JAMES BOND REBORN
Bond
é testado e sacrifica a própria vida para manter sua lealdade a chefe M quando
seu passado retorna para atormentá-la. Neste cenário de conspiração e mistério,
007 vive mais uma vez para deter a ameaça que começa a atacar o MI6, então,
Bond tem que rastrear o inimigo antes que seja tarde demais.
Cinquentenário de James Bond é
motivo de comemoração. Em sua terceira aventura como o agente secreto à serviço
secreto de sua majestade, DANIEL CRAIG esta de volta muito mais seguro e
confiante. Consolidou-se como Bond nesta nova era da famosa série da EON. Os
produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli depositaram a
confiança no competente SAM MENDES (Beleza Americana) que o faz com maestria. O
filme tem muita ação, drama, suspense, comédia (JAVIER BARDEM já entrou para a
história da saga como um dos mais excêntricos vilões) num roteiro muito bem
estruturado e com locações exemplares (China, Turquia, Escócia).
O filme segue, além de tudo,
nos olhares de cada personagem, diálogos, tão ágeis quanto sensacionais. É notável na fita uma
direção de atores de um cara que vem do teatro e traz este talento necessário e
muito bem vindo, algo que os filmes de 007 nunca havia demonstrado com tanta
autoria e eficácia (nem por isso os mais antigos são ruins, mas de fato chegam
a ser infantis perto deste, mas comparações são injustas, deixamos de lado...).
Isso permite aos fãs desfrutarem ainda mais do universo de Ian Fleming no momento em que, durante o tradicional prólogo antes
dos créditos, James Bond renasça e se transforme em um novo herói e por mais
que suas características clássicas ainda sejam visíveis. No entanto, Craig é
diferente dos outros James.
Certamente Cassino
Royale, rodado
por Martin Campbell em 2006 já
indicava novidades pegando emprestado aos filmes de Jason Bourne com Matt Damon,
um estilo notório nos filmes de ação e espionagem da atualidade. Sendo assim, a
fase Craig surpreende até mesmo o espectador mais distante de 007, aquele que
nunca se interessou pelas aventuras com Sean Connery ou Roger Moore. Eu, como
fã assumido que aprecia até mesmo os clássicos, a princípio me incomodei com
tantas modificações em Bond, não aceitei de imediato que Wilson e Barbara
optaram por quebrar as tradições que são marcas registradas dos filmes,
religiosamente falando. Como assim o cano
da pistola não é logo apresentado após o logo da Metro? É tabu de fã! Com o
tempo fui aceitando e pude entender a intenção dos produtores de fazerem o seu reboot de Bond e procurar no primeiro
livro de Fleming a oportunidade de trazer o herói para o século XXI. Como muito
lembrou Q neste capítulo: “ninguém mais
utiliza canetas explosivas.” É realmente não tem graça alguma!
Mendes recebeu a oferta para a
direção após o lançamento do mediano Quantum of Solace, que Marc Foster filmou em 2008 (vale mais pela perseguição fantástica
antes das titulagens, mas a premissa segue rasteira) e sua indicação foi ideia do próprio astro, já que Craig é seu grande amigo e já havia trabalhado com ele
no ótimo Estrada Para Perdição (Road To
Perdition, 2002) filme que inclusive ajudou a revelá-lo. O filme teve lá os
seus problemas de logística e durante a pré-produção foi suspenso devido aos
obstáculos financeiros da Metro. Mendes decidiu permanecer no projeto até o fim
e antes de ser escalado definitivamente como diretor, trabalhou como consultor
criativo. O roteirista Peter Morgan
(360/
A Rainha)
havia trabalhado no script, mas
deixou a produção. Eles retomaram em 2010 e entraram de cabeça roteiristas de
primeira linha (vou chamá-los de casal porque sempre trabalham juntos): Neal Purvis e Robert Wade que estão com Bond desde 007 – O Mundo Não É O
Bastante (The World Is Not Enough, 1999) e já são
membros da casa. Realmente se superam aqui. O filme tem ainda a colaboração de John Logan, o respeitado roteirista de A
Invenção de Hugo Cabret
– que amo de paixão (2011 do Scorsese) e outros trabalhos como O
Último Samurai
(The Last Samurai, 2003 de Edward
Zwick), ou seja, impossível este roteiro acabar irregular.
As filmagens começaram
definitivamente em novembro do ano passado. Outra novidade é que é o primeiro
filme da franquia a ser feito no formato IMAX para melhor apreciação.
A trilha sonora é do parceiro
de longa data de Mendes, THOMAS NEWMAN, que acrescenta seu estilo lindamente
nos momentos mais tensos e de emoção do filme. O tema canção desta vez foi por
conta da cantora ADELE e composta por ela com a colaboração de Paul Epworth. O resultado musical não
poderia ter ficado mais fantástico (nunca havia prestado total atenção na bela
voz da cantora e entendo o seu sucesso). Ao menos nisso eles seguiram a
tradição, uma canção inédita direcionada inteiramente ao filme na qual o título
da história é repetida no refrão num toque operístico lembrando os tempos de Shirley Bassey.
A premissa se inicia de um
jeito que se espera de um filme de James Bond, com estilo, e o tema de Monty Norman faz presença com uma
introdução esplêndida de Craig saindo proveniente da escuridão e a primeira
coisa que vemos são os seus olhos azuis iluminados (as mulheres devem pirar). A
batida musical e Craig dão os mesmos passos e o filme, em seus poucos segundos,
já começa a esquentar.
Assim, os agentes ingleses, Bond (Craig) e sua parceira Eve (a ótima NAOMIE HARRIS de Extermínio, aquela fita de zumbi do Danny Boyle, e que mais
tarde terá importância quando revelada a Bond e os fãs piram!) estão em uma
arriscada missão na Turquia (adorei as locações e a perseguição de motos é de
tirar o fôlego) onde outro agente, do MI6, foi morto e um disco rígido que
simplesmente desapareceu. Este HD continha detalhes de agentes assassinos da
OTAN que estavam trabalhando infiltrados em organizações criminosas e alguns
deles, especulam-se, da própria MI6! Bond e Eve perseguem implacavelmente um
agressor que esta sempre a um passo a frente deles. E a plateia delira nesta
sequência. O cara chama-se Patrice,
um mercenário francês que é interpretado por Ola Rapace, ator sueco até então desconhecido e que acaba sendo um plot de virada até chegarmos ao vilão.
Durante a fuga que culmina em um trem (Bond, é claro, em suas proezas estilosas,
salta, luta e ajeita a gravata. Craig finalmente mais refinado), 007 acaba sendo atingido por Eve caindo de um
alto de uma ponte para um rio. Sua chefa, M
(a sempre talentosa JUDI DENCH) se sente a responsável por ter ordenado o tiro
numa de suas várias decisões complicadas e lógicas. Ela tenta não ser muito
emotiva com relação a Bond, seu melhor agente. Com isso, James é considerado
morto. Mas é claro que ele sempre volta!
O barato do filme são suas
reviravoltas: o suspense que é muito bem antecipado antes de qualquer momento
de maior movimento ou também as cenas dialogadas, uma delas, por exemplo, é a
apresentação do novo Q (BEN WHISHAW -
simpático no papel) em um momento maroto com Craig numa galeria de arte. O mais
impressionante ainda é que as cenas de ação acontecem na hora certa e não numa
avalanche de pirotecnia estúpida. Até porque, Mendes é auxiliado pelo veterano
diretor de fotografia ROGER DEAKINS, indicado a vários Oscars (Bravura Indômita, Fargo, Um Sonho De
Liberdade...) e
juntos criam uma das melhores cenas de todo o filme, uma luta entre Bond e
Patrice que ocorre num edifício em Xangai e o trabalho de sombras, néon,
enfim...nem vou detalhar, é ver para crer!
Depois de eliminar o capanga,
Bond encontra uma ficha de jogo, que o leva até um cassino exótico em Macau.
Lá, ele se depara com mais uma de suas ligeiras amantes (a Bond Girl), Sévérine, a bela BÉRENICE MARLOHE que
esconde o medo através da elegância. Típico dos filmes de 007 ela é a amante,
namorada e ou/empregada do vilão e que acaba sendo morta por tentar avisar ao
herói que ele é alvo dos malvados, mas é de lei que antes disso, a moça tem que
dormir com ele, aliás, Mendes sabe conduzir as poucas cenas sensuais que em um
filme de Bond não poderiam faltar (mas nunca que a fase Craig é tão voltada
para as aventuras eróticas do personagem tanto assim). Após o sexo, ambos fazem
um trato: ela o ajuda se ele matar o malvadão, e é aí que entra uma das
melhores caracterizações entre todos os inimigos do agente, Raoul Silva (e quase que o papel ficaria
com Kevin Spacey!), que é feito com
requintes de estranheza e graça pelo vencedor do Oscar JAVIER BARDEM, e devo
admitir que o espanhol esta marcante aqui até mais quando viveu aquele tranqüilo
psicopata, Anton em Onde
Os Fracos Não Têm Vez
(No Country For Old Man, 2007).
Bardem demonstra um passado sofrido injustificado para querer sair por aí
causando pânico. Também não vou revelar as nuances e sutilezas do personagem
que é delight (risos). Há muitas
subjugações do mocinho e do vilão o tempo todo, o que motiva o espectador a não
parar de prestar atenção. Um dos melhores antagonismos dos filmes de Bond em
anos.
Ainda neste elenco afiado,
RALPH FIENNES vive, com o seu estilo habitual, o novo presidente da Comissão de
Inteligência e Segurança, Mallory, um
homem com a missão difícil, isto é, de manter a confiança em seu agente 00, cegamente só porque ele é bom (pra M), num
momento em que o MI6 vive em um quartel general subterrâneo para se manter
seguro das ameaças. Neste cenário, Fiennes tem que convencer Dench a se
aposentar. A cena em que os dois vivem este momento é de extrema sutileza. A
partir daí, percebe-se que a M terá cada vez mais importância na trama e
finalmente deram para Dench um espaço mais digno em sua sétima participação na
série (sei lá, mas parece que 7 é um número bom). Ela arrasa em um show de interpretação
emocionante. Isso mesmo! Mendes é capaz de extrair lágrimas de um filme que
parece não ter apelo para isso. Ele prova o contrário tendo em cena uma atriz
ao nível dela.
Há ainda a participação especial do veterano ALBERT FINNEY, como
Kincade, ligado ao passado de Bond.
Nunca sai tão satisfeito de uma
sessão do 007 nesses últimos tempos. O filme renasceu e superou todas as minhas
expectativas. Além da participação especial do Aston Martin, este
capítulo traz um aprofundamento nos personagens nunca antes visto em nenhum
Bond. Aborda não só as origens de James (que já é curioso e explica o título do
filme), mas as motivações que tanto Mendes afirma em seu novo filme e dizendo
com todas as letras que até mesmo nas cenas de ação é preciso fundamento. E este
método tão eficaz do diretor acaba que proporcionando um olhar diferenciado naqueles
que gostam de fitas de ação. Nada ali é por acaso e muito menos existe apenas
para fazer barulho. Assiste-se e logo compreende-se o porque.
Seu
nome é Bond, James Bond.
Ele renasceu para viver mais um dia, afinal, nestes 50 anos ele sempre retorna.
Muitos martinis batidos e não mexidos, mulheres, pistolas e caras cruéis com
planos diabólicos, ainda vão rolar... e certamente o saudoso Albert R. “Cubby” Broccoli estava certo
ao dizer que: “enquanto houver cinema as pessoas assistirão aos filmes de James
Bond.” Só que agora a coisa ficou um pouco mais séria.
INGLATERRA/EUA
– 2012
AÇÃO/AVENTURA
EM
EXIBIÇÃO NOS CINEMAS
COR
145
min.
16
ANOS
METRO/COLUMBIA
✩✩✩✩✩
EXCELENTE
ALBERT R. BROCCOLI´S EON PRODUCTIONS
Apresentam
DANIEL CRAIG
Como
JAMES BOND
007
DE IAN FLEMING em:
DE IAN FLEMING em:
RALPH FIENNES
NAOMIE HARRIS
BÉRÉNICE MARLOHE
NAOMIE HARRIS
BÉRÉNICE MARLOHE
BEN WHISHAW
Com: ALBERT FINNEY
Com: ALBERT FINNEY
E JUDI DENCH como "M"
Música de THOMAS NEWMAN
"Skyfall" interpretado por ADELE
Direção de Fotografia ROGER
DEAKINS
Edição STUART BAIRD elenco por
DEBBIE McWILLIAMS
Direção de Arte DENNIS GASSNER
Figurinos JANY TEMIME
Produção Executiva
CALLUM McDOUGALL. ANTHONY WAYE
Escrito por
NEAL PURVIS. ROBERT WADE & JOHN
LOGAN
Produzido por
MICHAEL G. WILSON
BARBARA BROCCOLI
Dirigido por
SAM MENDES
Skyfall ©2012 EON Productions/ Danjaq/ M-G-M














18 comentários:
Lembro de ter visto um outro filme do Bond quando o SBT fazia uma maratona dos filmes da série (acho que era de Domingo, rs), mas só isso mesmo. Nunca parei pra ver, de fato, um filme da série. Nem mesmo os novos com o Craig, mas fiquei curioso pra ver este... Muito animado mesmo!
Vou tentar ver nesta semana!
Absolutamente fantástico. Adorei o debate sobre a junção do novo com o antigo feito pelo filme, tudo é muito realizado e exposto na tela. E Javier Bardem? Dispensa elogios. Melhor performance coadjuvante do ano!
And what´s your hobby Mr. Bond?
R: Resurrection!
Seu texto captura o brilhantismo dessa figura de linguagem incutida neste belo filme!
Abs
Todo mundo vendo e comentando e eu aqui, sem ter visto e ansioso. Mas, de qualquer modo, só vou ver bem mais pra frente, quando eu criar coragem pra fazer uma maratona James Bond.
Mal posso esperar para assistir!
Vou assistir hoje, depois volto para deixar minhas impressões... kkk
Seu post me instigou mais ainda a ver esse filme que, desde que vi o trailer e ouvi a ótima canção trilha de Adele...
Abraços
Sou fã do personagem e da franquia que se mantém lucrativa e duradoura.Louco pra assistir esse.
Abraço!
Bruno
Um belo filme mesmo, me surpreendeu a profundidade que Sam Mendes conseguiu dar ao filme, sem descaracterizar a série.
bjs
Vou vê-lo logo logo...
O Falcão Maltês
Gostei muito desse filme, o achei muito bem produzido e interpretado, com conteúdo sério e adulto, bem distante dos cines pipoca feitos para os adolescentes. A abertura já nasceu clássica.
Parabéns pela ótima resenha, muito bem escrita.....
Grande abraço Rodrigo...
Olá Rodrigo,
Confesso que não sou fã da série.
Porém, assisti e muito na época de Sean e Pierce. Depois, que Daniel pegou o filão meio que desencantei,rs.
De qualquer forma este veio para marcar e ainda com a brilhante atuação do Javier algo magnifico.
Dica: Assista Javier em Biutiful.
Enfim, o carro de Bond também teve sua historia contada o que foi apaixonante.
Novamente, parabéns pelo texto apaixonado pelo filme.
Beijos
Juli,
Rô,
Belissimo filme, maravilhosa crítica e tem o meu maravilhoso Javier.
Adorei o texto, bjs.
Pontos bem interessantes levantados aqui, Rodrigo. Também adorei o novo 007 e toda sua homenagem aos primeiros exemplares. Well done! ;)
Abs!
Alan: Já que passou o tempo desde seu comentário, a aí, assistiu?
Rafael: Concordo quanto ao Bardem!
Reinaldo: É bem por aí mesmo cara! Belíssimo filme e ainda de cara com uma analogia e tanto.
Luís: Ta esperando o que para a maratona? rs
Bruno: Já viu, né?
Jefferson: Obrigado amigo!
Adele foi uma escolha maravilhosa para a ocasião.
Bruno: Filmaço, né? Tb sou adorador da franquia.
Amanda: Não descaracterizou mesmo, ainda assim, desde Cassino Royale, as mudanças tiveram que ser necessárias. Muita coisa tb mudou.
Antonio: É demais!
Juli: Eu demorei para me acostumar com Craig, quando ele se aposentar virá outro! Mesmo processo, rs!
Biutiful eu já assisti. Gostaria que o filme fosse melhor. Prefiro Amores Brutos que é do mesmo diretor, mas Bardem é um baita ator, pau pra toda obra!
Bjs.
Pati: Thanks amiga!
Bjs!
Abraços pessoal!!!!!
Valeu.
Elton: Valeu meu caro!
Seu texto também ficou ótimo. Esperamos o melhor do próximo filme...
Perdão por não passar aqui antes, pois acabou minhas férias e fiquei um tanto enrolado na volta ao trabalho. Gostei do seu texto, fez bastante jus a esse ótimo filme. Gosto de como a trama do filme lida com o novo e o velho, além de fazer justas homenagens ao persoanagem. Gosto também de como tratam o passado do Bond, acredito que seja uma situação única em sua filmografia.
Abração!!
Não gostei assim tanto do filme, ainda que não seja mau, de todo. Tem uma contenção e algumas cenas arquitectadas por Sam Mendes muito boas. Bom texto, a propósito.
Acho que nunca tinha comentado por aqui, mas já sigo o blogue há um tempo. Continua o bom trabalho.
Cumprimentos,
Jorge Teixeira
Caminho Largo
Nossa eu ia ver esse filme no cinema, mas nem rolou de eu ir, mas estou muito querendo assistir assim que der eu adorei a nova concepção que deram pro 007 e o Daniel Craig parece perfeito pro papel se esse filme for tão bom quanto Cassino Royale e Quantun of Solace, ja esta de lucro.
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