terça-feira, 15 de outubro de 2013

ALMAS MORTAS

 ESPECIAL 
OUTUBRO DAS BRUXAS
TERCEIRA TEMPORADA
CABEÇAS VÃO ROLAR!

Após ficar confinada em um asilo por vinte anos depois de um duplo homicídio, uma mulher diagnosticada como louca retorna ao lar tentando se reaproximar da filha, mas suspeitas sobre sua insanidade começam a acontecer depois de sucessivos crimes relacionados ao seu passado.

Entra em cartaz o especial de terror no CINEMA RODRIGO. Infelizmente não tive tempo de rever a minha lista de acervos (nem sequer assistir ao lançamento elogioso de "Invocação do Mal" - The Conjuring, James Wan, 2013) para escrever durante 31 dias resenhas de filmes de terror no especial anual do blog Outubro Das Bruxas como nos dois anos anteriores, mas o blog terá outro seguimento na temporada deste ano. Aguardem nas próximas sessões...
Bom, pelo menos um dos grandes clássicos do cinema de horror com a diva JOAN CRAWFORD (1906-1977) não poderia ficar de fora! Eis uma fita horripilante e uma das minhas prediletas da fase trash da grande estrela, camarada de BETTE DAVIS (igualmente sensacional nesse gênero) e com elegância e estilo, se aposenta com filmes falaciosos e cults como O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? – What Ever Happened to Baby Jane, 1962 ao lado de Bette e com direção de Robert Aldrich (já resenhei aqui). O curioso é que no início da carreira, Joan já esteve em filmes B como no clássico (que também já postei no blog) O MONSTRO DO CIRCO (THE UNKNOWN, 1927 de Tod Browning) também estrelado pelo mestre da caracterização Lon Chaney (O Homem das Mil Faces).  

ALMAS MORTAS (Strait-Jacket, 1964) do diretor WILLIAM CASTLE (produtor de O Bebê de Rosemary e diretor de outros clássicos do gênero: Treze Fantasmas, A Casa Dos Maus Espíritos, Força Diabólica, esses dois últimos citados, sempre estrelado por Vicent Price) é um desses exemplos marcantes da eterna diva, ela renegando ou não . Joan fez mais um filme com Castle em 1965 chamado EU VI QUE FOI VOCÊ (I SAW WHAT YOU DID) e também estrelado por John Ireland, mas nunca obtive acesso ao filme. Curioso para conferir um dia. O cineasta sempre teve controle absoluto de sua obra, suas criações, apesar de serem ignoradas como obras-primas do cinema, é um charme, ainda mais para os aficionados por horror. Fez escola e influenciou gerações de cineastas como Robert Zemeckis (que ao lado dos produtores Joel Silver e Gilbert Adler abriu uma produtora em sua homenagem, a Dark Castle Entertainment uma divisão da Silver Pictures que refez obras do gênero em filmes medianos como A Casa de Cera, 13 Fantasmas e A Casa da Colina). É notável como ele conseguia algum apoio de distribuição dos Majors studios, como a Columbia Pictures. Enfim, são filmes que levam títulos de: O Cadáver Ambulante, A Velha Casa Assombrada, A Máscara do Horror, Trama Diabólica, A Moderna Mata Hari e por ai vai. Deliciosos de se assistir (dos que consegui encontrar) apesar de bizarros e pouco voltado para a família (embora seus filmes tivessem, pelo menos alguns deles como 13 Fantasmas, apelo para matinê), no caso de Almas Mortas, não. Aliás, é bem slasher e até chocante se pensarmos na época de seu lançamento e muito embora Hitchcock já tenha quebrado tabus com Psicose (um legítimo terror) quatro anos antes.

Castle também cria muito suspense em meio às cenas fortes de decapitação (e todo o marketing do filme avisava de antemão para o espectador o que ele iria assistir). Muito bem, a fita conta a premissa de uma mulher, mãe de uma menininha, que é traída em plena noite de sábado. Lucy Harbin (Crawford), estava viajando de trem, mas volta antes do planejado e pega no flagra o seu marido, Frank Harbin (uma participação de LEE MAJORS) com uma amante, em seu dormitório, na cama. Ela fica DESCONTROLADA! Com isso, e num ímpeto maníaco e vingativo, a dona de casa pega um machado que estava fincado em um tronco cortado no quintal, entra à surdina, no escuro (e apenas a sua filhinha percebe sua presença e já tinha presenciado o pai transando com a safada!) e sem hesitar, mata ambos com violentas machadadas, golpes certeiros que decepam os amantes exaustos depois do sexo. Bom, a cena é antológica. Inesquecível. Chocante até para os dias atuais. Joan esta magnífica com seu olhar furioso, bom, esse é o prólogo antes dos créditos iniciais, daí o filme começa, de fato. Ela não é considerada uma criminosa a ponto de parar no presídio, mas o pior acaba acontecendo, é considerada legalmente louca sendo trancafiada numa camisa de força (tradução literal do título original) em um sanatório por terríveis 20 anos (pelos quais não presenciamos). Após todo esse tempo, é hora de testá-la e fazê-la regressar à sociedade, mas antes uma experiência familiar. Lucy volta para a casa do irmão, Bill Cutler (LEIF ERICKSON) e da cunhada Emily Cutler (ROCHELLE HUDSON), os responsáveis legais de sua filha, Carol Harbin (DIANE BAKER no mesmo ano em que atuava para Hitchcock no ótimo Marnie, Confissões de Uma Ladra) que lhe deram educação gerando bons frutos, afinal, Carol tornou-se uma artista conceituada. 

Ela, aquela garotinha traumatizada se apresenta uma mulher madura e compreensiva e suas esculturas são um sucesso. Noiva e prestes a casar, Carol só deseja reatar os laços com a mãe, aqui uma Joan Crawford frágil e insegura. O noivo, Michael Fields (JOHN ANTHONY HAYES) é um rapaz galante, rico e de boa família e o melhor de tudo, igualmente compreensivo e também disposto a ajudar a sogra. Tudo parece se encaminhar para dias felizes quando misteriosos assassinatos por golpes de machado começam a ocorrer e as vítimas decapitadas apontam para uma única mulher. Lucy continua instável e precisa de medicamentos e calmaria de vez em quando, mas, será mesmo que ela jogaria tudo para o alto e arruinaria de vez sua tumultuada relação com a filha?  O filme mantém um ótimo clima de mistério e embora óbvio, faz com que as revelações sejam no mínimo, gritantes.  


Castle fazia filmes em preto e branco e aqui cria cenas impressionantes - com a ajuda de uma trilha musical sensacional composta por Van Alexander - como a reprodução de sombras na parede e o machado cortando cabeças numa suavidade diabólica. O truque é muito bem feito mesmo!

O papel principal seria inicialmente de Joan Blondell que  após  um acidente deixou o projeto. Depois que Joan aceitou o papel fez exigências a começar pelo roteiro que teve que ser reescrito pelo autor ROBERT BLOCH (o mesmo de Psicose) que teve que seguir à risca as orientações da veterana estrela e além do mais, a fim de agradá-la, Castle teve que aceitar que ela aprovasse cada membro do elenco, inclusive, Diane Baker que só conseguiu interpretar sua filha depois da mesma exigir que Anne Helm (da série General Hospital e de filmes como “Em Cada Sonho um Amor” de Elvis Presley) fosse substituída.


MITCHELL COX que interpreta o médico, Dr. Anderson, uma das vítimas, não era ator, mas um dos executivos da Pepsi na época (fofocas diziam que era  amante de Joan), mas era fato de que Joan foi casada com um executivo da empresa, Alfred Steele, e durante muito tempo integrou o Conselho de Diretores da companhia de refrigerante.

O efeito sonoro das cabeças decapitadas foi realizado graças a um machado cortando uma melancia. Um detalhe engraçado e curioso é o final, durante a apresentação do logo da Columbia (a mulher que segura uma tocha de fogo) que aparece sem cabeça!

Listado entre os 100 maiores filmes de péssimo gosto da história segundo o fundador da premiação oficial dos Razzie (o famoso Framboesa), John Wilson, Almas Mortas, apesar de tudo não chega a ser um espetáculo de sangue e acredito que seja um dos filmes mais guilty pleasure de qualquer cinéfilo. Só pelo fato de ser estrelado por Joan, já basta. Foi o antepenúltimo filme da carreira dela, além de voltar com Castle em mais uma produção, faria mais um filme gore; Berserk, 1967, do diretor Jim O´Connolly, certamente para pagar as contas e se aposentaria em papéis notáveis na televisão, o meu predileto é sua participação na série NIGHT GALLERY (1969-1973) sendo dirigida por um jovem chamado Steven Spielberg.

Assistam e irão se divertir com Joan, a Jack Nicholson de saias.


EUA
1964
TERROR/DRAMA/SUSPENSE
PRETO E BRANCO
93 min.
SONY/ Vintage Filmes
        



STRAIT –JACKET
                            
                                           Estrelando:
JOAN CRAWFORD
Uma Produção de
WILLIAM CASTLE
Co-Estrelando: DIANE BAKER   LEIF ERICKSON
HOWARD ST. JOHN   JOHN ANTHONY HAYES
                            Com: ROCHELLE HUDSON 
 GEORGE KENNEDY
EDITH ATWATER
MITCHELL COX
Música VAN ALEXANDER
Diretor de Fotografia ARTHUR ARLING, A.S.C.
Direção de Arte BORIS LEVEN  Edição EDWIN BRYANT, A.C.E.
Decorador de Set FRANK TUTTLE   Assistente de Direção HERBERT GREENE
Maquiagens por BEN LANE, S.M.A.  Supervisão de Som CHARLES J. RICE
 Som LAMBERT DAY  Efeitos Especiais RICHARD ALBAIN
Produção Associada DONA HOLLOWAY
Escrito por ROBERT BLOCH
Produzido e Dirigido por WILLIAM CASTLE   

STRAIT –JACKET  ©1964 William Castle Productions – COLUMBIA PICTURES

5 comentários:

renatocinema disse...

Com uma sinopse angustiante como essa e com uma grande atriz como protagonista fiquei tenso para assistir.

Sua introdução me fez um filme genial que amo sobre relacionamento chamado O Enigma de Kasper House.

Abraços e boa sessão de terror. kkk

Rodrigo Mendes disse...

Obrigado pela sugestão, foi uma sugestão né? Nunca assisti ao O Enigma de Kasper House.

Recomendo Almas Mortas. Não tenha medo! rs

Abs.

Henrique Toreti disse...

Adoro esse filme!! "Eu vi que foi você" se encontra no YouTube, legendado em PT, e também é delicioso, apesar de Joan fazer papel coadjuvante. Ps: aonde vc consegiu acesso à lista dos 100 filmes de péssimo gosto, do Framboesa?? Abraços :)

Rodrigo Mendes disse...

Henrique: Obrigado pela visita. Um amigo meu foi quem mencionou pra mim numa conversa dessa lista. Eu li essa informação no IMDB. Geralmente essas listas são pessoais e sem fundamento e que só servem para irritar os fãs, veja bem, uma vez, O Iluminado, do Kubrick, foi indicado ao Framboesa, sabia? rs

E vou procurar Eu Vi Que Foi Você no Youtube qualquer dia, obrigado.
Essa fase terror de Joan é sensacional, adoro.

Abs.

Henrique Toreti disse...

Sim, sabia da indicação de "O Iluminado". sem comentários.. E, por coincidência, passou "Almas Mortas" no especial de halloween da HBO nesta madrugada. Até acordei pra botar gravar.. rs .. Agora o melhor filme de suspense de Crawford é, sem dúvidas, "Precipícios d'alma", conhece?

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