sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ROLAND EMMERICH | 2 0 1 2


É O FIM?

Cataclismo global traz o fim do mundo no dia 21 de Dezembro de 2012 segundo o calendário Maia.


E mais uma vez o alemão ROLAND EMMERICH destrói o mundo pelo ponto de vista hollywoodiano. Não bastou criar uma invasão alienígena em INDEPENDENCE DAY (1996) o seu filme mais divertido (arruinou os planos de Steven Spielberg que na época planejava uma nova aventura de Indiana Jones que trazia Et´s e seu projeto com Tom Cruise; Guerra Dos Mundos), trazer o monstro japonês numa estúpida versão americana: GODZILLA (1998) e terminar inundando e congelando o globo (Nova York como cenário) em O DIA DEPOIS DE AMANHÃ (The Day After Tomorrow, 2004). Emmerich é assim, um cara que ao enveredar pelos oportunistas efeitos especiais conseguiu estrondosos sucessos de bilheteria custe o que custar, seja o bolso dos estúdios ou a paciência dos críticos. Confesso que ID4 é a minha guilty pleasure entre todos os filmes do diretor certamente por apreciar um filme B de ficção-científica. É clássica a destruição da casa branca! Bom, ele teve algumas fitas subestimadas como Stargate (1994 – que virou série de TV) e o meu favorito (não se assustem o filme é bom mesmo e é dirigido por Emmerich) Estação 44 – Refúgio Dos Exterminadores (Moon 44, 1990) com Michael Paré e Dean Devlin, produtor e parceiro dele nos primeiros filmes. Outro filme que parece não ter nada a ver com o caráter do cara é O PATRIOTA (The Patriot, 2000) com Mel Gibson e Heath Ledger que ele confessou em uma entrevista: “Este era o filme que eu sempre queria fazer. Não por dinheiro!” Sua filmografia tem filmes curiosos só que os melhores são minoria. Seu mais recente absurdo é um insulto a William Shakespeare, o péssimo ANÔNIMO (Anonymous, 2011) que graças a Deus passou despercebido por aqui. Também tem filmes chumbo grosso como SOLDADO UNIVERSAL (Universal Soldier, 1992) clássico com Van Damme e Dolph Lundgren, os cults “Mercenários”, colegas de Stallonne, uma criação original de Emmerich e Devlin que fez sucesso e teve continuação na linha do gênero ação com ficção-científica. Apesar de ter transitado para vários subtipos de filmes, é no cinema catástrofe que Emmerich construiu uma rica carreira, catastrófica!

2012 é uma piada e não tem como não incluí-lo na sessão FILMES IRREGULARES do Cinema Rodrigo (EDIÇÃO 15) uma das maiores bombas cinematográficas há exatamente três anos. O elenco é bem misto. JOHN CUSACK, um ator que tenho predileção e que ultimamente anda atrasando a carreira aceitando papéis ridículos (vide o recente filme em que interpretou Edgar Allan Poe) é o protagonista, o típico pai divorciado numa situação clichê que faz de tudo para salvar a ex-mulher e os filhos do genocídio natural mundial. O filme ainda tem o ótimo CHIWETEL EJIOFOR como o cientista, AMANDA PEET, OLIVER PLATT, THANDIE NEWTON o maluco do WOODY HARRELSON, provavelmente a figura mais interessante da fita e o veterano DANNY GLOVER no papel do Presidente dos Estados Unidos, isto é, bondoso e capaz de se sacrificar pelo povo/eleitores.


Com filmagens em Vancouver no Canadá, o filme faz referências ao calendário maia sobre o final dos tempos no dia 21 de Dezembro deste ano prevendo um retrato de eventos cataclísmicos que matará a humanidade sem dó nem piedade (se bem que com a violência abundante o homem esta ficando extinto). Emmerich adora fazer isso: bombardeamentos estrondosos, cidades sendo destruídas (a sequência que se inicia numa fuga desesperada numa limousine que culmina em um jatinho é hilária!), erupções solares, o núcleo do planeta que começa a aquecer a um ritmo sem precedentes, provocando o deslocamento da crosta terrestre, enfim... ah! E o Cristo Redentor em uma participação especial sendo destruído, visto no filme pela TV frustrando os brasileiros!


O resultado? Um filme com um roteiro preguiçoso, cafona, dramas chavões e situações tão absurdas como uma rosquinha gigante que atrapalha a fuga dos heróis enquanto a terra esta sendo fatiada literalmente. São vários tipos de cenários apocalípticos que Emmerich resolve apresentar, que vão desde a Califórnia sendo engolida pelo Oceano Pacífico até a erupção de Yellowstone, além de, é claro, dos imensos e devastadores terremotos e gigantescos tsunamis para piorar o desespero. Caos é a palavra chave e tentando sustentar o seu filme neste âmbito em ruínas, o diretor concentra-se em dirigir um elenco de personagens com quase nenhuma personalidade e centra-se em uma única situação: em como eles escapam das catástrofes naturais e seus esforços para conseguirem chegar com segurança até as “Arcas de Noé”, refúgio dos sobreviventes ricos. Imaginem o destino da humanidade nas mãos de pessoas mesquinhas para repovoar o mundo? Tais navios que foram construídos no Himalaia secretamente pelo governo de todo o globo, juntamente com renomados cientistas a fim de salvar as vidas daqueles que pagarem muito bem.


O filme, obviamente, foi extremamente criticado, não apenas pelos críticos, mas pela NASA, por exemplo, que o considerou um absurdo. Motivo? A premissa apresenta um livro fictício escrito pelo personagem de Cusack intitulado: “Adeus Atlântida”, além do personagem de Harrelson, um fanático do apocalipse com o seu blog que tratava do assunto e seu programa radiofônico com o tema: “This Is The End”!

Lembro do primeiro trailer que mostrava uma onda gigante surgindo entre as montanhas do Himalaia com o mesmo tema musical do clássico trailer de “O Iluminado” de Stanley Kubrick sob os olhares crédulos de Dalai Lama que toca o sino anunciando o fim dos dias. Morro de rir, na verdade não me aguento ao ver a capacidade ingênua que tem os filmes de Emmerich. Outro trailer e spot de TV terminavam com uma mensagem para os espectadores descobrirem a verdade, procurando 2012 no Google (Risos).

O mais absurdo foi o filme lançar um site de marketing viral operado pelo instituto enganoso: Institute for Human Continuity na qual os internautas solicitavam um número de sorteio para ser parte integrante de uma pequena população que seria salva da destruição. O site falso listava vários exemplos, detalhando com precisão e com argumentos científicos os lugares que iriam ser devastados. A NASA também criticou veemente este disparate criado para promover o filme dizendo que mentir na internet poderia ser perigoso. Houve casos reais de adolescentes que pensaram em cometer suicídio porque não queriam ver o fim do mundo, etc. Nos EUA a campanha sucedeu com força total. Comerciais de trinta segundos foram exibidos em intervalos de programas de audiência. No Brasil o fato se concentrou mais através da internet.

O filme acabou por arrecadar mais de 225 milhões de dólares pelo mundo em seu primeiro final de semana. A Sony chegou a alegar que 2012 foi o filme que mais arrecadou dinheiro em toda a história, sendo um enredo original, levemente inspirado, e que não é baseado em livros, tal recorde seria quebrado por Avatar de James Cameron no mês seguinte.

Se realmente o mundo fosse acabar como alega os maias e o filme, não sei dizer muito bem o que faria, aliás, creio que não teria dinheiro nem pra chegar até a rodoviária. De qualquer forma vamos aguardar até o final do dia... (até agora, nada!). Desculpe se estou sendo cético demais, mas caso ocorra o primeiro tremelique aqui, bom, farei coro ao slogan: “Nós fomos avisados.”



EUA – 2009
AÇÃO/AVENTURA/DRAMA
WIDESCREEN
159 min.
COR
12 ANOS
SONY
RUIM



JOHN CUSACK. AMANDA PEET. CHIWETEL EJIOFOR. THANDIE NEWTON
OLIVER PLATT. THOMAS McCARTHY. WOODY HARRELSON. DANNY GLOVER
Liam James. Morgan Lily. Zlatko Buric. Beatrice Rosen. Johann Urb
Osric Chau. Tseng Chang. Lisa Lu. Jimi Mistry
John Billingsley. Blu Mankuma. George Seagal
Música HARALD KLOSER. THOMAS WANDER
Direção de Fotografia DEAN SEMLER
Edição DAVID BRENNER. PETER S. ELLIOT
Direção de Arte BARRY CHUSID Figurinos SHAY CUNLIFFE
Técnico de Efeitos Especiais STEVE BENELISHA
Produtor Executivo ROLAND EMMERICH
Produzido por
LARRY FRANCO. MARK GORDON. HARALD KLOSER
Escrito por ROLAND EMMERICH & HARALD KLOSER
Dirigido por ROLAND EMMERICH
2012 ©2009 Columbia Pictures/Centropolis Entertainment
Farewell Productions/ The Mark Gordon Company

13 comentários:

Matheus C. Vilela disse...

Os seus trabalhos mais divertidos são sem dúvida "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã". Não é um grande diretor, continua aí pois conseguiu fazer filmes rentáveis em Hollywood. Agora, em 2012 ele conseguiu chegar no ridículo e no tedioso, fazendo um filme não só com inúmeros furos na história, como também fraco em praticamente todas as cenas de ação.

Concordo contigo Rodrigo sobre o filme.

Feliz 2013... ou não né, afinal, já fomos avisados.

Reinaldo Glioche disse...

Adorei o texto. Muito espirituoso! Cara, discordo um pouco de você na avaliação de "2012". O roteiro é preguiçoso? Sim! Tem chavões e clichês a mil? Sim. Mas acho que funciona como a grande piada hypada que quer ser. Acho que é um filme para se levar na esportiva, como a grande maioria dos filmes do Emmerich. Gosto de "2012", enfim!
Abs

Mirella Machado disse...

hahaha Agora que percebi o slogan do filme kk Medo. Enfim, sobre o filme nem sei muito bem o que falar, sua resenha já disse tudo, é um filme que desenvolve seus personagens bem superficialmente e eles tem umas atitudes bem previsíveis, mas em relação aos efeitos eu achei que ficaram bons, 2012 quis mostrar a destruição do mundo e conseguiu, não consigo NÃO ficar aflita com toda essa fuga e a busca pela "salvação" haha sou dessas. O bom é que ninguém pode reclamar dizendo que é um filme parado kk. Ótima resenha Rodrigo, abraços moço!!!

Alan Raspante disse...

Assisti no cinema esse trem... Uma perda de tempo! rs

Markos Queiroz disse...

Eu gostei do filme, mas se for fazer uma análise no geral, achei meio fraco, comparado a O Dia Depois de Amanhã.
Achei o filme mais como uma fantasia, acho que ele fantasiou demais, transformando o filme numa ficção super irreal, onde tudo acontece rápido demais.

Abração!

livronasmaos.blogspot.com.br

J. BRUNO disse...

Este é um dos filme que estou guardando para assistir no dia de São Nunca, enquanto isso recomendo uma prece para a Santa Ganância, protetora dos produtores de Hollywood, para que obras destes tipo se tornem em breve apenas uma improvável profecia de um povo ameríndio qualquer, que nunca se concretizará...

http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/12/entre-o-amor-e-paixao.html

Rodrigo Mendes disse...

Matheus: Independence Day é divertido, mas se formos parar para analisá-lo já envelheceu mal.

Bom, de qualquer forma, o mundo não acabou e fomos falsamente avisados, rs!

Feliz 2013 amigo!

Reinaldo: Até tentei levar este ba esportiva meu caro, mas é difícil, rs! E o filme sobre o Shakespeare, já assistiu? Será que vai levar na esportiva também?
Abs.

Mirella: Na parte que eles fogem de limousine é hilária e confesso que não gostei tanto dos special effects, sobretudo nessa sequência. É quando o absurdo sobe a nível executivo, sabe? rs
Bjs!
E fique tranquila com o mundo!

Rodrigo Mendes disse...

Alan: A maioria assistiu na tela grande, inclusive eu, rs!

Markos: Fantasia até demais e sem a graça de ID4. Emmerich faz filmes assim, com ritmo acelerado mesmo, ainda mais se tratando se sua obra cinema catástrofe!
Abs.

J. Bruno: Agora você foi profundo rapaz, rs!


Patt Baleeira disse...

Meu amigo Cinéfilo,

Olha, tentei gostar do filme,rs.
Nem o meu predileto John Cusack salva,rs.
Filme bobo, conteúdo fanfarrão, arte visual beeeeem forçada...etc.
Na maioria das vezes filmes com essa temática são bem vendáveis. Porém, é necessário um estudo bem aprofundado do tema.
Como foi o caso do filme :
O CONTATO que tem seu lado 'forcadinho':) porém, tem uma base de pesquisa do Carl Sagan, que deixa o filme com conteúdo.
De toda forma segundo alguns Físicos, Biólogos entre outros, nosso Planeta terá fim do seu ciclo. Não devido o que foi relatado no filme. E sim, pela expansão solar(nosso SOL) tem um período de vida útil. E sem SOL - no Planet for us.
Presume-se nosso FIM daqui uns 10 bilhões de anos...

Custava ler um pouco sobre isso para fazer um bom filme? hehe

Rô, adorei o texto.

bj bj

e feliz peruuuuuuuuuuuu e um 2013 com muitos encontros do nosso grupo.

Dayane Pereira disse...

Quando eu assisti o filme gostei bastante pelos efeitos visuais, apesar das falhas e das situações absurdas. Eu adoro o John Cusack, e acho que o Chiwetel Ejiofor salvou o filme, ele é maravilhoso.

Marcos Rosa disse...

Na época gostei do filme, mas não é destes filmes que assistimos mais de uma vez.
Feliz Natal!

__
http://algunsfilmes.blogspot.com.br/

Jefferson C. Vendrame disse...

No cinema funcionou bem graças aos ótimos efeitos especiais e a barulheira toda, no entanto, só... esquecível...

Grande Abraço Rodrigo!

Alysson disse...

Eu gostei muito do filme mas eu esperava mais por uma serie de fatores mas para entretenimento ele convence.

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