sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ALFRED HITCHCOCK | QUANDO FALA O CORAÇÃO


O SUBCONSCIENTE SEGUNDO HITCH!


Psiquiatra ajuda paciente com amnésia a descobrir sua identidade depois que é acusado de assassinato.


Este é mais um dos filmes curiosos de Hitchcock, certamente subestimado e para alguns uma obra que ao passar dos anos ganhou fama de cult. É estrelado por grandes personalidades como INGRID BERGMAN (1915-1982), de Casablanca e Sob O Signo de Capricórnio, Under Capricorn, 49 (mais uma fita do mestre) e GREGORY PECK (1916-2003 que voltaria a trabalhar com ele em Agonia de Amor, The Paradine Case, 47). O filme ganhou o Oscar de Melhor Trilha Musical, aliás, fantástica, o ponto alto da obra, realizada magistralmente pelo húngaro MIKLÓS RÓZSA (1907-95) que já trabalhou em superproduções aclamadas como BEN-HUR, 1959 de William Wyler. Outras indicações incluem: Melhor Filme (novamente DAVID O. SELZNICK), Efeitos Especiais, Diretor, Fotografia (GEORGE BARNES) e Ator Coadjuvante (MICKAEL CHEKHOV como o Dr. Alexander Brulov, o médico que é substituído pelo personagem de Peck). Bergman recebeu o prêmio de Melhor Atriz dos críticos de Nova York – NYFCC – em 1946.


A aparição de Hitch acontece aos quarenta minutos de filme em um elevador do Empire Hotel carregando consigo um estojo de violino e fumando um cigarro. Foi o primeiro filme americano a tratar sobre a psicanálise (Hitch trataria do assunto em mais exemplares, provavelmente o que melhor se encaixa no perfil é Marnie, Confissões de Uma Ladra” com Tippi Hedren e de certa forma o Norman Bates de Anthony Perkins em “Psicose). Provavelmente Quando Fala O Coração (Spellbound, 1945 – e Hitchcock teve que convencer Selznick a pagar 40 mil dólares para os direitos de adaptação do romance “A Casa do Dr. Edwardes”) seja o melhor filme a tratar do assunto de forma mais científica de acordo com os estudos do famoso médico neurologista Sigmund Freud focando no campo clínico da investigação teórica da psique humana. Hitchcock sempre esteve interessado em abordar o inconsciente em seus filmes, alguns são mais evidentes, outros nem tanto, mas é “Spellbound” que o faz de maneira misteriosa e intrigante como um mosaico. Escrito de forma brilhante por BEN HECHT (1894-1964) de scripts como O Morro Dos Ventos Uivantes (1939 no mesmo ano chegou a trabalhar com Selznick em E O Vento Levou, não recebeu os créditos e ainda perdeu o Oscar para Sidney Howard!), Scarface – A Vergonha de Uma Nação (1932), Angels Over Broadway (1940), Viva Villa! (1934) a biografia romanceada de Pancho Villa, estes todos indicados ao Oscar. Ganhou os prêmios da Academia pelos roteiros de Paixão e Sangue (Underworld, 1927, o primeiro da categoria em 1929 e pelo filme The Scoundrel (1935) que também co-dirigiu e compartilhou a estatueta com o amigo Charles MacArthur. Hecht tem uma longa parceria com Hitchcock, além deste, escreveu o ótimo INTERLÚDIO (Notorius, 46, também com Bergman como estrela principal e outra nomeação ao Oscar) e ainda: Pacto Sinistro (1951), Festim Diabólico (1948) e primeiramente na fita Correspondente Estrangeiro (1940). Outros créditos incluem: Gunga Din (1939), Rainha Christina com Garbo (1933) e Jejum de Amor (1940). Resumindo, o cara era bom e muitas vezes não recebeu o reconhecimento que merecia em muitos dos filmes em que foi grande colaborador. Há pessoas que consideram o filme um trabalho extremamente excessivo quando Hitchcock mergulha profundamente no subconsciente da personagem. Discordo, aliás, foi bastante proposital. Este trabalho ainda consegue acentuar um ótimo suspense além de ter como ingrediente a melhor estética do filme noir e o típico romance do casal central nos filmes do cineasta. Evidente que o conjunto psicanalítico deva afugentar um pouco a plateia e algumas pessoas o consideram irritante.


Peck interpreta um homem sem memória, John Ballantyne que é conhecido até então como Dr. Edwardes, e nestes casos o cara acaba por descobrir que não é a pessoa que achava ser, com isso, convoca os serviços de uma linda “médica da mente”, a Dra. Constance Petersen (Bergman – outra das louras gélidas favoritas do diretor) que o ajuda a descobrir sua identidade numa série de sessões hipnóticas e por fim acaba apaixonada por ele.

As famosas aparições de Hitch. O verdadeiro astro dos próprios filmes!
Hitchcock dirige lindamente os atores em atuações notáveis e o seu filme, tecnicamente é fantástico para os padrões da época com um desenho de produção muito bem feito por JAMES BASEVI (1890-1962), fotografia entorpecente (Barnes deveria ter ganhado o Oscar) e é claro, a música que mereceu as ovações, inovadora por apresentar zumbidos eletrônicos do teremim, o primeiro instrumento musical eletrônico criado em 1919 por um russo de mesmo nome. O filme também é famoso por ter o envolvimento do artista surrealista SALVADOR DALÍ (1904-1989) que no cinema, realizou com Buñuel o clássico dos clássicos “Um Cão Andaluz” (1929). Dalí concebeu as famosas sequências de sonho apresentadas no filme quando Peck fica por efeito da hipnose. É um trabalho estonteante e assustador simbolizado por olhos, paisagens indecifráveis e jogos de cartas.


Nem um pouco desmedido com relação aos diálogos sobre psicanalítica, em minha opinião, Spellbound esta longe de gerar qualquer falácia (quem afirma isso com irritação é quem esta sendo enganoso e falador) neste âmbito de estudo tão curioso e para os estudantes de psicologia é um dos filmes mais indicados. Ninguém melhor do que Hitchcock para representar cinematograficamente a dolorida mente humana.




EUA – 1945
SUSPENSE/ROMANCE
FULLSCREEN
PRETO E BRANCO
111 min.
CONTINENTAL
✩✩✩✩✩EXCELENTE




Uma Produção SELZNICK INTERNACIONAL PICTURES Apresenta
INGRID BERGMAN               GREGORY PECK
ALFRED HITCHCOCK´S
SPELLBOUND
Também Estrelando: MICHAEL CHEKHOV. LEO G. CARROLL
JOHN EMERY. STEVEN GERAY. PAUL HARVEY
DONALD CURTIS. RHONDA FLEMING. NORMAN LLOYD
WALLACE FORD. BILL GOODWIN. ART BAKER
REGIS TOOMEY. IRVING BACON. JEAN ACKER
Música de MIKLÓS  RÓZSA Fotografado por GEORGE BARNES
Direção de arte JAMES BASEVI Efeitos Especiais JACK COSGROVE
Figurinos HOWARD GREER. ANN PECK
Sequência de sonho criada por SALVADOR DALÍ
Produzido por
DAVID O. SELZNICK
Roteiro de BEN HECHT Argumento ANGUS MacPHAIL
Colaboração e consultoria psiquiátrica MAY E. ROMM
Baseado no livro de
 FRANCES BEEDING. JOHN PALMER & HILARY ST. GEORGE SANDERS
Dirigido por
ALFRED HITCHCOCK
SPELLBOUND ©1945 Selznick International Pictures/ Vanguard Films Inc.








12 comentários:

J. BRUNO disse...

Excelente texto Rodrigo!
A abordagem da psicanálise é um dos aspectos que sempre me deixaram curioso em relação a este filme, mas infelizmente ainda não tive oportunidade de assisti-lo. Ontem vi "Festim Diabólico" e escreverei sobre ele em breve.

Abraço forte meu amigo!

http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2012/12/007-cassino-royale-quantum-of-solace.html

M. disse...

Olá Rodrigo!

Parabéns pelo excelente texto. Este filme é imprescindível aos cinéfilos e aos amantes da obra de Hitch!

Hugo disse...

Este é um Hitchcock que ainda não conferi.

Abraço

Alan Raspante disse...

Já tinham me indicado, mas eu ainda não vi... Está nos meus planos de vê-lo em 2013, rs

Weiner disse...

Como já disse em outro momento, é uma pena que os filmes de Hitchcock de bandeira inglesa e americanos da década de 40 (como este) sejam tão desconhecidos da grande maioria. SPELLBOUND não é uma obra-prima, mas é uma chance única de ver Hitchcock esboçando um estilo melhor percebido na obra-prima VERTIGO.
Sem falar no elenco (Peck e Bergman estão bonitos de encher a tela).
Abraços!

Paulo Telles disse...

Fascinante seu artigo, Rodrigo, sobre um dos grandes momentos de Hitch, com um par perfeito entre Gregory e Ingrid, e um marcante comentário musical de Miklos Rozsa, que nunca mais fez outra trilha para o diretor. Uma pena.

Abraços nobres

Bússola do Terror disse...

Oi! Tudo bem?
Tô passando pra desejar um feliz 2013!
Até!

Robson Saldanha disse...

Toda vez que vejo algo sobre Hitchcock e me lembro que não vi qualquer filme dele, me sinto um completo idiota e menos cinéfilo por isso!

P.s.: Voltei com o Portal Cine! =)

Dayane Pereira disse...

Apenas preciso ver esse filme! Eu estou aos poucos assistindo os mais antigos, e claro, Hitch está na lista!
Eu tb estou ansiando pra ver Django!! Vai ser animal!

ANTONIO NAHUD disse...

Maravilhoso filme!
Feliz 2013, Rodrigo. E viva o cinema!

O Falcão Maltês

Rodrigo Mendes disse...

Obrigado Bruno e o seu texto sobre "Festim..." ficou ótimo. Não deixe de conferir este!
Abs.

M: Thanks Magda. É mesmo!
Beijão!

Hugo: vai gostar...

Alan: Comece o ano com ele!

Weiner: Acredito que em qualquer filme dirigido por ele podemos notar o seu gênio o que infelizmente acontece e concordo contigo, é que algumas fitas hoje em dia são despercebidas.
Abs!

Paulo: Valeu meu nobre! Sei que tu é um especialista em Miklos Rozsa. De fato, uma pena que ele não tenha feito outro filme com Hitch!

Bússola: Idem. Te desejo o melhor. Abs!

Robson: Nenhum sequer? Como assim? rs! sem comentários!

Belo retorno. Tô ligado no Portal Cine.
Abração!

Dayane: Hitch é obrigatório em todas as listas!! rs
"Django" será inesquecível, tb anseio por ele.
Bjs.

Antonio: Um ótimo ano!
Abs!




Alysson disse...

Otimo texto vc sabe muito bem como escrever hein? Parabens

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