Homem
desperta após 200 anos em estado criogênico e descobre que o futuro não é do
jeito que imaginava.
Woody Allen e as suas neuroses, e eu nunca havia rido tanto quando o
neurótico cineasta realiza a sua cômica visão do mundo em um filme que mistura
o seu humor típico com o gênero ficção-científica. Dorminhoco
(Sleeper, 1973) é um pouco de Guerra Nas
Estrelas se George Lucas tivesse lançado anteriormente, 2001: Uma Odisséia No Espaço de Stanley
Kubrick e Z.P.G, um thriller futurista dirigido por Michael
Campus e estrelado por Geraldine Chaplin e Oliver Reed. Há também uma sátira
maluca de Um Bonde Chamado Desejo e
que Diane Keaton, como Luna Schlosser (em seu primeiro filme
com Woody) e Allen, estariam representando os papéis de Blanche DuBois e
Stanley Kovalski, respectivamente Vivien Leigh e Marlon Brando numa sequência
surrealista pirada que sucedia durante uma sessão de desprogramação da mente!
Loucuras à parte é um dos grandes filmes do diretor em sua primeira fase e o
próprio Allen o considera um dos mais divertidos que já fez. O filme traz tudo
àquilo que o cinema mudo, as comédias estreladas por Harold Lloyd, por exemplo, poderia influenciar. Woody é uma esponja
e certamente um cinéfilo astuto e atento quando cria seus roteiros.
“Dorminhoco” é o mais insano de tudo que já propôs. Tão louco quanto Bananas (idem, 1971) e A Última Noite de
Boris Gruskenko (Love and Death, 1975) e ambas as fitas tem muito em comum com Dorminhoco, e pode-se dizer que os três compõem uma trilogia já que
o personagem de Allen é um trapalhão que se envolve com algum grupo
revolucionário e que parece fadado a tal destino, ou seja, de substituir a
tirania por outra. É também um trabalho que sabe alinhar lindamente comédia
física e visual, tem o velho e bom pastelão de sempre, mas também um tipo de
humor intelectual bem ao estilo de Woody. Desta vez todas as tiradas cômicas
são extremamente lunáticas, literalmente.
Allen interpreta Miles Monroe, obviamente um músico de
jazz (clarinetista) e dono de uma loja de alimentos nutritivos no Greenwich Village em Nova York, que é
preservado em um processo de congelamento e desperta após 200 anos. Detalhe:
ele ficou dois séculos preservado em papel alumínio porque teve problemas com
sua cirurgia de úlcera! (Risos). Assim, quando esta de volta ao mundo, percebe
que o futuro não é exatamente como imaginou, aliás, mudou drasticamente para
pior. O terror é que todas as mulheres ficaram frígidas e os homens impotentes,
além do mais, o planeta é governado por um ditador cruel. São hilárias muitas
das cenas, magistralmente doidas, a polícia invadindo o local onde os
cientistas descongelaram Miles e Allen fugindo disfarçado de robô, eu não me
agüento! O herói trabalhando como mordomo na casa da riquinha poetisa com
requintes de mimada, a linda e ótima Diane Keaton em um papel maroto. E é claro
que eles, depois de muitas confusões, acabam se apaixonando, o que é o ponto
alto da premissa.
Também morro de rir quando Luna leva Miles ao fabricante
exigindo que troquem sua cabeça e o bobalhão, novamente fugindo, logo é
capturado e sofre lavagem cerebral. E depois, com um grupo de rebeldes, Luna,
agora fazendo parte da aliança, libertam Miles para que ele os ajude a matar o
misterioso governante, enfim... um momento divertido após o outro, sem muitas
pausas e com situações insanas. Toda a viabilidade científica no filme, as
previsões futuristas, foram, segundo Allen, viáveis. E o próprio se certificou
disso ao elaborar o roteiro, em parceria com Marshall
Brickman, que também colaborou em Noivo
Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977) e Manhattan
(1979). Allen e Brickman tiveram uma consulta com Isaac Asimov (1920-1992) que escreveu livros do gênero e que já
foram adaptados para o cinema: O Homem Bicentenário (Bicentennial Man, 1999 de Chris Columbus)
e Eu, Robô (I, Robot, 2004 de Alex
Proyas). O jornalista, editor e romancista de ficção-científica Ben Bova, que se tornou presidente
honorário da National Space Society,
também foi trazido para consultoria.
O esconderijo dos rebeldes foi filmado na
casa do Sculptured, uma residência
que havia sido projetada e construída pelo arquiteto Charles Deaton nas montanhas do oeste de Denver. O local começou a
ser construído em 1963, mas o interior ainda não estava completo no momento da
filmagem. Em 2004, a casa foi vendida por um valor de dez milhões de dólares!
Originalmente, Allen havia concebido a história onde as pessoas, neste futuro,
são proibidas de falar, motivo plausível para ele poder realizar um filme
pantomímico moderno, mas a idéia acabou sendo rejeitada. Este é um dos
exercícios mais interessantes do diretor, mas é claro, não é para todos os
públicos e os americanos, nesta recente fase do diretor, insistem em
apedrejá-lo. É mais sucesso na Europa e América do Sul do que propriamente em
solo norte americano.
O filme tem lá os
seus trechos filosóficos que podem chegar a irritação destoando a comédia,
ainda assim,o filme aborda de maneira genial as relações românticas (Allen e
Keaton totalmente conectados, primeiro sucesso de muitos filmes juntos). Sleeper de uma forma ou de outra, me faz
sorrir. Uma sessão deliciosa. Impossível puxar o ronco!
*Uma curiosidade: os figurinos são do futuro diretor Joel Schumacher (Os Garotos Perdidos) que depois faria
as vestimentas de Interiores
(Interiors, 1978) também de Allen.
Eua - 1973
✩✩✩✩✩ Excelente
Woody Allen . Diane Keaton
em:
Sleeper
Uma Produção JACK
ROLLINS – CHARLES H. JOFFE
MEWS SMALL PETER HOBBS SUSAN MILLER LOU PICETTI. JESSICA
RAINS BRIAN AVERY SPENCER MILLIGAN
Música de WOODY ALLEN
Produzido por JACK GROSSBERG
Woody Allen












4 comentários:
Adorei o filme, Woody Allen é incrível, consegue fazer cinema de uma maneira única.
Eu ri muito quando você falou sobre ser 'congelado' em papel alumínio e da parte onde foge fingindo ser um robô.
O filme parece ser demais mesmo, não conhecia, mas enfim achei seu blog pra conhecer clássicos incríveis como este.
Abraço!
Livro Nas Mãos
http://livronasmaos.blogspot.com.br
Não é um dos meus favoritos do Woody Allen, eu não curto muito esta primeira fase de sua filmografia, mas ele é sem dúvidas um filme muito divertido!
Markos! Irá ria a beça com este filme, rs
valeu!! abs!
Bruno: Eu amo a primeira fase, se bobear mais do que a recente.
Abs!
Não conheço esse filme mas sempre estou assistindo aos filmes do Woody Allen acho o trabalho dele fantástico.
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