TIC TAC NERVOSO
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SESSÃO SURPRESA PARTE III>>>
Mais um filme do mestre do
suspense ALFRED
HITCHCOCK, na qual
um detetive disfarçado da Scotland Yard
está no encalço de um sabotador perigoso que é parte de uma trama sinistra em
que o plano diabólico consiste detonar uma bomba em Londres. Muitas reviravoltas nesta trama repleta de tensão.
A fita é baseada no romance homônimo de Joseph Conrad (1857-1924), autor de outras obras
belíssimas já adaptadas, como por exemplo, Os Duelistas (The Duellists, 1977) uma
estória sua anos depois sob a direção de Ridley Scott e seu romance Heart of Darkness, que não recebeu os devidos os créditos, mas
que seria a base principal do que se tornaria o clássico de Francis Ford Coppola, Apocalypse Now (1979). Na verdade, este é um filme
curioso da fase britânica de Hitchcock, reintitulado diversas vezes já que o
livro original de Conrad leva o título de The Secret Agent, O Agente Secreto, um nome
perfeito para um filme de Hitch, mas que o mesmo já havia acabado de realizar
num filme igualmente maravilhoso inspirado em conto de W. Somerset Maugham e
numa peça escrita por Campbell
Dixon, aliás, exatamente no mesmo ano deste, estrelado por Peter Lorre, John Gielgud e Madeleine Carroll. Obviamente que este
próximo projeto teria que ser renomeado. O filme é estranhamente conhecido
também pelo nome de “The Woman Alone”
como sugere alguns cartazes que pesquisei. Esta curiosidade eu não sabia, de
qualquer forma, a cópia que eu sempre assisti leva o nome de Sabotage e
no Brasil por muito tempo foi conhecido como “O Marido Era O Culpado”!
Robert
Donat foi originalmente escalado para viver o papel de Ted Spencer que acabou
ficando com John Loder.
O problema do filme é de fato a maneira
como Hitchcock soluciona a famosa sequência que envolve a entrega da bomba no
ônibus. Um dos primeiros momentos memoráveis da fita interpretado pelo jovem Desmond
Tester, Stevie, irmão mais
novo da protagonista, Sra. Verloc (falarei dela mais adiante), que é enviado
pelo marido desta para entregar uma suposta lata contendo película, sem que ele
saiba de um mero detalhe: lá dentro esta uma bomba programada para explodir! O
diretor sempre foi severamente criticado por concluir toda uma série de
antecipação, daquelas de fazer o público soar frio, de uma maneira previsível,
ainda assim, acompanhar os passos deste rapaz numa série de contratempos que o
atrasa e o tic tac fazendo efeito em nossa imaginação,
bom, é no mínimo coisa de gênio. Por isso que ele era considerado um mestre do
suspense, justamente por justificar os motivos que um diretor astuto deve fazer
com a plateia e ele sempre ilustrava isso com uma bomba, ou seja, é mais eficaz
e interessante o público saber que tem uma ameaça mortal próximo aos
personagens o tempo todo do que um efeito explosivo de imediato. Com um
desfecho insatisfatório, e em uma entrevista no programa de Dick Cavett, em 1972, Hitch
lamentou sua decisão, mas assegurou que o tratamento foi fiel ao livro de
Conrad, só que no cinema é um erro, afinal, causar danos a um personagem com o
qual os espectadores foram levados a simpatizar, e segundo Hitch: “era uma violação do contrato do
diretor com o espectador.” Certamente
ele foi levado a fazer isso novamente, por exemplo, em seu mais famoso filme, Psicose!
É
desmentido que a atriz Sara Allgood que trabalhou com o diretor no excelente
Chantagem e Confissão/Blackmail tenha aparecido como uma
cliente em uma loja de aves, sem créditos e apenas como participação afetiva.
O
primeiro nome de Verloc, interpretado pelo grande Oskar Homolka, foi alterado
(chamaria Karl Adolf) para evitar quaisquer conexões nazistas. Algumas
alterações foram necessárias (o que é correto se tratando de adaptações), isto
é, o resultado fica até mais divertido quando Hitch faz de sua protagonista e o
marido ser donos de um cinema. Assim sendo, Hitchcock saboreia os fãs
conectando a narrativa aos filmes exibidos na tela.
O
segundo momento brilhante do filme é a ávida vingança planejada pela mulher de
Verloc (obviamente o culpado) quando a mesma suspeita que o marido esteja
cometendo esses crimes na velha Londres o que é claro, se confirma com morte de
seu irmão, vítima do atentado na tão discursiva sequência com a bomba. Hitch
estraga o melhor do suspense para depois recompensar com um clímax ainda
melhor. E quem interpreta a Sra. Verloc?
![]() |
Uma ameaça
literalmente bombástica culminará em assassinato.
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Bom,
é a ótima SYLVIA SIDNEY (1910-1999), indicada anos depois ao Oscar de Melhor
Atriz Coadjuvante por seu papel em Lembranças (Summer Wishes, Winter Dreams,
1973) de Gilbert Cates, com Joanne Woodward e Martin Balsam. Ela também ficaria
mais conhecida na terceira idade em dois grandes sucessos do diretor Tim
Burton, primeiramente no papel de uma assombração fumante, Juno, no divertido
Os Fantasmas Se Divertem (BeetleJuice, 1988), a assistente pessoal que cuida do
caso do casal Alec Baldwin e Geena Davis nesta maluca comédia, e depois ainda
mais velinha no ótimo Marte Ataca! (Mars Attacks! 1996) como a vovó que, com
sua música, explode a cabeça dos marcianos (risos). Grande atriz e aqui ela
simplesmente brilha em uma de suas melhores interpretações.
Recomendo este ótimo entretenimento de classe, Sabotagem deixa no chinelo qualquer filme explosivo do Michael Bay no CHINELO MESMO! Somente o mestre para compartilhar esses momentos tensos
INGLATERRA
1936
SUSPENSE
PRETO E BRANCO
76 min.
CINE ART/NBO Editora/CONTINENTAL
★ ★ ★ ★
SUSPENSE
PRETO E BRANCO
76 min.
CINE ART/NBO Editora/CONTINENTAL
★ ★ ★ ★
Gaumont-British
Corpn. Ltd. Apresenta
SYLVIA SIDNEY
E
OSKAR HOMOLKA
em:
Alfred
Hitchcock´s
SABOTAGE
Baseado no Livro
The Secret Agent de JOSEPH CONRAD
COM: JOHN LODER
Também
Estrelando: DESMOND TESTER
JOYCE
BARBOUR MATTHEW BOULTON
S.J.
WARMINGTON WILLIAM DEWHURST
Música de LOUIS
LEVY
Fotografia de
BERNARD KNOWLES
Montagem CHARLES
FREND
Direção de Arte O.
WERNDORFF ALBERT JULLION
Departamento de
Arte ALBERT WHITLOCK Figurinos J.
STRASSNER
Produzido por
MICHAEL BALCON Produtor Associado IVOR MONTAGU
Escrito por
CHARLES BENNETT
IAN HAY HELEN SIMPSON
E.V.H. EMMETT
Continuidade ALMA
REVILLE
DIREÇÃO
ALFRED HITCHCOCK
SABOTAGE
©1936 Gaumont British









2 comentários:
Rodrigo após ler seu texto fiquei muito instigado para assistir esse filme. Da fase Britânica de Hitch conheço bem pouco, no entanto, os que vi foram todos excelentes, por exemplo OS 39 DEGRAUS e CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO... Atualmente estou pesquisando nas lojas virtuais os títulos mais raros de Hitchcock, principalmente os da fase inglesa, aos poucos irei adquirindo os disponíveis...
Grande Abraço e Parabéns pelo Post!
Obrigado pelos comentários carinhosos Jefferson. A fase britânica foi um aprendizado para Hitch. Por exemplo, quando ele falava da versão original de "O Homem Que Sabia Demais", ele dizia que o primeiro foi realizado por um amador e o segundo por um profissional. No entanto, todos os seus filmes desta época, sobretudo esses que você citou,são de fato geniais. Não posso ser suspeito para falar de Hitchcock. Ele é puro cinema e inspiração.
Abraços
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