sábado, 27 de outubro de 2012

THE EVIL DEAD – A MORTE DO DEMÔNIO


AQUELA NOITE ALUCINANTE

OUTUBRO DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA

Cinco amigos vão passar uma noite em uma cabana no meio da floresta, mas sem querer, libertam um poder demoníaco proveniente de um misterioso livro dos mortos. Direção Sam Raimi (Trilogia Homem-Aranha).


Se existe um filme que provoca uma série alucinante de terror e risos, certamente é esta pérola oitentista do então cineasta nerd e anarquista SAM RAIMI(Arraste-me Para O Inferno, Crimewave, Darkman). The Evil Dead  fez história ao apresentar o personagem mais famoso do ator Bruce Campbell, Ash, bastante cultuado no gênero. É bom ressaltar que Raimi foi praticamente o precursor ao alinhar comédia e terror grotesco ao extremo, utilizando de criativos efeitos especiais, movimentos de câmera e trucagens (sobretudo sonora). Assim, eis um subgênero muito solicitado e admirado por cinéfilos, o Terrir.


É um filme de baixo orçamento, mas feito com muito amor e nesta época Raimi, sem muitas “estruturas”, tinha maior capacidade para alucinar uma sessão à noite. Hoje, como é um cineasta classe A, de muito dinheiro, não é capaz de dirigir algo tão notável e parecido com o primeiro A Morte do Demônio, que acabou virando uma quase-trilogia: Uma Noite Alucinante de 87 (que na verdade tem este título e não “A Morte Do Demônio II” porque no Brasil o primeiro filme estreou depois deste segundo, em 1989 e além do que Raimi fez um “novo começo” e não uma continuação!) e Uma Noite Alucinante III – Army Of Darkness de 92 (o “terceiro” fez muito mais sucesso ainda). Mesmo assim, tentou fazer algo parecido ao voltar às raízes com o ótimo Arraste-me Para O Inferno (Drag Me To Hell, 2009), que só não é melhor justamente por faltar àquela anarquia onde com um grupo de amigos, fazia um cinema desordeiro à sua maneira e livre de estúdios e que só sofreu repressão da censura para ser lançado, isso quando Raimi era um novato na indústria.



O filme não é tão diferente de qualquer terror-teen clichê, é sobre um grupo de amigos desavisados que decidem partir para uma cabana (tinha que ser no meio da floresta escura) para curtir um final de semana, mas eles acabam descobrindo uma indescritível força sinistra além túmulo. Vão querer ler o que estava escrito em um livro chamado Necronomicon e ou/ O Livro Dos Mortos e assim começar a viver o pesadelo! Ouvem uma gravação horripilante contida em uma fita antiga que exalta os poderes de uma mortal criatura demoníaca, assim, libertam o horror em sua mais pura expressão – ao mesmo tempo em que é assustador e recíproco pra todo mundo, não se pode conter o riso em algumas cenas – cada um deles enfrentam as brincadeiras e armadilhas do dito cujo e se transformam em horríveis zumbis em momentos pra lá de nojentos. E, quando apenas um deles sobrevive (e não é uma garota), o engraçado e destemido Ash (Campbell), tem que lutar de todas as formas naquele inferno minúsculo se deseja ver o amanhecer novamente.

Cena de EVIL DEAD II
O filme é um deleite para quem aprecia o terror em sua forma decisiva da experiência repulsiva e o que o define é não levar a sério. Até mesmo o próprio filme, sem modéstia, se define tal qual ele é nas titulagens finais. Estranhamente foi banido de vários países europeus em sua versão integral. Realmente foi uma mudança alucinante do gênero em toda a sua história. Raimi aprendeu literalmente com os filmes italianos e misturou tudo com um ótimo senso de humor negro juvenil. Ou seja, tem todos aqueles truques viscerais de Bava, Argento, um pouco de Romero, somados ao típico filme americano onde os adolescentes são os protagonistas. Bonitinhos, de classe média, os mocinhos que irão passar por situações devastadoras se enfiando naquele casebre e mal podemos esperar ao vê-los brutalmente mortos ou neste caso, transformados em mortos-vivos, um tipo de afetação que dominaria o terror teen mais tarde.

A fita de Raimi é nitidamente amadora em muitos aspectos, nos efeitos isso é explícito, por outro lado, a trilha sonora de Joseph LoDuca é literalmente pesada e de qualidade diferenciada, a fotografia ainda é um tanto deficiente, feita por Tim Philo, ainda mais numa das cenas mais censuradas do filme em que a mocinha (Ellen Sandweiss) entra na floresta e é violentada por uma série de galhos e raízes.


O ponto alto é que Raimi adota um estilo em suas tomadas subjetivas, rápidas, rasteiras e onipresentes. Parece que estamos acompanhando uma mosca pra lá e para cá. Seu filme é na verdade uma esponja, absorvendo sua geração antecessora, colegas como Brian de Palma, William Friedkin, Wes Craven (e o filme de Craven, Quadrilha de Sádicos, The Hills Have Eyes, 1977, que eu nunca gostei, chega a ser citado no filme numa cena onde aparece o cartaz rasgado) e seus filmes de terror que sem dúvida também o influenciou. O que Raimi fez, além disso, foi trazer um pouco da classe disfarçada de um tipo de cinema que é feito por Cocteau, por exemplo, e Evil Dead, uma obra praticamente caseira, ganha ainda mais status. É um híbrido de idéias realizadas aos moldes pela paixão do primeiro filme, até mesmo em seu astro, Raimi fez de Campbell um bonitão herói caricato e simpático, nada feio, mas com cara de bobo!

ASH, personagem do carismático Bruce Campbell virou uma lenda!

Uma das curiosidades é que as tripas dos zumbis foram feitas com creme de milho verde e a voz do professor na fita é a de Bob Dorian que foi o anfitrião da série: Clássicos Matiné, de um canal a cabo do American Movie Classics (1984-2000). A cabana onde filmaram, misteriosamente pegou fogo depois das filmagens.

A relação de Raimi e Campbell é antiga, ambos foram amigos de escola onde realizaram vários filmes em Super 8, ao lado do irmão do diretor, Ted Raimi, que também é ator e sempre participa de seus filmes. Mas Campbell se tornou o ator principal das produções, já que ele era “o único em que as meninas gostavam de olhar”, confessam. Nas cenas de ação, Campbell chegou a se acidentar, por exemplo, torceu o tornozelo em uma raiz durante uma cena executada em uma colina íngreme. O produtor Robert Tapert e Raimi, ficavam cutucando a lesão do ator com paus, de zoeira, mas o ator prosseguiu sem problemas, mas é possível ver o machucado em alguns momentos. Nunca é revelado o sobrenome de Ash na série, numa entrevista, Raimi e Campbell afirmaram que não teria problema dele ser chamado de Ashley Williams Jr.



O filme é uma refilmagem de um curta metragem experimental que Raimi rodou com Campbell e Sandweiss em 1978 chamado: Within The Woods. Joel Coen, irmão de Ethan (Os irmãos Coen) chagou a trabalhar como assistente de montagem. Raimi e os irmãos também são amigos e já trabalharam juntos no ótimo Crimewave (1985) onde ele dirige um roteiro dele com os irmãos, aliás, também recomendo!

A atriz Betsy Baker que interpreta Linda, disse que estava praticamente cega na cena em que esta possuída utilizando lentes de contato. Na cena do possesso ela tenta dar um golpe com um punhal em Ash sem ver nada!



Finalmente saiu uma edição especial decente em Blu-ray pela Sony, a Spectra Nova havia lançado em DVD, mas sem a qualidade que um colecionar espera. Mesmo sem legendas, o conteúdo do BD é interessante, como um documentário intitulado: A Saga Inédita de A Morte Do Demônio, além de testes de maquiagens que mostra como foi feito e muito mais. Adoraria ganhar de presente!

Uma Edição Especial que deixa qualquer fã salivando!


Outra refilmagem esta em produção para o ano que vem e com script ajudado por Diablo Cody e com a aprovação de Raimi, aliás, Campbell também é um dos produtores, veremos!

The Evil Dead é um prato cheio! Algumas horas de angústia e risada. Acima de qualquer suspeita, o filme é tão bom que não chega a ser um prazer culposo.



EUA- 1981
TERROR
WIDESCREEN E FULLSCREEN
85 min.
COR
18 ANOS
SONY/SPECTRA NOVA
✩✩✩✩✩ EXCELENTE

DE
SAM RAIMI
Estrelando: BRUCE CAMPBELL
Ellen Sandweiss  Hal Delrich Betsy Baker Sarah York
Philip A. Gillis  Dorothy Tapert  Cheryl Guttridge
Barbara Carey David Horton Wendall Thomas
Don Long  Stu Smith  Kurt Rauf  e Ted Raimi
Maquiagens Criadas por Tom Sullivan 
Efeitos Visuais Bart Pierce
 Fotografado por Tim Philo  Música de Joe LoDuca
Montagem Edna Ruth Paul
Produtores Executivos Sam Raimi  Bruce Campbell
Produzido por Robert G. Tapert
Escrito e Dirigido por 
SAM RAIMI
The Evil Dead ©1981 Renaissance Pictures Ltd./ New Line Cinema

6 comentários:

renatocinema disse...

Adoro essa saga insana.

Concordo quando diz: Se existe um filme que provoca uma série alucinante de terror e risos, certamente é esta pérola oitentista do então cineasta nerd e anarquista Sam Raimi...belo filme C. kkkk

Alan Raspante disse...

Ainda não vi, mas, claro, tá na minha pequena listinha de prioridades, rs

Tullio Dias disse...

Porra. Não sabia que o Raimi havia trabalhado junto com os irmãos Coen. Procurarei assistir ao projeto o quanto antes.

Gosto muito do primeiro filme, mas o "remake" lançado anos depois me divertiu mais. Uma Noite Alucinante é epic win.

Vou comprar essa bagaça. hahaha

Reinaldo Glioche disse...

Cult supremo! Com alguma liberdade em relação a seu veredito, me atrevo a dizer que "Evil dead" era um guilty pleasure que, com o tempo, foi se tornando referência e deixando de ser esse prazer culposo!
abs

Rodrigo Mendes disse...

Renato: Todos os fãs do gênero, de imediato, amam The Evil Dead. Concordamos em tudo, rs!

Abs.


Alan: Pode gostar, mas como você é romântico, estilo Audrey Hepburn, sei não...pode achar apenas curioso! A primeira versão, esta que postei, é muito violenta!
Abs.

Tullio: Recomendo o filme. Ele é amigão dos Coen....

A segunda versão é realmente a mais amada. Neste filme Raimi coloca definitivamente todas as lembranças que temos de Ash. Campbell nunca esteve tão inspirado. Morro de RIR!
Abs.

Reinaldo: Entendo, pra mim, foi diferente. Gostei tanto desde a primeira vez. Achei tão loucamente ousado e insano. Raimi rules, rs!

Abs.

Mirella disse...

E eu que ia morrer sem saber que Raimi tinha dirigido a primeira versão, eu só sabia que tinha... Eu acho interessante no Raimi algumas cenas meio trashs, quase nojentas no meio de todo o terror que tem no filme... Pelo menos quando é terror, sempre tem alguma cena assim... Fiquei interessada em ver a primeira versão que já tenho aqui pra ver, só me resta coragem.

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