AQUELA NOITE
ALUCINANTE
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
Cinco amigos vão passar uma noite em uma cabana no meio da floresta, mas sem querer, libertam um
poder demoníaco proveniente de um misterioso livro dos mortos. Direção Sam Raimi (Trilogia Homem-Aranha).
Se existe um filme
que provoca uma série alucinante de terror e risos, certamente é esta pérola
oitentista do então cineasta nerd e
anarquista SAM RAIMI(Arraste-me Para O Inferno, Crimewave,
Darkman). The Evil Dead fez história ao apresentar o personagem mais
famoso do ator Bruce Campbell, Ash, bastante cultuado no gênero. É bom
ressaltar que Raimi foi praticamente o precursor ao alinhar comédia e terror
grotesco ao extremo, utilizando de criativos efeitos especiais, movimentos de
câmera e trucagens (sobretudo sonora). Assim, eis um subgênero muito solicitado
e admirado por cinéfilos, o Terrir.
É um filme de baixo
orçamento, mas feito com muito amor e nesta época Raimi, sem muitas “estruturas”,
tinha maior capacidade para alucinar uma sessão à noite. Hoje, como é um
cineasta classe A, de muito dinheiro, não é capaz de dirigir algo tão notável e
parecido com o primeiro A Morte do Demônio, que acabou
virando uma quase-trilogia: Uma Noite
Alucinante de 87 (que na verdade tem este título e não “A Morte Do Demônio II”
porque no Brasil o primeiro filme estreou depois deste segundo, em 1989 e além
do que Raimi fez um “novo começo” e não uma continuação!) e Uma Noite Alucinante III – Army Of Darkness de 92 (o “terceiro” fez
muito mais sucesso ainda). Mesmo assim, tentou fazer algo parecido ao voltar às
raízes com o ótimo Arraste-me Para O Inferno (Drag Me To Hell, 2009), que só não é
melhor justamente por faltar àquela anarquia onde com um grupo de amigos, fazia
um cinema desordeiro à sua maneira e livre de estúdios e que só sofreu repressão
da censura para ser lançado, isso quando Raimi era um novato na indústria.
O filme não é tão
diferente de qualquer terror-teen clichê,
é sobre um grupo de amigos desavisados que decidem partir para uma cabana
(tinha que ser no meio da floresta escura) para curtir um final de semana, mas
eles acabam descobrindo uma indescritível força sinistra além túmulo. Vão
querer ler o que estava escrito em um livro chamado Necronomicon e ou/ O Livro Dos Mortos e assim começar a viver o
pesadelo! Ouvem uma gravação horripilante contida em uma fita antiga que exalta
os poderes de uma mortal criatura demoníaca, assim, libertam o horror em sua
mais pura expressão – ao mesmo tempo em que é assustador e recíproco pra todo
mundo, não se pode conter o riso em algumas cenas – cada um deles enfrentam as
brincadeiras e armadilhas do dito cujo e se transformam em horríveis zumbis em
momentos pra lá de nojentos. E, quando apenas um deles sobrevive (e não é uma
garota), o engraçado e destemido Ash
(Campbell), tem que lutar de todas as formas naquele inferno minúsculo se
deseja ver o amanhecer novamente.
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| Cena de EVIL DEAD II |
O filme é um
deleite para quem aprecia o terror em sua forma decisiva da experiência
repulsiva e o que o define é não levar a sério. Até mesmo o próprio filme, sem
modéstia, se define tal qual ele é nas titulagens finais. Estranhamente foi
banido de vários países europeus em sua versão integral. Realmente foi uma mudança
alucinante do gênero em toda a sua história. Raimi aprendeu literalmente com os
filmes italianos e misturou tudo com um ótimo senso de humor negro juvenil. Ou
seja, tem todos aqueles truques viscerais de Bava, Argento, um pouco de Romero, somados ao típico filme americano onde os adolescentes são os
protagonistas. Bonitinhos, de classe média, os mocinhos que irão passar por
situações devastadoras se enfiando naquele casebre e mal podemos esperar ao
vê-los brutalmente mortos ou neste caso, transformados em mortos-vivos, um tipo
de afetação que dominaria o terror teen mais tarde.
A fita de Raimi é
nitidamente amadora em muitos aspectos, nos efeitos isso é explícito, por outro
lado, a trilha sonora de Joseph LoDuca
é literalmente pesada e de qualidade diferenciada, a fotografia ainda é um
tanto deficiente, feita por Tim Philo,
ainda mais numa das cenas mais censuradas do filme em que a mocinha (Ellen Sandweiss) entra na floresta e é
violentada por uma série de galhos e raízes.
O ponto alto é que
Raimi adota um estilo em suas tomadas subjetivas, rápidas, rasteiras e
onipresentes. Parece que estamos acompanhando uma mosca pra lá e para cá. Seu
filme é na verdade uma esponja, absorvendo sua geração antecessora, colegas
como Brian de Palma, William Friedkin, Wes Craven (e o filme de Craven, Quadrilha de Sádicos, The Hills Have Eyes, 1977, que eu nunca gostei, chega a ser
citado no filme numa cena onde aparece o cartaz rasgado) e seus filmes de
terror que sem dúvida também o influenciou. O que Raimi fez, além disso, foi
trazer um pouco da classe disfarçada de um tipo de cinema que é feito por
Cocteau, por exemplo, e Evil Dead,
uma obra praticamente caseira, ganha ainda mais status. É um híbrido de idéias realizadas aos moldes pela paixão do
primeiro filme, até mesmo em seu astro, Raimi fez de Campbell um bonitão herói
caricato e simpático, nada feio, mas com cara de bobo!
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| ASH, personagem do carismático Bruce Campbell virou uma lenda! |
Uma das
curiosidades é que as tripas dos zumbis foram feitas com creme de milho verde e
a voz do professor na fita é a de Bob
Dorian que foi o anfitrião da série: Clássicos
Matiné, de um canal a cabo do American
Movie Classics (1984-2000). A cabana onde filmaram, misteriosamente
pegou fogo depois das filmagens.
A relação de Raimi
e Campbell é antiga, ambos foram amigos de escola onde realizaram vários filmes
em Super 8, ao lado do irmão do diretor, Ted Raimi, que também é ator e sempre
participa de seus filmes. Mas Campbell se tornou o ator principal das
produções, já que ele era “o único em que
as meninas gostavam de olhar”, confessam. Nas cenas de ação, Campbell
chegou a se acidentar, por exemplo, torceu o tornozelo em uma raiz durante uma
cena executada em uma colina íngreme. O produtor Robert Tapert e Raimi, ficavam cutucando a lesão do ator com paus,
de zoeira, mas o ator prosseguiu sem problemas, mas é possível ver o machucado
em alguns momentos. Nunca é revelado o sobrenome de Ash na série, numa
entrevista, Raimi e Campbell afirmaram que não teria problema dele ser chamado
de Ashley Williams Jr.
O filme é uma
refilmagem de um curta metragem experimental que Raimi rodou com Campbell e
Sandweiss em 1978 chamado: Within The Woods. Joel Coen, irmão de Ethan (Os irmãos Coen) chagou a
trabalhar como assistente de montagem. Raimi e os irmãos também são amigos e já
trabalharam juntos no ótimo Crimewave (1985) onde ele
dirige um roteiro dele com os irmãos, aliás, também recomendo!
A atriz Betsy Baker que interpreta Linda, disse que estava praticamente
cega na cena em que esta possuída utilizando lentes de contato. Na cena do
possesso ela tenta dar um golpe com um punhal em Ash sem ver nada!
Finalmente saiu uma edição especial decente em
Blu-ray pela Sony, a Spectra Nova havia lançado em DVD, mas sem a qualidade que
um colecionar espera. Mesmo sem legendas, o conteúdo do BD é interessante, como
um documentário intitulado: A Saga Inédita de A Morte
Do Demônio, além de testes de maquiagens que mostra como foi feito e muito mais.
Adoraria ganhar de presente!
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| Uma Edição Especial que deixa qualquer fã salivando! |
Outra refilmagem
esta em produção para o ano que vem e com script
ajudado por Diablo Cody e com a
aprovação de Raimi, aliás, Campbell também é um dos produtores, veremos!
The Evil Dead é um prato cheio! Algumas horas de angústia e risada. Acima de
qualquer suspeita, o filme é tão bom que não chega a ser um prazer culposo.
EUA- 1981
TERROR
WIDESCREEN E FULLSCREEN
85 min.
COR
18 ANOS
SONY/SPECTRA NOVA
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
DE
SAM RAIMI
Estrelando: BRUCE CAMPBELL
Ellen Sandweiss Hal Delrich
Betsy Baker Sarah York
Philip A. Gillis Dorothy
Tapert Cheryl Guttridge
Barbara Carey David Horton Wendall Thomas
Don Long Stu Smith Kurt Rauf e Ted Raimi
Maquiagens Criadas por Tom Sullivan
Efeitos Visuais Bart Pierce
Fotografado por Tim Philo Música de Joe LoDuca
Montagem Edna Ruth Paul
Produtores Executivos Sam Raimi Bruce Campbell
Produzido por Robert G. Tapert
Escrito e Dirigido por
SAM RAIMI
The Evil Dead ©1981 Renaissance Pictures Ltd./ New Line Cinema












6 comentários:
Adoro essa saga insana.
Concordo quando diz: Se existe um filme que provoca uma série alucinante de terror e risos, certamente é esta pérola oitentista do então cineasta nerd e anarquista Sam Raimi...belo filme C. kkkk
Ainda não vi, mas, claro, tá na minha pequena listinha de prioridades, rs
Porra. Não sabia que o Raimi havia trabalhado junto com os irmãos Coen. Procurarei assistir ao projeto o quanto antes.
Gosto muito do primeiro filme, mas o "remake" lançado anos depois me divertiu mais. Uma Noite Alucinante é epic win.
Vou comprar essa bagaça. hahaha
Cult supremo! Com alguma liberdade em relação a seu veredito, me atrevo a dizer que "Evil dead" era um guilty pleasure que, com o tempo, foi se tornando referência e deixando de ser esse prazer culposo!
abs
Renato: Todos os fãs do gênero, de imediato, amam The Evil Dead. Concordamos em tudo, rs!
Abs.
Alan: Pode gostar, mas como você é romântico, estilo Audrey Hepburn, sei não...pode achar apenas curioso! A primeira versão, esta que postei, é muito violenta!
Abs.
Tullio: Recomendo o filme. Ele é amigão dos Coen....
A segunda versão é realmente a mais amada. Neste filme Raimi coloca definitivamente todas as lembranças que temos de Ash. Campbell nunca esteve tão inspirado. Morro de RIR!
Abs.
Reinaldo: Entendo, pra mim, foi diferente. Gostei tanto desde a primeira vez. Achei tão loucamente ousado e insano. Raimi rules, rs!
Abs.
E eu que ia morrer sem saber que Raimi tinha dirigido a primeira versão, eu só sabia que tinha... Eu acho interessante no Raimi algumas cenas meio trashs, quase nojentas no meio de todo o terror que tem no filme... Pelo menos quando é terror, sempre tem alguma cena assim... Fiquei interessada em ver a primeira versão que já tenho aqui pra ver, só me resta coragem.
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