sábado, 3 de dezembro de 2011

JOSEF VON STERNBERG | O ANJO AZUL

O MESTRE E A PUPILA

Um professor de escola secundária alemã Immanuel Rath, se apaixona por uma cantora de night-club chamada Lola-Lola. Casam-se. Logo, ela o humilha, arruinando sua vida. Estrelado por MARLENE DIETRICH e EMIL JANNINGS e dirigido por STERNBERG (O EXPRESSO DE XANGAI).


De volta aos clássicos! Alguns vão achar MARLENE DIETRICH (1901-1992) gordinha, ou ao menos rechonchuda, num padrão de beleza germânica a que não estamos mais acostumados. Outros vão constatar que o filme é em muitos adjetivos: pesado, depressivo e trágico. É bom lembrar que a fita foi rodada em 1929, apenas um ano e meio após a chegada do cinema sonoro.


O austríaco JOSEF VON STERNBERG (1894-1969) foi à Alemanha convidado a dirigir um veículo para o maior astro daquele país, me refiro ao ótimo EMIL JANNINGS (1884-1950) que atuou em vários filmes, os mais famosos dirigidos por Murnau: A Última Gargalhada (1924) e Fausto (1926), e que havia sido o primeiro ator a ganhar o Oscar de Hollywood em 1927. Escolheu um romance bem apanhado escrito por HEINRICH MANN (1871-1950), irmão do escritor THOMAS MANN (de Morte em Veneza que Visconti transformou em filme em 1971), mudando o nome “O Professor Urath” para o título de O ANJO AZUL, que na fita era o nome de uma boate.


O maior problema foi escolher uma atriz para o papel principal, a Lola-Lola, um nome duplo porque assim era duas vezes mais sexy. O diretor Sternberg viu Marlene em uma peça e a contratou contra oposição geral. Ele estava certo. A lenda é tão forte que a doce Marlene até o fim da vida, manteve a fama de ter as pernas mais belas do cinema. 
 Muitos críticos americanos vêem no filme uma previsão do nazismo que tomaria conta da Alemanha, principalmente no comportamento dos estudantes. O diretor sempre negou qualquer intenção polêmica, dizia que conhecia mal o país e que só foi buscar inspiração em sua própria imaginação. Mas são evidentes as influências do expressionismo germânico no décor – a deformação das ruas e das casas- e na iluminação clara-escura baseada em contrastes, é bem noir. Fica explícito onde Bob Fosse foi buscar inspiração para dirigir Cabaret, por exemplo, até porque Lola-Lola tem o visual de Sally Bowles.

A premissa é a clássica decadência e destruição de um homem por uma vamp. A darling Marlene dá a exata medida de sensualidade e vulgaridade à sua Lola-Lola. Jannings era realmente um ator excepcional, uma lenda do cinema, mesmo ainda conservando alguns de seus tiques do cinema mudo, uma tendência a exagerar e por vezes cai na caricatura.


O que não envelheceu foi o trabalho de direção. Com efeitos de som ousadíssimos para os padrões da época, como por exemplo, portas que se fecham interrompendo assim as músicas e sons que partem de fontes desconhecidas. Nada de teatro filmado. Toda a música que toca no filme está vindo de um ensaio ou de um coro, com uma única exceção na sequência final. A decadência do professor de Sternberg resolve-se em apenas três sequências e conclui-se lindamente de forma brilhante. O filme todo é realizado com uma câmera parada de forma muito discreta. Só há dois movimentos; um recuo que se repete duas vezes: na despedida do professor de sua escola e na patética cena final. Certamente, um dos mais bonitos travellings do cinema, sem exageros.


“O Anjo Azul” foi rodado em duas versões, em alemão e em inglês. Antes mesmo da estréia, Sternberg viajou com Marlene para os Estados Unidos, onde ela foi contratada pela Paramount como a “rival de Garbo” e onde iria fazer MARROCOS, com Gary Cooper. Lá, Sternberg acabou de moldar a estrela, fez com que ela emagrecesse cerca de dez quilos. Corrigiu seus defeitos com a iluminação já que o seu nariz não fica bem de perfil, e a transformou numa figura lendária. Embora tenha escondido os fatos antes deste filme, Marlene não era uma estreante, já tinha trabalhado em 17 filmes. Sternberg e Marlene fariam sete filmes juntos (meu favorito é O Expresso de Xangai, 1932), num caso clássico de “Pigmaleão e Galatéia”, ou seja, o mestre que ensinou tudo à sua pupila.

 O carisma de Marlene é tão grande que quando o filme foi refilmado em 1959, com a sueca May Britt e Curd Jurgens, direção de Edward Dmytryk, numa cópia fiel, porém medíocre: o fracasso foi total. Marlene marcou para sempre a canção tema, que é nada mais e nada menos do que um convite ao pecado, dizendo: “Sou toda amor da cabeça aos pés”.


ALEMANHA – 1930
DRAMA
FULLSCREEN
98 min.
PRETO E BRANCO
CONTINENTAL
LIVRE
✩✩✩✩ ÓTIMO



UNIVERSUM FILM (UFA) APRESENTA
UM FILME DE JOSEF VON STERNBERG
DER BLAUE ENGEL/THE BLUE ANGEL
Estrelando:
 MARLENE DIETRICH. EMIL JANNINGS
KURT GERRON e HANS ALBERS
Música de FRIEDRICH HOLLÄNDER
Fotografado por GUNTHER RITTAU e HANS SCHNEEBERGER
Montagem por: S.K. WINSTON. WALTER KLEE
Figurinos TIHAMER VARADY Direção de Arte OTTO HUNTE
Produzido por ERICH POMMER
Escrito por
ROBERT LEIBMANN. KARL ZUCKMAYER e KARL VOLLMOELLER
Baseado no livro de HEINRICH MANN
Dirigido por
JOSEF VON STERNBERG
Der Blaue Engel/ The Blue Angel ©1930
A Paramount Picture (USA)/UFA (GER)


8 comentários:

renatocinema disse...

Filme tocante, imperdível e que tenho com orgulho em milha coleção.

Marlene da uma aula de interpretação. Ao pé da letra.

Alan Raspante disse...

Conhecia o filme, mas não sabia de sua história. Ual! Gostei bastante, fiquei mega curioso... Já ia falar qua ainda não tinha visto nenhum filme com a Dietrich, mas me lembrei que já tinha visto "O Julgamento de Nuremberg".

Ótima postagem!

Abs Rodrigo!

Rodrigo Mendes disse...

Um clássico absoluto e que não envelhece Renato. A primeira das vamps do cinema!

abs.

Emmanuela disse...

Amo! Sensual e pungente em medidas idênticas!

Um grande abraço!!

Jefferson C. Vendrame disse...

Rodrigo Parabens pelo Blog, Cada vez que venho aqui fico impressionado com a qualidade de seus textos e com todo o deseign da sua pagina,

Quanto ao filme, não é um de meus preferidos, justamente por aquilo mesmo que vc diz no inicio do texto, eu o acho pesado, triste e pesado, é demais pra mim.... kkkkk mas mesmo assim um grande clássico sem dúvidas.....

abração

Rodrigo Mendes disse...

EMMANUELA: Gostei das suas palavras. Beijos!

JEFFERSON: Muito obrigado meu caro e fico feliz que aprecia o CR!

Não gosta de O Anjo Azul? Poxa eu adoro! Um classicão e que pernas da lady darling Dietrich.
Abs.

Unknown disse...

Marlene Maravilhosa, faz questão de dar o justo ponto para a trama... Imperdível!

;D

Rodrigo Mendes disse...

Exatamente KARLA! E que pernas as dela, rs!
Bjs.

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