Orson Welles fez muito mais do que Cidadão
Kane ...
O melhor filme de Welles? Em A MARCA DA MALDADE, um policial
mexicano do bureau de narcóticos, que se casou com uma jovem norte-americana,
está numa cidade da fronteira, quando ocorre uma explosão com um carro. Logo, o
policial entra em conflito com o xerife local e com as figuras estranhas que
ameaçam o casal.
Para esta produção, foi Charlton Heston quem sugeriu a Universal
que Orson Welles assumisse o filme. Todavia o estúdio teve medo, mas Welles
cumpriu o esquema e fez a fita no prazo certo e dentro do orçamento previsto.
Mesmo assim, o estúdio mexeu no filme, acrescentando uma trilha musical de
Henry Mancini e algumas cenas adicionais com Janet Leigh ( de "Psicose") e Heston
dirigidas por Henry Keller, colocando letreiros na formidável sequência inicial
e ignorando um memorândum em que Welles detalha como desejava.
O filme só seria restaurado em 1999, mas teria problemas com a
filha de Welles, que não concordou com a exibição, impedindo-a amplamente. No Brasil, o filme passou no Telecine Classic, junto com o Making
off. Já no DVD região 1 (em inglês), nem os bastidores puderam exibir com medo
do processo de Rebecca Welles, a filha chata do genial Cidadão Kane!
Participaram do elenco vários amigos do diretor, alguns até sem
créditos, como: Mercedes McCambridge (ela faria a voz do demônio em ' O
Exorcista' - 1973), aqui faz uma lésbica da gangue e ainda Keenan Wynn e Joseph
Cotten ( que atuou em Kane). Ah, e sem esquecer a figura de Zsa Zsa Gabor, que é a dona do bordel e também da maravilhosa Marlene Dietrich e ela sempre declarou que o papel foi o melhor que
fez em toda a sua carreira (faço coro à ela), aqui ela interpreta uma cigana,
usando uma peruca velha de Elizabeth Taylor.
As locações quase todas noturnas foram feitas na cidade de Venice,
perto de Los Angeles. Durante as filmagens, Welles, que tinha então 41 anos,
usou maquiagem pesada para compor seu personagem e sofreu um acidente quando
caiu no rio e machucou o braço. Mas grave, foi o caso de Janet Leigh, que havia
quebrado o braço esquerdo durante um programa televisionado e passou todo o
filme escondendo isso de alguma maneira. O papel de Dennis Weaver
( de "Encurralado"), como empregado do Motel, foi improvisado por instigação de
Heston.
Apesar dos problemas, em Hollywood, este foi o filme que Welles
conseguiu realizar mais perto de sua concepção, desde Cidadão Kane e é considerado o melhor e mais famoso filme B do mundo e a
única vez que Orson Welles teve relativa liberdade de criação em Hollywood como
cineasta, desde os tempos da RKO e de Kane! Agora existe em circulação uma
versão revisada conforme o memorândum em que Welles especificava as mudanças
que desejava, mas a verdade é que elas não fazem assim tanta diferença, pois, não
foram encontradas cenas adicionais. O longa nas duas formas conserva-se da
mesma maneira, com a versão do diretor, talvez um pouco mais direta e objetiva,
mas não se pode dizer que a trilha de Mancini fosse péssima. Ainda continua
brilhante o plano inicial, um longo trevelling, que envolve cenas e ações
múltiplas ( o melhor plano seqüência já realizado - Brian De Palma fez o mesmo
no ruim ' A Fogueira Das Vaidades'), o uso da fotografia claro-escura bem noir,
quase expressionista, os cortes meio abruptos e o uso de câmera na mão. Mas sem
esquecer que o filme foi realizado com um orçamento muito baixo. E se há um
ponto mais fraco, é justamente o próprio Welles como ator, obviamente,
envelhecido com uma make-up pesada e inconvincente.
Tampouco, pode-se dizer que Charlton Heston seja um autêntico
policial mexicano (Ben Hur de bigode!) Mas, a fita é conduzida com tal ritmo,
com tanto clima, que se perdoam os clichês; o maior deles, como em todo o filme
de terror: esconder uma pessoa em perigo num lugar isolado, justamente. Clássico absoluto.
EUA
POLICIAL/DRAMA/FILM-NOIR
PRETO E BRANCO
111 MIN.
UNIVERSAL
★★★★★
POLICIAL/DRAMA/FILM-NOIR
PRETO E BRANCO
111 MIN.
UNIVERSAL
★★★★★
Universal Internacional
apresenta
OF
EVIL
CHARLTON HESTON
JANET LEIGH
ORSON WELLES
Participações Especiais
MARLENE DIETRICH
ZSA ZSA GABOR
com
DENNIS WEAVER
RAY COLLINS
AKIM TAMIROFF
JOANNA MOORE
e JOSEPH CALLEIA
Escrito por ORSON WELLES Baseado no Romance Badge of Evil de WHIT MASTERSON
Música de HENRY MANCINI
Produzido por ALBERT ZUGSMITH
Direção- ORSON WELLES




5 comentários:
O meu filme do Welles preferido! Obra-prima.
Ahh, que vergonha, mais um que eu não assisti! Aliás, não lembro, ainda, de ter visto nenhum do Welles. Toda vez que vou a saraiva aquele disco duplo do Kane me chama... ainda compro ele.
Independente do filme esses pôsteres me deixam bôbo sabia? Gosto tanto. "A mais estranha vingança planejada!"
Outra coisa que percebi pelo seu texto, é um filme meio avançadinho pro tempo em que foi lançado não é não? Mesmo sendo esse mais ou menos "estilo B"... inclusive por ela ser "currada" rs fiquei espantado.
Uma pergunta, o dvd que existe pra vender [existe né?] traz extras? Tem a "versão" não tão diferente do diretor? Hum...
Vlw por mais um!
Vou assistir o trailer aqui agora
o ano novo no seu blog tá indo mto bem hehe
Abraço!
Esse é fantástico, bem lembrado: eu não tenho ele!
E confesso: não gosto de Cidadão Kane.
Bom texto! Abraço
É um filmaço. A sequência inicial é fantástica e o elenco está em sua melhor forma.
Orson Welles foi um grande diretor e ator, pena que tantos problemas atrapalharam sua carreira, caso contrário ele teria deixado vários outras clássicos como diretor.
Abraço
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