O CULT À LA VERNE
Um cientista escocês, no fim do século XIX, recém-nomeado Sir, organiza uma expedição para provar a teoria de que é possível se chegar ao centro da Terra. À expedição juntam-se: um assistente Alec, a viúva de um cientista rival Carla Göteborg, um ajudante e seu ganso de estimação, Gertrud. Durante a empreitada enfrentam perigos e sabotagens de um rival. Baseado na obra clássica escrita por Jules Verne (1828-1905) - o pai da ficção-científica.
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| James Mason e Arlene Dahl |
Depois de algum tempo sem postar estou de volta com o blogue. Firme e forte. E é claro, revisitando os clássicos da sétima arte que dão sentido a minha vida. E nada como retornar comentando sobre esta preciosidade cult da década de 1950, o ápice dos filmes de matinê. A obra mais adaptada entre as de Verne, Viagem ao Centro da Terra, dirigido aqui por Henry Levin (1909-1980), diretor americano ignorado pela crítica, mas que por várias vezes revelou uma competência especial para o gênero Capa-Espada (A Espada Vingadora), passando pela ficção-científica como é o caso aqui, e até mesmo pelo drama psicológico de filmes como Tormento, de 1947, com Rosalind Russell e Melvyn Douglas. Levin teve uma carreira de faz tudo na indústria, mas antes teve sua versatilidade no teatro como ator e diretor. Em 1943 era consultor de diálogos e nesse período trabalhou para a Columbia Pictures, Fox e MGM. Ao longo de 55 créditos como diretor, Viagem ao Centro da Terra é o mais ressonante e pessoalmente o considero uma pequena obra-prima sendo a melhor versão cinematográfica do livro.
A fita obteve três indicações ao Oscar: Direção de Arte, Som e Efeitos Especiais. É também o quarto filme estrelado pelo cantor da juventude Pat Boone, que se recusava a beijar outra mulher na tela por ser casado e pai de filhos, além de extremamente religioso, reza a lenda que era difícil de lidar com ele nos bastidores. Quebrou a regra, porém, pela primeira vez neste filme depois de muita insistência, beijando, enfim, a doce Diane Baker, atriz conhecida por ter trabalhado com Joan Crawford em Almas Mortas (Strait-Jacket, 1964), com Hitchcock em Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 64) e já mais velha como a Senadora numa participação em O Silêncio dos Inocentes ( The Silence of the Lambs, 1991).
Há também três canções no filme, uma delas mais conhecida: My love is a red, red, rose.
O produtor e roteirista Charles Brackett foi co-autor e parceiro de Billy Wilder em suas fitas mais conhecidas na Paramount, incluindo Crepúsculo dos Deuses.
Dentre algumas refilmagens estão as dirigidas por: Juan Piquer Simon, de 1976; Rusty Lemorande, em 1988 e, em 1993, por William Dear. Mais recentemente, 2008, por Eric Brevig (que foi criador de efeitos especiais de filmes do Shyamalan como Sinais e outros vários como: O Dia Depois de Amanhã, Homens de Preto e Pearl Harbor) em sua estreia na direção fez uma fita abaixo da média e estrelada por Brendan Fraser e Josh Hutcherson no sistema 3D e que consequentemente ganhou uma continuação esquisita, também com Hutcherson e, no lugar de Fraser, Dwayne "The Rock" Johnson: Viagem 2 : A Ilha Misteriosa (Journey 2: The Mysterious Island, 2012). Nenhuma se compara a versão de 1959.
Acredito que toda criança tem de assistir na vida uma fita baseada em Júlio Verne (e ler sua obra, também). Antes dos efeitos digitais ou sequer especiais, em tempos mais ingênuos em que monstros eram feitos por lagartos ou salamandras maquiados. Este sempre foi o meu predileto, em parte por ser fã do ator James Mason (1909-1984), um dos grandes atores ingleses de sua geração (Intriga Internacional, Lolita, Nasce Uma Estrela) no auge do tipo de galã com o carisma, elegância e com a sua voz que lhe era característica, assim como das duas estrelas, Baker, a favorita da Fox à época, está perfeita como ingênua e Dahl, uma das ruivas mais belas do cinema, já estava mais madura. No entanto, nao tinha percebido até a revisão para este post, que são muitos os admiradores do filme tanto que a cena de abertura de Os Caçadores da Arca Perdida, quando a pedra gigante vem rolando para matar o Indiana Jones, é uma óbvia homenagem a esta fita - claro que a pedra é falsa e isso também é óbvio - e a trilha musical do mestre Bernard Herrmann, dos filmes de Hitchcock e de Cidadão Kane, ajuda muito. É tanto o espírito de sessão de matinê no filme que é certamente uma direta influência em Steven Spielberg, George Lucas e John Williams.
E retomando James Mason; notem como ele sempre deu classe aos filmes. Como acontece aqui em que interpreta o professor Linderbrook, que procura o centro da Terra enfrentando perigos, como: sequestro, sabotagem, ataque de monstros répteis pré-históricos e vai, também, encontrando maravilhas, como: um oceano subterrâneo, os restos do continente perdido de Atlântida, alguns luminescentes, uma floresta de cogumelos e uma caverna de cristais de rocha. VIAGEM AO CENTRO DA TERRA é uma absoluta delícia de aventura para crianças de todas as idades. É aquela sessão familiar de Domingo com muita pipoca e refri e um dos filmes cult que fica registrado na memória afetiva.
Estados Unidos
Aventura
2h 12min.
Fox
U Henry Levin
★★★★☆
JULES VERNE´S
JOURNEY
TO
THE
CENTER
OF
THE
EARTH
Estrelando: PAT BOONE
JAMES MASON ARLENE DAHL
DIANE BAKER THAYER DAVID
PETER RONSON ROBERT ADLER e ALAN NAPIER
Música BERNARD HERRMANN
Direção de Arte LYLE R. WHELLER
FRANZ BACHELIN
HERMAN BLUMENTHAL
Roteiro WALTER REISCH e CHARLES BRACKETT
Produzido por
CHARLES BRACKETT Dirigido por HENRY LEVIN
© 1959 Twentieth Century Fox
Cooga Mooga Film Productions, Inc.
Joseph M. Schenck Enterprises, Inc.






4 comentários:
Apesar de ter registrado todos os filmes que assisti, não tenho anotações sobre este, apenas uma vaga lembrança de ter assistido em alguma sessão da tarde. Vou procurar para conferir novamente.
Gosto destas aventuras fantásticas dos anos cinquenta e sessenta, várias delas baseadas em Jules Verne.
Por sinal, James Mason trabalhou em "20.000 Léguas Submarinas" de Richard Fleischer.
Abraço
Hugo: deve ter completo no Youtube, dê uma olhada!
E ótimo você ter feito o adendo e citado 20.000 Léguas Submarinas do Fleischer. Outra preciosidade com James Mason.
Abraço.
Um clássico, vi na infância, precisaria rever também, mas foi ótimo revisitá-lo com seu texto.
bjs
Amanda - é sempre bom rever os clássicos, né? Sobretudo os que fizeram parte de nossa infância.
Bjs
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