QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA...
Um filme delicioso. Um cult riquíssimo, doce e encantador. Julie Andrews como uma noviça que é mandada para trabalhar como professora das filhas(os) do capitão austríaco Von Trapp e acaba sendo mais que amiga das crianças e envolve-se com ele ao mesmo tempo em que os nazistas tomam o poder.
E porque os personagens tem a necessidade de cantar? Um musical é um gênero que por vezes pode parecer incômodo até para quem os admira. Não chega a ser o caso de A Noviça Rebelde, dirigido por Robert Wise, de outro belo exemplo - 'West Side Story', aliás, igualmente antológico.
Esta versão para o cinema de um show musical que foi a última colaboração da dupla Rodgers & Hammerstein, que fizeram sucessos como O Rei e Eu, Carrossel Oklahoma, dentre outros. Estreou em 1959 e durou 1.433 performances, estrelada por Mary Martin e Theodore Bikel, dirigida por Vincent J. Donehue. Hammerstein sofreu operação de emergência de câncer durante os ensaios e morreu em 23 de agosto de 1960. Desde então tem sido regularmente remontada nos palcos, a última vez com Richard Chamberlain, pelo que me consta, em 1999.
O filme ia ser realizado por William Wyler ( do épico Ben - Hur), que chegou a fazer toda a pré-produção, inclusive a escolha de elenco, de locações em Salzburg, na Aústria. Acabou sendo substituído por Wise ( que já havia feito Amor, Sublime, amor). Na adaptação feita por Lehman (roteirista do também West Side...),foram cortadas algumas canções (algumas enfadonhas e sem ritmo) da peça e acrescentando outras especialmente para o filme, compostas somente por Rodgers. Julie havia feito há pouco sua estreia no cinema com Mary Poppins, que lhe deu seu único Oscar. O ator Christopher Plummer foi dublado por Bill Lee. Peggy Wood ( a madre superiora) fora dublada também, por Margery McKay. Marni Nixon, que normalmente apenas dublava fitas - como Natalie Wood em West Side e Deborah Kerr em O Rei e Eu - desta vez apareceu fazendo uma das freiras.
Obviamente, a Academia adora premiar musicais. Portanto, A Noviça ganhou os Oscars de: Filme, Direção, Arranjos Musicais adaptados, montagem e som. Teve indicações para Julie, Peggy Wood, fotografia em cores, direção de arte em cores (assim mesmo nesta nomenclatura) e figurinos.
Por tempos a moda em Londres e Nova Iorque é assistir A Noviça Rebelde (um título que soa melhor que o original) e cantar junto com o filme. Não nego que amo a trilha musical, prefiro escutar o disco do que ver ao filme diversas vezes. Chegaram até a colocar legendas para facilitar a brincadeira.
Isso dá ideia de como esse musical acabou se tornando mais do que um clássico, virou um culto e filme para Karaokê! Querido e admirado por várias gerações. Os críticos nem sempre aprovam. Mas quem sem importa? As canções de Rodgers e Hammerstein são deliciosas. Julie nunca esteve tão bem na paisagem dos Alpes austríacos, confesso que essa sequência inicial é de tirar o fôlego. O show da Broadway é inspirado em fatos reais, houve realmente a família de cantores Trapp e o roteiro foi inspirado em dois filmes alemães desse nome, A Família Trapp, com Ruth Leuwerick, que chegaram a fazer sucesso até no Brasil. Na verdade, membros da família até hoje acompanham as exibições do filme e abriram mesmo uma hospedaria em Vermont, interior dos Estados Unidos; atração para turistas!
Naturalmente o script toma certas liberdades na premissa. Quem realizou o filme foi a mesma dupla de West Side Story -Amor, Sulime,amor, o diretor Robert Wise e o roteirista Ernest Lehman, e se você leitor, prestar atenção, eles começam mais ou menos da mesma forma, com uma tomada aérea, no caso das montanhas, até encontrar a heroína cantando a música-tema, 'The Sound Of Music' - pasmem se o título aqui fosse O som Da Música, horrível! Esta magnífica sequência, numa ousada tomada de helicóptero, que por sinal foi a última tomada feita em locações, quando milagrosamente as nuvens se abriram para permitir a virada inesquecível de Julie.
A história é simples: Julie faz Maria, uma simpática e desastrada noviça que é mandada como governanta dos filhos do capitão austríaco Van Trapp (Plummer), herói de guerra e ferrenho antinazista. Depois de alguns problemas, ela consegue domar as crianças e até transformá-las em cantoras ( com o clássico Dó -Re-Mi).E mesmo roubar o capitão Plummer dos braços de uma noiva predadora, feita pela ilustre Eleanor Parker. O filme tem várias curiosidades: a filha mais velha foi interpretada pela novata Charmian Carr, que nunca mais fez outro filme. E o número mais lento, Climb Every Mountain, chegou a ser cortado porque os produtores achavam que interrompiam a fita, no Brasil aconteceu o mesmo pelos exibidores. As sequências mais famosas foram, sem dúvida, aquelas rodadas em locações na cidade de Mozart, Salzburg, com uma coreografia engenhosa e um elenco austríaco. A fita acabou ganhando 5 Oscars, inclusive de filme e diretor, mas não deram o prêmio que seria merecido a Julie, mas de qualquer forma, A Noviça Rebelde tem a honra (e ousadia, diga-se) de ter sido o filme que derrubou E o Vento Levou do seu posto de maior bilheteria de todos os tempos... são as famosas canções boca à boca que ainda encantam gerações.
' A Noviça Rebelde' - The Sound Of Music
Um filme delicioso. Um cult riquíssimo, doce e encantador. Julie Andrews como uma noviça que é mandada para trabalhar como professora das filhas(os) do capitão austríaco Von Trapp e acaba sendo mais que amiga das crianças e envolve-se com ele ao mesmo tempo em que os nazistas tomam o poder.E porque os personagens tem a necessidade de cantar? Um musical é um gênero que por vezes pode parecer incômodo até para quem os admira. Não chega a ser o caso de A Noviça Rebelde, dirigido por Robert Wise, de outro belo exemplo - 'West Side Story', aliás, igualmente antológico.
Esta versão para o cinema de um show musical que foi a última colaboração da dupla Rodgers & Hammerstein, que fizeram sucessos como O Rei e Eu, Carrossel Oklahoma, dentre outros. Estreou em 1959 e durou 1.433 performances, estrelada por Mary Martin e Theodore Bikel, dirigida por Vincent J. Donehue. Hammerstein sofreu operação de emergência de câncer durante os ensaios e morreu em 23 de agosto de 1960. Desde então tem sido regularmente remontada nos palcos, a última vez com Richard Chamberlain, pelo que me consta, em 1999.
O filme ia ser realizado por William Wyler ( do épico Ben - Hur), que chegou a fazer toda a pré-produção, inclusive a escolha de elenco, de locações em Salzburg, na Aústria. Acabou sendo substituído por Wise ( que já havia feito Amor, Sublime, amor). Na adaptação feita por Lehman (roteirista do também West Side...),foram cortadas algumas canções (algumas enfadonhas e sem ritmo) da peça e acrescentando outras especialmente para o filme, compostas somente por Rodgers. Julie havia feito há pouco sua estreia no cinema com Mary Poppins, que lhe deu seu único Oscar. O ator Christopher Plummer foi dublado por Bill Lee. Peggy Wood ( a madre superiora) fora dublada também, por Margery McKay. Marni Nixon, que normalmente apenas dublava fitas - como Natalie Wood em West Side e Deborah Kerr em O Rei e Eu - desta vez apareceu fazendo uma das freiras.
Obviamente, a Academia adora premiar musicais. Portanto, A Noviça ganhou os Oscars de: Filme, Direção, Arranjos Musicais adaptados, montagem e som. Teve indicações para Julie, Peggy Wood, fotografia em cores, direção de arte em cores (assim mesmo nesta nomenclatura) e figurinos.
Por tempos a moda em Londres e Nova Iorque é assistir A Noviça Rebelde (um título que soa melhor que o original) e cantar junto com o filme. Não nego que amo a trilha musical, prefiro escutar o disco do que ver ao filme diversas vezes. Chegaram até a colocar legendas para facilitar a brincadeira.
Naturalmente o script toma certas liberdades na premissa. Quem realizou o filme foi a mesma dupla de West Side Story -Amor, Sulime,amor, o diretor Robert Wise e o roteirista Ernest Lehman, e se você leitor, prestar atenção, eles começam mais ou menos da mesma forma, com uma tomada aérea, no caso das montanhas, até encontrar a heroína cantando a música-tema, 'The Sound Of Music' - pasmem se o título aqui fosse O som Da Música, horrível! Esta magnífica sequência, numa ousada tomada de helicóptero, que por sinal foi a última tomada feita em locações, quando milagrosamente as nuvens se abriram para permitir a virada inesquecível de Julie.
A história é simples: Julie faz Maria, uma simpática e desastrada noviça que é mandada como governanta dos filhos do capitão austríaco Van Trapp (Plummer), herói de guerra e ferrenho antinazista. Depois de alguns problemas, ela consegue domar as crianças e até transformá-las em cantoras ( com o clássico Dó -Re-Mi).E mesmo roubar o capitão Plummer dos braços de uma noiva predadora, feita pela ilustre Eleanor Parker. O filme tem várias curiosidades: a filha mais velha foi interpretada pela novata Charmian Carr, que nunca mais fez outro filme. E o número mais lento, Climb Every Mountain, chegou a ser cortado porque os produtores achavam que interrompiam a fita, no Brasil aconteceu o mesmo pelos exibidores. As sequências mais famosas foram, sem dúvida, aquelas rodadas em locações na cidade de Mozart, Salzburg, com uma coreografia engenhosa e um elenco austríaco. A fita acabou ganhando 5 Oscars, inclusive de filme e diretor, mas não deram o prêmio que seria merecido a Julie, mas de qualquer forma, A Noviça Rebelde tem a honra (e ousadia, diga-se) de ter sido o filme que derrubou E o Vento Levou do seu posto de maior bilheteria de todos os tempos... são as famosas canções boca à boca que ainda encantam gerações.
' A Noviça Rebelde' - The Sound Of Music
de Robert Wise
EUA-1965
Musical
172'
✩✩✩✩ ÓTIMO
✩✩✩✩ ÓTIMO
RODGERS & HAMMERSTEIN´S
THE SOUND OF MUSIC
THE SOUND OF MUSIC
Uma Produção
ROBERT WISE
Estrelando:
Julie Andrews
Christopher Plummer
Eleanor Parker
Peggy Wood Richard Haydn
Charmian Carr
Marni Nixon Anna Lee
Portia Nelson
Nicolas Hammond
e Angela
Cartwright
Roteiro Ernest
Lehman
Musical de
Howard Lindsay & Russell
Crowe
Fotografia Ted
McCord
Direção Musical Irwin
Kostal
Trilha Musical composta e conduzida por
Richard Rodgers
& Oscar Hammerstein
Dirigido por
ROBERT WISE

3 comentários:
Ah, é um filme realmente marcante, o clássico-mor que todo mundo gosta e recomenda, até pelas inumeras vezes que passou na tv.
Ah, mas eu não acho que o título original seja ruim não, pra falar a verdade eu prefiro! Pois é, acredite. Eu acho mais charmoso, lindo e poético. 'a noviça rebelde' é bem óbvio e bem comercial, sempre achei, mas aprendi a gostar e é claro que identifico o filme assim, hoje em dia.
Sou mais o efervescente West side story(este sim teve um sofrível título em português, 'Amor sublime amor' funciona mas é bizarro).
Eu acho que William Wyler faria um bom espetáculo também, até por que sou mais ele que Wise, e tenho dito. Mas, não desmereço este belo trabalho. A Julie estava inspirada e mereceu o Oscar neste e não pelo Mary Poppins(aproveitando seu momento de 'postagens clássicas infantis/juvenis', postará algo sobre este também? que tal? hein, hein? rsrs)
Marni Nixon tinha uma voz linda, cativou-me em várias dublagens! Epa, outra coisa: o Christopher Plummer não é desastre, mas o mais contido no filme, acho que é muito de acordo com o personagem. Pelo menos pra mim, eu gosto bastante dele, sempre.
Abraço, belo texto!
Nunca o vi todo, de princípio ao fim, mas o que vi sempre me deliciou bastante.
Um marco do cinema musical que tenho que rever em breve ;)
Cumps.
Roberto Simões
CINEROAD - A Estrada do Cinema
Oii
Rô, demorei pra comentar mas apareci. Tô gostando, como disse o Cris, desse momento de postagens clássicas/infantis/cults. Haha, isso aqui tá excelente! Tô aqui pensando qual será o próximo...
Uma coisa eu concordo com você O Som da Música ia ficar horrível traduzido. Gosto dele sim, mas no inglês só, até pq a canção que deu nome a ele acho bonita; ela e aquela abertura aérea que vcê citou. Algumas coisas soam boas só no original. Mas eu adoro "A Noviça Rebelde", título e filme.
Embora eu tenha o disco duplo com extras eu não sabia nem de metade das coisas que li aqui. Não sabia que a Natalie Wood havia sido duplada. Que tal se você fizesse um post sobre essas coisas? Nos extras de My Fair Lady lembro que contava sobre essas "dublagens", se foi isso que você quis dizer, mas nunca prestei atenção. Fico intrigado com isso.
Infelizmente parece que hoje em dia ninguém liga mais pra esses musicais tirando nós claro. Até um tempo atrás sim, as crianças assistiam. Bom, você vê isso até em filmes ou em séries. Mas hoje tá tão apagado. Não sei, tenho essa idéia. Pode ser errônea, mas eu penso isso.
E eu to com vontade de rever todos que você postou desde o ano novo! Sendo que eu tenho um monte na minha lista ainda pra ver.
Abraçooooo!
Postar um comentário