A VIAGEM
Homem
que vive sonhando com o planeta Marte e que é impedido de ir até lá pela esposa por
ser um local violento e de guerrilha decide implantar uma memória falsa, como
se fossem férias, para poder simular uma viagem. Mas, descobre que sua mente foi
apagada e que os sonhos eram na verdade lembranças culminando em alucinantes
perseguições. Seria ele um agente secreto? Será um sonho? Ou tudo realmente
esta acontecendo?
Este é um filme que representa
o auge do meu herói predileto dos filmes de ação. Não é Stallone, Van Damme,
Chuck Norris ou outro brucutu qualquer. Trata-se de SCHWARZENEGGER, Arnold! O brutamonte
exterminador austríaco em seus bons tempos (hoje eu olho para ele e me decepciono)
nessa histérica, gosmenta, sangrenta e divertida aventura de ação e
ficção-científica clássica e muito bem realizada pelo diretor holandês PAUL
VERHOEVEN, de
obras impactantes como INSTINTO
SELVAGEM (Basic Instinct, 1992)
e do pior filme da década de 90 (Showgirls, leia aqui. Eu tenho uma guilty pleasure confessa pela fita!).
Recentemente
refilmado pelo jovem diretor Len Wiseman
da série Anjos Da Noite – Underworld (estrelado pela mulher Kate Beckinsale)
traz Colin Farrell ao invés de
Arnold num filme de visual ainda mais futurista e pertinente só que sem o
brilho do original. Tanto que as referências de Wiseman à fita de Verhoeven
como homenagens são fraquíssimas, como por exemplo, a descoberta do herói
foragido na estação se fazendo passar por outro com um disfarce impressionante
e que aqui é feito de maneira antológica por Verhoeven quando uma mulher gorda
entra em pane dizendo “duas semanas” quando questionada pelo guarda de
segurança quanto tempo ficaria em Marte. Era o personagem de Arnold com uma
esquisita roupagem robótica na pela da atriz Priscilla Allen (1938-2008) ou como ficou conhecida: ‘ The Two Weeks Lady’, fazendo todo tipo de
careta até sua cabeça ser arremessada pelo herói e explodir! Adoro. Ou mesmo a
mutante prostituta de três seios!
Verhoeven levou para as telas um filme
extremamente divertido e que nem chega a ser um prazer culposo já que considero
este Total Recall – O Vingador do
Futuro (até o
título em português soa legal) de 1990 um clássico das fitas de ação com
efeitos especiais impressionantes que merecem ovações até hoje e que até merecidamente levaram um
Oscar na categoria (para Eric Brevig, Rob Bottin, o maquiador, Tim McGovern e
Alex Funke) tendo ainda 2 indicações pelos efeitos sonoros. É verdade que
Verhoeven é conhecido pelo seu extremismo e surtos de violência. No gênero continuou aplicando a fórmula em filmes como Tropas
Estelares (Starship Troopers, 1997) que também é ótimo, mas é evidente que nada se
iguala (O Vingador até chega perto) a outro clássico e que foi um sucesso
semelhante: Robocop – O Policial Do
Futuro (Robocop, 1987) que se tornou uma trilogia rentável lançada entre 1990-93 e estrelada
por Peter Weller (exceto o terceiro. E que para o ano que vem mais um episódio da franquia será lançado por José Padilha de Tropa de Elite).
O fato é que com Robocop, Verhoeven pode repetir o êxito em
Vingador (ainda se mantendo original) no estilo gráfico. É baseado num conto do
autor mestre e muito cultuado da ficção-científica, PHILIP K. DICK (1928-1982) que já escreveu tramas que se transformaram em obras-primas como:
Blade Runner – O caçador de Andróides (Blade Runner, 1982) de Ridley Scott e o ótimo Minority Report – A Nova Lei
(Minority Report, 2002)
de Steven
Spielberg.
Leia aqui e aqui. E, também enredos notáveis que viraram produções animadas como o fantástico O Homem Duplo (A Scanner Darkly,
2006) pelo
diretor Richard Linklater
baseando-se em seu romance. Este daqui é um conto: “Podemos
recordar para você, por um preço razoável”, que, aliás, é bem típico de
Dick e traz temas recorrentes em sua obra e aqui exploradas por Verhoeven
lindamente, mas sem perder o fôlego para as cenas cômicas e também repletas de ação. Por
exemplo, para exemplificar melhor o estilo do autor, o herói vive um drama misterioso com relação a sua aguçada percepção
versus realidade. Estou aqui ou não estou? O que é realidade? Memórias implantadas e
reais, espionagem em um universo futurista. Mas, o que realmente é a marca de
Dick são seus heróis sombrios, num mundo igualmente umbroso e estranho na qual
eles podem não ser aquilo que pensam que são, ou seja, perfil de personagem já
explorado por Scott em Blade Runner e o Harrison Ford fez de
maneira perfeita. Quanto ao Arnold, bom, à sua maneira, e mesmo parecendo suspeito como um
ator atlético cheio de motivações clichês munido por armas, já demonstra esforço e talento
quando é para conceber algo mais interior e dramático. É notável e nem mesmo James Cameron até aquele momento havia
conseguido, em minha opinião, algo mais denso do ator (Vingador é lançado um pouco antes do segundo Exterminador do Futuro que é o momento ainda mais
especial na carreira de Arnold).
A premissa se passa no ano de
2084, onde um simples homem comum, no caso um operário, Douglas Quaid (Schwarzenegger) recorre a um implante maluco de
memória, para assim poder simular a viagem de seus sonhos, já que deseja mais
do que tudo tirar umas férias no planeta vermelho, mas como sua esposa tem medo
do local o proíbe de fazer a tal viagem. Aliás, a esposa é interpretada pela
sensual SHARON STONE,
Lori, aparentemente uma simples dona
de casa. Mas algo sai errado quando Quaid teima e acaba fazendo o implante na “Total
Recall”(que leva o título original do filme) empresa do ramo alucinógeno e que
tem má fama por “fritar cérebros”! Com isso, Quaid começa a lembrar-se de quem
realmente era, ou seja, uma espécie de agente espião (mas isso faz parte do pacote de
viagem que ele escolheu na Recall...). Dizem que anteriormente a sua memória
original ,de seu verdadeiro eu, foi apagada e assim implantaram uma falsa, mas
é óbvio que ele desconhecia e quando o fazem ele entra num surto psicótico (ótimo
momento para Arnold com suas caras e bocas!). Assim sendo, eles o dispensam
apagando mais uma vez suas lembranças, mas apenas as mais recorrentes, no
entanto, sua vida de agente secreto é exposta e Arnold passa a ser perseguido
boa parte do filme em sequências de muita violência e pancadaria e é claro,
tiroteio, afinal, o que seria de Arnold sem uma arma em um filme?
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| Cadeira da tortura! |
Entra em cena um
vilão dos bons interpretado por MICHAEL IRONSIDE e outro ainda mais filho da
puta, do alto escalão, Cohaagen,
vivido por RONNY COX, que era amigo de Quaid quando
era conhecido pela outra memória como Douglas
Hauser, além de uma sensual morena que era sua namorada quando vivia como
espião, Melina, a ótima RACHEL TICOTIN. Enfim, são muitas
reviravoltas, incluindo a revelação de que a esposa falsa de Quaid é também má
e pretende matá-lo, ótimo momento para Sharon Stone e Arnold coreografarem uma
divertida cena de luta na cozinha e em todo o pequeno espaço do apartamento onde vivia o casal
quando a loura safada não poupa balaços e socos (incluindo golpes fatais com
suas famosas pernas) num combate tão hiperbólico que chega realmente a
divertir, aliás, parece até uma luta à La
Kill Bill por Tarantino sendo interrompida com diálogos no final, embora
seja um filme mais antigo do que a saga da Noiva de Bill e quem sabe Taranta
não pegou alguma ideia diretamente do filme? Viajei demais?
O ato que acontece em Marte
parece um cenário de Guerra nas Estrelas com mutantes e alienígenas de todos os
estilos, enquanto o herói tenta descobrir fatos relevantes de suas lembranças
que começam vir à tona com pistas que ele próprio deixou. Entram em cena alguns
rebeldes de várias raças que o ajudam a combater os agentes de Cohaagen que
pretendia dominar Marte com sua corporação mirando na conquista de tomar para
si o mercado de minério na Terra, consequentemente dominando Marte. Isto é, o
filme vai se tornando cada vez mais maluco no bom sentido, com situações tão imaginativas e um plot
de virada atrás do outro, inacreditáveis, com personagens simpáticos e bizarros (uma anã prostituta, uma
alien vidente, um taxista negro meio humano e mutante e um ser de outro mundo
acoplado a um homem humano extremamente poderoso, Kuato, que mais parece o Chucky!).
Grande parte da filmagem
ocorreu na Cidade do México, Churubusco
Studios e no próprio metro da cidade. Era um projeto grandioso para a época
e foi inicialmente concebido pelos mesmos roteiristas e criadores da série Alien (O oitavo Passageiro, 1979, leia aqui), RONALD
SHUSETT e DAN
O´BANNON (1946-2009).
O
VINGADOR DO FUTURO
continua sendo uma viagem eletrizante e que tem o mesmo feeling de Instinto Selvagem, aquele mistério e dúvida que
Verhoeven deixa rolar até o término
da sessão. Será que Catherine Trammell
(ok, depois fizeram Instinto Selvagem 2. Ignorem!) era realmente a assassina ou só
gostava de furar gelo, apenas? Quaid esta sonhando ou vivendo uma realidade?
EUA
1990
AÇÃO/FICÇÃO-CIENTÍFICA/AVENTURA
COR
108 min.
UNIVERSAL
★ ★ ★ ★
MARIO KASSAR E ANDREW VAJNA APRESENTAM
UMA PRODUÇÃO CAROLCO/RONALD
SHUSETT
UM FILME DE PAUL VERHOEVEN
ARNOLD
SCHWARZENEGGER
TOTAL
RECALL
RACHEL
TICOTIN
SHARON
STONE
MICHAEL
IRONSIDE
E
RONNY
COX
MÚSICA DE JERRY GOLDSMITH
EFEITOS ESPECIAIS DE MAQUIAGEM POR ROB BOTTIN
EFEITOS VISUAIS POR DREAM
QUEST MONTAGEM
DE FRANK J. URIOSTE
FOTOGRAFIA DE JOST
VACANO FIGURINOS ERICA
EDELL PHILLIPS
DIREÇÃO DE ARTE WILLIAM
SANDELL
PRODUTORES EXECUTIVOS
MARIO KASSAR E ANDREW VAJNA
INSPIRADO NO CONTO
WE
CAN REMEMBER IT FOR YOU WHOLESALE
DE PHILIP K. DICK
ROTEIRO DE
RONALD SHUSETT DAN O´BANNON
GARY GOLDMAN
ADAPTAÇÃO PARA O CINEMA POR
RONALD SHUSETT & DAN O ´BANNON E JOHN POVILL
PRODUZIDO POR BUZZ FEITSHANS RONALD SHUSETT
DIRIGIDO POR
PAUL VERHOEVEN
TOTAL
RECALL ©1990 CAROLCO PICTURES/ TriStar
Pictures











6 comentários:
Depois de "Predador", esse é meu filme preferido. A cena onde o disfarce da senhora se revela é minha cena preferida desse filme, e de uma longa lista de cenas icônicas do cinema.
abraço
Filmaço!
E ainda não vi o remake, e sinceramente, acho que nem vou ver..rs
Abraço.
Perdi as contas de quantas vezes vi esse filme, pena que fizeram o remake para estragar nossa memória afetiva, mas até que gosto da solução deste para brincar com a referência da mulher gorda, pois engana a nossa expectativa.
bjs
Assim como Amanda nem sei dizer quantas vezes assisti a esse clássico.
Odiei a refilmagem.
Viva o original. kkk
abs
Marcelo: Tb gosto do primeiro Predador!
André: Pois é colega, nem perca seu tempo. Colin Farrell com pouco brilho no papel.
Amanda: Tb já vi e revi esse Total Recall inúmeras vezes. Ah, eu já achei as citações ao original bem fracas. Bjs.
Renato: Idem. Hollywood continua na insistência em querer refazer aquilo que já ficou bom.
Abs à todos!
Não vi o remake. E nem quero. Mas tenho uma grande vontade de ler a obra de Philip K. Dick.
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