segunda-feira, 20 de março de 2017

Henry Levin | Viagem ao Centro da Terra (1959) Journey to the Center of the Earth

O CULT À LA VERNE 

Um cientista escocês, no fim do século XIX, recém-nomeado Sir, organiza uma expedição para provar a teoria de que  é possível se chegar ao centro da Terra. À expedição juntam-se: um assistente Alec, a viúva de um cientista rival Carla Göteborg, um ajudante e seu ganso de estimação, Gertrud. Durante a empreitada enfrentam perigos e sabotagens de um rival. Baseado na obra clássica escrita por Jules Verne (1828-1905) - o pai da ficção-científica. 

James Mason e Arlene Dahl
Depois de algum tempo sem postar estou de volta com o blogue. Firme e forte. E é claro, revisitando os clássicos da sétima arte que dão sentido a minha vida. E nada como retornar comentando sobre esta preciosidade cult da década de 1950, o ápice dos filmes de matinê. A obra mais adaptada entre as de Verne, Viagem ao Centro da Terra, dirigido aqui por Henry Levin (1909-1980), diretor americano ignorado pela crítica, mas que por várias vezes revelou uma competência especial para o gênero Capa-Espada (A Espada Vingadora), passando pela ficção-científica como é o caso aqui, e até mesmo pelo drama psicológico de filmes como Tormento, de 1947, com Rosalind Russell e Melvyn Douglas. Levin teve uma carreira de faz tudo na indústria, mas antes teve sua versatilidade no teatro como ator e diretor. Em 1943 era consultor de diálogos e nesse período trabalhou para a Columbia Pictures, Fox e MGM. Ao longo de 55 créditos como diretor, Viagem ao Centro da Terra é o mais ressonante e pessoalmente o considero uma pequena obra-prima sendo a melhor versão cinematográfica do livro. 

A fita obteve três indicações ao Oscar: Direção de Arte, Som e Efeitos Especiais. É também o quarto filme estrelado pelo cantor da juventude Pat Boone, que se recusava a beijar outra mulher na tela por ser casado e pai de filhos, além de extremamente religioso, reza a lenda que era difícil de lidar com ele nos bastidores. Quebrou a regra, porém, pela primeira vez neste filme depois de muita insistência, beijando, enfim, a doce Diane Baker, atriz conhecida por ter trabalhado com Joan Crawford em Almas Mortas (Strait-Jacket, 1964), com Hitchcock em Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 64) e já mais velha como a Senadora numa participação em O Silêncio dos Inocentes ( The Silence of the Lambs, 1991). 
Há também três canções no filme, uma delas mais conhecida: My love is a red, red, rose

O produtor e roteirista Charles Brackett foi co-autor e parceiro de Billy Wilder em suas fitas mais conhecidas na Paramount, incluindo Crepúsculo dos Deuses
Dentre algumas refilmagens estão as dirigidas por: Juan Piquer Simon, de 1976Rusty Lemorande, em 1988 e, em 1993, por William Dear. Mais recentemente, 2008, por Eric Brevig (que foi criador de efeitos especiais de filmes do Shyamalan como Sinais e outros vários como: O Dia Depois de Amanhã, Homens de Preto e Pearl Harbor) em sua estreia na direção fez uma fita abaixo da média e estrelada por Brendan Fraser e Josh Hutcherson no sistema 3D e que consequentemente ganhou uma continuação esquisita, também com Hutcherson e, no lugar de Fraser, Dwayne "The Rock" Johnson: Viagem 2 : A Ilha Misteriosa (Journey 2:  The Mysterious Island, 2012). Nenhuma se compara a versão de 1959. 

Acredito que toda criança tem de  assistir na vida uma fita baseada em Júlio Verne (e ler sua obra, também). Antes dos efeitos digitais ou sequer especiais, em tempos mais ingênuos em que monstros eram feitos por lagartos ou salamandras maquiados. Este sempre foi o meu predileto, em parte por ser fã do ator James Mason (1909-1984), um dos grandes atores ingleses de sua geração (Intriga Internacional, Lolita, Nasce Uma Estrela) no auge do tipo de galã com o carisma, elegância e com a sua voz que lhe era característica, assim como das duas estrelas, Baker, a favorita da Fox à época, está perfeita como  ingênua e Dahl, uma das ruivas mais belas do cinema, já estava mais madura. No entanto, nao tinha percebido até a revisão para este post, que são muitos os admiradores do filme tanto que a cena de abertura de Os Caçadores da Arca Perdida, quando a pedra gigante vem rolando para matar o Indiana Jones, é uma óbvia homenagem a esta fita - claro que a pedra é falsa e isso também é óbvio - e a trilha musical do mestre Bernard Herrmann, dos filmes de Hitchcock e de Cidadão Kane, ajuda muito. É tanto o espírito de sessão de matinê no filme que é certamente uma direta influência em Steven Spielberg, George Lucas e John Williams. 

E retomando James Mason; notem como ele sempre deu classe aos filmes. Como acontece aqui em que interpreta o professor Linderbrook, que procura o centro da Terra enfrentando perigos, como: sequestro, sabotagem, ataque de monstros répteis pré-históricos e vai, também, encontrando maravilhas, como: um oceano subterrâneo, os restos do continente perdido de Atlântida, alguns luminescentes, uma floresta de cogumelos e uma caverna de cristais de rocha. VIAGEM AO CENTRO DA TERRA é uma absoluta delícia de aventura para crianças de todas as idades. É aquela sessão familiar de Domingo com muita pipoca e refri e um dos filmes cult que fica registrado na memória afetiva. 




Estados Unidos
Aventura
2h 12min.
Fox
U Henry Levin 
★★★★☆


JULES VERNE´S

JOURNEY
TO
THE
CENTER
OF
THE
EARTH

Estrelando: PAT BOONE
JAMES MASON   ARLENE DAHL
DIANE BAKER   THAYER DAVID
PETER RONSON   ROBERT ADLER  e ALAN NAPIER

Música BERNARD HERRMANN 

Direção de Arte  LYLE R. WHELLER    
FRANZ BACHELIN   HERMAN BLUMENTHAL 

Roteiro WALTER REISCH e CHARLES BRACKETT 

Produzido por 
CHARLES BRACKETT                 Dirigido por HENRY LEVIN

© 1959 Twentieth Century Fox
Cooga Mooga Film Productions, Inc.
Joseph M. Schenck Enterprises, Inc. 











4 comentários:

Hugo disse...

Apesar de ter registrado todos os filmes que assisti, não tenho anotações sobre este, apenas uma vaga lembrança de ter assistido em alguma sessão da tarde. Vou procurar para conferir novamente.

Gosto destas aventuras fantásticas dos anos cinquenta e sessenta, várias delas baseadas em Jules Verne.

Por sinal, James Mason trabalhou em "20.000 Léguas Submarinas" de Richard Fleischer.

Abraço

Rodrigo Mendes disse...

Hugo: deve ter completo no Youtube, dê uma olhada!

E ótimo você ter feito o adendo e citado 20.000 Léguas Submarinas do Fleischer. Outra preciosidade com James Mason.

Abraço.

Amanda Aouad disse...

Um clássico, vi na infância, precisaria rever também, mas foi ótimo revisitá-lo com seu texto.

bjs

Rodrigo Mendes disse...

Amanda - é sempre bom rever os clássicos, né? Sobretudo os que fizeram parte de nossa infância.

Bjs