carl
Laemmle Jr.
(1908-1979) afirmava isso e convencia o pai em deixá-lo produzir estas
maravilhas. O Gato Preto é a
continuação deste momento especial do gênero do terror, em um filme expressivo,
artístico e perverso desta fase brilhante do estúdio. Além do conhecimento
profundo em textos de Poe, O diretor Ulmer começava a oscilar entre a grande
arte e para tanto ao gosto popular. Assim, tem a colaboração poética do
roteirista Peter
Ruric (1902-1966),
um especialista na ficção pulp.
Ruric
transforma o conto de Poe em um elegante filme clichê, que além de pura gozação
sabe lindamente ser arrepiante. Para o período em que foi produzido era um
choque para a platéia assistir uma premissa que continha o satanismo,
necrofilia, traições, vingança e em um âmbito aterrador e modernista tirado do
conceito do expressionismo alemão. O castelo é um deleite da direção de arte
criado pelo especialista Charles D. Hall
(1888-1970) que já trabalhou em mais de 106 produções e na maioria dos filmes
de renome da Universal (o meu favorito é o seu trabalho para A
Noiva de Frankenstein,
1935 de James Whale).
O cenário é
bem modernista e passa aquela impressão das retas, curvas e sombras do
expressionismo como, por exemplo, o pai do gênero O
Gabinete Do Dr.Caligari
de Robert Wiene. Não há menor dúvida
nesta inspiração, aliás, o cinema americano daquela época (e vindoura),
sobretudo o cinema de horror, é basicamente uma tentativa de melhorar a arte
alemã, querendo romper com a tradição de Hollywood e não existiu qualquer outro
lugar do que senão na Universal.
Karloff traz uma maquiagem
interessantíssima desta vez, na pele do sinistro arquiteto Poelzig cujo
penteado faz a letra V em sua testa quadrada. O casal central é interpretado
por DAVID MANNERS (de A
Múmia, Drácula...)
e JACQUELINE WELLS (atriz mais desconhecida, mas de alguns
trabalhos como Comboio Para o Leste
de 1943 com Bogart)
que acabam vivendo um pesadelo neste local satânico longe de casa. Recém
casados eles acabam indo parar na Hungria comicamente fora de seu habitat
natural, uma referência clara no musical que eu abri o especial: The
Rocky Horror Picture Show
quanto ao casal Brad e Janet que acidentalmente transformam-se em hóspedes
forçados a situações nada convencionais e muito menos normais. Neste caso Peter Alison (Manners) e Joan Alison (Wells) se vêem entre um
asqueroso Karloff, que mantém sua amante preservada como se fosse uma boneca de
cera – obviamente em um porão- e pretende usar a mulher de Peter para rituais
macabros e o rancoroso Lugosi que esfola o vilão antes do clímax (e o chavão é
que o castelo irá explodir e os efeitos especiais não poderiam ser mais divertidos).
Nos dias de hoje os filmes de
terror, principalmente da Universal, soam risos e quase nenhum susto. À época
era feito para chocar, tal efeito que era solicitado e alcançado. Há muitas
cenas de rituais e o latim gago de Karloff: “com um grão de sal...” (personificou
tanto o monstro do Dr. Frankenstein
que demorou um bom tempo até que deixasse a subestimação do diálogo em seu
trabalho) é um deleite!
O ponto mais alto desta sombria
película é a oportunidade de ver lado a lado duas figuras excêntricas, dois
grandes astros de filmes B.
EUA
– 1934
65
min.
P&B
UNIVERSAL
CONTINENTAL
(BRASIL)
✩✩✩ BOM
Carl Laemmle Apresenta
KARLOFF Bela
LUGOSI
The BLACK
CAT
Sugerido
pelo imortal Conto de Edgar Allan Poe
Também
Estrelando: David Manners. Jacqueline Wells
Egon
Brecher. Lucille Lund. Harry Cording
Henry
Armetta. Albert Conti
Música Original Por Heinz
Roemheld
Fotografado por JOHN J.
MESCALL
Montagem…. Ray Curtis Direção
de Arte.... CHARLES
D. HALL
Maquiagens
por JACK P. PIERCE
Efeitos Especiais.....
{
Jack Cosgrove. John P. Fulton.
{David S. Horsley. Russell Lawson
Produzido
por Carl
Laemmle Jr.
Escrito por PETER RURIC
Argumento Peter Ruric &
Edgar G. Ulmer
Direção
EDGAR
G. ULMER
The Black Cat ©1934 A UNIVERSAL PICTURE









9 comentários:
Vi e gostei. Karloff sempre vale a pena.
O Falcão Maltês
Sou fã do conto do Allan Poe, Rodrigo. Ainda assim, acho superestimado, visto que ele escreveu outros melhores e mais sinistros. Nunca tinha ouvido falar do filme, me parece que muda bastante o conto, né?! Vou procurar conferir!
Lugosi também está demais!
Cara, fiquei interessadíssimo em assistir a esse filme! Eu já havia ouvido falar sobre ele, mas nunca tinha visto nenhum cena! Estou impressionado com as maravilhosas imagens que você selecionou pra ilustrar seu post.
Júlio: Eles mudam para se adaptar à época, aos astros e principalmente a fórmula do estúdio, ainda assim a obra de Poe permanece com o espírito da prosa do cara. Tem contos e adaptações melhores, concordo, como "Os Assassinatos Da Rua Morgue" este com Lugosi, já viu? E não acho O Gato Preto tão superestimado assim, porque acha isso?
Abs!
Luís: Obrigado.
Acredito que irá gostar, mas não espere por um filme sério. Leve em consideração o período em que foi produzido, existe todo uma ingenuidade que à época era chocante.
Abs!
Esse é um encontro de cachorro grande, kkk. Ainda não vi, infelizmente.
Abraços
Grande encontro Renato. Veja, irá gostar, sei que é fã!
Abraços.
Não é novidade nenhuma e para ninguém que sou nostálgico e fã do cinema antigo. No entanto dentre os filmes antigos, os gêneros que menos gosto são o terror e a ficção, talvez por esses serem os únicos prejudicados pelos efeitos do tempo, o que os tornou cômicos e ultrapassados. De fato acredito também que são os únicos dois gêneros que o cinema atual seja completamente superior.
Grande Abraço
Jefferson: Daqui a alguns anos os filmes atuais também envelhecerão, por outro lado, há alguns exemplos como "The Shining" do Kubrick, por exemplo ou mesmo obras de Hitchcock (Psicose, Os Pássaros) que não envelhecem, pelo menos pra mim.
Abs.
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