domingo, 16 de dezembro de 2012

PETER JACKSON | O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA


Uma aventura nem um pouco inesperada

Bilbo Bolseiro, um Hobbit caseiro é convencido pelo sábio mago Gandalf, O Cinzento, a embarcar em uma jornada perigosa até a Montanha Solitária para ajudar um grupo de treze anões que almejam recuperar o seu reino, Erebor, invadido pelo temível dragão Smaug. O que o pequeno não sabe é que durante o seu caminho acabará tomando posse de um precioso anel, item valioso que terá um papel importante. 

Para Baggins a jornada pode 

ser inesperada, mas para os fãs e o diretor PETER JACKSON
 era esperado que o filme fosse realizado e as expectativas estavam altíssimas. Trata-se de um prólogo da premiada trilogia épica de Jackson baseado em 
J. R. R. TOLKIEN  (1892-1973) o tão impactante e inesquecível O SENHOR DOS ANÉIS, a saga do menor vilão do cinema, o Um Anel Para Todos Governar... “O Hobbit” é um único livro, escrito anteriormente a primeira parte; “A Sociedade do Anel” (The Fellowship Of The Ring, publicado em 1954), este leva o título de O Hobbit ou “Lá e de Volta Outra Vez” e fora publicado em 1937. Certamente este primeiro filme desta nova trilogia funcione como prólogo, mas a obra literária de Tolkien deste universo mágico e alternativo, como ele próprio afirmava, segue uma linearidade (o autor tem mais livros que fazem parte de uma coleção de poemas e como era interessado em linguística  o efeito é extraordinário e transportam à imaginação todos que já leram). Jackson, ainda irá lançar: “O Hobbit – A Desolação de Smaug” (2013) e “ O Hobbit – There and Back Again” (2014) e muita coisa a mais da estória já foi adicionada já que a adaptação que Jackson resolveu tomar as rédeas pretende ser longa. Ainda estou me perguntando se era realmente necessário esticar tanto a obra e fica claro que Jackson quer retomar algo grandioso com a pretensão de ser nostálgico como o fez com KING KONG (2005) um filme claramente apaixonante por parte de seu diretor (o original marcou muito a sua vida e teve grande impacto na sua carreira). Parece o George Lucas com sua paixão por STAR WARS e fazer uma nova trilogia mais voltada para fãs do que criar algo com o mesmo efeito de um filme tão seminal como foi também “Guerra Nas Estrelas - Uma Nova Esperança” de 77. Devo admitir que em comparação ao que foi A Ameaça Fantasma de Lucas, O Hobbit de Jackson é disparado como um ótimo filme. Porém, em comparação com A Sociedade Do Anel e As Duas Torres (e nem tem como comparar com O Retorno Do Rei), “Uma Jornada Inesperada” fica devendo, mesmo tendo alguns predicados. No entanto, é um filme sem aquele impacto, brilho, da primeira trilogia e nem sequer tem uma cena inesquecível. É mais aventura matinê e pouco melodrama. 


O filme era para ser dirigido inicialmente pelo mexicano GUILHERMO DEL TORO (Hellboy, O Labirinto Do Fauno [seu melhor filme ]. A Espinha Do Diabo, Mutação, Blade II) que acabou abandonando o projeto e ainda não entendi qual foi a razão e acredito que todos que conhecem o seu trabalho sabem que ele também era muito indicado. Mesmo assim, Del Toro assina o script em parceria com Jackson, Philipa Boyens e a esposa de Peter, Fran Walsh. Ainda não sei dizer se eles pretendem incluir fatos da obra póstuma de Tolkien, “Contos Inacabados”, a coletânea de histórias em forma de notas esboçadas por Tolkien dividida em quatro partes e três eras segundo o calendário do universo da Terra Média. Sempre tive curiosidade em ler e funciona como um “Universo Expandido” (como fazem os aficionados por Star Wars, por exemplo, por isso usei o nome como comparação). O autor foi escrevendo essas estórias que ligam ao Senhor Dos Anéis e O Hobbit, mais nunca chegou a concluí-las quando estava vivo. Seu filho, Christopher Tolkien, foi o responsável por compilar e publicá-las alguns anos após a morte do pai. Na narrativa abrangente de Tolkien, destes Contos Inacabados, também seguem a ideia os livros: “O Silmarilion”, “As Aventuras de Tom Bombadil” e “The Road Goes Ever On”. Veremos como serão as subtramas dos filmes seguintes, este aqui já é um enchedor de linguiça e ainda não sei dizer se é no bom sentido.


O livro original (tenho uma edição antiga em inglês, lindamente ilustrada – “The Deluxe Edition of the World´s Most Beloved Fantasy” com ilustrações de Arthur Rankin Jr e Jules Bass, que dirigiram o filme animado de mesmo nome em 1977 e com vozes de John Huston e Orson Bean) situa-se em um tempo – 60 anos antes – entre o alvorecer das fadas e a era do domínio dos homens e concentra-se na busca do Hobbit que não gosta de viajar e prefere ficar em casa com os livros e lavando louça, Bilbo Bolseiro, tio de Frodo, o ótimo MARTIN FREEMAN, inglês comediante de vários filmes do gênero (ex.: O Guia Do Mochileiro Das Galáxias, 05 e a série de TV Comedy Showcase, 07) que é ‘enganado’ por Gandalf (IAN McKELLEN, que dispensa comentário sempre ótimo com seu jeitão habitual) sendo escolhido para acompanhar um grupo de treze anões em uma grande e perigosa aventura. Bilbo é um personagem carismático e Freeman consegue imprimir as características lindamente como um sujeito conservador e exímio dono de uma casinha sempre limpa e com a despensa cheia de fartura. Seu sossego esta prestes a mudar com a visita inesperada dos anões, barulhentos, engraçados, comilões, sujos e folgados! O elenco é bem selecionado, Thorin é interpretado por RICHARD ARMITAGE, meu predileto, o cara é galã e esta irreconhecível com a caracterização. Neste capítulo não tem o Gimli, o carismático anão vivido por JOHN RHYS-DAVIES com sua voz tão marcante, mesmo assim, a premissa segue com um elenco simpático, aliás, o ponto alto do filme, entre os veteranos, estão os jovens Aidan Turner (Kili) e Dean O´Gorman (Fili) que parecem “substituir” a imagem da dupla Pippin e Merry (respectivamente Billy Boyd e Dominic Monaghan). Além do novo cast, a fita tem participações afetivas como a de ELIJAH WOOD numa aparição não muito inspirada como Frodo, mas aqui não terá muito o que fazer, e do ótimo HUGO WEAVING como o Elfo Elrond. Presença notável é da excelente CATE BLANCHETT como a inesquecível Galadriel (tem mais cenas dela neste filme do que em O Senhor Dos Anéis). Não que sua personagem acrescente algum brilho à la Oscar, mas gosto dela em tudo o que faz. Ainda tem os veteranos IAN HOLM, o único que é capaz de viver o velho Bilbo, que faz uma bela introdução narrativa e o eterno CHRISTOPHER LEE sem mostrar ainda as garras de Saruman! Soube que Jackson poupou Lee de fazer uma cansativa viagem até a Nova Zelândia e dirigiu suas cenas em  estúdio. E é claro, não posso me esquecer dele, ANDY SERKINS que faz uma participação engraçadinha como o Gollum e como não tinha também muito o que fazer (suas cenas são passageiras, mas o Gollum continua me provocando impacto e risos), Serkins trabalha como diretor assistente de segunda unidade e o fez nos três filmes. Interessante.

O que mais posso dizer do filme? Que Jackson continua a passear com a câmera pelas lindas e fotogênicas paisagens naturais da Nova Zelândia? Bom, de fato isso acontece e era até inevitável, já que é uma característica da série. Não vou dizer que odiei tudo, mas nada na fita é tão surpreendente, é apenas uma sensação repetitiva de O Senhor Dos Anéis que tanto me encantou da primeira vez que o vi. Mesmo o filme tendo ótimas sequências de ação e piadas a granel, criaturas exóticas e fantasticamente criadas pela equipe da Weta (que já provou inúmeras vezes que é muito boa no que faz) não fui atingido como nos outros três filmes que já considero clássicos. O cenário é menos sombrio e o ambiente é mais rural, o Condado é mais explorado, a alegria é mais presente (principalmente nos primeiros longos minutos de filme com toda aquela cantoria e comilança anã!) pra somente perto do clímax deste primeiro ato, o âmbito ficar mais sinistro (O dragão Smaug tem aparições misteriosas, Orcs ainda causam medo, etc). O filme mostra como Bilbo adquire maturidade e sabedoria sendo o escolhido na jornada. Salva os amigos de criaturas como os Trolls utilizando de seu senso lógico, além de demonstrar uma não tão inesperada coragem. Acredito que o filme tem a mesma particularidade do personagem central, um Hobbit que esta experimentando pela primeira vez o mundo muito além de seu quintal, ou seja, numa viagem tão pessoal como a de Jackson, fã assíduo e apaixonado pela mítica saga do anel e que experimenta todos os agrados para aqueles espectadores fascinados pelo legado de Tolkien. Em poucas palavras O Hobbit – Uma Jornada Inesperada é um filme nostálgico.

Freeman no set com Serkins
Os críticos americanos e boa parte do público nos EUA receberam o filme com reações mornas, não posso dizer que a minha foi das mais quentes e animadas, embora tenha me divertido algumas horas no cinema. O problema que muitos alegam e se irritam é pelo fato da longa duração de uma aventura enxuta e episódica. Jackson também acabou recebendo duras críticas com a nova tecnologia empregada para a feitura do filme. Trata-se de câmeras digitais, 30 Red Epic, que são projetadas com uma velocidade absurda em 48 quadros por segundo que funciona no 3D, mas que por ser tão límpido, acaba quebrando aquela aura de sétima arte. Eu conferi numa sala tradicional em película e dispensei o 3D que na verdade já esta me irritando. De qualquer forma, é uma tendência no mercado cinematográfico e funciona em alguns filmes que souberam utilizar a ferramenta (como Avatar e Hugo Cabret, os melhores no quesito até agora). Ainda pretendo assistir em 48 fps para experimentar. 

Lá e de volta mais uma vez neste mundo tão fabuloso de Tolkien. É Peter Jackson assumindo com controle total mais uma superprodução, mesmo que movido por um dever obrigatório misturado pela paixão e deixando de lado qualquer inspiração que me faça ficar boquiaberto como outrora. É uma aventura que esperava com ansiedade há muito tempo e que no final o resultado (pra mim) acabou sendo inesperado, só que a jornada de O Hobbit não era tão inesperada assim! Demorou, mas chegou. Posso me surpreender, ainda tem mais...



EUA/NOVA ZELÂNDIA – 2012
EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS
AVENTURA/FANTASIA
COR
169 min.
12 ANOS
WARNER
 ✩✩✩ BOM

um filme DE PETER JACKSON

BASEADO NA OBRA DE J. R. R. TOLKIEN
the HobbiT:
An Unexpected Journey
Estrelando: 
IAN McKELLEN
    MARTIN FREEMAN   
RICHARD ARMITAGE
 KEN STOTT  
GRAHAM McTAVISH   
WILLIAM KIRCHER
JAMES NESBITT   
STEPHEN HUNTER
DEAN O ´GORNAN  
 AIDAN TURNER   
JOHN CALLEN 
 PETER HAMBLETON   
JED BROPHY
ADAM BROWN  
SYLVESTER  McCOY  
 BARRY HUMPHRIES
JEFFREY THOMAS 
 MICHAEL MIZRAHI
LEE PACE  
 MANU BENNETT   
CONAN STEVENS
JOHN RAWLS 
 STEPHEN FRY 
 TIMOTHY BARTLETT
BRET McKENZIE 
KIRAN SHAH 
E
BENEDICT CUMBERBATCH
COM: 
HUGO WEAVING 
IAN HOLM  
 ELIJAH WOOD
CATE BLANCHETT  
  CHRISTOPHER LEE
E 
ANDY SERKINS 
como Gollum

trilha muSICAL de HOWARD SHORE

Diretor de Fotografia ANDREW LESNIE 

MONTAGEM JABEZ OLSSEN

CENOGRAFIA DAN HENNAH

Figurinistas 
BOB BUCK 
ANN MASKREY 
RICHARD TAYLOR

Produzido por
CAROLYNNE CUNNINGHAM
 PETER JACKSON
FRAN WALSH 
 ZANE WEINER

Escrito por
FRAN WALSH
PHILLIPA BOYENS
PETER JACKSON
E GUILHERMO DEL TORO

Dirigido por
PETER JACKSON
The Hobbit – An Unexpected Journey © 2012
WARNER BROTHERS/ NEW LINE CINEMA/ M-G-M
Wingnut Films/3Foot7

8 comentários:

Weiner disse...

Tive um pequeno problema com o filme no início, estava considerando o roteiro raso demais - talvez porque tenha aberto espaço excessivo para o humor e perdido tempo demais com as primeiras sequências. Porém, após o encontro com os elfos, fui toatlmente conquistado: a aventura ganhou substância e os efeitos visuais me arrebataram (estão melhores que a trilogia original, o que era de se esperar). Acho que estão obedecendo à cronologia do livro de Tolkien - e já me convenci de que estarei diante de uma trilogia voltada exclusivamente à aventura, sem tanta densidade filosófica. O que não é algo ruim. O HOBBIT merece ser visto sem grandes expectativas.
A longa aparição de Gollum é fenomenal, e Andy Serkis bem que merecia lembrança no Oscar.
Um abraço!

Markos Queiroz disse...

Para falar a verdade eu não estava esperando grandes coisa desse filme, não o vi ainda, mas pretendo ir logo.
Acho que perto de O Senhor dos Anéis ele vai deixar e muito a desejar, e acho também, que vai rolar algumas comparações.
Mas o que achei mais chato foi dividir um único livro em 3 partes, desnecessário.

Abração!

livronasmaos.blogspot.com.br

Amanda Aouad disse...

Acho que o maior problema está na expectativa, não digo sua, mas da maioria dos críticos de ver outro Senhor dos Anéis. O Hobbit é o que deveria ser, um bom filme de aventura. Não dá para exigir de uma história episódica como aquela algo grandioso como a salvação do mundo.

Claro que há alguns problemas, como toda a sequência de Radagast, e a sensação de que tudo foi esticado para durar três filmes (coisa que ainda não entendo, exceto pelo apelo comercial). Mas, no geral, gostei bastante, me diverti, me emocionei (aquela sequencia de batalha em Moria e a chegada do dragão na Montanha Solitária é incrível. Fora, toda a sequência de Gollum.

bjs

Jefferson C. Vendrame disse...

Grande Rodrigo,
Parabéns pelo ótimo texto, concordo plenamente com você em muitos pontos. Assisti O HOBBIT nesse final de semana e posso afirmar que é um bom filme. Em minha opinião (assim como na sua e pelo que andei lendo por ai, na de muitas pessoas) talvez alguns de seus pontos negativos tenham sido: Muito esticado, as vezes lento e com muitas sequências desnecessárias, além disso também achei os efeitos em 3d muito fraquinho por se tratar de tamanha produção...Em suma, o filme como vc disse não pode ser comparado ao Retorno do Rei e realmente é mais fraco que os outros dois da trilogia do anel mas nem por isso deixa de ser um bom filme. Que venham os próximos... confesso que estou ancioso...

Abração e mais uma vez parabéns pelo ótimo post... praticamente cheirando a tinta fresca....

Abração

ANTONIO NAHUD disse...

Caríssimo, o blog O FALCÃO MALTÊS está aniversariando e entrando de férias. Obrigado pela parceria. Desejo um Natal harmonioso e um Ano Novo cheio de energia.
Cumprimentos cinéfilos,

O Falcão Maltês

Fabiane Bastos disse...

Olá, indicamos seu blog para ganhar um selo. Vá conferir no DVD, Sofá e Pipoca - http://dvdsofaepipoca.blogspot.com.br/2012/12/selo-versatile-blogger.html

Feliz Natal!

Jorge Teixeira disse...

Concordo genericamente, ainda que pessoalmente adore o filme, não só por ser um fã assumido de Tolkien, como também por achar que são poucos os realizadores que passam para a tela um mundo fantástico de forma tão realista como Peter Jackson. Daí que, e apesar de resultar num somente bom filme, fique a ansiar pelo próximo :)

Cumprimentos,
Jorge Teixeira
Caminho Largo

Alysson disse...

Eu fui assistir a esse longa sem.muitas expectativas e eu me surpreendi com a qualidades do filme claro que em certos momentos a comparacao com o Senhor dos aneis é inevitavel mas acho q ele se sobressaiu bem e de forma que podemos conhecer bem a historia de o Hobitt vamos aguardar a sequencia e ver se a trilogia valera a pena assistir.

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