O CORPO
SESSÃO
SURPRESA – PARTE VII
Depois
da morte de um amigo, escritor faz uma retrospectiva e narra um trecho marcante
de sua infância em um novo projeto literário sobre como ele e mais três
distintos garotos viveram grandes aventuras para encontrar e resgatar o corpo
de um menino desaparecido para então se tornarem heróis e notáveis em sua
pacata cidade.
Este é um filme que mexe comigo
de uma maneira estranha. Emociona-me. Encanta-me. Faz-me chorar. E desde a
primeira vez que o assisti em uma das nostálgicas sessões da Sessão
Da Tarde da
Rede Globo (dublado pelos estúdios da BKS) e ainda nas revisões, de alguma
forma ele sempre me pega de surpresa. A fita que é magistralmente dirigida por ROB REINER (diretor de aclamados filmes
como o excelente suspense/terror MISERY – LOUCA OBSESSÃO - que já publiquei AQUI)
tem belos desempenhos do elenco juvenil que de maneira poética emocionou plateias
do mundo inteiro. Creio que muitos compartilham da mesma opinião. E por falar
em Reiner e Misery, aqui foi a
primeira parceria do diretor com o famoso autor
best-seller, STEPHEN
KING, e este não é
obra de terror, seguindo a mesma linha de dramas um tanto similares como “À
Espera de Um Milagre” e “Um Sonho de Liberdade”. O nome do filme vem na verdade de uma música
de mesmo nome composta por Ben
E. King e que toca
durante os créditos (mas pode ser ouvida a melodia durante passagens do filme),
mas King não tem ligação direta com a escolha do novo título para esta adaptação (magistralmente escrita por Raynold
Gideon e Bruce Evans, indicados ao Oscar para
roteiro, a única nomeação do filme), que é na verdade um conto que esta presente numa
série escrita por King: “ As Quatro Estações” e que chama-se “O Corpo” (The
Body), que passa-se durante o outono na cidade do Maine, mas que no filme é trocado por Oregon.
É sobre esses quatros distintos
garotos que estão de boa se divertindo numa pacata cidade no ano de 1959.
Apesar de diferentes, são unidos por um laço forte de amizade. Num certo dia
resolvem partir em busca dum corpo de um adolescente desaparecido. Munidos pela
curiosidade de moleques que almejam ver como é a aparência de um cadáver, eles criam
um álibi para os pais e vão para a mata seguindo os trilhos do trem
peregrinando por quilômetros. Obviamente que o ambiente é de pura molecagem com
joguinhos, palhaçadas, frases marcantes e discussões. Entra na pauta se Mickey
Mouse é um rato, se o Super Mouse tem culhões para enfrentar o Super-Homem e se
Pluto é um cachorro e Donald um pato, questionam a forma animal do Pateta (aliás,
bem estranho, realmente!), enfim, todo tipo de zoação. O que eles não
imaginariam é que nesse road-movie
com trens, uivos de coiotes e sanguessugas, a viagem se transformaria numa
jornada de descobertas pessoais e segredos nunca antes compartilhados.
O protagonista é um garoto
dócil e aspirante a escritor, com uma imaginação fértil na arte de contar
histórias (adoro a sequência do gordo comedor de tortas que se vinga vomitando
em todos!). Gordie, interpretado por
WIL WHEATON (que estrelou o elenco da Nova Geração de Jornada Nas Estrelas e
participou da famosa série Big Bang: A Teoria)
sofre por ter dificuldades de demonstrar seus sentimentos, sobretudo quando
perdeu o irmão mais velho num acidente (interpretado pelo estreante John Cusack numa singela participação) que sofre por sentir-se invisível diante dos pais. O pai, por exemplo, parece
não gostar dele e a mãe fica entristecida depois da morte do primogênito. Seu
irmão era o único que demonstrava afeto para com ele. Porém, seu melhor amigo, Chris, que é o líder do grupinho e que foi
lindamente interpretado pelo saudoso RIVER
PHOENIX (1970-1993) é um garoto muito esperto, mas se subestima por achar que, por pertencer a
uma família desajustada, não terá futuro e acabará mais cedo ou mais tarde na
marginalidade. O mais bonitinho é que Chris é o substituto de um irmão mais
velho para Gordie e está disposto a botá-lo pra cima nos momentos de tristeza. Os
outros dois são: Teddy, um atrevido
e suicida vivido por COREY
FELDMAN (outro
nome promissor entre os adolescentes dos anos 80 em Hollywood) que sofre
discriminação em sua cidade por ser filho de um louco ex-soldado que serviu, segundo ele, na Normandia (como muitos
coitados que serviram os EUA), tem momentos formidáveis como ficar esperando o
trem chegar perto dele no trilho ou no memento enfurecido e violento quando
insultam seu pai, e o gordinho, Vern,
o hoje galante JERRY O ´CONNELL (pois é, o tempo e sua democracia...)
certamente o mais engraçado da turma e o pivô da aventura, já que é ele quem
escuta uma conversa sobre a localização do corpo. Ele é tão sensacional que me
faz rir quando, ao invés de levar algum lanche para viagem, (afinal ele deve
gostar de comer, não é?) acaba levando um pente para ficar nos trinques quando
aparecer na TV como um dos heróis que resgataram o defunto!
Gosto da maneira como Reiner
abre o seu filme com a distinta aparição de RICHARD DREYFUSS, que interpreta o escritor, no caso Gordie na fase
adulta (mas que não é creditado como tal). A narração é estupenda dando
detalhes de acontecimentos inesperados que nos transporta imediatamente para
uma época sem a necessidade de intertítulos ou artifícios preguiçosos. O texto
é fenomenal e te prende desde o início, já que o filme não almeja cenas de
ação. É uma aventura mais emocional e inocente. Gosto também da atuação notável
do jovem KIEFER
SUTHERLAND, como Ace, o vilão. Líder de uma gangue de
arruaceiros mais velhos - com a típica estupidez da transgressão norte-americana
de quebrar correios com taco de beisebol - e curiosamente uma espécie de
espelho para os nossos heróis. Ou seja, dando uma amostra do que poderia vir
logo a seguir nas vidas de todos eles.
O filme aborda também a
hipocrisia de uma sociedade que adora pré-julgar os outros. Demonstrações de
superestimação ainda mais com alguém como Chris (um River Phoenix mais engajado
e inteligente do que estúpido e transviado) e vamos descobrir através de Gordie
que a vida do amigo não foi nada daquilo que muitos (e o próprio) pensavam que
seria. O que mais me toca é essa vontade de abraçar, de dar apoio, que os
quatros têm um com o outro. Uma camaradagem invejável. E, por mais que eles
sejam pré-adolescentes, Reiner evidencia uma naturalidade desta faixa de idade
e um contexto histórico de uma época. Os papos entre eles não passam de
conversas de crianças. E creio que é aí que o filme torna-se mais discutível.
Quantas vezes eles falam sabiamente sobre os peitinhos das garotas? Isto é,
quantas vezes o sexo é pauta principal? Tentar saber a origem do Pateta e ouvir
uma historinha sobre um comedor de tortas ao redor de uma fogueira parece ser
mais divertido. Afinal, o que os levaram para a longa caminhada? Obviamente a
curiosidade e não tem nenhuma relação com caçar garotas ou festas da pesada,
mas, acampar, se divertir, e ser levado pela inocência de serem alguma coisa de
valor, verdadeiros super-heróis como o Super Mouse ou o Super-Homem, resgatando
um cadáver (saber como ele é) e provarem alguma relevância para uma cidade sem
graça, medíocre e nem um pouco acolhedora, afinal, cada um deles tem, além de
tudo, problemas familiares.
O final é surpreendente. Na
verdade, depois que eles se deparam com o corpo já em estado de decomposição,
os olhares dos quatro mudam, e, num confronto com Ace e sua gangue, eles
amadurecem. Aqueles meninos que saíram para a aventura retornam como homens.
Gordie da uma breve narração do que sucedeu com cada um de seus amigos e o
destino nunca é o que pré-determinam. Chris sai de cena desaparecendo lindamente.
Recebeu duas indicações para o
Globo de Ouro como Melhor Filme(Drama) e Melhor Diretor. A trilha sonora eu
ouço sempre. Além do envolvente “Stand by Me”, temos ainda as famosas Chordettes, hit daquela década dourada
com o sucesso “Lollipop”. Além de, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, The Coasters,
dentre outros.
CONTA COMIGO é o melhor filme sobre amizade
e amadurecimento que já vi. E sua mensagem de auto-estima é melhor do que
qualquer terapia. Não vá ao Divã. Assista Stand by Me uma experiência encantadora
que certamente nunca mais esquecerá.
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| O elenco anos depois. |
Eua/89 min.
COR/Sony Pictures
Drama/Aventura
Conta Comigo (“Stand By Me” ,1986)
★ ★ ★ ★ ★
COLUMBIA
PICTURES APRESENTA
UM
FILME DE ROB REINER
UMA PRODUÇÃO ACT III
PRODUCTION
STAND BY ME
ESTRELANDO:
WIL WHEATON RIVER PHOENIX
COREY FELDMAN JERRY O
´CONNELL KIEFER SUTHERLAND
COM:
CASEY SIEMASZKO GARY RILEY
BRADLEY GREGG JASON OLIVER
MARSHALL BELL FRANCES LEE McCAIN
BRUCE KIRBY WILLIAM BONDER
SCOTT BEACH JOHN CUSACK
E: RICHARD
DREYFUSS
MÚSICA JACK
NITZSCHE
DIREÇÃO
DE ARTE DENNIS WASHINGTON
FOTOGRAFADO
POR THOMAS DEL RUTH
EDIÇÃO ROBERT
LEIGHTON
ROTEIRO DE
RAYNOLD GIDEON BRUCE A. EVANS
BASEADO NO CONTO “THE BODY” DE STEPHEN KING
PRODUÇÃO
BRUCE A. EVANS RAYNOLD GIDEON
ANDREW SCHEINMAN
DIREÇÃO ROB REINER
Columbia Pictures/Act III/ Act III Communications/
The Body
©1986











6 comentários:
Clássico não só da Sessão da Tarde! Clássico de minha infância!
Parabéns pelos seis anos de blogue!!!!
Ainda não vi. Mais um que precisa ver urgentemente!
Obrigado, Kleiton.
Conta Comigo é um filme marcante para muita gente. Impressionante. Mas, eu tenho notórias lembranças dele na Sessão da Tarde dublado pela BKS.
Abrç;
Demorou, Alan!
"melhor filme sobre amizade e amadurecimento que já vi". De fato, ele é impressionantemente envolvente. Até a turma da Mônica ficou melhor quando lançou uma HQ inspirada nele. É tocante, verdadeiro, belo. A gente cresce junto com os meninos e fica aquela melancolia no final, mas com um tom gostoso de recordar.
Bela homenagem, Rodrigo.
bjs
Nossa! Curioso para saber sobre essa HQ da Turma da Mônica. Sabia disso não...
E sim, há essa melancolia no final, realmente, mas no início do filme vejo que também, aliás, quando o Dreyfuss esta em cena.
Bjs.
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