REVENDO A QUADRILOGIA
BATMAN
ÚLTIMA PARTE
FILMES IRREGULARES - EDIÇÃO XVI
O relacionamento dos super-heróis que
defendem Gotham City de duas novas ameaças: Mr.
Freeze, ladrão de diamantes que pretende congelar a cidade e a vingativa Hera Venenosa, capaz de matar um homem
com um simples beijo, mas os vilões não contavam com a aparição da Batgirl, que entra no time dos heróis.
Um filme indefensável e não consigo perdoar a Warner Brothers por essa falha, tampouco o diretor Joel Schumacher que chega ao cúmulo de,
em uma entrevista, se desculpar por ter feito o filme e que sua única intenção
era apenas entreter o público. Os fãs não conseguem tirar o rancor do coração
de ver um filme tão patético de um dos heróis mais famosos e queridos em todo o
mundo, Batman, de Bob Kane (que nunca chegou a dizer
sobre o filme publicamente, morreria um ano depois) que havia começado num dos
filmes mais belos e atemporais da franquia por Tim Burton (este que resolveu pular fora quando a decisão do
estúdio era totalmente oposta a sua e produziu o terceiro apenas por dinheiro).
Pois bem, eis um espetáculo da cafonice excessiva e afetada no framboesa (Razzie Awards) daquele ano: Batman & Robin (Idem. 1997). Ganhou o prêmio de Pior Atriz Coadjuvante (Alicia
Silverstone como Batgirl),
realmente inconvincente e péssima, além de ter sido indicado nas categorias:
Pior Diretor (deveria ter ganho); Pior Canção Original (Billy Corgan – aquela patética song
“The End Is The Beginning is The End”,
que aliás, é da banda Smashing Pumpkins
na qual Corgan é membro); Pior descaso pela vida humana e de
propriedade pública (risos); Pior
Sequência ou Remake; Pior Dupla
(Clooney e O´Donnell); Pior Roteiro
(Akiva Goldsman); Pior Ator Coadjuvante ( O´Donnell – que
sempre defende o filme); outro na mesma categoria para Schwarzenegger e mais um de Pior
Atriz Coadjuvante para Uma Thurman
e obviamente, Pior Filme do Ano,
responsabilidade também do produtor Peter
MacGregor-Scott. E nada para George
Clooney como Batman, que merecia ter sido indicado, ao menos isso.
Na verdade foi um jogo de interesses pessoais, de ganhar dinheiro
e lançar um filme como se fosse um produto de loja de brinquedos já que era
intenção do estúdio produzir com rapidez a tempo de vender os bonequinhos,
aproveitando a ressurreição da Batmania
na época. Puro merchandising
desprovido de qualquer bom senso. E, uma das desculpas de Schumacher em
entrevista (e um tanto cínico se desculpa), diz que sabia exatamente o que
estava fazendo. Pra ganhar dinheiro, creio que sim, ele sabia, mas para pensar
em realizar um filme decente, provavelmente não!
O filme é o resultado de uma encomenda imediata depois do sucesso
comercial de Batman
Eternamente (Batman Forever, de 95), havia saído
exatamente como eles almejaram, isto é, uma fita menos sombria e mais
“familiar”. Assim sendo, era lógico que o diretor Schumacher fosse rapidamente
contratado e também o roteirista Goldsman que agora trabalha sozinho e ganha
toda a culpa por entregar um script
cafajeste e totalmente inverossímil como se o espectador não tivesse cérebro
sendo obrigado a engolir situações vergonhosas. Não consigo crer que Schumacher
fez aqui uma homenagem ainda mais berrante ao estilo da série televisiva da
década de 60. O brega em seu filme é muito mais estrambótico, sem propósito, do
que o seriado com Adam West que pelo
menos era reflexo de sua época.
O projeto era desenvolvido durante a pré-produção de outro filme
do diretor, Tempo de
Matar (A
Time To Kill, 1996) e trechos sobre a origem e estória de Mr. Freeze
baseou-se num dos episódios mais interessantes da série
animada do Batman, Heart of Ice – Coração de Gelo, de Paul
Dini que sempre escreveu episódios para o universo animado (e também do Superman). Enquanto no desenho tudo
fica convincente, na fita é desastroso. Desta vez, a Warner cedeu grande parte
do seu espaço para realizar o filme inteiramente em Burbank, Califórnia e era
ainda para ter sido lançado já em 96, mas as filmagens atrasaram duas semanas. Ou
seja, tudo já começou apressadamente e fora de controle. Mesmo assim, eles
insistiram em deixar o filme com a pior aparência possível. De qualquer forma,
já dizia o ditado: “Quanto mais mexe na bosta, mais ela fede.”
A direção geral de Joel era a seguinte: “lembrem-se de que isto é um
desenho animado, portanto é difícil definir o tom para o filme.” O que
me faz crer no conceito da diretora de arte, Barbara Ling, admitir suas influências em letreiros de néon deixando
Gotham parecendo uma Feira Mundial de Luzes Pirotécnicas ou mesmo como uma
festa Rave.
Val Kilmer acabou sendo substituído por GEORGE CLOONEY que é bem
inapropriado até mesmo como Bruce Wayne,
pior ainda como Batman. Incomoda-me perceber que Clooney não esta a vontade num
tipo de papel duplo tão bem colocado por Michael
Keaton e Kilmer ainda conseguiu uma boa aparência vestido com a armadura e
soube trazer boas características próprias vivendo o traumático Wayne. Naquele
filme ele e Jim Carrey (como Charada)
seguravam melhor as pontas.
A trama do filme é um apêndice e mostra que Batman
defende a cidade, já algum tempo ao lado de seu parceiro Robin, CHRIS O´DONNELL que confessou estar mais seguro como o
personagem, mas que aqui consegue ser absurdamente irritante querendo fazer
carreira solo como super-herói, já que a premissa resolve mostrar um lado
tumultuado e com resquícios de inveja para um com o outro, nesta relação/parceria
que maldosos e detratores afirmam ser gay. Eventualmente, como no anterior e perto do
clímax, Batman acaba obtendo a ajuda de um novo personagem, no caso a Batgirl, e que segundo Schumacher, era a
vez de deixar as garotas participar da brincadeira. Sem direção alguma, a
coitada da ALICIA SILVERSTONE, até boa atriz, e que já encantou nossas sessões
da tarde como a patricinha de Beverly
Hills, fica deslocada vivendo a sobrinha neta de Alfred (Michael Gough),
traumatizada pela morte acidental de seus pais e que por causa disso, arrisca a
vida em rachas sob uma motocicleta.
GALERIA DE VILÕES
É aviltante pensar em ARNOLD SCHWARZENEGGER como o Senhor Gelo e não alegar insanidade à
Schumacher por ter escalado o ator para a tarefa. Naturalmente é um sarro vê-lo
naquela armadura tão feia e eles nem foram capazes de recriar o Mr. Freeze como no desenho. Quiseram
misturar a fantasia do Homem de Lata do Mágico
de Oz com aquela maquiagem prateada que
quase matou o ator que faria originalmente o Tin Man, Buddy Ebsen.
Portanto, a cara do pobre Arnold ficou inconvincente com aquela coisa,
ridículo, e que aqui parece mais baixo (na cena em que está preso em Arkham sem a armadura evidencia), o que também, me
faz esquecer que um dia ele já foi o meu ídolo infantil como o icônico Exterminador do Futuro. Ele passa o
filme inteiro choramingando pela trágica doença da amada esposa, Nora Fries (a sueca Vendela Kirsebom Thomessen), conservada criogenicamente em um tubo
que a mantêm viva enquanto ele faz de tudo para achar uma cura. E como todo
trágico vilão de HQ, ele ficou gelado depois de um grave acidente e necessita
de diamantes para se manter abaixo de zero naquela roupa maluca. Por isso ele
rouba, além de estar louco e descontrolado, mas no fundo – “enterrado por toda aquela
neve” – é uma boa pessoa.
Pior que o gelo, é à entrada da botânica Hera Venenosa, a musa de Tarantino, UMA THURMAN, linda, mas,
pagando o maior mico de sua carreira. Cientista nerd e jardineira, Pamela
Isley que esta na América do Sul (provavelmente no Brasil) é obcecada por
plantas e nem sei exatamente no que ela estava trabalhando (é tanta maluquice
neste filme que desligo o meu cérebro). Enquanto ela trabalhava arduamente, um cientista
louco (John Glover) usou suas
fórmulas tóxicas para desenvolver super-homens, no caso, a primeira cobaia era
um assassino psicótico que se transforma no poderoso Bane o gigante/fortão/estúpido que só repete o
que os outros dizem, interpretado por JEEP SWENSON (1957-1997) que era um wrestler profissional. Preciso fazer
comparações com Tom Hardy? Por
favor!
Bom, depois que Isley é exposta a produtos químicos, fica venenosa e
mortal e não sei por que decide se vingar da humanidade querendo transformar o
planeta em um território para novas e mutantes espécies de plantas. É uma
ecoterrorista, sem dúvida. Seus belos lábios (e Thurman tem a boca mais sexy de Hollywood) contêm veneno, muito
mais letal que chumbinho, capaz de matar qualquer homem, e que segundo ela, é a
criatura mais tola de Deus, já que são alvos fáceis de sua sedução. A doida
ainda joga um pó (e o efeito é tosco) capaz de enfeitiçar as vítimas que ficam
completamente escravos de seus desejos, o que faz Batman e Robin brigar pra ver
quem fica com a miss planta. Morro de
rir com a cena forçada quando ela esta sendo leiloada numa festa e o Batman
oferece tantos milhões para tê-la e saca o seu cartão de crédito! Depois disso,
o filme, com toda a certeza, ganha a minha antipatia. Gelo e vegetação pairam
sobre Gotham City. Só por Deus!
Demi Moore foi considerada para o papel da Poison, imaginem só.
De Volta à Produção
O filme é freqüentemente listado, no topo, como o pior filme do
gênero em todos os tempos. Nem Ed Wood
faria algo tão grotesco e sem sentido. Parabéns Joel! Não demorou, após o
rápido lançamento, receber críticas negativas por parte do público e crítica
que massacrou a produção sem dó nem piedade, não por pouco. Um dos maiores
problemas do filme são as insinuações homossexuais, uma piada de mau gosto
criada no universo Batman (longe de
qualquer preconceito, só que é irritante, repleto de rótulos e ofensivo para os
gays e que Schumacher parece não ceder nas mensagens subliminares) além de trazer
um cenário leve demais para o perfil do herói, além dos dramas e romances
clichês (a doença do Alfred, a mesma que deixou em coma a mulher do vilão e o
novo interesse romântico de Wayne, interpretada pela sem sal Elle Macpherson), bem como a falta de
escuridão. Tudo bem e concordo em gênero, número e grau, mas o que mais me
chateia são as vestimentas e aqui Schumacher passa de todos os limites com suas
incitações sexuais desnecessárias e irregulares para o chamado filme matinê
familiar. O que são aqueles closes na
bunda do Batman e do Robin? E os mamilos (problema para a Batgirl?) E principalmente
a linha reta colada no ânus!
E quanto ao elenco de apoio? Numa das cenas quase não noto a
presença de Vivica A. Fox (de Kill Bill, fazia a Vernita Green)
como a assistente do Sr. Gelo, que flerta com ele e recebe uma “decepção
gelada”. Risos! Além de, é claro, e não basta o mordomo Bane, os demais capangas de Freeze que ficam comendo comida
congelada no covil do vilão, um deles atende pelo apelido de Picolé! Outra
figura é a jornalista fofoqueira, Gerty
Fofoca (Gossip) que aparece numa ponta desde Batman O Retorno e é interpretada por Elisabeth Sanders, que como atriz, só
tem isso em seu currículo cinematográfico, mas já atuou como extra em diversas
produções.
Apesar de tudo, o filme rendeu lucros e recuperou seu orçamento
rapidamente quando estourou mundialmente. Mas era o mesmo ano de Titanic...
Depois da má recepção dos fãs e crítica (e 11 indicações no Framboesa de Ouro não é brincadeira), o
estúdio cancelou o próximo filme que também seria dirigido por Schumacher e que
traria como vilão o Espantalho. O jeito era pensar numa alternativa mais
inteligente e a virada se deu numa trilogia por Christopher Nolan com o ótimo Batman Begins em 2005 salvando a franquia. E o resto vocês já sabem.
Rever Batman & Robin é um sacrifício, como se eu fosse
obrigado, contra a minha vontade, de entrar em um carro alegórico e parecer
tolo em frente a multidões de pessoas, fantasiado de justiceiro alado, dançando
na boquinha da garrafa e prendendo o tchan
naquela roupa justa. Uma vergonha.
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| FUJAM! |
EUA/INGLATERRA
1997
AVENTURA/AÇÃO
COR
124 min.
WARNER
★
WARNER BROS. Apresenta
UM FILME DE JOEL SCHUMACHER
ARNOLD SCHWARZENEGGER
GEORGE CLOONEY CHRIS
O´DONNELL
UMA THURMAN ALICIA
SILVERSTONE
B A T M A N
&
R O B I N™
MICHAEL GOUGH PAT
HINGLE
ELLE MACPHERSON
JOHN GLOVER VIVICA A.
FOX
JEEP SWENSON Como Bane
Música de ELLIOT GOLDENTHAL
Efeitos
Visuais por JOHN DYKSTRA
Edição DENNIS VIRKLER
Desenhos de
Produção BARBARA LING
Diretor de Fotografia STEPHEN GOLDBLATT
Produtores Executivos
BENJAMIN
MELNIKER MICHAEL E. USLAN
Baseado Nos personagens BATMAN Criado
por
BOB KANE
e Publicado pela DC COMICS
Escrito por AKIVA GOLDSMAN
Produzido
por PETER MacGREGOR-SCOTT
Direção
JOEL SCHUMACHER
BATMAN &
ROBIN ™ ©1997 Warner Brothers Pictures/PolyGram
Pictures











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7 comentários:
Sem dúvidas, um dos piores filmes de super-heróis que já vi...
bjs
Só o que salva é a beleza da Uma
!!
Eu detesto esse filme, é muito podre. Nenhum personagem se salva, nenhum. A história do filme é ridícula, os personagens são ridículos.
Destruirão meu super-herói favorito e ele deveria mesmo ter ganho todas as categorias do framboesa.
Abração Rodrigo!
E como esquecer também das pantufas do Mr. Freeze! Se ele quer é ficar gelado e não quente o porque das pantufas e do casaco de pele que usa. Vai entender...
E outra, nessa mesma cena das pantufas, a câmera mostra ele de pantufas, vai subindo e o Mr. Freeze está ensinando os seus capangas a cantar! E todos eles morrendo de frio!
Ai Ai
É melhor esquecer
Rodrigo, subscrevo tudo a 100%, (com excepção do tema "The End Is The Beginning is The End", a única coisa que eu aproveito do filme :D )
E eu fico sabendo via Facebook que o sr. tem o Blu-ray desta MERDA. hahahaha! No entanto, a desgraça toda é divertida. Completamente desprovido de talento, no entanto, o filme é uma "coisa" bem divertida pela sua escrotice, mas é mais vergonha alheia do que qualquer outra coisa. Os fãs mesmo de Batman devem ter ficado loucos e tal. Não faço parte desse grupo, então...
E texto muito divertido, cara! Ri muito ao relembrar essa pérola! rs.
Abs!
Nanda: É Ruim , ruim e ruim... rs
Bjs.
Marcelo: Ela é linda só que paga o maior mico. Nem isso salva!
Abs!
Markos: Lamentável. Eles subestimaram a nossa inteligência!
Abs!
Matheus: GENIAL o seu adendo sobre as pantufas! Sem mais comentário, rs!
Abs!
CINE 31: ah! Tudo bem, a trilha sonora é perdoável, rs mas não gosto do tema tb não ;) rs
Abs!
Elton: Sou um daqueles que morre de raiva pelo filme. A diversão é despejar a raiva, rs!
E sim, tenho ele em Blu-ray. Imperdoável, pode ser, mas tb costumo colecionar pérolas...haha
Abs!
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