Num futuro violento onde gangues dominam as estradas, um policial australiano altruísta torna-se um louco justiceiro em busca de vingança.
A saga MAD MAX, o frenético e louco herói do cinema turbinado com seu famoso Ford Falcon, criada pelo cineasta australiano GEORGE MILLER é muito mais do que apenas uma aventura de ficção-científica-futurista. A série apresenta fortes elementos de ação que imagina um futuro distópico. A bem da verdade é que este primeiro filme inaugura o mito, Max Rockatansky, um policial rodoviário em uma Austrália infestada por gangues de arruaceiros motociclistas. Há boas cenas de ação e perseguições enfurecidas de tirar o fôlego, mas Mad Max (Idem, 1979) ainda é um filme com muito mais elemento de antecipação, suspense, o que se difere dos posteriores. Revelou o futuro astro MEL GIBSON, com apenas 23 anos de idade, e só foi lançado nos Estados Unidos em 1980 e ainda mais tarde na Europa. Rapidamente se tornou um sucesso de crítica e sendo a maior bilheteria daquele país, mas ainda era desconhecido do grande público americano.
Também é notável por ser um dos primeiros filmes australianos a ser filmado com uma lente widescreen anamórfica. Ainda assim, por mais que a fita tenha qualidade no quesito de especificações técnicas e com maravilhosas coreografias sobre rodas, Miller fomenta uma obra sociológica num dos momentos mais importantes da Austrália representado nas telas, numa visão sombria e inóspita de um futuro desvairado. Obviamente que se pensarmos em um contexto, nota-se os anos 1970 tão evidentes no filme e que muito disso tenha envelhecido (aliás, como muitos filmes futuristas produzidos nessa época, vide "Laranja Mecânica", 1971, de Stanley Kubrick), o que salva é que Max não teve pretensões de ser um filme futurista ao pé da letra. Miller evita menções, indicações de qualquer tipo de tecnologia. É a Terra, categoricamente a geografia australiana, abandonada pela civilidade e tomada pela selvageria.
As continuações são boas, principalmente o segundo filme que é considerado o melhor de todos: MAD MAX 2 - A CAÇADA CONTINUA (Mad Max 2, 1981) e que teve um título alternativo para o público americano que desconhecia o personagem, portanto "The Road Warrior", como também é bastante conhecido, foi o filme inaugural onde apresentava o cenário árido e pós-apocalíptico, subgênero muito apreciado e deveras imitado. Este primeiro filme é bem diferente neste sentido. Depois, vieram mais duas partes: MAD MAX - ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO ( Mad Max - Beyond Thunderdome, 1985), co estrelado por Tina Turner. Na verdade o mais fraquinho em comparação aos outros, com cara de filme da sessão da tarde para crianças (e estrelado obviamente por crianças e adolescentes) e, o recente arrasa quarteirão e o mais ambicioso filme do diretor: MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA ( Mad Max: Fury Road, 2015), agora com TOM HARDY (A Origem, Guerreiro, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) personificando um novo tipo e personalidade ao herói. E, é claro, muito bem acompanhado com sua colega de cena CHARLIZE THERON, como a "Imperatriz Furiosa", uma nova criação de Miller dando voz as mulheres (mas fugindo de qualquer discurso radical feminista). Um quinto filme foi anunciado: MAD MAX: THE WASTELAND, ainda sem data, seguindo diretamente os acontecimentos narrados em "Estrada da Fúria".
Há várias lendas que envolvem a produção deste cultuado filme. Uma delas explica como Mel Gibson conseguiu o papel principal. Dizem que ele fez teste de câmera para o papel um dia depois de se envolver em uma violenta briga de bar e o mesmo se encontrava com vários hematomas no rosto. Esta imagem ficou na cabeça do diretor Miller e do responsável pelo casting. Foi realmente uma força do destino e pura sorte fazer um filme com um ator completamente desconhecido. Ironicamente, toda a campanha publicitária do filme não o destacava e um trailer americano chegou ao cúmulo de nem sequer citar Gibson, apenas mostrava explosões e perseguições de carros. Foi uma péssima divulgação do filme nesses trailers, já que em retrospecto, o anti-herói em busca de vingança com o seu casaco de couro e olhar furioso é o elemento chave de toda a trama. Ao menos poderiam fazer uma alusão ao icônico 'Selvagem' motociclista, do Marlon Brando. Mas, nem mesmo essa associação ocorreu. Portanto, ficou difícil para o público assimilar e embarcar totalmente no primeiro filme.
Aprecio toda fúria e câmera nervosa em sequências de ação e principalmente quando o efeito de olhos esbugalhados parecendo com desenhos animados em live action surgem em poucos segundos indicando o fim dos loucos vagabundos. Max é este policial, antes de enlouquecer, um patrulheiro motorizado que arrisca a vida todos os dias numa deteriorada Austrália, uma visão de como seria o futuro e os dias escassos de combustível e água (mais ainda evidentes a partir do segundo filme...). Ele faz de tudo para manter a ordem e nota-se que a sociedade anda de mal a pior e esta se desintegrando rapidamente. O caos já esta acontecendo, embora o apocalipse propriamente ainda não tenha chegado totalmente, mas jovens ignoram as leis e se divertem nas estradas desertas. Eles roubam, estupram e matam. Há gangues de várias facções criminosas espalhadas por toda parte, porém, uma delas é liderada por "Toecutter", interpretado pelo ótimo HUGH KEAYES-BYRNE, e que retorna como vilão em "Estrada da Fúria" como o "Immortan Joe".
Esta figura acaba se envolvendo com Max onde culmina no assassinato brutal de sua mulher e filha. Assim, começa uma incessante guerra entre Max e a gangue numa violenta perseguição automobilística e lutas brutais. JOANNE SAMUEL interpreta a esposa de Max, Jessie. Nunca assisti nenhum outro filme dela e tampouco acompanhei seu trabalho na TV. Sei que ela é australiana como todo o elenco e faz lindamente o papel delicado, frágil, mas disposta a fazer o que for possível para não se deixar sofrer pela violência. Tem boas cenas românticas com Mel. Uma pena que sua carreira no cinema não tenha decolado. Outro também que se destaca é o veterano ator STEVE BISLEY (Busca Sangrenta, O Grande Gatsby) como Jim Goose, grande amigo de Max e outra vítima da gangue que faz o herói surtar.
Ainda me impressiono com o fato de o filme ter sido produzido por apenas 400 mil dólares, um orçamento tão apertado que reza a lenda que Miller precisou destruir seu próprio carro para uma das cenas! Mas a plantação aconteceu com toda a força e dedicação de um verdadeiro cinema de guerrilha e a colheita foi gorda a ponto de render 100 milhões de dólares, o que faz dele um dos filmes de baixo orçamento mais lucrativo de todos os tempos (junto com Halloween, 1978, de John Carpenter). Curiosamente o primeiro filme acabou sendo dublado em inglês americano porque acharam que o público não entenderia as expressões idiomáticas local.
Eis um filme memorável. Quando se faz um trabalho tão dedicado, árduo e com pouca grana, o resultado é sempre acima do esperado.
Mad Max é mais uma imaginativa e brilhante criação de um diretor diversificado (As Bruxas de Eastwick, 1987; Twilight Zone The Movie, 1983 - No Limite da Realidade, seguimento 4, aliás, o meu predileto; O Óleo de Lorenzo, 1992 - indicado ao Oscar - ; Babe O Porquinho Atrapalhado e Happy Feet: O Pinguim, respectivamente produções infantis). Ou seja, George Miller, um cara que surpreende pelo talento incomum por filmes variados e instigantes. Um clássico das estradas.
AUSTRÁLIA - 1979
AÇÃO- AVENTURA-FICÇÃO
COR -88 MIN.
★★★★☆
A saga MAD MAX, o frenético e louco herói do cinema turbinado com seu famoso Ford Falcon, criada pelo cineasta australiano GEORGE MILLER é muito mais do que apenas uma aventura de ficção-científica-futurista. A série apresenta fortes elementos de ação que imagina um futuro distópico. A bem da verdade é que este primeiro filme inaugura o mito, Max Rockatansky, um policial rodoviário em uma Austrália infestada por gangues de arruaceiros motociclistas. Há boas cenas de ação e perseguições enfurecidas de tirar o fôlego, mas Mad Max (Idem, 1979) ainda é um filme com muito mais elemento de antecipação, suspense, o que se difere dos posteriores. Revelou o futuro astro MEL GIBSON, com apenas 23 anos de idade, e só foi lançado nos Estados Unidos em 1980 e ainda mais tarde na Europa. Rapidamente se tornou um sucesso de crítica e sendo a maior bilheteria daquele país, mas ainda era desconhecido do grande público americano.
Também é notável por ser um dos primeiros filmes australianos a ser filmado com uma lente widescreen anamórfica. Ainda assim, por mais que a fita tenha qualidade no quesito de especificações técnicas e com maravilhosas coreografias sobre rodas, Miller fomenta uma obra sociológica num dos momentos mais importantes da Austrália representado nas telas, numa visão sombria e inóspita de um futuro desvairado. Obviamente que se pensarmos em um contexto, nota-se os anos 1970 tão evidentes no filme e que muito disso tenha envelhecido (aliás, como muitos filmes futuristas produzidos nessa época, vide "Laranja Mecânica", 1971, de Stanley Kubrick), o que salva é que Max não teve pretensões de ser um filme futurista ao pé da letra. Miller evita menções, indicações de qualquer tipo de tecnologia. É a Terra, categoricamente a geografia australiana, abandonada pela civilidade e tomada pela selvageria.
As continuações são boas, principalmente o segundo filme que é considerado o melhor de todos: MAD MAX 2 - A CAÇADA CONTINUA (Mad Max 2, 1981) e que teve um título alternativo para o público americano que desconhecia o personagem, portanto "The Road Warrior", como também é bastante conhecido, foi o filme inaugural onde apresentava o cenário árido e pós-apocalíptico, subgênero muito apreciado e deveras imitado. Este primeiro filme é bem diferente neste sentido. Depois, vieram mais duas partes: MAD MAX - ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO ( Mad Max - Beyond Thunderdome, 1985), co estrelado por Tina Turner. Na verdade o mais fraquinho em comparação aos outros, com cara de filme da sessão da tarde para crianças (e estrelado obviamente por crianças e adolescentes) e, o recente arrasa quarteirão e o mais ambicioso filme do diretor: MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA ( Mad Max: Fury Road, 2015), agora com TOM HARDY (A Origem, Guerreiro, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) personificando um novo tipo e personalidade ao herói. E, é claro, muito bem acompanhado com sua colega de cena CHARLIZE THERON, como a "Imperatriz Furiosa", uma nova criação de Miller dando voz as mulheres (mas fugindo de qualquer discurso radical feminista). Um quinto filme foi anunciado: MAD MAX: THE WASTELAND, ainda sem data, seguindo diretamente os acontecimentos narrados em "Estrada da Fúria".
Há várias lendas que envolvem a produção deste cultuado filme. Uma delas explica como Mel Gibson conseguiu o papel principal. Dizem que ele fez teste de câmera para o papel um dia depois de se envolver em uma violenta briga de bar e o mesmo se encontrava com vários hematomas no rosto. Esta imagem ficou na cabeça do diretor Miller e do responsável pelo casting. Foi realmente uma força do destino e pura sorte fazer um filme com um ator completamente desconhecido. Ironicamente, toda a campanha publicitária do filme não o destacava e um trailer americano chegou ao cúmulo de nem sequer citar Gibson, apenas mostrava explosões e perseguições de carros. Foi uma péssima divulgação do filme nesses trailers, já que em retrospecto, o anti-herói em busca de vingança com o seu casaco de couro e olhar furioso é o elemento chave de toda a trama. Ao menos poderiam fazer uma alusão ao icônico 'Selvagem' motociclista, do Marlon Brando. Mas, nem mesmo essa associação ocorreu. Portanto, ficou difícil para o público assimilar e embarcar totalmente no primeiro filme.
Aprecio toda fúria e câmera nervosa em sequências de ação e principalmente quando o efeito de olhos esbugalhados parecendo com desenhos animados em live action surgem em poucos segundos indicando o fim dos loucos vagabundos. Max é este policial, antes de enlouquecer, um patrulheiro motorizado que arrisca a vida todos os dias numa deteriorada Austrália, uma visão de como seria o futuro e os dias escassos de combustível e água (mais ainda evidentes a partir do segundo filme...). Ele faz de tudo para manter a ordem e nota-se que a sociedade anda de mal a pior e esta se desintegrando rapidamente. O caos já esta acontecendo, embora o apocalipse propriamente ainda não tenha chegado totalmente, mas jovens ignoram as leis e se divertem nas estradas desertas. Eles roubam, estupram e matam. Há gangues de várias facções criminosas espalhadas por toda parte, porém, uma delas é liderada por "Toecutter", interpretado pelo ótimo HUGH KEAYES-BYRNE, e que retorna como vilão em "Estrada da Fúria" como o "Immortan Joe".
Esta figura acaba se envolvendo com Max onde culmina no assassinato brutal de sua mulher e filha. Assim, começa uma incessante guerra entre Max e a gangue numa violenta perseguição automobilística e lutas brutais. JOANNE SAMUEL interpreta a esposa de Max, Jessie. Nunca assisti nenhum outro filme dela e tampouco acompanhei seu trabalho na TV. Sei que ela é australiana como todo o elenco e faz lindamente o papel delicado, frágil, mas disposta a fazer o que for possível para não se deixar sofrer pela violência. Tem boas cenas românticas com Mel. Uma pena que sua carreira no cinema não tenha decolado. Outro também que se destaca é o veterano ator STEVE BISLEY (Busca Sangrenta, O Grande Gatsby) como Jim Goose, grande amigo de Max e outra vítima da gangue que faz o herói surtar.
Ainda me impressiono com o fato de o filme ter sido produzido por apenas 400 mil dólares, um orçamento tão apertado que reza a lenda que Miller precisou destruir seu próprio carro para uma das cenas! Mas a plantação aconteceu com toda a força e dedicação de um verdadeiro cinema de guerrilha e a colheita foi gorda a ponto de render 100 milhões de dólares, o que faz dele um dos filmes de baixo orçamento mais lucrativo de todos os tempos (junto com Halloween, 1978, de John Carpenter). Curiosamente o primeiro filme acabou sendo dublado em inglês americano porque acharam que o público não entenderia as expressões idiomáticas local.
Eis um filme memorável. Quando se faz um trabalho tão dedicado, árduo e com pouca grana, o resultado é sempre acima do esperado.
Mad Max é mais uma imaginativa e brilhante criação de um diretor diversificado (As Bruxas de Eastwick, 1987; Twilight Zone The Movie, 1983 - No Limite da Realidade, seguimento 4, aliás, o meu predileto; O Óleo de Lorenzo, 1992 - indicado ao Oscar - ; Babe O Porquinho Atrapalhado e Happy Feet: O Pinguim, respectivamente produções infantis). Ou seja, George Miller, um cara que surpreende pelo talento incomum por filmes variados e instigantes. Um clássico das estradas.
AUSTRÁLIA - 1979
AÇÃO- AVENTURA-FICÇÃO
COR -88 MIN.
★★★★☆
Direção: GEORGE MILLER
Roteiro: JAMES McCAUSLAND, GEORGE MILLER
Produção: BYRON KENNEDY
Fotografia: DAVID EGGBY
Música: BRIAN MAY
Elenco: MEL GIBSON
JOANNE SAMUEL HUGH KEAYS-BYRNE STEVE BISLE
TIM BURNS ROGER WARD LISA ALDENHOVEN DAVID BRACKS
MAD MAX©1979 CROSSROADS/ KENNEDY MILLER PRODUCTIONS











3 comentários:
Que loco...
Cara, preciso rever estes. Vi o mais recente. Totalmente frenético. Bela postagem.
Apesar de ser um filme de baixíssimo orçamento, achei o melhor da franquia. O filme é cru e bastante envolvente. Gostei do figurino punk que retrata os anos 1970 e personagens que são no mínimo bizarros. Mad Max 1 é o cinema feito no braço e o médico e diretor George Miller teve que desembolsar do próprio bolso para ajudar nos custos de produção. A Caçada Continua de 1981 é um bom filme, mas não supera esse como muitos dizem.
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