domingo, 28 de outubro de 2012

O VAMPIRO DA NOITE


O DRÁCULA BRITÂNICO

OUTUBRO DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA

A releitura dos estúdios Hammer para o clássico de Bram Stoker. Com Christopher Lee e Peter Cushing. Direção: Terence Fisher, o mesmo diretor de A maldição de Frankenstein, também produzido pela mesma produtora.

A ousadia da Hammer chega a ser esfuziante. Seus filmes tendem a ter uma fotografia brilhante e o terror ganha ainda mais vida, cores fortes, nesta ótima adaptação do famoso vampiro de Stoker e quiçá, uma das grandes fitas de terror já realizadas. Jack Asher, o diretor de fotografia, deixa um legado com suas cores berrantes. A trilha sonora fúnebre é assinada por James Bernard, que chegou a compor a versão musical para Nosferatu (1922 de Murnau) em 1997. No entanto, não é a parte técnica, apesar de fascinante, o ponto alto do filme. Fisher tem a sorte de ter em seu filme duas celebridades inglesas do gênero e que obviamente definiram suas respectivas carreiras, o ótimo Cushing (1913-1994 – também conhecido como o asqueroso Moff Tarkin que irrita a Princesa Leia no primeiro Star Wars, 77), deixa a sua marca como o refinado e intelectual Dr. Van Helsing e é claro, ele, o Conde Drácula gélido e com a voz inesquecível de Christopher Lee. Ambos vieram do sucesso de A Maldição de Frankenstein (The Curse Of Frankenstein, 1957) e se Lugosi e Karloff representam o horror hollywoodiano, sem dúvida de que Lee e Cushing é a dupla inglesa dos filmes B.


O filme foi uma surpresa para seus primeiros espectadores e críticos, assim como A Maldição de Frank... e nos anos 70, a produtora Hammer se estabeleceu de vez sendo reconhecida na indústria do entretenimento como o local em que os filmes de terror sofreram mudanças pertinentes na história das fitas de horror de monstros, assim como no aspecto físico em que eram feitos.  Mesmo assistindo ao O Vampiro Da Noite (aka: Horror of Dracula como é conhecido nos Estados Unidos para evitar confusão com o filme de 1931) nos dias de hoje, nota-se uma coragem pelo fato do estúdio inglês ter ultrapassado as barreiras decisivas pelos horrores cinematográficos que tanto entorpeceram e assustou as gerações passadas. Se as fitas da Universal tinham até mesmo um clima noir, a Hammer deixou claro que o cinema de terror poderia brilhar literalmente. 

Vê-se como o Drácula de Lee assombra com os seus olhos penetrantes e vermelhos (da muito medo, de verdade) ou mesmo nas vítimas bestiais que o vampiro almeja morder e sugar e principalmente no sangue que jorra em cenas clássicas na qual os heróis precisam enfiar as estacas nos malditos, adoro, por exemplo, quando as “mulheres de Drácula” são caçadas! Há também pitadas explícitas de sexualidade, pois em um determinado momento, Drácula entra no quarto da moça e a porta se fecha diante de nossos olhos. O que se esperava de uma cena dessas era que ela fosse concebida de modo mais elegante, como a Universal fazia, mas indo em direção oposta, o diretor Fisher faz um corte diretamente para dentro do quarto da presa, enquanto o vampiro faz a jovem ir em direção ao leito totalmente seduzida, desejando-lhe. A intenção deste corte faz com que o espectador pense na crueldade que é a violação, em outras palavras e sendo o mais direto possível, estupro! Com isso, esta versão ganha o mérito de ser ainda mais apavorante e ousada se formos comparar com o filme de Browning.


A série do conde vampiro continuou em diversos filmes (A Hammer, então no auge nas décadas de 1950 e 1960, cujos produtos de baixo orçamento se tornariam cult nos quarenta anos seguintes continuou até 1979 com algum sucesso até decair e produzir telefilmes nos anos 80) e uma de suas marcas foram as versões para velhos monstros clássicos como Frankenstein e Drácula. Na verdade, a empresa remontava a 1913, ano em que Enrique Carreras comprou seu primeiro cinema em Hammersmith, na velha Londres. Duas décadas depois, após ampliar seu negócio para uma rede de salas, o empresário se associou a William Hinds, que trabalhava com terror nas duas décadas seguintes. Portanto, com o objetivo de errar o mínimo, a companhia revitalizou os monstros da Universal, em produções modernas, coloridas, o que dava outra dimensão aos velhos castelos medievais, por exemplo.  



Ainda, a Hammer teve êxito ao fazer uma parceria com a Warner Brothers que fazia distribuição de seus filmes no mercado internacional (aliás, a versão que eu tenho em DVD deste filme é da Warner, porém, o filme chegou a ser distribuído nos cinemas americanos pela Universal!). Os filmes produzidos depois deste são: As Noivas de Drácula (The Brides Of Dracula, 1960 – ainda dirigido por Fisher estrelando Cushing, mas sem Lee), Dracula: Prince of Darkness (1966 – também realizado por Fisher e a volta de Lee ao papel, mas agora sem Cushing que só aparece em imagens de arquivo), Drácula, o Perfil do Diabo (Dracula Has Risen fron the Grave, 1968), O Sangue de Drácula (Taste the blood of Dracula, 1970), Scars of Dracula (também de 70), Drácula no Mundo Da Mini-Saia (pasmem pelo título, Dracula AD. 1972, de 1972, Lee e Cushing novamente reunidos), Os Ritos Satânicos de Drácula (The Satanic Rites of Dracula, 1973) e The Legend of the Seven Golden Vampires de 1974 (mais um sem o Lee e quem assume o papel é o desconhecido John Forbes- Robertson). Eis a desforra da Hammer ao realizar esta série. Drácula ainda é o personagem que mais apareceu na mídia audiovisual.


Certas curiosidades fazem necessário algum comentário, como por exemplo, o acidente que Lee sofreu nas filmagens na cena em que Drácula enterra Mina (Melissa Stribling) e cai na cova em cima da dublê da atriz. Em várias ocasiões, Lee afirmou que se queixava das lentes de contato, o ator disse que era extremamente doloroso e que não podia ver nada. 

Numa das cenas em que ele tinha que correr em direção da presa, no primeiro take, ele havia ido em direção além da câmera!

Peter Cushing e o seu jeito de mocinho

A capa de Lee foi descoberta em uma loja de fantasia de Halloween na cidade de Londres em 2007. Ela estava desaparecida cerca de 30 anos e acredita-se valer milhões.  Lee também afirma que recebeu miséria no salário de ator deste primeiro filme sendo que a fita acabou rendendo muito dinheiro no mundo inteiro.

Gosto do ator Michael Gough (1916-2011) no papel de Arthur. Gough é conhecido pelas participações nos filmes de Tim Burton sendo o mordomo Alfred do Batman seu papel mais conhecido.

Hoje com os seus 90 anos de idade, Christopher Lee ainda impressiona com a sua vasta filmografia como ator, papéis que entraram para a cultura pop e a maioria como vilão (O Senhor Dos Anéis, Star Wars Nova Trilogia, 007 Contra O Homem Com A Pistola de Ouro, etc), um ícone, não resta a menor dúvida, mas é como o notívago monstro que ele se tornou imortal.




INGLATERRA – 1958
TERROR
FULLSCREEN
COR
82 min.
WARNER
✩✩✩✩ ÓTIMO


Dracula
Da Obra de BRAM STOKER
Estrelando: PETER CUSHING. CHRISTOPHER LEE
Com: MICHAEL GOUGH. Melissa Stribling
Carol Marsh. Olga Dickie John Van Eyssen
Valerie Gaunt. Janine Faye. Barbara Archer
Charles Lloyd Pack. George Merritt
George Woodbridge. George Benson. Miles Malleson
Fotografado por JACK ASHER
Música de JAMES BERNARD
Direção de Arte BERNARD ROBINSON Montagem BILL LENNY
Figurinos MOLLY ARBUTHNOT
Maquiagem por PHIL LEAKY
Produtor Executivo MICHAEL CARRERAS
Produtor Associado ANTHONY NELSON-KEYS
Produzido por ANTHONY HINDS
Roteiro de JIMMY SANGSTER
Direção TERENCE FISHER
Dracula/Horror of Dracula ©1958 Hammer Film Productions

2 comentários:

renatocinema disse...

Amo Drácula e sua mágia.

Igual ao trabalho de Lee, no personagem, ninguém conseguirá.


Rodrigo Mendes disse...

Lee e Lugosi você quer dizer, né? rs

Duas lendárias antíteses no mesmo Conde Vampiro. Amo-os!

Abs.

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