SHOWBIZ
SEM ROUPA
Uma
misteriosa garota decide ir para Las Vegas e se tornar uma Showgirl, mesmo que
para isso use a vulgaridade como arma, passando por cima de qualquer um para
alcançar o sucesso. Escrito por JOE ESZTERHAS e dirigido por PAUL VERHOEVEN (os
mesmos criadores de INSTINTO SELVAGEM, 1992).
O tempo
pode ser generoso com esta fita escandalosa de 1995 que o diretor Paul Verhoeven dirigiu a
partir de um texto de Joe Eszterhas (que também
escreveu outro sucesso como FLASHDANCE de Adrian Lyne, 1983) Mas foi a
primeira parceria da dupla no thrillher policial INSTINTO SELVAGEM com Michael Douglas e Sharon Stone que alavancou suas
carreiras. Bom, até certo ponto porque a recepção de Showgirls na época não
foi muito boa. Considerado o pior filme da década de 90 (um recordista) quando
ganhou, em 2000, um oitavo Framboesa de Ouro especial depois de ter ganhado outros 7 prêmios em 1996 (Pior Atriz [ Elizabeth
Berkley], Pior estréia de uma estrela [novamente Liz Berkley], Pior Música
Original, Pior Filme do Ano, Pior química de um casal em cena, Pior Roteiro
[Eszterhas] e finalmente Pior Diretor e com um gesto muito bem humorado foi a primeira vez
que alguém (uma celebridade do calibre de Verhoeven) foi pessoalmente receber o
prêmio de pior do ano. E ele disse uma vez que era melhor fazer publicidade do
filme recebendo os troféus de pior do ano do que tentar defender a obra até um
tanto subestimada.
Entre as outras categorias, o
ator KYLE MacLACHLAN (de Veludo Azul) recebeu uma
indicação de Pior Ator do ano. O
mais engraçado foi uma indicação que o filme recebeu por tentar fazer um remake de “A Malvada” (All About Eve), que todos os cinéfilos já conhecem e outro filme estrelado
por Pia Zadora que acho
muito irregular (muito pior) chamado “The Lonely Lady” (Uma Mulher Só de Peter Sasdy, 1983) sobre uma jovem roteirista
ambiciosa que deseja trabalhar em Hollywood. Um filme que também participou da
premiação Framboesa. Também foi indicado para Pior Ator Coadjuvante (ROBERT DAVI e ALAN
RACHINS) e Pior Atriz
Coadjuvante (também duplo, para GINA
GERSHON e LIN TUCCI).
Futuramente
quando os produtores almejavam lucrar com o filme para um público fechado na TV
a cabo, o filme teve outra versão reeditada na qual Verhoeven assinou com o
pseudônimo: “um filme de Jan Jansen”
De qualquer forma pegaram muito pesado com o filme de Verhoeven,
claro que ele não é uma maravilha e não atinge seu objetivo de ser uma sátira
do Show business (mal-interpretada na época) certamente porque
lhe faltaram ideias no roteiro que deixa a desejar e acaba se tornando um filme
estimulante de sessão privé
para masturbação. Estou
mentindo amigos?
A premissa é sobre uma garota, Nomi Malone (ficamos sabendo que este não é o verdadeiro nome dela)
interpretado pela curiosa e já canastra LIZ BERKLEY que deseja passar por cima de todos, seduzir os homens e
tudo mais, mesmo ela sendo bonita, inteligente, orgulhosa e esforçada, para
conseguir um papel protagonista em um show musical erótico de Las Vegas com danças obviamente eróticas (na verdade a coreografia é
tão “dura” que beira ao pornô). Muitos pensam que este papel foi a estreia de
Berkley como atriz. Na verdade ela já vinha trabalhando na TV obviamente em
papéis nada notáveis e já havia feito uma participação no filme “Molly e Gina” (1994 de Paul Leder. Com Frances Fisher e Peter Fonda). Mas, foi mesmo Showgirls,
para o bem ou para o mal, que a tornou famosa, mas também rotulada, tanto que nunca
mais fez outro papel decente.
Gosto bastante dos filmes de Paul
Verhoeven e
posso chamar alguns exemplares como obra-prima. Um filme muito bom que ele
dirigiu em seu país natal, a Holanda, foi, por exemplo, SOLDADO DE LARANJA de 1977 (aliás Verhoeven ajudou a lançar
as carreiras de Rutger Hauer o replicante de Blade Runner e Jeroen Krabble que já foi vilão numa fita de
James Bond e no clássico de ação “O Fugitivo” com Harrison Ford). Até mesmo sua
mudança para Hollywood lhe proporcionou um estilo particular na qual os
personagens sofrem mudanças físicas mudando completamente suas personalidades.
É assim com ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO, um sucesso de bilheteria de 1987
com Peter
Weller e
o ótimo CONQUISTA SANGRENTA de 1985, novamente com o astro Hauer, são filmes
que valem uma sessão. É uma verdade que este diretor tem filmes que precisam
ser revistos e conhecidos (principalmente seus primeiras fitas holandesas;
alguns curtas-metragens e documentários que ele já fez sobre a marinha quando
se alistou). LOUCA PAIXÃO (1972) e O AMANTE DE KATHY TIPPEL (1975), também são
filmes dele que recomendo. No entanto parece que Verhoeven é conhecido apenas
por “Instinto
Selvagem” ou
pelos filmes Hollywoodianos de ficção-científica: o excelente O VINGADOR DO
FUTURO (Com Schwarzenegger, 1990) e o divertido TROPAS ESTELARES
(1998 – que também faz uma sátira como Showgirls, mas sobre a Guerra). Parece que ele
foi o diretor responsável por alavancar a carreira de Sharon
Stone naquela
cruzadas de pernas clássica. Eu apenas me questionei dizendo; “Que
fim levou aquele cineasta talentoso?” quando ele me faz o ridículo “
O Homem Sem Sombra” (2000, com Kevin
Bacon),
um exemplar do mau gosto sobre a tragédia faustiana do homem invisível. Um
filme que usa como artifícios efeitos especiais primorosos e nada de conteúdo
narrativo. Bom, eu me aliviei quando assisti em vídeo outro filme seu que já
tava dando saudade. Trata-se do interessante e envolvente A
ESPIÃ (Zwartboek/
Black Book,
2006) com Carice
Van Houten e feito totalmente na Holanda, sobre a ocupação nazista naquele
país. Um drama bem amarrado e com cenas de sexo hardcore
a la Verhoeven no clima de filme sobre a Segunda Guerra Mundial. Esta
fita sobre esta judia espiã que se infiltra no quartel general da Gestapo
(Verhoeven também assina o roteiro) me fez querer rever Showgirls e dar mais uma chance ao desastre
de uma década.
![]() |
| Hora do Show! |
É um
filme inofensivo hoje em dia e vejo como ele foi subestimado pela crítica e
público que atacaram com tomates na tela, mas ao mesmo tempo subestimado pelos
próprios realizadores. Verhoeven que veio de filmes tão sérios com sua
violência e polêmicas sexuais nas tramas poderia evitar esta graça pornográfica
e entregar um filme mais merecedor. A loira Liz Berkley parece uma robocop do sexo. Suas cenas de danças
(principalmente nas cenas que mostra ela ensaiando) não têm absolutamente nada
de erótico. O filme não usa muito da sensualidade porque é tudo tão cru,
abrupto, pornô (mesmo não tendo cenas de penetração) e todos os personagens são
extremamente canastrões a nível executivo. Todos! Eu sei que era intenciona,
mas não gostei. Assim fica complicado elogiar um filme que cometeu o pecado do
roteiro (narrativa fácil que segue o alfabeto de A-Z). É o trabalho de
Eszterhas que é mais responsável pelo conteúdo e resultado final. A piada não
teve graça e ninguém conseguiu ver o filme com outros olhos que mostrava a boca
do lixo do mundo do entretenimento. Este é até um ponto válido, mas explorado
com piadas do tipo: “Garota se você quiser me conquistar me faça uma
chupetinha. Primeiro te faço gostar da grana, depois te faço engolir”. E
por aí vai... O machismo e as mulheres com rótulos de vadias.
Ou seja, é uma crítica satírica de maneira “rasgada”. Se vocês revirem
o filme, verão que até as cenas que não contém sexo são pornográficas. O
comportamento dos personagens, a protagonista jogando batatas-fritas no ar, o
estupro da mocinha numa cena solta que não engrandece a trama e os diálogos que
mais praguejam do que querem dizer alguma coisa. Sem contar que a fotografia
nem parece ser de filme exibido em cinema com imagens estilo telefilme de canal
privé fechado para assinantes e os closes e enquadramentos que
mais parecem querer contar uma história sem atrativos no estilo mais difundido
pela TV em uma soup-opera. Tudo isso é gritante demais e prejudica
uma ideia, um plot atraente.
Há
cenas no filme tão vazias que parece mesmo uma daquelas cenas de filmes pornôs
que não usam de uma lógica do roteiro. Só para exemplificar melhor minha
teoria: “O entregador de pizza chega,
toca a campainha e começa a agarrar a moça.” Ou “Dois homens estão conversando nada com nada e aparece uma gostosa para
distrair a atenção de um nada ocorrendo na cena.” Tudo isso soa bastante com aqueles filmes que terminam com
sexo explícito. Quando as pessoas estão querendo ver um filme pornô é muito
simples: elas não estão interessadas no sentido da cena. A pornografia (que
prejudicou a imagem do sexo na sétima arte, banalizando sua naturalidade) não
USA PREMISSA e sim CENAS. Não é a questão de mostrar o sexo bem cru (tem muitos
filmes eróticos com cenas explícitas como a obra bacanal do diretor Tinto Bras, por exemplo, que
sabe seduzir), mas é não querer fazer de um filme uma história que envolva a
platéia. O público aqui – sobretudo o masculino – quer desligar o cérebro e com
tantas mulheres peladas (não nuas para um envolvimento maior) não é muito
difícil, mas gosto e prefiro assistir um filme que saiba envolver mais e neste
gênero fica difícil usar da comédia para aquele momento sensual entorpecente.
Evidente que um drama (Os Sonhadores de Bertolucci, Lúcia e o Sexo de Medem), exemplos perfeitos neste tipo de sessão. E
ambos não ficam no esquema ridículo de nudez frontal, apenas. Eles mostram o nu
em sua totalidade (inclusive os homens com seus pênis que parece coisa feia nos
filmes).
O
diretor tem o seu jeito habitual que é mais violento (abusa mesmo das imagens)
para contar suas histórias e leva ao extremo em Showgirls somado ao tom
da pornografia pastiche, um visual carregado e que não para um minuto com cenas
aleatórias e carnavalescas que beiram a vulgaridade total. Provavelmente a
única cena bonita é o beijo lésbico no final.
Charlize
Theron fez testes para o papel
da ambiciosa Nomi e a própria deusa Sharon Stone para interpretar a mais velha
do show, Cristal Connors, que acabou ficando com Gershon também
conhecida pelo personagem gay no ótimo LIGADAS PELO DESEJO (Bound, 1996) com Jennifer Tilly e que é
provavelmente o filme que mais acentua a homossexualidade feminina no cinema e
com duas mulheres tão bonitas em cena (é até romântico além de muito sensual).
Por acaso era o filme de estréia dos Irmãos Wachowski de
“Matrix” (já tinham assinado o script do filme “Assassinos”
[1995] de Richard Donner).
Por
mais que o filme tenha chocado (no fundo pegou nos genitais do conservadorismo
americano), “Showgirls” pode ser um achado curioso tanto para quem já assistiu
ou para os curiosos de plantão. A impressão que tinha do filme quando o vi pela
primeira vez no final dos anos 90 continua a mesma. A diferença é que hoje pude
prestar mais atenção na proposta de Verhoeven e Eszterhas. Não colou mesmo, só
ficou mais engraçadinho numa revisão e sem nenhuma ereção como acontecia ... outrora quando garoto!
EUA/FRANÇA – 1995
ERÓTICO
WIDESCREEN
128 min.
COR
18 ANOS
METRO/UA
✩✩✩
✩✩✩
MARIO KASSAR e CHARGEURS/CHARLES EVANS
APRESENTAM
UM FILME DE PAUL VERHOEVEN
ESTRELANDO:
ELIZABETH BERKLEY KYLE
MacLACHLAN GINA GERSHON
GLENN PLUMMER ROBERT
DAVI ALAN RACHINS GINA RAVERA
LIN TUCCI GREG TRAVIS AL RUSCIO MICHELLE JOHNSTON
DEWEY WEBER e WILLIAM
SHOCKCKLEY
Música original de DAVID A. STEWART
Fotografado por JOST VACANO
Fotografado por JOST VACANO
Edição MARK GOLDBLATT MARK HELFRICH
Cenografia de ALLAN CAMERON
Figurinos de ELLEN MIROJNICK
Co-produção BEM MYRON
Cenografia de ALLAN CAMERON
Figurinos de ELLEN MIROJNICK
Co-produção BEM MYRON
Produção Associada LYNN EHRENSPERGER
Produtor Executivo MARIO KASSAR
Produzido por CHARLES EVANS e ALAN MARSHALL
Produzido por CHARLES EVANS e ALAN MARSHALL
Escrito por JOE ESZTERHAS Dirigido por PAUL VERHOEVEN
Showgirls ©1995 Carolco Pictures / United Artists
Chargeurs/ Vegas productions
















9 comentários:
Como não tive coragem, nem terei, para assistir ShowGirls, me sinto desesperado, desde já, a saber sua opinião sobre dois filmes que amo.
Um Estranho no Ninho, um clássico magistral.
Assassinos por Natureza, eu adoro. A trilha sonora é um capítulo a parte.
Rodrigo, pelo visto não curte filme pornô mesmo, nê? Entendo e respeito, mas não acho q o pornô tenha desvalorizado a imagem do sexo no cinema. São vertentes bem diferentes e os filmes XXX não são mais exibidos em cinema como eram na decada de 70, quando pessoas consideradas normais lotavam os cinemas para prestigiarem esse tipo de cinema q nos anos 80 foi reiventado pq a proposta dos anos 70 já estava desgastada. Existem filmes pornos com historia muito bons, como GARGANTA PROFUNDA e DANÇANDO NO ESCURO. Os filmes considerados sensuais hj em dia, em foco os americanos e brasileiros me fazem no maximo rir. SHOWGIRLS eu comparo a uma boa pornochanchada e VErhoeven na proposta do filme até se mostra competente. Ele cagou na cabeça de hollywood, admiro isso. O teu texto ficou muito bom, e Verhoeven foi genial em muitos momentos mesmo.
Abração!
Nossa, não sabia da existência d esse filme, me divirto com esse pegada pornochanchada e é claro deve ser muito sexy, vou atrás deste gênero pra ser visto depois da meia noite
hehehe
!!!
RENATO: Ah Veja Showgirls amigo, rs! Aguarde as próximas sessões... te adianto aqui: são ótimos filmes!
Abs.
CELO: Eu gosto sim de filmes com cenas de sexo explícito com enredo (não considero isso pornô) até citei Tinto Bras e a fita do espanhol Medem. Almodóvar por vezes é explícito - sobretudo no começo da carreira e nos primeiros filmes (Pepi Lucy e as Outras, por exemplo). O grande Bertolucci faz um cinema fantástico e já usou várias vezes em seus filmes (tbm no épico 1990 - cenas explícitas) Não assisti o que vc recomenda aqui... "Dançando No Escuro [ não confundir com a fita de Von Trier... creio] já tínhamos falado sobre ele, não? Vou anotar e procurar... "Garganta profunda", me desculpa, é aquele filme com a Lovelace?...acho pornozão mesmo...!!! Só tem uma sinopse: mulher que sente prazer incontrolável na garganta busca o prazer engolindo pênis até o...enfim... Como expliquei: pornô ( a indústria TRIPLO X usa CENAS e não PREMISSA) isso não considero arte do cinema e sim “imagens do sexo técnico”, se preferir, para fins de fetiche e prazer momentâneo. Sem anda que engrandeça o que esta sendo mostrado. É simples pra mim. Isso nem é de todo mal e esta indústria existe para satisfazer este propósito (até já existia nos anos 60-70-80), mas daí considerar arte ou cinema? Desculpa, respeito sua opinião, mas não concordo. Não acho que filmes hardcore pornôs são obras de arte. Por outro lado, muitas fitas que vc já conhece mais do que eu, feito numa época vintage (nem todos como "Garganta" que já assisti) podem até ser arte. Bras é o cineasta que mais acompanhei, apesar de não ter visto sua obra completa. Com isso, por saber a diferença dos projetos que envolvam sexo nu e cru, vejo que de fato a pornografia pela ‘pornografia-fetiche’ desvalorizou, banalizou sim a imagem do sexo no cinema. Depende da proposta (nudez frontal, sexo explícito, provocante, pornochanchada (como Showgirls de fato é um pouco pela graça desenfreada) etc , é válido, mas só é cinema pra mim se tem história. E pode ser um filme irregular ou ótimo.
Abs.
MARCELO: Voce pode achar sexy...hoje eu dou boas risadas e não fico excitado, rs! Vale a curiosidade.
Abs.
Rodrigo, esse filme é muito, muito ruim... O Verhoeven se arruinou com ele.
O Falcão Maltês
Osciou ANTONIO, não diria que ele arruinou a carreira: Tropas Estelares (legal) O Homem Sem Sombra (péssimo) A Espiã (excelente)!
Abs.
"Nos genitais do conservadorismo americano". Tá saindo um belo de um frasista hein seu Rodrigo?
Pois é, esse foi o anti-climax da carreira do Verhoeven, mas eu gosto do clima Z do filme. Acho que avaliaram o filme pelo ângulo errado. É como vc disse, não é nada fora de série, mas tb não é o abacaxi que tanto disseram. Ficou melhor aqui no CineRodrigo, com o requinte do teu olhar.
Abs
REINALDO: Adoro seus comentários amigo! De fato o filme tem um clima engraçado e mais interessante com o passar dos anos. Vamos dizer: "um cult meio que do avesso". Mas tb Verhoeven e Eszterhas se subestimaram ao realizar a fita querendo chocar pelo ângulo errado deles. Poderia ser a mesma história só que mais séria e dramática. 'Um parente de Instinto Selvagem' seria mais interessante, polêmico, mas não teria sido considerado o pior da década e quem sabe a Sharon Stone estivesse na fita? Ela teve uma ótima percepção em cair fora do projeto. São questões interessantes. Pelo meno Showgirls é engraçadinho e ordinário.Rs!
Abs.
Postar um comentário