PROM SCENE
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
Garota
tímida é provocada constantemente pelos “colegas” do segundo grau, mas quando
eles passam do limite, acabam despertando uma fúria assassina na moça que não
pode controlar os seus poderes telecinéticos.
Baseado
no livro de Stephen King e com direção de Brian De Palma.
“Eles
vão rir de você”!
Quem aqui nunca presenciou, sofreu ou cometeu bullying no colégio? Infelizmente é uma prática bastante comum
entre os adolescentes sem noção. De maneira assustadora, o autor King e o
diretor De Palma discutem este assunto tão discursivo neste filme que é uma das
pérolas mais comentadas do cenário de terror dos últimos tempos.
Certamente
quando os cinéfilos se lembram de “Carrie” automaticamente remetem a
cena do baile de formatura (prom) na
qual a garota é humilhada em público ao receber a coroação de rainha, culminado
numa seqüência exagerada do mais puro gore.
É também o primeiro grande sucesso do diretor que na década de 70 deixava claro
suas influências, sobretudo em Alfred
Hitchcock (como a
cena do chuveiro de Psicose produzida em um elevador no thriller Vestida Para Matar, ou Dublê
De Corpo, que
é um híbrido de Janela Indiscreta e Um Corpo Que Cai). De Palma tem a marca
registrada pelo uso abusivo das trucagens (às vezes funciona, outras vezes
não), câmera lenta, split screen
(onde a tela é dividida e mostra a ação em tempo real) e, sobretudo no exagero
da violência. É sempre notável ver muito sangue nos filmes de De Palma (como no
eletrizante e até discutível Scarface).
Não podemos negar o seu domínio
da técnica cinematográfica, até mesmo em filme irregulares como Olhos
de Serpente
com Nicolas Cage e Missão: Marte.
O filme é um drama muito bem
orquestrado, adoro, por exemplo, a cena inicial, onde mostra as moças no
banheiro do colégio após a educação física, banhando-se, vestindo-se, fazendo
brincadeiras e tudo em slow motion,
ao som da lírica música de Pino Donaggio.
De Palma é capaz de passar da fantasia para a realidade em um choque/corte
brusco, que também se tornou sua assinatura já que na própria abertura da fita,
as garotas naquela situação representavam uma fantasia erótica até que na mesma
sequência culmina em uma real situação com a menstruação de Carrie. O sangue
jorra e desce sobre as suas pernas, o primeiro sinal de estranheza, para então
as meninas malvadas humilharem a garota jogando absorventes violentamente como
se fossem bolinhas de papel. Realidade ou fantasia? É muito provável que a
juventude não tem piedade.
Esta obra é uma das melhores
adaptações de um livro de terror do mestre King empatando com a versão
de Kubrick para O Iluminado, em minha opinião (embora o escritor nunca tenha
gostado desta adaptação). Até porque, De Palma não poupa dos
exageros que fazem deste filme um dos mais horripilantes e operísticos terror-teen.
SISSY SPACEK é perfeita,
formidável no papel de Carrie White,
recebendo até mesmo uma indicação ao Oscar
de Melhor Atriz. O filme também tem a honra de ter a ótima PIPER LAURIE
(Indicada ao Oscar de Melhor Atriz
Coadjuvante) no papel da opressiva e fanática religiosa mãe de Carrie, a
Sra. Margaret White, uma vítima da
mentalidade fechada da comunidade em que vive. Por tanto sofrer na escola e em
casa, Carrie acaba se desgastando e desenvolvendo os tais poderes telecinéticos
inexplicáveis que a transforma radicalmente. Ou seja, de uma nerd tímida e solitária menina a uma
verdadeira assassina! A cena dos homicídios em massa no baile de formatura e o prólogo do sonho de Carrie em se tornar notada é
realmente um tour de force do
diretor.
De Palma e George Lucas
reuniram forças quando selecionavam jovens atores para seus respectivos filmes.
Assim sendo, o mesmo grupo fez leitura tanto para Carrie quanto para Star
Wars (o primeiro filme de 77). WILLIAM KATT, que acabou interpretando o
rapaz popular que acaba se apaixonando por Carrie e a leva para o baile chegou
a fazer testes para Luke Skywalker. Ainda no elenco juvenil, o filme conta com
um interessante e futuro astro JOHN TRAVOLTA, a bela AMY IRVING (que chegou a
fazer testes para o papel principal) como Sue
Snell, a menina que amadurece e tenta ajudar Carrie a se enturmar, e a
sempre ótima NANCY ALLEN (que sempre colaborou nos primeiros filmes do diretor
e foram até casados neste período) como a putinha cruel que lambe os lábios, Chris Hargensen, que deseja ver a
humilhação da heroína e foi o cérebro do plano de jogar um líquido nojento
contido no balde que despenca, meleca e enfurece Spacek!
Na premissa era um
sangue de porco, mas que foi representado por xarope Karo com corante alimentar. São notáveis as participações maduras
das veteranas PRISCILLA POINTER, como a Sra
Snell e BETTY BUCKLEY como a professora (Miss Collins) que se comove e tenta ajudar a sofrida garota, mas
que não contém o riso no momento dos apontamentos aviltantes da insuportável
experiência de Carrie no baile.
O nome da escola é curiosamente
uma referência de De Palma a Norman Bates
(Bates High), além do mais,
evidenciando a paixão do diretor por Hitch, quatro temas em violino compostos
por Herrmann para Psicose é
utilizado.
Inicialmente De Palma não
queria Sissy para o papel, mas acabou sendo convencido pelo marido da atriz, o
diretor de arte Jack Fisk, amigo do
diretor e que já havia trabalhado com ele no cult O Fantasma Do Paraíso (1974).
O filme também foi nomeado ao Globo de Ouro do ano indicando Piper
Laurie, mais uma vez em desempenho coadjuvante, além de ter sido o grande
vencedor do extinto Festival de Cinema Fantástico, o Avoriaz, em 1977, dando menção especial para Sissy e o grande
prêmio para De Palma.
Houve uma “continuação”, A
Maladição de Carrie
(The Rage: Carrie 2, 1999) inútil e
dispensável e uma ridícula refilmagem feita para TV em 2002 com Angela Bettis sob a direção de David Carson e vem aí mais uma adaptação
para o ano que vem da diretora Kimberly
Peirce (Meninos Não Choram, Boys Don´t Cry, 1999) estrelando Choë Grace Moretz e Julianne
Moore como mãe e filha. Será que vai prestar?
Clássico absoluto do horror
para adolescentes que continua impressionando e abruptamente (na cena final)
pregando aquele susto! Carrie, A Estranha
é um épico da puberdade feminina, das estranhezas do corpo e do abuso dos
jovens. Desde muito tempo os adultos falam que crianças podem ser cruéis,
imagine adolescentes! Tudo se transforma no maior pesadelo já experimentado. Os
efeitos abusivos de De Palma é a vingança servida por Carrie em um prato frio.
Quem esta rindo agora?
EUA
– 1976
TERROR/DRAMA
STANDARD
98
min
COR
14
ANOS
FOX
✩✩✩✩ ÓTIMO
sissy spacek
piper laurie amy irving william
katt
betty buckley nancy allen john travolta
p.j. soles priscilla
pointer sydney lassick
stefan gierasch michael
talbott doug cox
harry gold noelle north
edie mcClurg
Música de pino donaggio
Fotografado por mario tosi
Montagem por paul hirsch
Direção de Arte jack fisk . william kenney
Figurinos rosanna norton
Maquiagens por wesley dawn
Produtor Associado louis a. stroller
Produzido por paul monash
Escrito por lawrence d. cohen
Baseado No Livro de
stephen king
Dirigido por
brian de palma
Carrie
©1976 Redbank/ Carrie´s Group
M-G-M/ United Artists











14 comentários:
Acho ridículo isso de tentarem fazer uma continuação para as histórias, se King não fez um segundo livro então nem inventem um segundo filme haha Enfim, eu infelizmente nunca vi essa versão, vi uma outra muito mal produzida, essa pelo o que você diz, parece fazer jus ao livro, sempre imagino Carrie bem mais maléfica do que na versão que vi e no livro chega a dar uma certa repulsa por ela, por matar tanta gente inocente por toda a cidade. Pra terminar meu comentário, só digo que Carrie é um clássico do terror, mas é melhor mesmo ir atrás da versão original porque esses remakes de terror estão ficando muito fracos. Abraços Rô, ótima resenha.
Não vi até hoje... Preciso "reparar" isso!
Clássico!! Quando resolvi escrever sobre o filme, revi e li o livro de King. É certo que o filme é resultado de uma grande adaptação.
Adorei seu texto, super rico em curiosidades!
Grande abraço!
Amo de paixão esse filme....insano, cruel e vingativo, ao pé da letra.
Grande Rodrigo,
Grande Post cara, mais um por sinal.
Sinto vergonha em dizer que não conheço Carrie, na verdade ainda não conheço muitos filmes "clássicos" dos anos 70 e 80 e preciso me corrigir.
Seu ótimo texto mais uma vez me instiga, preciso comprar esse filme.
Grande abraço.
Ah, Rodrigo, aproveitando a visita em seu blog, quero avisar que depois de algum tempo sem, resolvi criar uma conta no facebook para divulgar as postagens do meu blog, caso você tbm tenha uma, me adicione por lá, é fácil de me encontrar, basta procurar por Jefferson Vendrame.
Grande Abraço!
Eu tinha um medo danado desse filme na infância. fato é que ele marcou a infância e adolescência de muitaaa gente.
Revi diversas vezes até chegar o momento do medo dar lugar a admiração, reconhecendo a grandeza inegável dessa obra.
PS: Gosto muito do seus posts, no final parece os créditos subindo como em uma sessão de cinema =p (e acho que esta é a intenção né)
Muito bom o seu texto!
"Carrie, a Estranha" talvez seja um dos meus favoritos também. Gosto bastante dessa adaptação e mesma as mudanças me soam bastante úteis e favoráveis ao desenvolvimento da trama. Algumas cenas impactantes no livro foram substituídas e, curiosamente, isso de modo algum perturbou a leitura final de quem conhece tanto livro quanto filme, o que é muito bom.
Parabéns pelo texto.
Sem dúvidas um clássico, gosto muito deste filme, ele é um dos meus favoritos do gênero. Gosto da forma com que ele explora o sobrenatural, mas sem perder o senso crítico em relação ao que de fato é real. Teu texto ficou á altura da obra! Parabéns!
http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/
Eu acho esse filme de crueldade tão sacana e deliciosa! =P
Mas eu morro de dó de Carrie, que vontade de abraçar Sissy Spacek, cara.
O final é totalmente diferente do livro, mas eu gosto das alterações de De Palma, achei bem legais. Acho que é o meu favorito do diretor, junto com "O Fantasma do Paraíso".
Agora, eu torço tanto pelo fracasso desse remake. Mesmo tendo Julianne Moore, uma atriz que adoro. Eu tenho a impressão de que será um "Carrie" para essa geração teenager idiota, sabe? E não um terror exatamente... sinto uma versão muito comportada, PG-13. Enfim, antipatizo com essa produção desde o útero. O poster do filme saiu hoje e já lancei maldição à la Margaret White AHUAHAUAHUAHA. Vamos acompanhar...
Abraçao, Rodrigo! o//
Mirella: Refilmagens são piores que apêndices, ainda mais quando querem refazer uma obra que já ficou boa, como esta. Veja Mi, vai gostar! É Brian De Palma, né?
Bjs.
Alan: O quê?
Emmanuela: Concordo que o filme faz jus a palavra adaptação.
Obrigado querida.
Bjs!
Renato: Adoro também, ver o baile pegar fogo e os imbecis se ferrarem, rs Meu lado vingança entra em combustão nesta sequência.
Demais!! rs
Jefferson: Grande Jeff, sempre pontual e gracioso nos comentários. Obrigado.
Corra atrás deste filme, decerto irá apreciar, mesmo você sendo um apreciador assumido dos filmes vintage românticos.
Já te adicionei no facebook :)
Abs.
Dayane: E A Carrie no nosso imaginário...marcante mesmo e é claro, admirável visto o trabalho hipnótico do De Palma.
Obrigado por gostar dos meus posts. Fico sem palavras... a intensão é esta mesmo, procuro por as fontes iguais das titulagens dos filmes, não tem todas, mas... faço essa graça, rs!
Bjs.
Luís: Obrigado meu caro. Também aprecio essas mudanças, aliás, convenientes e sábias. Filme é filme e livro é livro. Às vezes funciona, outras vezes não. De Palma, Kubrick, Reiner e Darabont, em minha opinião, foram os cineastas que melhor adaptaram obras de King para as telas!
Abs.
Bruno: Adoro isso neste filme, a maneira brusca como De Palma apresenta assuntos tão díspares, ora é fantasia, ora ele entra de cabeça no mundo real dos adolescentes, a menstruação de Carrie é o momento que começa essa visão depois daquela cena inicial dos créditos tão erótica e poética.
Obrigado.
Abs!
Elton: Para a sua alegria acredito também que o filme ser[a irregular, só resta saber se vai bem de bilheteria, rs! De Palma fez um filme para permanecer eterno.
Abs!
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