PET CEMETERY
Depois
da perda de seu cão, garoto excêntrico e de poucos amigos realiza um
experimento científico com raios que acaba trazendo o animal de volta à vida.
Finalmente TIM BURTON
esta voltando com a sua carreira nos eixos, fazendo com
todo amor e predileção o que tanto ama: dirigir animações. Desenterrou um
roteiro antigo e brilhantemente estabeleceu a sua patente com uma premissa
envolvente e engraçadinha. Pra quem não sabe, foi nos estúdios DISNEY que
Burton começou sua carreira e é como diretor de animação que deu os primeiros
passos até passar para os filmes em live
action. Dentre suas animações, em minha opinião, o menos envolvente é A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005) que ele co-dirigiu com Mike Johnson, também sobre o macabro mundo dos defuntos que saem de
suas tumbas para assombrar (aliás, na imaginação de Burton o mundo dos mortos é
colorido e o dos vivos é sombrio, sobretudo na era vitoriana e pensando bem ele
pode estar certo). O meu favorito, entre todos, ainda é e sempre será O ESTRANHO MUNDO DE JACK (The Nightmare Before Christmas, 1993) que ele só produziu. O filme
é uma mistura do Halloween com o Natal – “O
Dia Das Bruxas antes do Natal” – como sugere o título original, com lindas
canções de seu amigo DANNY ELFMAN
(que interpreta a voz do personagem principal, Jack Skellington, quando canta) e traços típicos de seu estilo
formidável. A direção é de Henry Selick,
que depois faria Coraline
e o Mundo Secreto (2009
– outra ótima animação, baseada em Neil Gaiman). “Jack” é o ponto alto da
filmografia de Burton, um dos poucos artistas a ganhar espaço exclusivo na
indústria cinematográfica com projetos infantis sem muito apelo para o mesmo. É
tão mórbido que os adultos entendem melhor as piadas. Ainda, lá no início,
Burton tem títulos impressionantes como o curta-metragem VINCENT (Idem, 1982) de apenas 6
minutos, uma emocionante homenagem ao mestre do macabro, VINCENT PRICE, que narra o desenho, escrito no formato de poesia
(aliás, um dos talentos de Burton e foi assim que nasceu Jack).
Depois de muitos anos, chega
esta impressionante e divertida refilmagem de FRANKENWEENIE, baseado no curta homônimo com
atores reais que Burton dirigiu em 1984. O filminho era para ser um especial de
final de ano da Disney e por causa de seu conteúdo “assustador demais para a
família” como alegou o estúdio, Burton foi demitido de lá por gastar o dinheiro
da companhia com este tipo de história. Mesmo assim, isso não impediu que a
Disney o lançasse, mesmo com alguma censura em VHS (as famosas e saudosas fitas de Vídeo. Tenho várias da Disney!) e estou curioso pra saber o que eles
cortaram em um curta de seis min. Bom, isso só aconteceu depois que Burton ganhou fama.
Ironia e hipocrisia caminham juntas. Bom, sem ressentimentos, esta claro que
Burton esta em paz com a Disney e pode fazer porcarias como Alice No País Das maravilhas e gastar milhões da companhia! Já quando concebeu “Jack”, o filme pôde passar sem muitas censuras chatas, e as crianças
adoram! Eu mesmo era um guri quando vi pela primeira vez!
A premissa não mudou nada, só foram
adicionados novos personagens e situações para caber em um longa metragem. Portanto
o cartoon continua sendo claramente
uma homenagem ao monstro mais famoso da mídia, O Frankenstein de Mary
Shelley (que chega a ser homenageada por uma tartaruga!) obra que se
transformou no famoso filme da Universal dirigido por James Whale e estrelado por BorisKarloff. Assim sendo,
Burton arrisca qualquer possibilidade de seu filme ir mal na bilheteria e, para
sua homenagem fazer sentido, tanto para o filme de 1931 quanto para seu
carismático curta, rodá-lo em preto e branco é o certo! A salvação é que a
animação é muito bem feita, com personagens carismáticos, apesar de
horripilantes. Além disso, o filme é totalmente feito pelo processo do stop motion e em 3D. Eu não sou do tipo
que fica incomodado com filmes em preto e branco, mas muitas pessoas não têm
paciência, mas acredito que algumas delas, pelo resultado satisfatório do
filme, ficarão satisfeitas.
Para muitos espectadores, a boa
notícia é que “Frank” não tem certas participações recorrentes. Johnny Depp que desde Peixe Grande (Big Fish, 2003), produção de Burton que não tem o ator, Depp não
participa. O mesmo de Helena Bonham
Carter que começou a trabalhar com o marido massivamente desde Planeta
dos Macacos
(2001) e tomou o lugar de Lisa Marie,
ex-mulher do diretor que também sempre participava (gostava dela!). Ao menos a
dupla Depp-Helena estiveram ótimos na fita anterior do cineasta lançada ainda
neste ano: Sombras Da Noite (Dark Shadows) que muitos ainda insistem em apedrejar.
Frankenweenie tem todos os ingredientes e
que de uma forma bizarra, deva encantar as pessoas, sobretudo os pequenos. Victor Frankenstein é um tímido e
solitário garoto que perde seu cãozinho Sparky
em um acidente de carro (sem detalhar a tragédia). O bichinho, todo empolgado,
foi buscar a bola de beisebol que o menino havia arremessado e que na volta é
atropelado. Depois da aula de ciências, Victor decide seguir a receita (raios+
pipas+ cadáver = Sparky Alive!) – do filme de Whale – e tenta trazê-lo de volta
à vida. É sucedido, mas aos poucos acaba sendo descoberto. Um garotinho muito
feio e corcunda que muito lembra o assistente do Dr. Frank, Fritz, Dwight Frye, esta disposto a ser seu ajudante nos experimentos, mas
Victor não gosta muito de companhia e quando ele descobre que Sparky voltou, o
chantageia. Depois, os outros coleguinhas de classe, todos nerds, invejosos, decidem por em prática e copiam Victor, com o
intuito apenas de ganharem o troféu na feira de ciências, ressuscitam todos os
seus bichinhos mortos que acabam se transformando em monstros!
O ponto alto do filme é o
professor de ciências, Sr. Rykruski,
interpretado através da notável voz de MARTIN
LANDAU (que fez Lugosi para Burton em Ed
Wood, 94). Os pais da comunidade desta
estranha e pacata cidade acabam por expulsá-lo da escola por ser má influência
para as crianças devido aos ensinamentos científicos, na opinião dos pais, nada
ortodoxos, para se ensinar a seus filhos que levam a sério demais a ponto de
arriscarem a vida e ou/ se machucarem para fazer seus projetos.
O professor diz
algo importante para Victor sobre ciência. Ela deve ser feita também com o
coração, dedicação e nunca pelo motivo errado. Obviamente os cálculos nunca dão
certo (melhor parte do filme). Seu amor pelo cão é a prova de que a ciência é
capaz de formar homens brilhantes que descobrem coisas em prol da humanidade. A
questão de vida depois da morte é ainda questionável e realmente brincar de
Deus é algo muito além de nossa compreensão. E o filme consegue, com as geniais
sacadas de Burton, plantar este conhecimento filosófico no espectador. Se para
os pais já é interessante, mais discursivo deva ser para seus filhos.
![]() |
| Dwight Frye foi uma inspiração. |
O filme ainda tem as vozes de CATHERINE O´HARA (já fez alguns filmes
com Tim, inclusive “Jack” e Os
Fantasmas Se Divertem,
88), como a mãe, Sra. Frankenstein, a
menina de olhos arregalados (medo e engraçado) que alisa o gato e a professora
de Educação Física com jeito lésbico (risos), MARTIN SHORT, que anda meio sumido, como o pai, Sr. Frankenstein, o
vizinho chato e Nassor aquele garoto-girafa implicante e WINONA RYDER como a menina Elsa. Clara homenagem a atriz que
interpretou a Noiva de Frank, Elsa
Lanchester e ao personagem de Drácula, Dr.
Van Helsing. A cadela dela, inclusive, adquire os cabelos da noiva! Victor
ganha a voz do menino CHARLIE TAHAN (de
filmes como Eu Sou A Lenda, 2007).
Infelizmente não pude apreciar as vozes originais porque as cópias dubladas
dominam!
Burton ainda faz mais
homenagens, CHRISTOPHER LEE, aparece
em imagens de arquivo na TV quando os pais de Victor estão assistindo o Drácula da Hammer.
A trilha musical orquestrada
por Elfman é fantástica e nos créditos toca “Strange Love” de Karen O, só para comprovar o fascínio
de Burton por coisas pop. Achava que
iria ouvir alguma coisa do Tom Jones,
enfim...
O desenho é super legal e
criativo. Recomendo mesmo! Um alívio cômico macabro que somente Burton com a
sua assinatura é capaz de proporcionar. O apelo visual e as saudações de Frankenweenie
para o universo dos filmes de terror é um prato cheio, não só para os
amantes do diretor e do gênero, mas para toda a família e desta vez, nada de
censura. Novos tempos para a Disney? Se o estúdio anda mudando o seu conceito é
através da imaginação de Tim Burton que isso ocorre, trazendo de volta à vida
uma de suas mais curiosas criações.
EUA
– 2012
ANIMAÇÃO/COMÉDIA
EM
EXIBIÇÃO NOS CINEMAS – 3D
PRETO
E BRANCO
87
min.
DISNEY
LIVRE
✩✩✩✩✩
EXCELENTE
DISNEY APRESENTA
UM FILME DE
TIM BURTON
FRANKENWEENIE
CHATERINE O ´HARA MARTIN
SHORT
MARTIN LANDAU ROBERT
CAPRON
CONCHATA FERRELL
ATTICUS SHAFFER JAMES
HIROYUKI LIAO
CHARLIE TAHAN
E WINONA RYDER
Música de
DANNY ELFMAN
Direção de Fotografia
PETER SORG
Edição
CHRIS LEBENZON. MARK SOLOMON
Cenografia
RICK HEINRICHS
Direção de Arte
TIM BROWNING. ALEXANDRA WALKER
Produtor Executivo
DON HAHN
Produzido Por
TIM BURTON ALLISON ABBATE
Baseado em um roteiro de
LEONARD RIPPS
Argumento Original
TIM BURTON
Roteiro de
JOHN AUGUST
Dirigido
Por
TIM BURTON
FRANKENWEENIE ©2012 Walt Disney Pictures/ Tim Burton Animation Co.
Tim Burton Productions











10 comentários:
Bom Dia Rô,
Tudo bem?
Olha, nem fiquei interessada em assistir(juro) Mas, depois de ler seu texto fiquei afim,rs.
O melhor foi seu comentário sobre Deep e Lisa Marie,rs.
besos.
Posso errar...mas, aposto minhas fichas nesse filme.
O curta eu adoro....
Burton, quando esta em seu nincho de cinema é inigualável.
É um alívio mesmo, gosto muito do filme e concordo que o professor é o ponto alto, só me incomoda os amiguinhos invejosos repetindo a fórmula para uma feira de ciências que simplesmente some da história, hehehe.
bjs
Eu gosto muito do estilo do Burton, que tinha tudo para ser uma nerd psicótico, mas transformou sua excentricidade e sua predileção para o sombrio em arte, e faz nossa alegria! De todos citados eu só não assisti ainda Dark Shadows, apesar de ser mto fã do Depp. E essa nova animação do Burton nem precisa citar, quero demais ver!
Ainda não assisti, mas já está na minha lista.
O Falcão Maltês
Estou louco pra ver esse filme,sou fã declarado do Tim Burton e adoro suas produções.
Abraço!
Bruno
Estou louco para ver este filme, tempo ta curto ultimamente.
Adoro os filmes do Tim Burton, o cara realmente sabe o que faz e como fazer.
Até hoje Edward Mãos de Tesoura me deixa de boca aberta, e claro, com a atuação do Jhony Depp.
Estou te seguindo aqui, confere o meu e segue lá também.
Abraços!
http://livronasmaos.blogspot.com.br/
Belo texto Rodrigo. Cara, em meio a tantas referências óbvias ou não, tinha passado batido por mim essa referência a Shelly... A tartaruga, enfim, não serve apenas ao Godzilla... rsrs
Enfim, gostei de "Frankenweenie", mas gostei menos do que pensava que ia gostar. Talvez essa sensação esteja ligadao ao fato, que sei que vc não concorda com essa minha avaliação, de que o filme é esticado. É um curta em essência.
Abs
Patricia (Pati): Que bom que animei vc! Esta animação fará o mesmo, sem trocadilhos, rs BESOS!
Renato: Esta certíssimo em apostar suas filhas, rs!
Abs.
Amanda: Nem me incomodei tanto com a subtrama dos amiguinhos invejosos Nanda, só sei dizer que eles são feiinhos, ordinários, mas bonitinhos, rs!
Bjs.
Dayane: "Dark Shadows" é um delight de Tim Burton! Graças a Deus ele soube utilizar seu macabro em arte.
Bjs.
Antonio: Corra atrás...
Bruno: Certamente irá gostar!
Markos: Seja muito bem vindo. Estou seguindo e linkado para saber das novidades do "Livros Nas Mãos" achei bem interessante, aliás, preciso urgente voltar a ler um novel!
"Edward, Mãos de Tesoura" é o melhor de Burton. Já postei aqui ano passado. Clássico absoluto.
Abs.
Reinaldo: Valeu meu caro!
Pois é, a Mary Shelley levou a melhor no filme, rs! Muitas nuances engraçadinhas que Burton investe nesta sua velha ideia. E sim, neste ponto não concordo com você. O filme serve mais pra nostalgia do que qualquer outra coisa.
Abração!
Concordo com o Renato eu gostei muito do curta e acho q vou gostar do filme tb irei assistir. amo o trabalho do Tim Burton.
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