quarta-feira, 25 de maio de 2016

MICHELANGELO ANTONIONI | BLOW UP: DEPOIS DAQUELE BEIJO

ASSASSINATO? 


Sinopse: Fotógrafo parece encontrar algo muito suspeito ao revelar um rolo de fotos que ele tirou em um parque desolado onde se encontrava uma bela e misteriosa mulher. 

Em matéria de obras-primas, o cineasta Michelangelo Antonioni (1912-2007) era um mestre no que fazia. Entendia o cinema assim como Pollock era na pintura abstrata. Uma fase com Monica Vitti: "A Aventura" (1960), "A Noite" (1961) e "O Eclipse" (1962), o consagraram de vez. Agora era hora de deixar de lado os conflitos da elite italiana e embarcar numa nova aventura em filmes internacionais. Blow Up: Depois Daquele Beijo (1966) é sua grande (total) obra-prima inspirando alguns cineastas também importantes. E, falando neles, cito aqui Brian De Palma com o seu fantástico (porém fracasso de bilheteria) "Um Tiro na Noite - Blow Out" (1981) e Francis Ford Coppola, que disse que ao escrever o roteiro de um se seus melhores filmes ("A Conversação", 1974), se inspirou muito neste filme. E, ambos, se apropriam do som para contar uma história, mas Antonioni, em seu primeiro filme em inglês, conta a história de um fotógrafo que, entediado após uma sessão de fotos em seu estúdio, vai passear no parque para fotografar e percebe um casal misterioso. Uma mulher belíssima, a estonteante Vanessa Redgrave, que se aproxima nervosa exigindo o rolo do filme, mas, ele, o fotógrafo, recusa-se. Um homem frio, arrogante e sarcástico, interpretado brilhante por David Hemmings (1941-2003), de filmes como "Prelúdio para Matar" (1975, terror de Argento). Assim sendo, o jogo de interesses e sedução se intensificam, mas ele, curioso, resolve enganar a mulher, lhe entrega um outro rolo de filme e começa uma investigação através dos negativos. E, a teoria de que sem querer, fotografou a cena de um crime. Sim. Um homem misterioso foi morto. Uma arma aparecia nos arbustos numa das fotos, mas, infelizmente granulada demais para ser uma prova determinante. 



O filme é imerso em um clima de dúvidas, o que o torna mais irresistível. Antonioni realiza simplesmente um dos melhores Thriller da história do cinema (ao lado dele somente Hitchcock que utilizava o poder sensorial, cores, imagens e todas as facetas do cinema para contar uma história sem uso de diálogos excessivos). E, com um protagonista que, ao mesmo tempo em que se interessa em ajudar, mas que no fundo, em sua arrogância, esta pouco se importando com os fatos (e as fotos). Na verdade, vive em seu mundinho egocêntrico com todas as futilidades e mulheres que são capazes de agradá-lo no que for para uma oportunidade. Thomas, vive num mundo de fantasia com as mulheres, roupas, todo tipo de objeto e sua câmera, certamente sua única predileção. Neste âmbito, ele tem o poder de fazer o que almeja, por isso, é impertinente a ponto de sair fotografando a esmo as pessoas. 

Participação Especial da modelo  Veruschka von Lehndorff

Sem dúvida, o sucesso do filme esta relacionado, também, com a moda, comportamento de toda uma juventude libertária da década de 1960. Já esta fazendo, neste ano, 50 anos de vida, mas o filme é tão lindo, hipnótico, visual, que nunca envelhece. Outros nomes importantes do cinema, como o saudoso Ingmar Bergman (crítico, principalmente com filmes de colegas), admitiu que assistira várias vezes!



Apesar de ter um forte gancho no melhor estilo filme de suspense, vejo que Blow Up é menos um mistério do que um retrato da alienação de uma geração. Contextualizando 1966, quando a nudez em filmes de língua inglesa ainda não era lugar-comum (Hollywood também encaminhava para a liberdade de censura), havia um peso em que uma cena na qual Redgrave tirava a blusa na sequência de sedução no estúdio, e se sentava tímida, com os braços cruzados diante de seus seios. Sem mencionar na famosa e discreta sequência em que Thomas rola no chão como criança num início de orgia sexual com um dupla de aspirantes a modelos e ruidosas groupies. Este é essencialmente um filme sobre um mundo estranho. Se observarmos bem o cenário; por exemplo, a praça que é assustadoramente vazia, um show com uma banda de rock (The Yardbirds) em que o público juvenil em puro êxtase observam uma guitarra sendo destruída e então, imediatamente são tomados por súbito frenesi, local onde Thomas esta procurando alguém e, com a situação, se torna incapaz de explicar o que está fazendo ali. Mas, o melhor por vir Antonioni deixa para o final, com uma partida de tênis entre alunos de mímica, que conduz através da pantomima um final ambíguo (assim como todo o filme), quando Thomas é levado a entrar no jogo ao devolver uma "bola" perdida. Ou seja, uma alusão a "bala perdida" disparada nos arbustos. Um de meus filmes de cabeceira. Um delicioso mistério sem solução. Uma fita que instiga a imaginação e discussão entre cinéfilos, depois daquele beijo. 

- Oscar: Indicações;  Diretor, Roteiro
- Festival de Cannes:  Vencedor da Palma de Ouro (Antonioni) 



DRAMA-SUSPENSE
1H 51 MIN. 
★★★★★
 

UM FILME DE MICHELANGELO ANTONIONI 
ESTRELANDO:
DAVID HEMMINGS   VANESSA REDGRAVE 
PETER BOWLES   SARAH MILES  
JOHN CASTLE  JANE BIRKIN 
GILLIAN HILLS   VERUSCHKA  
JULIAN CHAGRIN   CLAUDE CHAGRIN 
Música..... HERBIE HANCOCK  
Fotografia..... CARLO DI PALMA 
Montagem.... FRANK CLARK
Figurinos.... JOCELYN RICKARDS
Roteiro MICHELANGELO ANTONIONI 
TONINO GUERRA   EDWARD BOND 
Baseado em conto de Julio Cortózar 
  Produção Executiva PIERRE ROUVRE
Produzido por CARLO PONTI 
Dirigido por 
MICHELANGELO ANTONIONI  
Blow Up ©1966    Bridge    Carlo Ponti Production   M-G-M 

5 comentários:

Hugo disse...

É um clássico que ainda não assisti.

Abraço

ANTONIO NAHUD disse...

Muito bom. Grande filme.

ANTONIO NAHUD disse...

Muito bom. Grande filme.

Gustavo H.R. disse...

Esse filme realmente tem temas que vão além do mistério principal. É preciso interpretá-lo, não só "vê-lo". Na época em que assisti, acho que muita coisa passou despercebida pela minha cabeça, mas numa futura revisão o filme continuará bastante rico por isso mesmo. O final, como você citou, me fez ficar coçando a cabeça por um tempo.

Cumps.

Rodrigo Mendes disse...

Hugo - Assista! Vale muito a pena. Um filme seminal.

Antonio - Concordo.

Gustavo - Exatamente, foram muitas revisões para interpretá-lo, mas, a maior graça, também, é mergulhar na paleta de cores de Antonioni. Deixar o filme te levar. O cinema tem essa magia e diretores bons como Antonioni, Hitch, Kubrick, Bergman, nos fazem criar o que quisermos em nossa imaginação. Existem filmes que não necessariamente precisam ser interpretados ao pé da letra. Este é certamente um deles. O final é magnífico.

Obrigado à todos pela visita.

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