sexta-feira, 1 de março de 2013

HITCHCOCK


A DAMA OCULTA


O relacionamento matrimonial do mestre do suspense Alfred Hitchcock e sua esposa Alma Reville durante o conturbado período em que Hitch rodava Psicose (1960) o maior sucesso de sua carreira.


The Lady Vanishes é um filme britânico que Hitchcock (1899-1980) dirigiu em 1938 sobre uma viagem de trem na Europa Continental na qual uma riquinha percebe que uma senhora desapareceu durante a viagem. Suspense. Tensão. Mistério. É Hitchcock! Mais depois da sessão deste filme (acabei de assistir e já decidi postar minha crítica o que é raro acontecer) fiquei imaginando, curiosamente, como o título desta película estrelada por Margaret Lockwood faz uma alusão a esposa do mestre, provavelmente o ventríloquo que manipulava as cordas, mas ofuscada pela exposição do brilhantismo de Alfred Hitchcock, sinônimo do suspense, showman e provavelmente o diretor mais famoso de todos os tempos.

O filme não é uma decepção como foi para a maioria. Não vou dizer que é uma obra-prima, longe disso, mas Hitchcock (Idem, 2012) é um divertimento até respeitável. Notável presença do grande (aqui literalmente) ANTHONY HOPKINS numa interpretação notável já que genialmente não procura imitar Hitch e deixa sua marca  registrada numa figura tão respeitada do cinema e que, apesar de algumas caricaturas (e precisaria rever mais vezes o filme para notar nuance), ainda consegue humanizá-lo. Nesta fita redondinha, bonitinha e agradável, Hitchcock se torna um personagem, o herói de um filme sobre parte de sua vida. Não é o homem errado, culpado erroneamente por um crime que não cometeu ou um psicopata elegante ou mesmo uma loira frígida. Não. Ele é apenas o homem por trás da cortina, assistindo, e que almeja mais do que tudo uma nova e fresca trama para contar e encontra em um livro barato de terror a inspiração para um novo, pequeno e audacioso projeto. É isso. Ele só quer realizar o seu filme. Não foi fácil, até porque naquela época era um pé no saco convencer os moralistas censores que não permitiam nem mesmo que um vaso sanitário aparecesse na tela, o que diria um homossexual oprimido, assassino, eremita, que se veste de mulher e vive com o cadáver da mãe, e que numa noite assustadora tem um surto/desejo e esfaqueia brutalmente a mocinha que tomava banho despreocupadamente no meio do filme. Um choque para a plateia que nunca esperaria por isso. Eis um resumo do que Hitchcock contaria no seu próximo filme, a seminal obra-prima do cinema em todos os tempos; Psicose (Psycho) baseada em livro de Robert Bloch (1917-1994).


Só que alguém aqui acha que realmente foi fácil concluir um filme como este? Obviamente que foi um dos maiores contratempos pessoais de Hitchcock (muito embora o filme exagere e romanceie um pouco) e se fosse um tédio dirigi-lo, como afirmava Hitch, que a parte criativa e divertida durante a feitura de um filme esta na pré-produção, na qual se cria o roteiro, storyboard, etc e nas filmagens – e geralmente ele nem olhava para o visor da câmera porque já sabia exatamente o resultado que iria obter – tudo é mais tedioso (odiava filmar em locações porque dizia que tinha que se preocupar com o som ao redor, portanto tinha carta branca nos estúdios para realizar o que quisesse e sentia-se mais confortável) não estaríamos aqui discutindo sobre o filme. Ou seja, parecia não acontecer uma história interessante para contar nos bastidores de qualquer filme seu, exceto este, “Psicose”, a fita que foi uma ruptura em sua carreira e afetou diretamente sua vida pessoal, uma facada como na cena do chuveiro (recriado no filme de maneira convincente e até espirituosa). Portanto, o que sugere o livro de STEPHEN REBELLO; Alfred Hitchcock and the Making of Psycho (Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose) é um bom caldo para um filme, até bem adaptado por JOHN J. McLAUGLIN (que também escreveu Cisne Negro para Darren Aronofsky) e só não é mais genial e com afetações previsíveis, porque é direção de estreia em longa-metragem do roteirista SACHA GERVASI (escreveu O Terminal de Steven Spielberg, aliás, grande script também assinado por Andrew Niccol e Jeff Nathanson) que também é documentarista e como diretor estreou de fato no documentário; Anvil: The Story of Anvil (produção canadense de 2009 com 80 minutos sobre uma banda de Heavy Metal. Ainda não assisti). Com isso, fica complicado um cara como Gervasi assumir um projeto grandioso como este. Fica óbvio para mim que ele, assim como Hitch, sofreu grande pressão para por em prática o seu filme e certamente passa essa angústia numa fita que claramente não é tão surpreendente assim, mas longe de ser esquisita demais e irregular.

Por outro lado, o filme tem um prólogo e epílogo que apreciei muito. Apresentado e narrado por Hopkins na pele de Hitch, igualzinho, como se estivéssemos assistindo mais um episódio do Alfred Hitchcock Presents (aliás, foi a televisão que o deixou mais rico e famoso!), só isso já vale o ingresso. Não vou revelar nada para evitar spoilers.



O foco é a relação entre o cineasta e sua esposa, “a dama oculta” ALMA REVILLE (1899-1982) o amor de sua vida e a mulher por trás do corpulento mestre. A sensacional, assim como Hopkins já levou um Oscar, HELEN MIRREN a interpreta e revela um lado que desconhecia, até sexy e despojado de Alma. Aquela senhora que sempre vejo nas fotos ao lado do marido, discreta, distinta, de óculos e com cara de Dona Amélia. Ainda não sei dizer se Mirren exagerou, mas certamente igual ao parceiro de cena, deixa uma ou outra caricatura, como uma mulher que tem o mesmo senso de humor dele (“Vamos vender a casa toda ou apenas a piscina”?) e que vive frustrada por quebrar os galhos do marido e nem sempre (ou quase sempre) não ser reconhecida por isso.


Hoje em dia, sabe-se que ela era mais do que a esposa e colaborada. Mesmo sem créditos, Alma sempre foi a força motriz da obra de Hicht, seja reescrevendo/ corrigindo os roteiros, ajudando na continuidade, figurinos, casting, enfim, dava palpites em tudo e geralmente era eficaz em seu olhar profissional e apurado. Hitchcock, sem sombra de dúvida, amava aquela mulher e seus casos extraconjugais com as louras não passavam de fantasias. Era platônica sua predileção por Grace Kelly e seu ódio e ressentimento por algumas delas como Vera Miles (JESSICA BIEL) duravam pouco tempo. Foi perverso com Kim Novak (de Vertigo, Um Corpo Que Cai – papel que seria de Vera que desistiu perto das gravações porque engravidou) e principalmente com Tippi Hedren (parte desta história é contada no recente telefilme com Toby Jones e Sienna Miller; The Girl da HBO) que sofreu horrores enquanto filmava Os Pássaros! De qualquer forma, ele transformou ambas em estrelas da noite para o dia (embora suas carreiras não tenham vingado nos últimos tempos).

O ponto alto do filme são as digressões “esquizofrênicas” de Hitchcock que em pesadelos, vira cúmplice do maníaco de Winsconsin, Ed Gein (MICHAEL WINCOTT), inspiração para a criação do personagem Norman Bates, papel imortal de Anthony Perkins (JAMES D´ARCY – ator do recente “A Viagem – Cloud Atlas”). Hopkins acordando assustado, comendo sem parar e totalmente hiperativo mostra um lado de Hitchcock que nunca havia sido revelado, que sim, era estranho e por isso interessante. Todos sabem dos traumas do diretor como lugares apertados, altura e principalmente da polícia, mas o problema se agrava quando ele suspeita que sua amada Alma esta tendo um caso com o escritor Whitfield Cook (1909-2003) no filme até bem interpretado por DANNY HUSTON. Cook havia adaptado Pacto SinistroStrangers on a Train , de Patricia Highsmith  um dos mais celebrados filmes do diretor, em 1951 (também chegou a colaborar na fita anterior do mestre: Stage Fright – Pavor Nos Bastidores estrelada por Marlene Dietrich). Com isso, sua relação com o casal tornou-se íntima, no sentido de que Cook era um visitante frequente na mansão onde residiam e grande amigo de Alma. É até interessante a tensão de ciúmes que ele sente por ela e sua falta de cavalheirismo assumindo um machismo hipócrita quando faz um desabafo egoísta magoando-a que sai de cena lindamente com a última palavra: sendo sua mulher, esteve sempre ao seu lado no fracasso e na vitória e sabiamente o filme evita os clichês: "na saúde e na doença, riqueza e pobreza" como sugere o discurso clássico matrimonial. Gostei disso, e além do mais, mostra que Hitchcock era um ser humano imperfeito e que genialidade tem limite. Mais a questão é: o que seria dele sem a “alma” de sua mulher?


O filme percorre por esse drama sem deixar o clima de humor negro que tanto fez parte de sua vida. Hopkins sabe fazer lindamente o seu caricatural Hitch (a maquiagem é boa), sobretudo quando está parado em pé de perfil ou mesmo sentado fazendo aquela expressão idêntica. Ele só é infeliz, algumas vezes e em certos diálogos, quando imprimi demais o seu próprio sotaque que lhe é bastante reconhecível. Mirren fica mais descolada como Alma que raramente aparecia em entrevistas (confesso que nunca a ouvi falar).

Quem esta perfeita, ao menos na caracterização, é SCARLETT JOHANSSON como Janet Leigh. Ela consegue transmitir o profissionalismo da atriz (ao longo da vida sempre elogiada por Hitchcock e Alma) e sua coragem e determinação ao se envolver de corpo (quase nu) e alma na famosa cena do chuveiro. Gosto também do papel de TONI COLLETTE como a secretária e assistente pessoal de Hitch, Peggy Robertson (1916-1998), que também fazia continuidade, supervisionava roteiro na maioria de seus filmes e que assim como Alma, não levava todos os créditos. Quem também me conquista é o ator MICHAEL STUHLBARG (de Um Homem Sério, A Serious Man, 2009) vivendo o agente e amigo fiel de Hitch, Lew Wasserman (1913-2002), o homem que conseguia passar pelos burocratas dos estúdios a favor do mestre, o representando. Era também amigo de Ronald Reagan e Bette Davis e tinha um importante cargo na MCA.


Anteriormente, o canal A&E chegou a produzir uma adaptação televisiva do livro de Rebello e que acabou sendo adotado como longa-metragem de ficção para o cinema. Assim, o projeto da TV foi cancelado e tudo começou a engrenar quando o cineasta e produtor IVAN REITMAN comprou os direitos para filmagem o financiando através de sua produtora, A Montecito Picture (também fundada por TOM POLLOCK que coproduz). A distribuidora original era a Paramount, a mesma de Psicose, só que depois de quatro anos em desenvolvimento e o projeto sendo arquivado, eles saíram da jogada e Reitman conseguiu novos acordos, desta vez com a Fox Searchlight Pictures, subsidiária da gigante Twentieth Century Fox.


Apesar de aparecerem em pouquíssimas cenas, ainda no elenco, nota-se o ator de Karatê Kid, Daniel LaRusso, RALPH MACCHIO, velho e irreconhecível, numa cena com Hopkins vivendo o roteirista Joseph Stefano (1922-2006), que em entrevistas parecia ser um sujeito normal! Há uma pontinha do designer gráfico e mestre das titulagens, Saul Bass (1920-1996) que é interpretado por WALLACE LANGHAM. Outro que esta notável é RICHARD PORTNOW como a pedra no sapato de Hitch, o lendário chefe da Paramount, Barney Balaban (1887-1971) e ainda o ótimo KURTWOOD SMITH (de vários filmes e séries de TV: Robocop I e That 70´s Show) interpretando o famoso censor Geoffrey Shurlock (1884-1976) que no final é persuadido por Hitch.


A trilha de DANNY ELFMAN é ótima e original e graças ao bom senso ele opta por não regravar nada de Bernard Herrmann, como o fez estupidamente naquela produção desnecessária em tentativa de homenageá-lo, a praga colorida que é “Psicose de 98” dirigido sem personalidade por Gus Van Sant.


Sem tantas surpresas, novidades, e por expectativas de minha parte que foram diminuindo com o passar do tempo depois de ler algumas críticas negativas (e assim fui banhado constantemente por água fria) e também devido a  demora para a grande estreia do filme, adiado algumas vezes (que acabou não acontecendo em grande circuito), “Hitchcock” é espirituoso, bem intencionado, mas nada de tão memorável, genericamente falando. A vantagem é que é estrelado e protagonizado por dois veteranos brilhantes e sua reconstituição de época é bastante cuidadosa, mas a direção de Gervasi é abaixo daquilo que se esperava de um projeto grandioso como este.


O que motiva os fãs é o “Good afternoon ladies and gentlemen” de Hopkins e a revelação de uma dama que também faz parte desta saga. Por trás de todo grande homem existe uma grande mulher e não de perfil como estamos acostumados a notar o diretor mais influente e amado da sétima arte. Obrigado Alma.


EUA
2012
DRAMA/BIOGRAFIA
COR
99 min.
FOX

     




FOX SEARCHLIGHT PICTURES Apresenta
Em Associação com COLD SPRING PICTURES
Uma  Produção THE MONTECITO PICTURE COMPANY
ANTHONY HOPKINS     HELEN MIRREN
SCARLETT JOHANSSON  
DANNY HUSTON   TONI COLLETTE   MICHAEL STUHLBARG
MICHAEL WINCOTT “Como Ed Gein”  JESSICA BIEL “Como Vera Miles”
JAMES D´ARCY    RICHARD PORTNOW 
KURTWOOD SMITH   RALPH MACCHIO
Diretor de Fotografia JEFF CRONENWETH   
Música de DANNY ELFMAN
Tema de “Psicose” BERNARD HERRMANN
Tema de “Alfred Hitchcock” Originalmente Por
CHARLES GOUNODFuneral March of a Marionette
Edição PAMELA MARTIN Cenografia JUDY BECKER
Figurinos JULIE WEISS 
Efeitos de Maquiagem por HOWARD BERGER & GREGORY NICOTERO
Co-Produtor JOHN SCHNEIDER
Produtores Executivos ALI BELL   RICHARD MIDDLETON
Produzido por IVAN REITMAN
ALAN BARNETTE   JOE MEDJUCK  TOM POLLOCK  TOM THAYER
Escrito por JOHN J. McLAUGHLIN
Baseado no Livro de STEPHEN REBELLO
Dirigido por SACHA GERVASI
HITCHCOCK ©2012 The Montecito Picture Company/ Fox Searchlight Pictures



8 comentários:

Patt Baleeira disse...

Bom Dia Rodrigo,
Tudo bem?

Li tanta crítica negativa que estava um pouco desanimada,rs.
Mas, ainda ansiosa para ver.
Única coisa que concordei quando vi o Making Off, foi sobre a o make up ficar caricato ao extremo deixando nosso IDOLATRADO Hopkins um tanto 'superficial', não em atuação.

Se tudo der certo conseguirei assistir.

Beijos queridão.

Elton Telles disse...

Hey Rodrigo!
Gostei do texto, meu caro, defendeu muito bem a sua percepção, mas eu odiei este filme de corpo e Alma (rs, q patético).

O que tu considerou como ponto alto, eu achei a coisa mais besta do filme, que são as intromissões de Eg Gein na história. Aff, desnecessário e gratuito. O prólogo e a cena final eu achei bem legais, bem criativas, mas o ciúmes infundado entre Hitch e Alma torna o projeto tão bobinho, tão blé. Tem pouco de cinema aí, e como eram os bastidores de "Psicose", achei que a produção do clássico apareceria mais, nem o D'Arcy aparece tanto! oO

Hopkins e Alma vestem bem as caricaturas, estão ok, mas o filme, pra mim, foi puro desgosto. No entanto, bacana fazerem uma comédia para retratar o Mestre do Suspense. Ideia genial.

(**) para este filme hehe.


Abs!

Markos Queiroz disse...

Não vi o filme, mas estou louco para ver. Li sua matéria e fiquei ainda mais afim de ver, enrolo demais para ver filmes, mas verei.
Achei legal a ideia de um filme contar uma parte da vida do Hitchcock, ainda mais sendo sobre um filme tão polêmico e que também que seja o melhor dele.

Abração Rodrido!

Rodrigo Mendes disse...

Patricia: Ainda bem que Hopkins procura não imitar o Hitch, já cai no caricato automaticamente. Eu percebe, pelo sotaque e outras coisitas mais que é o Hopkins. Só faltou ele fazer aquela expressão do Hannibal, rs De qualquer forma a maquiagem não faz tanto milagre, mas pelo menos deixa o ator com uma aparência cool.
Veja o filme e depois me diga o que achou. Bjs!

Elton: Discordamos mesmo e já explanamos nossas opiniões. No geral pode ter mais defeitos do que qualidade e verei isso nas revisões. É frustrante para um fã como eu. Entenda, por favor, rs!

Concordo contigo, por exemplo, nas poucas aparições do D'Arcy já que como Anthony Perkins mereceria mais destaque. Também o roteirista Stefano, Macchio subestimado. Nem comentei da ausência da filha do diretor, Patricia Hitchcock que faz a secretária que irrita Janet no escritório. É...um projeto como esses a gente espera sempre o melhor. Um diretor mais experiente, um Scorsese, mataria a pau! Provavelmente "Hitchcock" em anos será a minha guilty pleasure!
Abs.

Markos: Não perca mais tempo. Espero que não saia frustrado do cinema. Depois tb me diga...
Abs!






Fabio Pastorello disse...

Oi, Rodrigo. Belo texto, repleto de informações interessantes e de paixão. Concordo com você, a direção do estreante Sacha Gervasi não se destacou, mas fiquei tão fascinado pela história que acabei não me importando muito com isso. O filme chama mais atenção para Hitch do que para o próprio filme. Abs.

Amanda Aouad disse...

É isso, eu gostei do filme. Não é uma obra-prima, está longe de ser uma cinebiografia, nem a obra que Hitckcock merece. Mas, é envolvente e divertido. E tem ótimas cenas.

Discordo, no entanto, da interpretação de Anthony Hopkins, adoro o ator, mas achei que ele exagera no tom diversas vezes chegando a ficar caricato. Do contrário, adoro a interpretação de Helen Mirren. Aliás, acho que as mulheres roubam a cena aqui. Toni Collette está ótima como a secretária e tanto Johansson quanto Biel conseguem passar verdade em suas personagens / atrizes...

Enfim, é um bom filme, apesar de não ser O filme que estávamos esperando.

bjs

Reinaldo Glioche disse...

Belo texto Rodrigo. Um complemento obrigatório à experiência de assistir esse filme. Assim como vc, não o vejo como a decepção propagada, mas diferentemente de vc não vejo Hopkins grande aqui. Mas entendo que sua atuação comprometida é mais demérito da direção insegura do que do ator mesmo. Agora, concordamos: o ponto alto são as digressões esquizofrênicas de Hitch se tornando cúmplice de Ed Gein... é onde o filme se permite ser mais imaginativo!
Abs

Rodrigo Mendes disse...

Fabio: Concordo plenamente: "O filme chama mais atenção para Hitch do que para o próprio filme." Esse é o feeling desta sessão!

Obrigado. Abração!

Amanda: De qualquer forma Nanda, "Hitchcock" é um filme em que a simpatia ofusca qualquer vestígio e tamanha decepção. Obviamente, como fã, esperava mais da direção e roteiro, achava que teria mais surpresas, embora o prólogo e epílogo, por exemplo, sejam divertidos. Acabou que ficando com a sensação de que eu já sabia disso!

Eu já acho que Hopkins se sobressaiu mesmo. Hitch foi um ser tão único que facilmente cai no caricato e Hopkins, na minha opinião, evita isso, faz de seu Hitch uma trademark ainda pessoal.

E sim, Mirren, Johansson (essa pegou o jeito de Janet mesmo!!!), Biel e Collete, arrasam. Collete é até um destaque inesperado como Peggy e Mirren uma surpresa mais audaciosa com relação a Alma e ela provou mesmo que não conhecíamos a "dama oculta".
Bjs.

Reinaldo: Ed e Hitch, rs pelo menos estamos de pleno acordo com essas rubricas do script, rs! E sim, o filme é obrigatório para fãs, não só do mestre, mas de cinema em geral, quem aprecia espiar como funciona (ou funcionava) as realizações de uma película em Hollywood. Numa coisa Gervasi acertou e faço um adendo aqui: "Hitchcock" evidencia toda a loucura e hipocrisia do sistema norte americano cinematográfico!

Abs.

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