PEQUENA COTOVIA
Como eu devo nomear o filme? “La Môme”? “La Vie En Rose”? De qualquer forma, em português, PIAF – UM HINO AO AMOR é um título igualmente formidável. Uma das cinebiografias mais pungentes e interessantes dos últimos tempos dirigido de forma brilhante por Olivier Dahan e estrelada magistralmente por MARION COTILLARD, numa semelhança impressionante de Piaf. Oscar de Melhor Atriz e Melhor Maquiagem merecidamente. A estrutura tradicional de um filme biográfico é rejeitada numa premissa que não tem cronologia e caminham mais pelo lado sombrio e trágico da vida de Piaf. Da infância à juventude, passando pela vida adulta e madura da diva, morta aos 47 anos. O filme capta seu brilhantismo natural, o dom para a música e sua voz inigualável, tenta compreender suas fraquezas como o uso de drogas e boemia excessiva, os amores de sua vida, as injustiças que a perseguiram e uma melancolia que foi o ponto alto em sua destruição. Tudo é um grande caleidoscópio e que não atrapalha na compreensão da fita e creio que até mesmo para espectadores que não sabem nada de Édith Piaf.
Ela nasceu num bairro francês em Paris, Belleville, e foi uma luta para conquistar o público e ter prestígio como cantora em seu país. Seu pai era acrobata e sua mãe uma cantora de rua. A pequena Édith é largada sem cerimônia pelos seus pais, órfã, é criada pela avó, uma dona de bordel. Porém, Titine, interpretada pela ótima EMMANUELLE SEIGNER, uma das prostitutas da casa, ajuda na criação de Édith enquanto a garotinha sofre experiências bizarras na infância, entre elas uma doença que a deixa cega temporariamente. Aqui, ela é vivia por Manon Chevallier aos cinco anos numa atuação de extrair lágrimas e depois pela jovem Pauline Burlet, aos dez. Há passagens de quando ela trabalhava com o pai nas ruas de Paris em números de contorcionismo até o momento em que o público clama por uma performance da garotinha que de assistente circense acaba sendo reconhecida como a verdadeira The Voice of France ao cantar “La Marseillaise”. Eis que nasce uma estrela (e pessoalmente um dos grandes momentos do filme até surgir Cotillard na cena final). Mas como tudo não são rosas, mesmo com a fama e fortuna, Édith teve uma vida regada de infortúnios de desgraças. É uma tragédia após a outra como nas tramas de soup opera. Com mais cuidado e sofisticação de um folhetim televisivo, “Piaf – Um Hino Ao Amor” retrata com veemência todo o sofrimento da protagonista. A morte de Marcelle, sua filha de dois anos, o assassinato de seu primeiro empresário e o amor de sua vida que morre num trágico acidente de avião e todo o desespero dela frente ao desastre numa das sequências mais arrebatadoras da carreira de Cotillard, implorando que seu amor retorne para ela. Mas é claro, há também a canção final que encerra o filme com chave de ouro, “Non, Je Ne Regrette Rien” que atinge o coração da gente!
Para ajudar a retratar Édith, Cotillard raspou pessoalmente o cabelo e as sobrancelhas, que mais tarde foram feitas a lápis, para melhor se assemelhar com a cantora.
O filme teria incialmente Audrey Tautou no papel principal na visão dos produtores, porém, o diretor Dahan sempre preferiu Cotillard e convenceu os investidores que ela era a única atriz para o papel. O convencimento final foi orçar o filme em 5 milhões, metade do que seria previsto só para conseguir trazer Cotillard para o projeto, até então desconhecida do grande público e por mais que ela já tenha participado de produções de peso como “Peixe Grande”, de Tim Burton e da trilogia de ação “Táxi”, produzida por Luc Besson.
PIAF é um filme marcante pela voz retumbante e inigualável de Édith que ecoa eternamente em nossas lembranças e obviamente pelo retrato corajoso e análogo de Marion Cotillard, outra estrela que ascendeu.
FRANÇA/INGLATERRA/ REPÚBLICA TCHECA /140 min.
COR
EUROPA FILMES
DRAMA/BIOGRAFIA/MUSICAL
★★★★★
LA VIE EN ROSE
UM FILME DE OLIVIER DAHAN
ESTRELANDO: MARION COTILLARD
Com: Sylvie Testud Pascal Gregory
Emmanuelle Seigner
Jean-Paul Rouve E Gérard Depardieu
Música: Édith Piaf, Christopher Gunning
Fotografado por Tetsuo Nagata
Roteiro de Olivier Dahan e Isabelle Sobelman
Produzido por Alain Goldman
Dirigido por Olivier Dahan
©2007 Légende Films/ TF1 International/TF1 Films Production
Okko Productions/ Songbird Pictures/ Canal +/TPS Star
Scotts Atlantic/Sofica Valor 7






2 comentários:
Opaaa... já te linkei no meu blog.
Vida longa à nossa parceria!
Abraço!
Me despertei para a voz de Edith Piaf depois de assistir ao filme "O Resgate do Soldado Ryan". Não assisti a esse longa, mas tenho grande curiosidade em conhecer sua trajetória, já que aprecio filmes biográficos.
abraço
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