O DRÁCULA BRITÂNICO
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
A
releitura dos estúdios
Hammer
para
o clássico de Bram Stoker. Com
Christopher Lee e Peter Cushing. Direção: Terence Fisher, o
mesmo diretor de A maldição de Frankenstein, também produzido pela mesma produtora.
A ousadia
da Hammer chega a ser esfuziante. Seus
filmes tendem a ter uma fotografia brilhante e o terror ganha ainda mais vida,
cores fortes, nesta ótima adaptação do famoso vampiro de Stoker e quiçá, uma
das grandes fitas de terror já realizadas. Jack
Asher, o diretor de fotografia, deixa um legado com suas cores berrantes. A
trilha sonora fúnebre é assinada por James
Bernard, que chegou a compor a versão musical para Nosferatu (1922 de Murnau) em 1997. No
entanto, não é a parte técnica, apesar de fascinante, o ponto alto do filme.
Fisher tem a sorte de ter em seu filme duas celebridades inglesas do gênero e
que obviamente definiram suas respectivas carreiras, o ótimo Cushing (1913-1994 – também conhecido
como o asqueroso Moff Tarkin que
irrita a Princesa Leia no primeiro Star Wars, 77), deixa a sua marca como o
refinado e intelectual Dr. Van Helsing e é claro, ele, o Conde Drácula gélido e
com a voz inesquecível de Christopher
Lee. Ambos vieram do sucesso de A Maldição de Frankenstein (The Curse Of Frankenstein, 1957) e se Lugosi e Karloff representam
o horror hollywoodiano, sem dúvida de que Lee e Cushing é a dupla inglesa dos
filmes B.
O filme foi uma surpresa para
seus primeiros espectadores e críticos, assim como A Maldição de Frank... e nos anos 70, a produtora Hammer se
estabeleceu de vez sendo reconhecida na indústria do entretenimento como o
local em que os filmes de terror sofreram mudanças pertinentes na história das
fitas de horror de monstros, assim como no aspecto físico em que eram feitos. Mesmo assistindo ao O Vampiro Da Noite (aka: Horror of Dracula
como é
conhecido nos Estados Unidos para evitar confusão com o filme de 1931) nos dias
de hoje, nota-se uma coragem pelo fato do estúdio inglês ter ultrapassado as barreiras
decisivas pelos horrores cinematográficos que tanto entorpeceram e assustou as
gerações passadas. Se as fitas da Universal tinham até mesmo um clima noir, a Hammer deixou claro que o cinema
de terror poderia brilhar literalmente.
Vê-se como o Drácula de Lee assombra
com os seus olhos penetrantes e vermelhos (da muito medo, de verdade) ou mesmo
nas vítimas bestiais que o vampiro almeja morder e sugar e principalmente no
sangue que jorra em cenas clássicas na qual os heróis precisam enfiar as
estacas nos malditos, adoro, por exemplo, quando as “mulheres de Drácula” são
caçadas! Há também pitadas explícitas de sexualidade, pois em um determinado
momento, Drácula entra no quarto da moça e a porta se fecha diante de nossos
olhos. O que se esperava de uma cena dessas era que ela fosse concebida de modo
mais elegante, como a Universal fazia, mas indo em direção oposta, o diretor
Fisher faz um corte diretamente para dentro do quarto da presa, enquanto o
vampiro faz a jovem ir em direção ao leito totalmente seduzida, desejando-lhe.
A intenção deste corte faz com que o espectador pense na crueldade que é a
violação, em outras palavras e sendo o mais direto possível, estupro! Com isso,
esta versão ganha o mérito de ser ainda mais apavorante e ousada se formos comparar
com o filme de Browning.
A série do conde vampiro continuou
em diversos filmes (A Hammer, então no auge nas décadas de 1950 e 1960, cujos
produtos de baixo orçamento se tornariam
cult nos quarenta anos seguintes continuou até 1979 com algum sucesso até
decair e produzir telefilmes nos anos 80) e uma de suas marcas foram as versões
para velhos monstros clássicos como
Frankenstein e Drácula. Na
verdade, a empresa remontava a 1913, ano em que Enrique Carreras comprou seu primeiro cinema em Hammersmith, na velha Londres. Duas
décadas depois, após ampliar seu negócio para uma rede de salas, o empresário
se associou a William Hinds, que
trabalhava com terror nas duas décadas seguintes. Portanto, com o objetivo de
errar o mínimo, a companhia revitalizou os monstros da Universal, em produções
modernas, coloridas, o que dava outra dimensão aos velhos castelos medievais,
por exemplo.
Ainda, a Hammer teve êxito ao
fazer uma parceria com a Warner
Brothers que fazia
distribuição de seus filmes no mercado internacional (aliás, a versão que eu
tenho em DVD deste filme é da Warner, porém, o filme chegou a ser distribuído
nos cinemas americanos pela Universal!). Os filmes produzidos depois deste são:
As Noivas de Drácula
(The Brides Of Dracula, 1960 – ainda
dirigido por Fisher estrelando Cushing, mas sem Lee), Dracula: Prince of Darkness (1966 – também realizado por
Fisher e a volta de Lee ao papel, mas agora sem Cushing que só aparece em
imagens de arquivo), Drácula, o Perfil do Diabo (Dracula Has Risen fron the Grave, 1968), O Sangue de Drácula (Taste the blood of Dracula, 1970), Scars of Dracula
(também de 70), Drácula no Mundo Da
Mini-Saia
(pasmem pelo título, Dracula AD. 1972,
de 1972, Lee e Cushing novamente reunidos), Os Ritos
Satânicos de Drácula
(The Satanic Rites of Dracula, 1973)
e The Legend of the Seven Golden Vampires de 1974 (mais um sem o Lee e
quem assume o papel é o desconhecido John
Forbes- Robertson). Eis a desforra da Hammer ao realizar esta série.
Drácula ainda é o personagem que mais apareceu na mídia audiovisual.
Certas curiosidades fazem necessário
algum comentário, como por exemplo, o acidente que Lee sofreu nas filmagens na
cena em que Drácula enterra Mina (Melissa Stribling) e cai na cova em
cima da dublê da atriz. Em várias ocasiões, Lee afirmou que se queixava das
lentes de contato, o ator disse que era extremamente doloroso e que não podia
ver nada.
Numa das cenas em que ele tinha que correr em direção da presa, no
primeiro take, ele havia ido em
direção além da câmera!
![]() |
| Peter Cushing e o seu jeito de mocinho |
A capa de Lee foi descoberta em
uma loja de fantasia de Halloween na cidade de Londres em 2007. Ela estava
desaparecida cerca de 30 anos e acredita-se valer milhões. Lee também afirma que recebeu miséria no
salário de ator deste primeiro filme sendo que a fita acabou rendendo muito
dinheiro no mundo inteiro.
Gosto do ator Michael Gough (1916-2011) no papel de Arthur. Gough é conhecido pelas
participações nos filmes de Tim Burton sendo o mordomo Alfred do Batman seu papel mais conhecido.
Hoje com os seus 90 anos de
idade, Christopher Lee ainda
impressiona com a sua vasta filmografia como ator, papéis que entraram para a
cultura pop e a maioria como vilão (O
Senhor Dos Anéis, Star Wars Nova Trilogia, 007 Contra O Homem Com A Pistola de
Ouro, etc), um
ícone, não resta a menor dúvida, mas é como o notívago monstro que ele se
tornou imortal.
INGLATERRA – 1958
TERROR
FULLSCREEN
COR
82 min.
WARNER
✩✩✩✩ ÓTIMO
Dracula
Da Obra de BRAM
STOKER
Estrelando: PETER CUSHING. CHRISTOPHER
LEE
Com: MICHAEL GOUGH.
Melissa Stribling
Carol Marsh. Olga
Dickie John Van Eyssen
Valerie Gaunt. Janine
Faye. Barbara Archer
Charles Lloyd Pack.
George Merritt
George Woodbridge.
George Benson. Miles Malleson
Fotografado por JACK
ASHER
Música de JAMES BERNARD
Direção de Arte BERNARD ROBINSON Montagem BILL
LENNY
Figurinos MOLLY ARBUTHNOT
Maquiagem por PHIL LEAKY
Produtor Executivo MICHAEL CARRERAS
Produtor Associado ANTHONY NELSON-KEYS
Produzido por ANTHONY HINDS
Roteiro de JIMMY SANGSTER
Direção TERENCE FISHER
Dracula/Horror of Dracula ©1958 Hammer Film Productions













2 comentários:
Amo Drácula e sua mágia.
Igual ao trabalho de Lee, no personagem, ninguém conseguirá.
Lee e Lugosi você quer dizer, né? rs
Duas lendárias antíteses no mesmo Conde Vampiro. Amo-os!
Abs.
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