
LEITOR, VOCÊ ACREDITA NO AMOR?
Quando nos anos 1980 estreou, e fez muito sucesso por aqui, o filme Em Algum Lugar do Passado, com o superman Christopher Reeve, era difícil explicar para as pessoas que ele nada mais era do que uma reciclagem deste clássico romântico que falarei: uma das fitas mais emocionantes do gênero um belo retrato de: O RETRATO DE JENNIE, filme de 1948 produzido por DAVID O. SELZNICK (E O VENTO LEVOU) e dirigido por William Dieterle.

Parece que o produtor não tinha muita confiança na sua própria mensagem porque ultilizou várias epígrafes e citações (de Keats a Eurípides), além de um narrador que pretensiosamente se pergunta: o que é tempo? Espaço, vida, morte? Será que viver não é como morrer ou vice-versa? E afirma que é preciso ter fé para envolver com mais facilidade na história. Hoje em dia, em tempos mais místicos, não é preciso desculpas para convencer, nesta história sobre uma jovem que morreu sem ter conhecido o amor e seu espírito, como fantasma, retorna para encontrar o homem de sua vida. Como ela afirma em suas sete aparições,primeiro cantando uma música misteriosa: " De onde eu venho ninguém sabe, para onde eu vou, todos vão."
Com a ajuda de uma esplêndida fotografia, o filme de Dierterle, delicadamente nos convence que um pintor, personificado por JOSEPH COTTEN ( CIDADÃO KANE; A SOMBRA DE UMA DÚVIDA) encontra num parque gelado (set incrível) uma adolescente chamada Jennie Aplleton, que lhe deixa uma echarpe. No segundo encontro, patinando no mesmo parque, ele confirma que a jovem é misteriosa, filha de artistas de vaudeville e que deseja pintá-la.

O filme so apresenta um defeito: as tramas paralelas que não chegam a interessar. Nem tanto a marchand - Ethel Barrymore, que ajuda o artista, mas o subtema irlandês e o painel que ele tem de pintar num restaurante para sobreviver. O fato é que em determinado momento, quando acerta pintar o retrato dela, já se sabe que Jennie é um fantasma que não tem consciência muito clara do que está fazendo ali. Isso só será resolvido num grande clímax em Cap Cod, num lugar nominado Land´s end point, onde finalmente o casal se reencontrará para toda a eternidade.
Como diz a fita: " O tempo cometeu um erro, mas como ele esperou por Jennie, agora o amor de ambos será eterno."
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Não há dúvida que esse é um belo apelo irresistível para qualquer um que acredita no AMOR! E com uma tese muito interessante, já que a ciência diz que o tempo não existe, será que a pessoa certa para nós não poderia ter vivido em outra época e se desencontrado de nós? E será possível existir um amos tão forte que nem o tempo nem o mundo poderão quebrar?
Essa tese desbragamente romântica é muito bem contada numa direção perfeita: tom certo de interpretação, Jennifer Jones sempre está um tom acima dos demais atores, passagem de cenas com belo uso de trucagens e efeitos e, principalmente, visual estilizado. Um delicioso delírio, ainda pouco conhecido,neste que é um dos filmes que o produtor Selznick realizou para a sua esposa, ela mesma, a estrela - Jennifer Jones, numa produção complicada. Chegou a estrear em algumas salas de cinema usando até um ciclorama para dar maior ênfase às cenas finais de tempestade, feito que acabou ganhando um Oscar de efeitos especiais. Também concorreu aoi prêmio da Academia como melhor Fotografia. O filme em P&B torna-se colorido na cena final ( a que mostra o retrato de Jennie) e usa um filtro esverdeado para as cenas de tempestade.
Uma das estudantes da cena final no museu depois viraria estrela na METRO, Anne Francis de - O Planeta Proibido. O retrato de Jennifer usado no filme depois passou para a coleção privada da atriz e de seu marido, e anos mais tarde, pelo marido seguinte dela, Norton Simon. Ao custo de três milhões de dólares, na época uma enorme quantia, e oito tumultuados meses de filmagem, o filme ficou 20 meses em produção total. Dizem que o fotógrafo Joseph August sofreu um enfarte e morreu como resultado de tanta pressão que sofrera. E que Jennifer nunca chegou a ver o filme pronto. De qualquer forma, os excessos e o fracasso de bilheteria fizeram com que o produtor Selznick vendesse seu lendário estúdio independente e o contrato que tinha com vários atores que havia descoberto, como: Grecory Peck, Louis Jourdan, Rhonda Fleming etc...
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'O retrato de Jennie'
'O retrato de Jennie'
EUA - 1948
Preto e Branco
Romance
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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Uma produção de David O. Selznick
The Portrait of Jennie
Estrelando: Jennifer Jones
Joseph Cotten. Ethel Barrymore
Co-estrelando:
Lilian Gish
Cecil Kelaway. Anne Francis
David Wayne. Henry Hull. Florence Bates
Albert Sharp. Clem Bevans e Felix Bressart
Escrito Por
Peter Berneis. Paul Osborn
Adaptação de Leonard Bercovici
Baseado no romance de Robert Nathan
Fotografado por Joseph August
Desenho de produção Joseph Platt e McMillian Johnson
Música de Dinitri Tiomkin
Direção
WILLIAM DIETERLE

9 comentários:
Ah, Ro!
Mais um de seus melhores posts!
O Retrato de Jennie é citado como um dos melhores filmes da década de 40 por várias revistas americanas, até hoje - o curioso, é que poucos conhecem, poucos mesmos. Nunca foi um filme muito popular, nem evidente.
E é tão lindo, tão delicado, aho a atuação de Cotten emocional até, gosto da maneira como ele interpreta e o olhar...
Vi este filme há uns 2 anos.
Mas, foi emprestado.
Onde achou?
Depois me fale, eu quero rever! rs
Cris: Romance clássico.
sempre gostei do Cotten tbm. Já assistiu A Sombra de Uma Dúvida do Hitchcock? Vi recentemente. Um ator de olhares mesmo!
Achei na locadora da minha cidade e já tinha visto na Cabo TV, achei interessante lembrar dele, e fazer algumas pessoas saberem da existência deste filme, como vc disse, não é muito popular, nem na época e muito menos hj!
Abs!
Eu acredito no amor e muitos contribuem com essa minha crença.
ABRAÇOS
muitos FILMES, eu quis dizer.
BRENO: Entendo. Mas a vida real tbm tem vários capítulos ...é uma saga !
Abs!
Ual, o que diria eu agora?! hahaha
Rô, também gostei muito do teu post. Vejo sempre esse dvd na Saraiva e não sei pq, mesmo sabendo da sinopse, me lembrava meio O Retrato de Dorian Gray.
Achei bastante curioso que tenha citado o Em Algum Lugar do Passado. Hum. E também a reflexão que fez sobre a questão do tempo... viver em outra época. Gostei.
Ahh.. que chato, não consigo falar pq nunca assisti mas vc me deixou aflito pra procurar. Pena que depois da viagem não restou dinheiro nenhum =// Se não... comprava o conhecido título no shopping. Tenho medo de passar lá algum dia e não ver mais. Bom, vc sabe como são essas coisas pq tb coleciona. =]
Abração!
Paulo,
coisa de colecionador, eu sei. Mas agora estou a procura de outrra coisa..um AMOR..rs!
Que bom que gostou e mesmo nao ter assistido ao filme, sabe comentar.
Abs!
Oi Rodrigo,
Saudades de ti, hein!?
Mais um post maravilhoso no Cine Rodrigo. Não conheço o filme mas gostei dele ser referência da obra com Reeve. Tão lindo!
Sabe o que me chamou a atenção na sua resenha? A parte que fala do amor e do tempo. Esse apelo de que, não importa o tempo, o amor está em algum lugar ou pode ser reencontrado em algum lugar é bem contemporâneo em romances que quebram estas fronteiras atemporais. Amor além da vida é um destes (apesar que o acho mais espiritual), enfim... é um apelo romântico, acima de tudo!
bjs!
Madame: Saudades suas tbm , logo irei comentar no M.Lumière.
De fato, nós temos todo o tempo do mundo para amar..aprender, na verdade, rs!
O filme do Reeve é tão bonito e interessante quanto Jennie.
Bjokas!
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