quarta-feira, 23 de junho de 2010

MICHAEL CURTIZ/ WILLIAM KEIGHLEY | AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD

A LENDA E O CLÁSSICO

Muito tempo antes do diretor Ridley Scott e o astro Russell Crowe apresentarem na Abertura Oficial de Cannes deste ano a lenda de ROBIN HOOD, ERROL FLYNN já roubava dos ricos para dar aos pobres engrandecendo as telas de cinema há 72 anos.

É emocionante acompanhar a premissa e assistir as façanhas do lendário herói, que vivia nas florestas de SHERWOOD, roubando dos ricos para dar aos pobres, lutando contra Guy de Gisbourne e o xerife de NOTTINGHAM para salvar o trono do ausente rei Ricardo Coração de Leão.
O filme foi premiado com os Oscars de: Trilha Musical, Direção de Arte (cenografia) e Montagem. Na época foi a fita mais cara até então rodada pela produtora WARNER (mais de dois mulhões de dólares em Technicolor). A floresta ficava em Chico, na Califórnia, e o concurso de arqueiros foi rodado em Busch Gardens, em Pasadena.
Há dois diretores porque acharam que faltava ritmo ao trabalho do primeiro contratato WILLIAM KEIGHLEY e o substituíram por MICHAEL CURTIZ (o mesmo diretor de CASABLANCA), apesar dele não se dar com FLYNN. Aliás, este foi o terceiro filme de Erron Flynn fazendo dupla com a ótima OLIVIA DE HAVILLAND (de E O Vento Levou, como Lady Marian), que na vida real era apaixonada por ele, mas nunca teve concretizado o romance. De fato o casal tinha química dentro e fora da tela.Flynn causou problemas nas filmagens dizendo-se aborrecido com o personagem e provocando atrasos com sua péssima memória para diálogos e mau humor (apesar de lindo, tinha esses defeitos). BASIL RATHBONE, que faz o vilão Sir. Guy, embora fosse melhor espadachim que Flynn, foi quem se feriu na famosa cena de fuga do castelo, ao cair e ser pisoteado pelos figurantes. O ferimento no pé direito precisou de oito pontos. O cavalo que Olivia usa é o mesmo que depois ficaria famoso como o Trigger de Roy Rogers.
Caro leitor, insisto que nem considerem a medíocre refilmagem com Kevin Costner (assistam a do Ridley Scott que tem graça e é um épico bem produzido diga-se de passagem) - porque até Costner admitiu que errou no sotaque. Melhor dizendo, levem sim em consideração, pois, não conseguem mais fazer aventuras de capa e espada (Swashbuckler) como as de antigamente nos tempos de Fairbanks e Flynn. Ninguém sabe mais usar roupas antigas ( e meio ridículas), ter postura correta e falar inglês classicamente sem gírias; com exceção dos atores ingleses Shakespereanos. É preciso ser muito "macho" para usar calças de malha verdes, como fez Flynn nesta que é provavelmente seu melhor filme de aventuras. Além de tudo, um esplendor Technicolor! Coisa rara ainda na época.
O fato é que é preciso se valorizar esse gênero de filme que saiu de moda ( ao menos algumas produções como Piratas do Caribe são aventuras um tanto fiéis) simplesmente porque é muito complicado de ser realizado. É preciso, além dos atores certos ( e aqui todos os coadjuvantes são ótimos e marcaram para sempre os personagens, nas dezenas de imitações que o seguiram), ter a capacidade de encenar belas coreografias de espadachim e conseguir bom texto (reparem como o filme é bom humorado) - apesar de muitas frases de boca cheia: " É injustiça que eu odeio e não os Normandos" - afirma Robin. Sem esquecer a excelente produção da Warner Brothers, a direção de arte e as próprias cenas de ação, todas exemplares! Uma delícia de aventura que só o cinema pode proporcionar.

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD
'The Adventures of Robin Hood'
de William Keighley e Michael Curtiz
EUA - 1938
Aventura
104'
Colorido
WARNER
✩✩✩✩✩
EXCELENTE


ERROL FLYNN em:
THE ADVENTURES OF
ROBIN HOOD
roteiro:
Norman Reilly Raine  
Seton L. Miller
produzido na First National e Warner Bros.

fotografia de:
Tony Gaudio 
Sol Polito 
W. Howard Greene

música: Erich Wolfgang Korngold

Também estrelando:
Olivia de Havilland    Basil Rathbone 
e Claude Rains

Co-estrelando: 
Patrick Knowles  Eugene Pallette
Alan Hale  Ian Hunter  Melville Cooper
Una O´Connor   e Howard Hill

DIREÇÃO;
MICHAEL CURTIZ  .  WILLIAM KEIGHLEY

5 comentários:

Fábio Henrique Carmo disse...

Esse gênero de aventuras de época é mesmo ótimo, mas se torna cada vez mais difícil acertar o tom. Veja o exemplo de "Príncipe da Pérsia", do mesmo estúdio e produtor de "Piratas do Caribe". O filme é bom/mediano, mas bem abaixo do sucesso do filme dos piratas. Parabéns pelo blog, Rodrigo, cheio de curiosidades. Abraço!

Rodrigo Mendes disse...

Oi Fábio. Obrigado pelo comentário!

Tem razão,mas eu prefiro MIL vezes 'Piratas Do Caribe' que tem graça e diverte muito do que o irregular 'Príncipe da Pérsia', que nem considero filme tradicional de capa e espada.

O problema dos filmes produzidos pelo Jerry Bruckheimer na qual ele tem total controle criativo junto aos diretores, é que ele gosta de fazer filmes para dor de cabeça. Nem pílulas resolvem. Piratas do caribe é o melhor feito dele (embora tenha esses momentos de barulhada e câmera deslocada) a presença de Johnny Depp teve toda a diferença. Salvo!

Errol Flynn foi o digno herói dos filmes de espadachim assim como Douglas Fairbanks. Depois nunca mais se teve notícia deste perfil de ator e personagem.

Abraço.

Elton Telles disse...

Olá Rodrigo!
Justamente, de todas as adaptações do Robin Hood, assisti aquela diarréia do Kevin Costner rs. Péssimo! Isso já faz um tempo e isso me fez até virar as costas para esse herói e sua historia. Ainda não conferi a versão de Scott com Russell Crowe - e confesso que nem me apetece.

Esse do Errol Flynn, poroutro lado, parece ótimo! Terei de fazer uma busca rs.


abs!

Rodrigo Mendes disse...

Oi Elton!

A versão com Costner é trash!

A versão do Scott c/ Crowe é bem produzida. Um filme mais simpático dos dois. Não espere ver algo sério como Gladiador.

A versão c/ Errol Flynn é a definitiva para mim. Um digno filme de aventura na velha escola de capa e espada. Assista!
Abs.

Emmanuela disse...

Oi Rodrigo !!

Saiu uma coleção espetacular no ano passado da Folha de São Paulo com 20 clássicos da Warner, eu tive a oportunidade de adquirir a coleção e "Robin Hood" de Flynn estava incluso entre as obras. Você acredita que ainda não assisti?? Depois do seu estusiasmado texto não perderei mais tempo!

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