domingo, 11 de dezembro de 2011

MILOS FORMAN| UM ESTRANHO NO NINHO

TODOS NÓS ENLOUQUECEMOS ÀS VEZES

Depois de chegar em uma Instituição Mental, um homem, condenado a alguns meses de prisão por manter relações sexuais com uma garota de 15 anos e que resolve convencer as autoridades que é louco para escapar do trabalho presidiário, ousa desafiar a rotina deste hospício onde uma enfermeira realiza um trabalho ditador.


JACK NICHOLSON foi o grande vencedor do Oscar de Melhor Ator ao representar McMurph em um de seus melhores filmes (na categoria de O ILUMINADO, MELHOR É IMPOSSÍVEL e OS INFILTRADOS) nesta corajosa produção de MICHAEL DOUGLAS e SAUL ZAENTZ para um filme do exímio cineasta Tcheco radicado nos EUA, MILOS FORMAN (AMADEUS, HAIR, PROCURA INSACIÁVEL, NA ÉPOCA DO RAGTIME, O POVO CONTRA LARRY FLINT, VALMONT, O MUNDO DE ANDY) que atualmente parou de realizar grandes fitas. Sua recente direção foi para o filme sobre a vida de FRANCISCO GOYA que teve resultado irregular. 



“UM ESTRANHO NO NINHO” é baseado no livro de KEN KESEY chamado “Voando sobre um ninho de cucos” e que em 1961 foi comprado por KIRK DOUGLAS que fez uma montagem corajosa em um teatro modesto. A peça era estrelada por figuras conhecidas: GENE WILDER, BILLY DANIELS e ED AMEM. Mas a peça recebeu uma reação negativa do público que não gostou de uma “quase comédia” até dramática meio que “satirizando” abordando um assunto tão delicado sobre doentes mentais. Decerto “Douglas pai” ficou anos com essa história e sem nenhum retorno. Anos mais tarde o “Douglas filho” (alias Michael é um ótimo produtor além de ator) decidiu tentar e buscar interessados em adaptá-lo para o cinema. Curiosamente, anos atrás, Kirk havia viajado para Praga e lá conheceu o jovem Milos. Assim, Kirk o convidou para dirigir a versão cinematográfica. Passou 10 anos sem que Forman recebesse o livro de Kesey através de Douglas (o livro foi confiscado na alfândega). 

Nesse intervalo, ambos ficaram sem se falar esperando uma resposta até chegar Michael Douglas e o produtor independente Zaentz para realmente correr atrás e produzir o filme. 

O roteiro é belíssimo e foi escrito por LAWRENCE HAUBEN que foi fiel ao livro e finalizado por BO GOLDMAN que faz um excelente trabalho capitando a essência primordial dos diálogos e cenas, hoje antológicas (como a cena final). O elenco? Não poderia ser mais formidável revelando futuras estrelas como CHRISTOPHER LLOYD e DANNY DeVITO. Mas o protagonista ainda não havia sido escalado. GENE HACKMAN e MARLON BRANDO recusaram o papel que o diretor Forman queria que fosse de BURT REYNOLDS. Mas foi o diretor Hal Ashby que indicou Nicholson aos produtores. Ashby havia trabalhado com ele em outro primeiro filme da galeria de clássicos do ator: A ÚLTIMA MISSÃO. Depois deste filme Nicholson conseguiu facilmente o papel. Aliás, ele é o verdadeiro cretino louco, romântico e sensível que esta prestes a estourar: R.P McMurphy, o grande Nicholson. E como ele é digno para o personagem. Certamente Nicholson entende muito bem os loucos, aquele tipo de louco natural e duvidoso. Não era mais o jovem ator de “Sem Destino” ou o galã de “Cada Um Vive Como Quer”. Nesta fita Jack seria para sempre o tipo que o consagrou futuramente em “O Iluminado” ou até mesmo “Batman” ou papéis genuinamente caricatos e vilanescos (que não é o caso em Um Estranho). Ou seja, ele não é um louco demente por natureza, ele foi criado assim. Este anti-herói foi fabricado louco e feito um lunático. Ao menos é o que pensa outro personagem principal da trama feito por um índio de 2 metros de altura feito brilhantemente por um “não ator” WILL SAMPSON (que faria poucos filmes depois. Um com Eastwood e até Poltergeist II). 

Os coadjuvantes também ajudam a “diagnosticar” os limites de McMurphy. Cada um deles são atores de corpo e alma: o jovem e estreante BRAD DOURIF como o gago Billy, o ótimo VINCENT SCHIAVELLI (de Ghost) como Fredrickson e principalmente SYDNEY LASSICK como Charley Cheswick o mais insano e trágico de todos. O filme é um soco no estômago direto para a alma, e como ele nos permite não esquecer quem é quem. O uniforme não engana, cada ator com sua estética e jeito particular deixa marcado assim que cada um deles tem a sua apresentação e depois monólogos naquelas malditas reuniões de grupo. Portanto, não é difícil de identificá-los ao redor de Nicholson (a estrela). Obviamente que saber quem é Lloyd e DeVito não é uma distração, só que a turma masculina, até mesmo os figurantes, são peças marcantes e fundamentais nesta premissa provocativa e diferente.

O filme ainda incomoda nos dias de hoje. É realmente uma história pesada, mesmo com um drama contundente, é algo chocante de se assistir e tudo isso graças a interpretação de Nicholson. Ele é o pilar deste filme e não tem como negar isso. Na verdade é outro mundo, o do manicômio. Um lugar solitário, triste e cruel e devo dizer que o tratamento para com pessoas nessas condições é algo aviltante. Percebe-se de cara que McMurphy não pertence a esse lugar e que é através dele, com ele, que vamos fazer este tour e voar para dentro deste ninho. Ele se torna o herói para eles. Convence todos de ir pescar e fazer o que desejam, causando a maior confusão na Instituição chegando ao cúmulo de, na noite de natal, convidar duas vadias para uma festa! O filme mostra como o sistema é falho e hipócrita e como um guarda noturno (feito por SCATMAN CROTHERS) pode ser facilmente comprado. Ele pode se divertir, mas quando Nicholson leva a vadia para brincar com os seus amigos, o cara fica enfurecido. E o que dizer da “vilã humana”, a enfermeira Ratched? Sem dúvida passamos a odiá-la. É como odiar mais ou menos Odete Roitman e sim, queremos é jogar a malvada contra a parede, no chão, e estrangulá-la ali mesmo. 

Uma antagonista difícil de avaliar, já que LOUISE FLETCHER da vida a esta figura de um jeito enigmático, misterioso. Ela não é aberta, amiga e muito menos uma conselheira. É apenas uma máquina do estado que cumpre as ordens e acha que esta fazendo de tudo para o bem dos internos. Abençoa uma  rotina chata, sem atrativos que ela comanda com dedicação, frieza e punhos de aço. Muitas atrizes foram escaladas para apresentar a imagem dessa enfermeira robótica: ANNE BANCROFT, COLLEEN DEWHURST, GERALDINE PAGE, ANGELA LANSBURY, mas todas elas recusaram. Mas, sem dúvida de que Fletcher imortalizou o papel, o que a deixou enciumada pelo fato de que esta consagração a seguiu para o resto da vida vista por uma personagem não muito legal e todos amavam os loucos e não a enfermeira. É quase esquisito aceitar Louise em um papel simpático, até com grande esforço (o que só me intriga já que falo de uma excelente atriz).

Fletcher e Nicholson são o cravo e a rosa nesta fita tão intrigante e emocional do diretor Forman que merecidamente (às vezes a Academia tem bom senso) ganhou cinco prêmios Oscar das nove indicações. Faturou: Melhor filme, diretor, Ator (Nicholson), atriz (Fletcher) e roteiro adaptado. Não canso de rever. É sempre bom poder voar para dentro deste ninho e levar consigo uma lição de vida... para fora da prisão...



EUA- 1975
DRAMA
WIDESCREEN
133 min.
COR
16 ANOS
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE


FANTASY FILMS APRESENTA  
UM FILME DE MILOS FORMAN
JACK NICHOLSON
ONE FLEW OVER THE CUCKOO´S NEST
TAMBÉM ESTRELANDO: LOUISE FLETCHER e WILLIAM REDFIELD
Co- estrelas:
CHRISTOPHER LLOYD. DANNY DEVITO. SYDNEY LASSICK
VINCENT SCHIAVELLI. WILL SAMPSON. SCATMAN CROTHERS
E APRESENTANDO: BRAD DOURIFF
Música de JACK NITZCHE Fotografado por HASKELL WEXLER
Direção de Arte PAUL SYLBERT
Figurinos AGGIE GUERARD- RODGERS
Montagem SHELDON KAHN. LYNZEE KLINGMAN
Produtor Associado MARTIN FINK
Escrito por LAWRENCE HAUBEN e BO GOLDMAN
BASEADO NA OBRA DE KEN KESEY
PRODUZIDO POR SAUL ZAENTZ. MICHAEL DOUGLAS
Dirigido Por 
MILOS FORMAN
One Flew Over The Cuckoo´s Nest © 1975 Fantasy Films

8 comentários:

Alan Raspante disse...

Nicholson está demais aqui. Mereceu ter ganho o Oscar, assim como a Fletcher. Sobre sanatórios e afins, este é mesmo o melhor! rs

Hugo disse...

Provavelmente o melhor filme sobre a loucura já produzido.

A direção de Forman é perfeita, , valorizado pelo ótimo elenco. Nicholson está sensacional no papel principal, além do elenco de apoio com "malucos" de talento como Brad Dourif e Vincent Schiavelli.

A sua citação sobre Will Sampson é perfeita, seu papel é fundamental na história.

abraço

J. BRUNO disse...

Um clássico absoluto, pelo roteiro, pelas atuações e principalmente pela ousadia de tocar em um tema que geralmente não é bem aceito: o forma com que nós, como sociedade, cuidamos dos "loucos" e o que de fato poderia ser considerado loucura...

renatocinema disse...

Filmaço ao pé da letra. Belo texto.

Só discordo quando diz que Nicholson teve ótima atuação (incluindo as outras obras citadas por você).

Em minha opinião em Um Estranho no Ninho ele teve atuação magistral. O único trabalho que coloco no mesmo nível foi em O Iluminado.

Mas, gosto pessoal.

Abraços

O Neto do Herculano disse...

Clássico que merece
sempre ser relembrado.

Unknown disse...

Minha irmã teve que ver este filme para uma das aulas de psicologia dela... Tanto eu quanto ela havíamos visto Um estranho no ninho antes...
Rever trouxe ainda mais aquele aspecto revoltante da forma de tratamento em instituições do gênero...

Jack está maravilhoso em sua postura desvirtuante....

Um filme necessário!!!


;D

Francisco Cannalonga disse...

Bom texto, mas tenho que discordar em alguns pontos:

- Quando você diz que "o sistema é falho", o filme tende a indicar justamente o contrário. O personagem de Nicholson não foge, não porque estava embriagado. Após tamanhas torturas e experiências lá dentro, ele simplesmente perdeu a vontade de seguir em frente, pois sabia que sempre estaria preso, mesmo fora do hospício, em sua própria cabeça.

E acho que você não escavou fundo o suficiente com essa obra prima. Todo o filme é uma representação da sociedade daquela época. O personagem de Nicholson funciona como uma força revolucionária que procura modificar o sistema autoritário e é eventualmente engolido por ele. Mas mesmo no fim, a "ideologia" se mantém viva (quando o chefe faz uso do primeiro "plano" de mcmurphy para escapar).

www.lumi7.com.br

Rodrigo Mendes disse...

ALAN: Concordo. Abs!

HUGO: Will Sampson adiciona e muito neste filme. Tb acho a direção de Forman magistral aqui.
Obrigado.
Abs.

BRUNO: sim, sim! O filme faz pensar sobre "a loucura". Bonito, frágil, tocante e esplêndido exemplo de película.
Abs.

RENATO: Okay amigo vamos multiplicar este "ótimo" Rs! Nilcholson esteve maravilhoso aqui, sem dúvida!
Abs e obrigado.

Interessante KARLA! Imagino a experiência de rever o filme com um olhar mais cuidadoso e pensamento diferente com relação ao tema. É sempre válido assistir ao filme e de fundamental necessidade para abrir discussões.
Bjs;)
Manda outro para a sua irmã!

FRANCISCO: Obrigado pelo comentário e crítica.

Não sei se você me entendeu, mas não me referi ao personagem de Nicholson, não fiz um recorte de Mcmurphy quando me refiro ao sistema falho. Falo da Instituição mesmo. Toda aquela segurança, cuidado, etc que viola os direitos humanos. É lamentável e o filme faz esta crítica. Agora, justamente pelo que vc falou a respeito do personagem principal, já mostra que o sistema é falho. Falhou com ele, não? Vc mesmo diz: "O personagem de Nicholson funciona como uma força revolucionária que procura modificar o sistema autoritário e é eventualmente engolido por ele." Portanto não consigo enxergar que o que disse no meu texto, o filme tende a dizer o inverso. Pelo menos em minha opinião. Aliás, a gente sabe que Nicholson finge ser um louco e este "sisteminha" faz com que ele enlouqueça. Vejo que esta vontade de não mais seguir em frente, de escapar, de ficar preso em sua própria cabeça, foi culpa do hospício. Deixou cicatrizes nele. Assim, só restou ao chefe matar o amigo para então libertá-lo

Tb não vejo que o filme é datado, de uma época (só daquele período). Muitas das ideologias hoje são revistas, claro devido ao tempo que se passou, mas "Um Estranho no Ninho" é válido eternamente. Reflita.
Abs!

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