Allen Barbudo!
Sujeito trapalhão é abandonado pela namorada ativista e viaja para um país latino-americano se envolvendo em uma rebelião.
Foi apenas o segundo filme dele como diretor, tudo bem, aqui se percebe uma inexperiência e insegurança o que também se repetiu na mesma fórmula anárquica e fragmentária de sua estréia, na película UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (Take The Money and Run, 1969). “Bananas” é uma frenética colagem de gags, no melhor estilo surreal de Allen (Idem: Tudo O Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar [1972]), misturadas com um arremedo de documentário e alinhavadas por uma modesta premissa que envolve as desditas de Allen em uma república das bananas da América Latina. Na verdade, a sátira política só começa lá para a metade da fita, com a primeira parte dedicada ao habitual personagem do diretor, isto é, as voltas com as mulheres. O roteiro do filme é um dos poucos na qual Allen faz parceria, aqui no caso com MICKEY ROSE que fez o argumento original de “Take The Money And Run” (escreveu também O Que Há Tigresa? estrelado e co-dirigido por Woody em 1966). O próprio Allen credita o resultado ao montador Ralph Rosenblum, que literalmente salva o filme durante a montagem (o script apresentava alguns probleminhas), já que anteriormente ele não entendia nada de linguagem cinematográfica. Sim, estou falando de Woody Allen!
O filme tem muito humor físico, coisa que Allen não faz ultimamente (prefere apenas dirigir com freqüência) devido à idade. Há muitas cenas de pastelão e também um pouco de escatologia anos 70, além de muito improviso. Por exemplo, a mímica dos instrumentos, porque eles não apareceram na hora e teve que encontrar uma saída. Também o filme é cheio de referências a obras alheias (só clássicos): O Encouraçado Potenkim, O Diabo a Quatro, Tempos Modernos, Morangos Silvestres, O Incidente, Cassino Royale, Cupido Não Tem Bandeira e por aí vai...
“Bananas” é algo quase que experimental e diferente do que Allen faria a seguir em sua obra. E, mesmo um pouco irregular, é um filme inventivo, eu gosto. Tem diversos momentos de gênio e piadas brilhantes que só Allen poderia conceber. Rosenblum continuaria com ele em INTERIORES (1978) e LOUISE LASSER, que faz a namorada militante política, havia sido esposa do diretor, entre 1966-69. O filme ficou uns tempos no Brasil proibido pela maldita censura e só passou com um corte na cena da maconha no tribunal. É possível reparar na participação de SYLVESTER STALLONE em comecinho de carreira! Ele fez um filme de Woody Allen? Pois é (antes fazia pornô), como o delinquente que ataca Woody no metrô.
Também o grande DANNY DeVITO faz uma ponta como um homem que esta sentado na suíte de lua de mel.
Banana pra você se ainda não assistiu a este filme!
EUA-1971
COMÉDIA
WIDESCREEN
81 min.
COR
FOX
14 ANOS
✩✩✩✩ ÓTIMO
Uma produção Jack
Rollins-Charles H. Joffe
LOUISE LASSER. CARLOS
MONTALBÁN









5 comentários:
O grande filme de Woody Allen com certeza é a Era do Rádio, uma belíssima obra que mistura comédia e momentos históricos de modo genial. Não vi Bananas ainda, mas é um título do qual falam bem, preciso conferir!
Stallone tá aí, incrível!
Alguém me explica por favor porque eu não gosto desse cara?
Woody Allen e nada, eu prefiro sem dúvidas, NADA.
O humor deste filme envelheceu um pouco, mas o roteiro continuo atual, principalmente ao mostrar que revolucionários e ditadores não são tão diferentes entre si.
Abraço
Equipe UOPM: Obrigado pela presença.
"Bananas" é muito divertido para quem é fão de Woody Allen. Bons tempos em que ele tinha "forma" para as trapalhadas.
Realmente "A Era do Rádio" é um dos melhores dele. Gosto muito da maneira autobiográfica e nostálgica que ele narra uma época de ouro. Simplesmente adoro o momento Carmen Miranda no filme. Lindo.
Grande Abraço.
Jefferson: Não sei cara, rs! É gosto e nem podemos discutir isso.
Abs.
Hugo: Não são diferentes mesmo Hugo, rs! Eu acho que a fita ainda resiste lindamente.
Abs.
Concordo, é realmente engraçado. Mas curto bem mais o Um Assaltante bem Trapalhão. E da fase pastelão dele como um todo, meu favorito é A Última Noite de Boris Grushenko. Curte? O Bananas, embora engraçado, apresenta uma estrutura narrativa frágil e ingênua, revelando uma falta de domínio da linguagem cinematográfica por parte do Woody Allen. Ainda sim, vale por algumas gags realmente hilárias!
Postar um comentário