sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DURO DE MATAR

YIPPEE-KI-YAY, MOTHER FUCKER

John McClane, oficial da polícia de Nova York, faz o impossível para salvar sua esposa e vários outros reféns que sofrem nas mãos de um implacável terrorista alemão, Hans Gruber, durante uma festa de Natal em um grande hotel de Los Angeles.
Digam o que quiserem. Adoro esse filme, mas nem tanto das sucessivas continuações, exceto pelo ótimo DURO DE MATAR: A VINGANÇA (o terceiro. Die Hard: With a Vengeance, 1995) também dirigido pelo diretor deste primeiro, JOHN McTIERNAN. É o auge de BRUCE WILLIS, muito embora ator de comédias cults como ENCONTRO ÀS ESCURAS (Blind Date,1987, com Kim Basinger) do diretor Blake Edwards e de séries de TV como; A Gata e o Rato (Moonlighting, 1985-1989, com Cybill Shepherd), finalmente encontra o tom para estrelar filmes de ação entrando para o time de astros do gênero como Arnold Schwarzenegger e Stallone (muito embora esteja muito velho pra isso hoje em dia e cada vez mais canastrão e cansativo e o próprio já admitiu que só aceita papéis tolos destes filmes de ação recentes porque é pai e precisa sustentar os filhos. Sei). De qualquer forma, este DURO DE MATAR, o primeiro e original da série é muito bom. 


Willis tem um charme confiável e seguro, talvez seja por isso (nem tanto pelas cenas de ação e efeitos especiais) que o filme fez um enorme sucesso. Ele é duro de matar. Ele é o policial John McClane e como todo tira durão hollywoodiano tem inúmeros problemas. É o típico herói humano, não super, mas parece que é realmente invencível, muito embora sofra, sangre e apanhe até dizer chega! Não é fácil matá-lo, mas não é muito difícil maltratá-lo. Certamente, eis outro motivo para a fita ter chamado muito a atenção, porque diferente dos colegas deste seguimento, Willis é o mais real por não ser tão ultra mega forte e saradão. É um James Bond sujo, vamos dizer. O cara esta em crise e vive uma discussão com a esposa, Holly, muito bem interpretada por BONNIE BEDELIA (uma atriz não famosa de nome, mas conhecida de rosto) e tudo isso acontece em Los Angeles, quando ela esta num expediente e um grupo de terroristas bem armados e perigosos tomam o edifício onde ela esta, tornando-a refém com mais outras pessoas. O circo esta armado. Pior ainda, é que os malfeitores são liderados por um chefe psicopata, Hans Gruber, o vilão mais conhecido da galeria de vilões do cinema e magistralmente interpretado por um Snape, ALAN RICKMAN. Enfim. Tudo acontece. As pessoas são confinadas num local isolado, sofrendo humilhações e todo tipo de violência, também psicológica e alvos dos bandidos que pretendem eliminar um a um se não almejarem o que exigem. Mas, nosso herói, que estava no banheiro, percebe automaticamente o perigo e se esconde. Willis ronda à espreita pelos andares superiores da torre inacabada. E ele é, em suas próprias palavras, “uma mosca na sopa e uma pedra no sapato” desses malvados, que a princípio não fazem ideia de quem esta por trás da eliminação de cada um deles, atacando-os e atrapalhando seus planos. 



O filme não poderia ter antagonistas tão bem acertados. Rickman, apesar de britânico, faz um sotaque americano perfeito. Um talento muito bem aproveitado, aliás, adoro o fato de que, no roteiro, McClane e Gruber mal se conhecem no face to face antes do antológico clímax e a “queda do vilão”. Curiosamente, foi o primeiro filme de Rickman. Richard Gere foi cogitado para viver o herói. Felizmente Willis chegou, com um salário de 5 milhões de dólares, tornando em uma franquia de sucesso. Creio que o quadro seria outro com Gere.

Evidente, que além do astro, o clima da série se deve ao diretor McTiernan, que assim como Terence Young diretor dos primeiros 007 e Richard Donner da saga Máquina Mortífera (lançada um ano antes e certamente deve ter servido, também, de inspiração e pra competir com a Warner, evidente que a Fox encomendou esse projeto) fez do filme um tipo diferente de ação, ainda mais violenta, visceral e cheia de suspense, combinada com a ótima trilha de Michael Kamen e fotografia do futuro diretor Jan De Bont (de filmes como Velocidade Máxima). Para o estúdio, o diretor tinha feito anteriormente e com enorme bilheteria o enigmático O PREDADOR (Predator, 1987) o filme de ação alienígena com Schwarza e que também, assim como Gere, foi sondado para o papel de McClane! Aqui, com um orçamento mais pomposo faz de sua aventura um filme daqueles, que faz a gente passar o tempo muito bem, com cenas de tirar o fôlego em um arranha-céu repleto de explosões, lutas e tiroteios, numa sucessão de ação incessante, é claro.

Outro ponto positivo no filme é que o mocinho é um tanto incomum em suas atitudes. Willis pragueja em tempo integral, fuma sem se preocupar com nada e tem a característica que se tornou uma marca registrada do personagem, ficar sujo, literalmente. Parece que desceu ao fundo do poço, mas ainda com mais do que um fio de vida para se gabar, com petulância e muito humor. Ele caça os terroristas com um sabor diabólico, um verdadeiro anti-herói do cinema. E de maneiras óbvias, através de walkie-talkies, por exemplo, acaba descobrindo as armações maquiavélicas e nefastas dos capangas.

Duro de Matar, em poucas palavras, é um verdadeiro exército de um homem só. Se em filmes como Aliens, de James Cameron, tínhamos uma protagonista mulher botando pra quebrar, agora é a vez dos rapazes. Willis nos representa. O roteiro é delicioso (o que não aconteceu com as continuações) e lindamente adaptado por McTiernan (sem créditos) e com a colaboração de Jeb Stuart (de filmes como O Fugitivo, The Fugitive, 1993, outro sucesso com Harrison Ford e direção de Andrew Davis) e Steven E. de Souza (que sempre esteve relacionado ao estilo de filme, escreveu, por exemplo o ótimo Comando Para Matar, Commando, 1985 de Mark L. Lester e estrelado, adivinhem quem? Arnold! E também assinado por Jeb) à partir do romance de Roderick Thorp; Nothing Lasts Forever – “Nada Dura Para Sempre”. Assim, eles acabam redefinindo o gênero ação. E o mais bacana, eles fazem isso nas atitudes do herói, que tira seus sapatos e meias para combater um Jet Leg, detalhe importante na premissa e de fato na aparência do sujeito (cada vez mais acabado e cascudo) que trabalha única e exclusivamente sozinho, uma espécie de repetição de McTiernan depois de ter feito “Predador”, só que aqui com mais graça e inteligência.

McClane é um cara que realmente gostaria de estar em outro lugar. Assistindo futebol na TV, mascando, bebendo, fumando e não matando bandidos. Mas fazer o que, né? É o instinto. É a profissão. É DURO!


EUA
1988
AÇÃO
COR
131 min.
FOX
        



TWENTIETH CENTURY FOX APRESENTA
UMA PRODUÇÃO GORDON COMPANY/SILVER PICTURES
UM FILME DE JOHN McTIERNAN

BRUCE WILLIS

DIE HARD
BONNIE BEDELIA   ALAN RICKMAN
REGINALD VELJOHNSON    PAUL GLEASON
DE´VOREUX WHITE   WILLIAM ATHERTON
HART BOCHNER   JAMES SHIGETA    ALEXANDER GODUNOV
BRUNO DOYON   ANDREAS WISNIEWSKI   CLARENCE GILYARD JR.
JOEY PLEWA   LORENZO CACCIALANZA
ELENCO JACKIE BURCH       MÚSICA DE MICHAEL KAMEN
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA JAN DE BONT  
DIREÇÃO DE ARTE JACKSON DeGOVIA
EDIÇÃO JOHN F. LINK   FRANK J. URIOSTE 
FIGURINOS MARILYN VANCE-STRAKER
PRODUTOR ASSOCIADO BEAU E. L. MARKS 
PRODUTOR EXECUTIVO CHARLES GORDON
PRODUZIDO POR 
LAWRENCE GORDON  JOEL SILVER
ROTEIRO DE 
JEB STUART  &  STEVEN E. DE SOUZA
Baseado no Livro de RODERICK THORP
DIRIGIDO POR 
JOHN McTIERNAN

DIE HARD ©1988 FOX/Gordon Company/Silver Pictures

6 comentários:

Anônimo disse...

Há. A dureza dele só não párea para Ashton Kutcher!

Os três primeiros filmes da franquia são excelente. Gosto de cada um deles; mas, claro, o especial sempre será o primeiro.

Paulo Telles disse...

Grande matéria, Rodrigo! Esta série já se tornou um clássico absoluto dos filmes recheados de ação e aventura, principalmente o primeiro.

Foi através deste filme que Bruce Willis, que vinha da série de TV A GATA E O RATO e de filmes cômicos (ENCONRO AS ESCURAS, de Blake Edwards, 1987) acabou se tornando também um ícone do cine-ação, ao lado de Stalone e Schwarzenegger.

Grande abraço, amigo!

Amanda Aouad disse...

Um belo filme, funcional, interessante, divertido e com um ótimo personagem, pena que a série foi caindo de qualidade.

bjs

Hugo disse...

Sensacional como filme de ação, um dos melhores dos anos oitenta.

Abraço

Reinaldo Glioche disse...

Mais um belo texto! Uma confidência: eu jurava que vc já tinah escrito sobre "Duro de matar". Devo estar tendo uns déjà vus aqui...

Enfim, para mim é o filme de ação definitivo.
Abs

Rodrigo Mendes disse...

Kleiton: Ashton Kutcher?

Paulo: Exatamente e foi o que disse. Tb sou fã de Schwarzenegger, mas nos filmes de antigamente. Mesma coisa com Willis e Stallone? Bom, só curto mesmo o primeiro Rocky (nem sou tão fissurado em Rambo).

Amanda: Certamente Nanda, principalmente a partir do quarto capítulo.

Hugo: Sim, sim! ;) O primeiro é D+!

Reinaldo: Vc e seus déjà vus! rs
Não é o filme de ação definitivo pra mim apesar de adorar Duro de Matar. A fase de Hong Kong do diretor John Woo e todos os filmes do 007 são melhores. hehehe!

Abraços a todos.

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