O MÉDICO E O MONSTRO?
Um
trabalhador de escritório (Norton) sofre de insônia e procura uma maneira de
resolver o seu problema num grupo de ajuda quando cruza com uma depressiva
(Helena Bonham Carter) e se apaixona por ela. Depois, ele se vê envolvido com um fabricante de sabão
(Pitt) e ambos formam um clube exclusivo subterrâneo chamado de Clube da Luta
que acaba se transformando numa sociedade secreta terrorista.
“Eu
quero que você me bata o mais forte que puder!” Eis um dos filmes mais discutidos (e
ainda continua sendo) de 1999, dirigido pelo subestimado DAVID FINCHER que realizou o filme por um simples motivo. Segundo o
próprio: “Nós estamos destinados a sermos
os caçadores e nós estamos em uma sociedade de compras. Não há nada mais para
matar, não há nada para lutar, nada para vencer, nada para explorar. Nessa
emasculação social deste homem comum [ o narrador ] é criado.” Com uma
reviravolta surpreendente, o filme permanece como um clássico contemporâneo. Com
movimentos de câmera fascinantes, efeitos visuais de encher os olhos,
pancadaria das grossas, roteiro esplêndido escrito por JIM UHLS baseado no
famoso livro de CHUCK PALAHNIUK e é claro, com uma sonoridade atordoante criada
pelo longo parceiro do diretor REN KLYCE (indicado ao Oscar – a única indicação
do filme!) e fotografia do ótimo JEFF CRONENWETH, o filme nunca saiu da minha
cabeça, evidente que ele funcionou melhor na primeira vez, mas nas revisões é
ainda mais hipnótico.
A trilha sonora foi composta pela
dupla DUST BROTHERS. Eu sei que a primeira regra do clube da luta é não falar
sobre o clube da luta e que a segunda regra do clube da luta é não falar sobre
o clube da luta, mas irei quebrar essa regra... FIGHT CLUB (1999) é de certa
forma, assim como obras primas falaciosas, O
Poderoso Chefão de Coppola, uma exímia fantasia que mergulha no universo
masculino ou em outras palavras, é mais um daqueles filmes que todo homem gosta
de assistir. Não é para os fracos. Um filme raivoso e intrigante e
incrivelmente inteligente. Grandes interpretações, sobretudo a de EDWARD NORTON,
e tornou-se tão popular (mesmo sendo um fracasso comercial) e visualmente
entorpecente. Norton é o narrador da premissa e um homem comum, aparentemente tranqüilo,
mas estressado pelo fato de sofrer de uma terrível insônia. Vive uma vida de
torturas naquela vidinha de escritório e emprego bitolado. Com isso, passa a freqüentar
grupos de apoio na tentativa de sentir algo diferente, buscar uma solução não
apenas para a insônia. Ele vai em praticamente todos os tipos de grupos
temáticos e numa dessa noites conhece a esquisita e dissoluta Marla Singer, brilhantemente
interpretada por HELENA BONHAM CARTER (julgo ser o seu melhor papel até então)
e que à primeira vista parece ter problemas piores do que os dele. Ambos passam
a viver uma relação estranha e ele acaba se apaixonando por uma mulher
ninfomaníaca, depressiva e totalmente instável, além de ser gótica bem ao
estilo de Helena! Mais tarde, ele passa a ter uma amizade perigosa com Tyler Durden, BRAD PITT, também ótimo, um
homem despojado e com jeitão de malandro, gangster, agiota, baderneiro e até um
pouco cafetão! Durden acaba envolvendo nosso narrador protagonista em seus
esquemas, como na fabricação de sabonetes para vendas ilegais, só que a maior
diversão da dupla será lutar! Com plena vontade de mudar a rotina, o narrador é
convencido por Durden a ter uma vida melhor lutando (me bata!). Parece
estupidez e brincadeira de adolescentes imaturos, mas suas sucessivas brigas em
público – que parecem com brigas de galo- acabam chamando a atenção de outros notívagos
machões , dando a todos algo que faltam em suas vidas que é relacionado com a
cruel sordidez agressiva e humilhações o que culmina numa verdadeira organização
terrorista. Mas a fita garante ótimas surpresas e não vou estragar “falando
mais sobre o clube da luta” caso você, caro leitor, ainda não assistiu.
Os direitos autorais do romance de
Palahniuk foram adquiridos pela Fox e também pela produtora LAURA ZISKIN
(1950-2011) que produziu a série de filmes do Homem-Aranha e outros ótimos como Herói Por Acidente (Hero, 1992) de Stephen Frears. No entanto, foi Laura
quem contratou um roteirista confiável para a tarefa, Jim Uhls, mas depois não
produziria a fita, passando a batuta para ART LINSON (de Os Intocáveis do De Palma) e o figurão de Hollywood, o israelense
ARNON MILCHAN, que já produziu cerca de 126 produções cinematográficas (com um
único Oscar apenas de Melhor Filme por Los
Angeles – Cidade Proibida , L.A. Confidential, 1997). Fincher não era a
primeira escolha para dirigir o filme, mas seu entusiasmo falou mais alto,
conquistando os produtores. Houve uma comparação com o clássico Juventude Transviada (Rebel Without a Cause,
1955), de Nicholas Ray e com A
Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967), de Mike Nichols por parte
do próprio elenco e diretor. Por outro lado, a fita teve intenções contrárias e
uma significação bem diferente da violência aqui retratada, segundo Fincher, o
filme deveria servir como uma metáfora de conflito entre uma geração de pessoas
juvenis e o sistema de valores da propaganda. Há um certo tom que tende ao
homossexualismo proposital para manter a platéia desconfortável, truque para
desviar a atenção de situações até óbvias que apenas serão reveladas e
compreendidas em seu plot de virada.
Na verdade (o que deve ter irritado
Fincher), é que os executivos da Fox não gostaram do resultado final, e
reestruturaram a campanha de marketing que havia sido intencionada por Fincher
a fim de reduzir as perdas antecipadas. Creio que esse foi o motim infeliz que
detonou o filme nas bilheterias (mas pelo bom senso cinéfilo acabou virando cult). A crítica à época esteve dividida
e há quem o comparou como sendo um prenúncio de mudança da vida política
norte-americana, além de ter encantado com o seu estilo visual inovador. E de
fato foi. Mas foi o advento do DVD que mudou a imagem de Clube da Luta, um
sucesso das locadoras!
Não há dúvidas que o filme é espetacularmente
bem dirigido. O entusiasmo de Fincher é visto na tela. Tudo tem um ritmo
frenético muito bem dosado e acho os efeitos visuais um dos mais originais e
surpreendentes em décadas.
O lance deste filme é transpor tudo que é estranho em normal, por exemplo, o personagem de MEAT LOAF (de filmes como The Rocky Horror Picture Show, 1975), um homem gordo e chorão que sofre com um câncer que são enormes glândulas mamárias ou qualquer cena de Helena Bonham Carter, etc. Filmão.
O lance deste filme é transpor tudo que é estranho em normal, por exemplo, o personagem de MEAT LOAF (de filmes como The Rocky Horror Picture Show, 1975), um homem gordo e chorão que sofre com um câncer que são enormes glândulas mamárias ou qualquer cena de Helena Bonham Carter, etc. Filmão.
EUA/ALEMANHA
1999
DRAMA
COR
139
min.
FOX
★ ★ ★ ★ ★
FOX 2000
PICTURES/ REGENCY ENTERPRISES APRESENTAM
UM FILME DE DAVID FINCHER
BRAD PITT EDWARD NORTON
HELENA BONHAM CARTER
com: MEAT LOAF ZACH GRENIER
RICHMOND
ARQUETTE DAVID ANDREWS
GEORGE MAGUIRE EUGENIE
BONDURANT
CHRISTINA CABOT E JARED LETO
Trilha sonora
THE DUST
BROTHERS JOHN KING & MICHAEL SIMPSON
FOTOGRAFADO POR JEFF CRONENWETH
montagem JAMES HAYGOOD
CASTING LARAY MAYFIELD
cenografia ALEX McDOWELL DESENHOS DE ARTE
CHRIS
GORAK
FIGURINOS MICHAEL KAPLAN
EFEITOS
ESPECIAIS DERRICK CRANE SOM REN KLYCE
Produtor
associado JOHN S. DORSEY
PRODUTOR
EXECUTIVO ARNON MILCHAN
PRODUZIDO POR
ART LINSON
ROSS GRAYSON BELL
CEAN CHAFFIN
ESCRITO POR JIM UHLS
BASEADO NO
LIVRO DE CHUCK PALAHNIUK
DIRIGIDO POR
DAVID FINCHER
Fight Club © 1999 Linson Films/Atman Entertainment/Knickerbocker
Films/Taurus Film
Regency
Enterprises/ Fox 2000 Pictures










5 comentários:
Filmaço que já pode ser considerado um clássico.
Abraço
Modifico minha lista imaginária de filmes que habitam os Top 10 constantemente. Entretanto, em todas esse filme consta sendo o meu preferido. Filmaço mesmo.
abraço
Grande filme, melhor a cada revisão.
Belo texto meu caro!
Abs
Esse filme é demais, muito bom mesmo !
Por curiosidade, Clube da Luta num colégio: http://www.youtube.com/watch?v=G3-F7rvyqgw#t=137
E o Clube da Luta Russo:
http://www.vice.com/pt_br/read/o-clube-da-luta-real-de-moscou-e-insano
Filmelixo
Hugo: Um clássico de nossa geração!
Marcelo: É difícil Clube da Luta não constar em alguma lista de favoritos, independente do tema.
Reinaldo: Exatamente. Toda vez que revejo ele fica melhor.
Obrigado meu caro!
Fernando: Obrigado por compartilhar os links, ;)
Abçs.
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