terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CLUBE DA LUTA

O MÉDICO E O MONSTRO?

Um trabalhador de escritório (Norton) sofre de insônia e procura uma maneira de resolver o seu problema num grupo de ajuda quando cruza com uma depressiva (Helena Bonham Carter) e se apaixona por ela. Depois, ele se vê envolvido com um fabricante de sabão (Pitt) e ambos formam um clube exclusivo subterrâneo chamado de Clube da Luta que acaba se transformando numa sociedade secreta terrorista.


“Eu quero que você me bata o mais forte que puder!” Eis um dos filmes mais discutidos (e ainda continua sendo) de 1999, dirigido pelo subestimado DAVID FINCHER que realizou o filme por um simples motivo. Segundo o próprio: “Nós estamos destinados a sermos os caçadores e nós estamos em uma sociedade de compras. Não há nada mais para matar, não há nada para lutar, nada para vencer, nada para explorar. Nessa emasculação social deste homem comum [ o narrador ] é criado.” Com uma reviravolta surpreendente, o filme permanece como um clássico contemporâneo. Com movimentos de câmera fascinantes, efeitos visuais de encher os olhos, pancadaria das grossas, roteiro esplêndido escrito por JIM UHLS baseado no famoso livro de CHUCK PALAHNIUK e é claro, com uma sonoridade atordoante criada pelo longo parceiro do diretor REN KLYCE (indicado ao Oscar – a única indicação do filme!) e fotografia do ótimo JEFF CRONENWETH, o filme nunca saiu da minha cabeça, evidente que ele funcionou melhor na primeira vez, mas nas revisões é ainda mais hipnótico.


A trilha sonora foi composta pela dupla DUST BROTHERS. Eu sei que a primeira regra do clube da luta é não falar sobre o clube da luta e que a segunda regra do clube da luta é não falar sobre o clube da luta, mas irei quebrar essa regra... FIGHT CLUB (1999) é de certa forma, assim como obras primas falaciosas, O Poderoso Chefão de Coppola,  uma exímia fantasia que mergulha no universo masculino ou em outras palavras, é mais um daqueles filmes que todo homem gosta de assistir. Não é para os fracos. Um filme raivoso e intrigante e incrivelmente inteligente. Grandes interpretações, sobretudo a de EDWARD NORTON, e tornou-se tão popular (mesmo sendo um fracasso comercial) e visualmente entorpecente. Norton é o narrador da premissa e um homem comum, aparentemente tranqüilo, mas estressado pelo fato de sofrer de uma terrível insônia. Vive uma vida de torturas naquela vidinha de escritório e emprego bitolado. Com isso, passa a freqüentar grupos de apoio na tentativa de sentir algo diferente, buscar uma solução não apenas para a insônia. Ele vai em praticamente todos os tipos de grupos temáticos e numa dessa noites conhece a esquisita e dissoluta Marla Singer, brilhantemente interpretada por HELENA BONHAM CARTER (julgo ser o seu melhor papel até então) e que à primeira vista parece ter problemas piores do que os dele. Ambos passam a viver uma relação estranha e ele acaba se apaixonando por uma mulher ninfomaníaca, depressiva e totalmente instável, além de ser gótica bem ao estilo de Helena! Mais tarde, ele passa a ter uma amizade perigosa com Tyler Durden, BRAD PITT, também ótimo, um homem despojado e com jeitão de malandro, gangster, agiota, baderneiro e até um pouco cafetão! Durden acaba envolvendo nosso narrador protagonista em seus esquemas, como na fabricação de sabonetes para vendas ilegais, só que a maior diversão da dupla será lutar! Com plena vontade de mudar a rotina, o narrador é convencido por Durden a ter uma vida melhor lutando (me bata!). Parece estupidez e brincadeira de adolescentes imaturos, mas suas sucessivas brigas em público – que parecem com brigas de galo- acabam chamando a atenção de outros notívagos machões , dando a todos algo que faltam em suas vidas que é relacionado com a cruel sordidez agressiva e humilhações o que culmina numa verdadeira organização terrorista. Mas a fita garante ótimas surpresas e não vou estragar “falando mais sobre o clube da luta” caso você, caro leitor, ainda não assistiu.



Os direitos autorais do romance de Palahniuk foram adquiridos pela Fox e também pela produtora LAURA ZISKIN (1950-2011) que produziu a série de filmes do Homem-Aranha e outros ótimos como Herói Por Acidente (Hero, 1992) de Stephen Frears. No entanto, foi Laura quem contratou um roteirista confiável para a tarefa, Jim Uhls, mas depois não produziria a fita, passando a batuta para ART LINSON (de Os Intocáveis do De Palma) e o figurão de Hollywood, o israelense ARNON MILCHAN, que já produziu cerca de 126 produções cinematográficas (com um único Oscar apenas de Melhor Filme por Los Angeles – Cidade Proibida , L.A. Confidential, 1997). Fincher não era a primeira escolha para dirigir o filme, mas seu entusiasmo falou mais alto, conquistando os produtores. Houve uma comparação com o clássico Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955), de Nicholas Ray e com A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967), de Mike Nichols por parte do próprio elenco e diretor. Por outro lado, a fita teve intenções contrárias e uma significação bem diferente da violência aqui retratada, segundo Fincher, o filme deveria servir como uma metáfora de conflito entre uma geração de pessoas juvenis e o sistema de valores da propaganda. Há um certo tom que tende ao homossexualismo proposital para manter a platéia desconfortável, truque para desviar a atenção de situações até óbvias que apenas serão reveladas e compreendidas em seu plot de virada.



Na verdade (o que deve ter irritado Fincher), é que os executivos da Fox não gostaram do resultado final, e reestruturaram a campanha de marketing que havia sido intencionada por Fincher a fim de reduzir as perdas antecipadas. Creio que esse foi o motim infeliz que detonou o filme nas bilheterias (mas pelo bom senso cinéfilo acabou virando cult). A crítica à época esteve dividida e há quem o comparou como sendo um prenúncio de mudança da vida política norte-americana, além de ter encantado com o seu estilo visual inovador. E de fato foi. Mas foi o advento do DVD que mudou a imagem de Clube da Luta, um sucesso das locadoras!

Não há dúvidas que o filme é espetacularmente bem dirigido. O entusiasmo de Fincher é visto na tela. Tudo tem um ritmo frenético muito bem dosado e acho os efeitos visuais um dos mais originais e surpreendentes em décadas. 

O lance deste filme é transpor tudo que é estranho em normal, por exemplo, o personagem de MEAT LOAF (de filmes como The Rocky Horror Picture Show, 1975), um homem gordo e chorão que sofre com um câncer que são enormes glândulas mamárias ou qualquer cena de Helena Bonham Carter, etc. Filmão. 




EUA/ALEMANHA
1999
DRAMA
COR
139 min.
FOX
             





FOX 2000 PICTURES/ REGENCY ENTERPRISES APRESENTAM
UM FILME DE DAVID FINCHER
BRAD PITT          EDWARD NORTON  

HELENA BONHAM CARTER
com: MEAT LOAF   ZACH GRENIER
RICHMOND ARQUETTE   DAVID ANDREWS 
GEORGE MAGUIRE  EUGENIE BONDURANT 
CHRISTINA CABOT  E JARED LETO

Trilha sonora
THE DUST BROTHERS  JOHN KING & MICHAEL SIMPSON

FOTOGRAFADO POR JEFF CRONENWETH   
montagem JAMES HAYGOOD

CASTING LARAY MAYFIELD  

cenografia  ALEX McDOWELL    DESENHOS DE ARTE  CHRIS GORAK 
FIGURINOS MICHAEL KAPLAN

EFEITOS ESPECIAIS DERRICK CRANE        SOM REN KLYCE

Produtor associado     JOHN S. DORSEY
PRODUTOR EXECUTIVO      ARNON MILCHAN

 PRODUZIDO POR   
ART LINSON 
   ROSS  GRAYSON BELL   
CEAN CHAFFIN

ESCRITO POR JIM UHLS   

BASEADO NO LIVRO DE CHUCK PALAHNIUK

DIRIGIDO POR 
DAVID FINCHER
Fight Club © 1999 Linson Films/Atman Entertainment/Knickerbocker Films/Taurus Film
Regency Enterprises/ Fox 2000 Pictures

5 comentários:

Hugo disse...

Filmaço que já pode ser considerado um clássico.

Abraço

Marcelo keiser disse...

Modifico minha lista imaginária de filmes que habitam os Top 10 constantemente. Entretanto, em todas esse filme consta sendo o meu preferido. Filmaço mesmo.

abraço

Reinaldo Glioche disse...

Grande filme, melhor a cada revisão.
Belo texto meu caro!
Abs

Fernando Terroso disse...

Esse filme é demais, muito bom mesmo !

Por curiosidade, Clube da Luta num colégio: http://www.youtube.com/watch?v=G3-F7rvyqgw#t=137

E o Clube da Luta Russo:
http://www.vice.com/pt_br/read/o-clube-da-luta-real-de-moscou-e-insano

Filmelixo

Rodrigo Mendes disse...

Hugo: Um clássico de nossa geração!

Marcelo: É difícil Clube da Luta não constar em alguma lista de favoritos, independente do tema.

Reinaldo: Exatamente. Toda vez que revejo ele fica melhor.
Obrigado meu caro!

Fernando: Obrigado por compartilhar os links, ;)


Abçs.

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