SESSÃO DINOSSAURO
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KONG A OITAVA MARAVILHA DO MUNDO!
Uma equipe de filmagem viaja para uma ilha tropical perdida da civilização (Ilha Da Caveira), um lugar exótico que esconde uma tribo indígena, animais pré-históricos e um gorila gigante. O animal acaba se apaixonando pela estrela loira da fita, Ann Darrow (FAY WRAY) e acaba sendo capturado pelos exploradores e levado para a cidade. Dirigido por MERIAN C. COOPER e ERNEST B. SCHOEDSACK e produzido por DAVID O. SELZNICK. Refilmado por John Guillermin (1976) e Peter Jackson (2005).
Uma das maravilhas do mundo, o gorila gigante KONG, o rei de uma ilha perdida, “A Ilha Da Caveira”, não poderia faltar na série Sessão-Dinossauro por razões óbvias. Esta aventura jurássica é um clássico colossal realizada por dois cineastas aventureiros: Cooper (1893-1973) e Schoedsack (1893-1979). Amigos inseparáveis, os diretores já haviam realizado documentários selvagens como CHANG: A DRAMA OF THE WILDERNESS (1927) sobre um grupo de elefantes que perturbam a vida de uma aldeia nas selvas do norte de Siam.
O querido estúdio Warner Brothers, meu distribuidor predileto, fez o favor de lançar o filme remasterizado em Blu-ray (2010) que além de apresentar o filme original de 1933 inclui cenas que originalmente foram consideradas chocantes para a época. Além de apresentar um documentário delicioso e muito detalhado com depoimentos de críticos de cinema, artistas e escritores, produzido pela firma de Peter Jackson a Wingnut Films (Jackson também aparece falando sobre a obra que o influenciou muito), mostra projetos inacabados dos diretores, conta a vida de Cooper e Schoedsack, verdadeiros homens visionários, criativos e que adoravam arriscar as próprias vidas para documentar e fazer cinema. Mostra toda a nostalgia de gerações e de como “Kong” foi um filme a frente de seu tempo, desafiando as limitações tecnológicas de uma época que vivia a depressão econômica e também pela incrível história que engloba aventura, horror e romance dos tempos antigos.
Este marco do cinema foi o campeão incontestável de todos os filmes de monstros e um marco absoluto na utilização dos efeitos especiais. Na verdade, sem “King Kong” não haveria muitos dos filmes do gênero que conhecemos hoje, pelo menos no que diz respeito ao uso agressivo dos efeitos especiais como veículo cinematográfico blockbuster e de arte.
Realmente a fita mostra os primórdios de Hollywood no grande passo e avanço da tecnologia. Não tem como negar que o filme é até hoje uma das mais duradouras e adoradas obras-primas e é essencialmente uma versão símia da fábula A BELA E A FERA (“E foi a Bela que matou a Fera”), condenada a morrer pelo seu grande amor. Assim sendo, a fita é narrada sem o final feliz e em proporções gigantescas (Kong escalando o Empire State e selando o seu destino).
A famosa e comentada cena da aranha gigante (Pit Sequence) que esta perdida e que foi cortada da versão original por ser considerada chocante, acabou sendo refeita quando o apaixonado pelo filme, Peter Jackson (na época realizava o seu King Kong), reuni a sua equipe da Weta Workshop na Nova Zelândia com auxílio de Frank Darabont e Rick Baker e juntos, apresentam esta fabulosa sequência que acaba tendo um resultado interessante. Especialmente lançado nesta edição do Blu-ray.
O filme foi o primeiro trabalho que buscou uma sonoridade original. O pioneiro foi o sonoplasta que veio do rádio: MURRAY SPIVACK (1903-1994) que praticamente inventou o timing dos efeitos sonoros que se segue até hoje. Outra figura importante nesta obra pioneira é o compositor MAX STEINER (1888-1971) conhecido por ter trabalhado nos filmes E O VENTO LEVOU (1939 –produção de Selznick) e CASABLANCA (1942). Steiner foi o responsável por criar músicas, temas diferenciados para cada personagem e cena. Pode-se afirmar que “Kong” foi o primeiro filme a trabalhar música orquestrada diretamente com os efeitos sonoros. Na década de 20 em filmes mudos, apenas era composta uma música completa que se ouvia do início ao término da projeção que se explicava por títulos. Este filme quebrou esta fórmula básica e Steiner é certamente um pioneiro na orquestração cinematográfica moderna. Sem este trabalho precursor e experimental provavelmente jamais existiria os temas musicais para tantos filmes que conhecemos hoje.
O trabalho da dupla inseparável Cooper/ Schoedsack mistura lindamente um inovador trabalho com maquetes e identificação emocional a um grau raras vezes reproduzido pelas centenas de imitações que, inevitavelmente, se seguiram depois dele.
A premissa é obviamente simples e se dá a partir do ancestral conflito entre cidade e natureza. O filme tem dois grandes atos que exemplifica muito bem essa afirmação. Uma expedição (equipe de cinema) chega num lugar de nome agourento – Ilha Da Caveira – que não se localiza nos mapas locais, um lugar perdido do mundo e de toda a civilização “moderna”. O diretor da fita Carl Denham (ROBERT ARMSTRONG) é atraído pela idéia gananciosa de que um gigantesco gorila pré-histórico, temido e adorado pelos nativos locais, possa ser trazido para a cidade de Nova York e ser explorado como atração turística. Mas é claro que o animal não aceita ser tratado dessa maneira. Eles conseguem levar o bicho para a metrópole, mas o poderoso Kong escapa em uma fúria devastadora, destruindo tudo que encontra pela cidade. Na verdade o monstro apaixonado deseja somente sua adorável e bela Ann Darrow, uma Fay Wray esplêndida e o seu grito é o mais famoso da história do cinema (depois veio Janet Leigh).
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| A Bela olhou para a Fera e deste dia em diante a fera estava condenada! |
Todas as cenas e sequências fantásticas passadas na Ilha continuam impressionantes até os dias de hoje, desde quando Kong se apresenta para a mocinha (que grita loucamente) no ritual da tribo e começa a rosnar e bater no peito. Até uma variedade de outras criaturas, os dinossauros que vivem neste Mundo Perdido (certamente a fita The Lost World, de 1925 serviu como base de inspiração pare o filme da RKO). Todos esses momentos são de tirar o fôlego e o chapéu pela excelência da produção em uma época em que os refrigerantes ainda eram tampados com rolha. Adoro assistir os heróis enfrentando perigos implacáveis para procurar a raptada Darrow que é levada pelo monstro. Kong fica intimado pela beleza de Ann, e quando inevitavelmente escapa de seu cárcere e vaga pela cidade de Nova York, a primeira coisa que faz é capturar sua bonequinha loira e mantê-la como prisioneira de seu amor. O que ele faz é escalar o mais alto edifício da terra e afastar aviões de caça da Primeira Guerra que o irrita como moscas. O final todos já sabem, Kong acaba preferindo sacrificar a própria vida a ferir a moça e que dá ao filme a tão famosa frase final: “Foi a bela que matou a fera.”
O ponto alto de “King Kong” é o fato de o macaco gigante mudar de personalidade em uma das melhores criações de Stop-motion da história do cinema. Ele começa na história como um vilão temido, o antagonista que mata sem piedade (o Kong original é malvado) e depois se transforma em um apaixonado, trágico e cativante personagem. Sentimos dó dele no final e até choramos, mas no começo sentimos um pavor horripilante ao vê-lo. Tudo isso é a prova de um complexo, minucioso, paciente e corajoso trabalho de um terceiro nome que representa muito bem a fita (além dos diretores), me refiro ao chefe técnico dos efeitos especiais do filme WILLIS H. O´BRIEN (1886-1962) um homem pouco conhecido, mas que contribuiu muito para a sétima arte (ganhou um único Oscar em 1950). Trabalhou nos efeitos de stop-motion de “O Mundo Perdido” (1925) e de vários projetos inacabados como o filme “Creation” (1931) de apenas quatro minutos de projeção, e que foi um trabalho que ajudou a moldar King Kong. Neste trabalho quadro-a quadro, O´Brien e o futuro mestre da técnica RAY HARRYHAUSEN que trabalhou como seu assistente, mostra as facetas da técnica que veio da animação, passada para objetos e modelos vivos como Kong. A personalidade do personagem é forte ao uso deste efeito, tão espetacular que os produtores resolvem creditar o próprio Kong como sendo parte do elenco!
Teve uma continuação THE SON OF KONG (1933) que com o sucesso antecessor se confirmou imediatamente. Dirigido apenas por Schoedsack conta que após os resultados desastrosos da sua última expedição, Carl Denham sai de Nova York a bordo de um navio para não se responsabilizar pelos problemas que Kong cometeu e que obviamente a culpa era dele mesmo, um homem arrogante e egocêntrico. Assim, após um motim, ele e alguns amigos são deixados para trás na Ilha Da Caveira onde eles encontram um filhote Kong. Ainda, Schoedsack dirige mais um exemplar (Cooper na produção) “Poderoso Joe” (Mighty Joe Young, 1949), uma produção ainda mais audaciosa e grandiosa sobre uma mulher que trouxe a tona o seu gorila de estimação, Joe, que por acaso é gigante. Há uma versão divertida sessão da tarde com Charlize Theron e Bill Paxton.
Embora seja um filme B, Kong acelerou o fetiche dos americanos por efeitos especiais e pode-se dizer com segurança que, graças a esta fita, muitos dos filmes de Steven Spielberg, Peter Jackson, James Cameron, Joe Johnston e George Lucas, se concentram bem mais no espetáculo visual do que na trama propriamente. Todavia, ao contrário do que se pensa em relação aos exercícios em efeitos visuais contemporâneos, a coroa ainda é de sua majestade Kong, fadada a durar eternamente graças ao grande trabalho dos cineastas e técnicos, mas em grande parte à “interpretação” do amado macaco gigante. A oitava maravilha do mundo.
EUA - 1933 - SONORO
AVENTURA
WIDESCREEN
104 min.
PRETO E BRANCO
WARNER
10 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
RKO RADIO PICTURES apresenta
KING KONG
Estrelando:
FAY WRAY. ROBERT ARMSTRONG. BRUCE CABOT
FRANK REICHER. SAM HARDY. NOBLE JOHNSON
STEVE CLEMENTE. JAMES FLAVIN
STEVE CLEMENTE. JAMES FLAVIN
& KING KONG “a oitava maravilha do mundo”
Roteiro de JAMES A. CREELMAN e RUTH ROSE
História e argumento por EDGAR WALLACE e MERIAN C. COOPER
Chefe técnico e supervisor de efeitos especiais WILLIS H. O´BRIEN
Fotografado por
EDDIE LINDIN. J.O. TAYLOR. VERNON WALKER. KENNETH PEACH
Montagem TED CHEESMAN. Direção de Arte CARROLL CLARK
Figurinos por WALTER PLUNKETT Modelagens MARCEL DELGADO
Efeitos Sonoros MURRAY SPIVACK
MÚSICA DE MAX STEINER
PRODUTOR EXECUTIVO DAVID O. SELZNICK
Produzido e Dirigido por
MERIAN C. COOPER & ERNEST B. SCHOEDSACK
MERIAN C. COOPER & ERNEST B. SCHOEDSACK
King Kong ©1933 RKO Radio Pictures Inc.













10 comentários:
Amigo disse tudo: "Este marco do cinema foi o campeão incontestável".
Adoro esse filme.
Gosto do King Kong de Peter Jackson. Esse eu nunca vi...
Renato: Um colosso amigo! Um filme memorável. Abs.
Britto: Orra cara! Assista pq este é o original e garanto que vc vai gostar.
Abs.
post indicado para melhores da semana.
http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/12/links-da-semana-12-18-de-dezembro.html
Há! Tenho que rever!! =(
Fay Wray for the win! Peguei na sexta-feira com um amigo o original e o de 76 - que nunca vi. Farei isso assim que tiver um tempo nessa semana fatídica rs
abs, man!
Obrigado CARLA! Vc é um amor e sempre dedicada no Grupo de Blog Cinema Clássico!
Bjs:))
ELTON meu caro! King Kong (33) é fhodástico! Adoro! Uma das melhores aventuras do cinema. Reveja, claro! O de 76 é o mais fraco, mas é um cult notável. A história deste não tem nada a ver com este e com o remake de Jackson.
Abs man!
Ainda não tive oportunidade de assistir à versão original e já tem um bom tempo que quero muito fazê-lo... este filme rende uma série de metáforas com o contexto social no qual ele foi produzido... O último remake ficou bem aquém de minhas expectativas, acho que isso aconteceu porquê eu tentei achar nele algo que só poderia achar neste...
King Kong é um marco nos efeitos especiais. O modo como algumas sequências foram feitas permanece um mistério até hoje. E pensar que o macaco gigante era um boneco de 45 cm!
Não sabia sobre a sincronização de som.
Fiquei com muita vontade de ver a sequência da aranha gigante!
Abraços!
BRUNO: Assista este original. Creio que o próprio Peter Jackson acha seu filme inferior so jurássico KING KONG! Fez apenas para saciar seu fetiche já que ele é um fã assumido e até trágico do filme.
Abs.
LÊ:É mesmo, Kong é um marco nos efeitos...gostaria de ter uma réplica do macaco original de 45 cm!
Recomendo o Blu-ray edição especial do filme, lá vc encontrará inúmeros extras e Jackson realizando esta sequência perdida. É animal!!!
Bjs.
King Kong é ótimo, gosto das duas versões, sou fã do Peter Jackson, adoro seus monstros tanto na obra The Lord Of The Rings quanto os do Kong (o que são aqueles insetos gigantes...aaaff...) o som do remake também é mto ótimo o que me faz assistir sempre, quanto ao original, basta uma palavra: ORIGINAL.
Abração Rodrigo, Parabéns pelos ótimos textos....
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