sexta-feira, 22 de março de 2013

OS DEZ MANDAMENTOS

“Assim está escrito... e assim será feito”

A saga de Moisés, hebreu de nascimento e príncipe do Egito por adoção, e sua descoberta ao se comunicar com Deus numa missão perigosa para libertar seu povo da escravidão. Direção de Cecil B. De Mille
Pode parecer absurdo e vulgar ou como também eram definidos os filmes do famoso diretor de cinema CECIL B. DeMILLE (1881-1959): de espetáculos pseudo-religiosos e kitsch. Este Showman fazia de suas fitas eventos épicos. De qualquer forma, mesmo sendo o que são seus filmes foram sempre mais divertidos, sobretudo quando criança, e aprender religião com eles, obras colossais, era mais eficiente do que ouvir sermão do padre e da professora de catequese. É dele outras obras do gênero, sempre interessantes e com espírito de matinês; SANSÃO E DALILA (Samson and Delilah, 1949, com Hedy Lamarr e Victor Mature), CLEÓPATRA (Idem, 1934 estrelada por CLAUDETTE COLBERT anos luz a frente da versão com Elizabeth Taylor produzida na Fox por Mankiewicz), VENDAVAL DE PAIXÕES (Reep the Wild Wind, 42, com John Wayne e Ray Milland), O ÚLTIMO ESPETÁCULO DA TERRA (The Greatest Show on Earth, 1952, este que é o seu penúltimo filme e também estrelado por Charlton Heston e também participação de James Stewart), enfim, entre os 80 títulos como diretor e mais alguns apenas como produtor, De Mille é o meu Spielberg das obras bíblicas!


De Mille comandando seu último e mais ousado filme
Somente ele para guiar, como Moisés, uma legião de extras, equipe de filmagem, elenco, etc, numa jornada que foi filmada nos lugares sagrados do Sinai e Egito num dos maiores sets já realizados para uma rodagem cinematográfica. Pode não ser uma obra-prima propriamente dita como qualquer filme de Hitchcock, Truffaut, Kubrick ou Murnau, mas é impressionante passar algumas longas horas diante à TV apreciando cada detalhe desta devastadora e gigantesca obra do entretenimento, as cores, figurinos, direção de arte, tudo me entorpece.

Ganhou apenas um prêmio da Academia, Melhores Efeitos Especiais para o técnico JOHN P. FULTON (1902-1966) e ainda é impressionante a cena do mar vermelho filmada em um tanque e com a magia da montagem (de Anne Bauchens) retroceder a película para parecer que a água esta abrindo passagem para a fuga dos hebreus! Uma imagem que não sai da cabeça, um daqueles momentos icônicos do cinema. Também teve o mérito (provavelmente em respeito à De Mille por sua contribuição a indústria e ser um dos primeiros chefões da Paramount Pictures) de ser nomeado para Melhor Filme, mas pelo menos nas categorias técnicas, merecia ser vitorioso: Fotografia (Loyal Griggs), Figurinos, mais um impressionante trabalho chefiado pela lendária EDITH HEAD (1897-1981 costume designer que já ganhou 8 Oscars e era fiel colaboradora do estúdio, no caso a Paramount e também tinha ótimas relações com Hitchcock tendo feito a maioria de seus filmes), Edição, Som (Loren L. Ryder) e obviamente Direção de Arte. Tanto capricho e trabalho árduo (De Mille, inclusive, estava muito doente durante as gravações e teve que se ausentar um período, mas continuaram a rodar o filme sem ele) para contar a famosa história bíblica mixada com fantasia e toda a moralidade importante do Antigo Testamento numa narrativa romanceada - escrita por diversos roteiristas - da vida de Moisés desde o momento que foi encontrado no Rio Nilo no cesto que leva o seu nome até a chamada Terra Prometida, vivendo como um príncipe até descobrir sua verdadeira identidade e abraçar a causa de seu povo hebreu, escravizados durante décadas pelo governo egípcio e do tirano Faraó (o ótimo SIR. CEDRIC HARDWICKE) que o criou como filho, passando por sua expulsão do reino, seu encontro com o divino, a fuga pelo Egito e o clímax que se sucede nas águas do mar vermelho e muito, muito mais, De Mille constrói uma obra enorme e detalhada que ainda mostra o que acontecera depois que Moisés foi testemunha da escrita sagrada divina nas pedras que continham os próprios Dez Mandamentos. É muita coisa, com um elenco de astros e estrelas, a sessão parece não ter fim, ainda assim, é um agrado inexplicável, mesmo para aqueles, como eu, que não é fã de contos e histórias com essa temática. No entanto, assistir qualquer fita do De Mille me faz ser aquele cinéfilo adepto a blockbuster clássicos e descobrir cada vez mais sobre a magia do cinema, o único meio midiático que nos transporta no tempo. Eu gosto.



Em outras palavras, é um triunfo pessoal do diretor que já havia feito outra versão, muda, em 1923 (33 anos antes), na Paramount, o maior épico lançado naquela época, produzido por Jesse L. Lasky e Adolph Zukor com script assinado por Jeanne MacPherson e estrelado por Theodore Roberts (1861-1928) vivendo Moisés. Acredito que era quase que uma obsessão do cineasta que nutria paixão pela premissa e se fosse vivo hoje, faria mais uma terceira versão com tudo que a tecnologia oferece hoje em dia. Imaginem Dez Mandamentos por De Mille em 3D?

Esta dedicação aconteceu logo após a conclusão de “O Maior Espetáculo da Terra” e estava claro que este seria o mais ousado e grandioso filme já feito e não haveria nem sequer alguma comparação com sua versão anterior. Até porque, cada filme é um reflexo de sua época e os limites técnicos são evidentes para suprir as suntuosidades e extravagâncias desde o projeto, pré-produção, filmagem e pós- produção. Conseguem imaginar o storyboard utilizado? Segundo fontes, mais de 1.200 quadrinhos foram meticulosamente desenhados, o que seria algo inédito para a época (o que me leva a compará-lo com Steven Spielberg) e até porque, além do elenco principal de personalidades famosas, havia cerca de mais de 70 personagens, todos com diálogos diferentes. Sim, ele dava importância até mesmo para a figuração!

O filme acabou sendo um marco na carreira de CHARLTON HESTON saudoso astro de Ben-Hur e Planeta dos Macacos que dispensa mais comentários... Sou fã, e foi o primeiro papel bíblico dele no cinema e não tem como negar, ele é o Moisés perfeito. Dizem que foi graças ao filme que Heston foi a primeira e última escolha do diretor William Wyler para viver Judah Ben- Hur (um dos meus filmes de cabeceira!). Acabou sendo este o último filme dirigido por De Mille! Infelizmente, ele havia sofrido um ataque do coração durante as filmagens, certamente devido às condições complicadas, digamos, ensolaradas, de estar no Oriente Médio, mas depois de ficar afastado, ele retornou ao trabalho, ainda debilitado, contrariando ordens médicas.

O roteiro não é uma adaptação fiel (eu nunca li a Bíblia, mas é o que afirmam, inclusive De Mille em entrevistas) Baseia-se principalmente em Eusébio de Cesareia e Flávio Josefo, contando, mesmo que ao modo do diretor, ou seja, extravagante e motivo pelo qual foi severamente criticado por religiosos devotos, mesmo o filme sendo “leve” e “familiar”, apesar das tiradas até mesmo sexuais de Anne Baxter.



O filme também faz dos trinta anos da vida de Moisés nada idêntico como se lê na bíblia. Na verdade, é difícil saber com precisão a vida daquelas pessoas e quem me garante que tudo que está escrito na bíblia é verdade? Deus ou o arrogante homem? Enfim, fazendo do berrante, atrevido, clichê, uma bela mistura, fórmula que aprecio em seu cinema, De Mille entrega um filme que não é convencional com as escritas do sagrado.  É de mal gosto e barato para muita gente, mas não consigo ser duro com o filme, que como havia dito e volto a afirmar exemplificando, é muito mais legal do que uma “Paixão de Cristo” de Mel Gibson! E vendo pelo ponto de vista lógico, seria impossível De Mille, em uma obra tão extensa como esta, não deturpar alguns fatos, até porque não seria possível encaixar romance, luxúria e vingança, na trama.



Seria William Boyd a escolha inicial para interpretar Moisés. O ator já havia feito figuração para De Mille no início da carreira, naquela fita com Gloria Swanson; Why Change Your Wife? (de 1920 – provavelmente desconhecido do grande público). Mas o papel estava realmente destinado à Heston, que inclusive teve uma relação muito mais forte com a produção, seu primeiro filho, recém-nascido, interpretou o Moisés bebê!


Para criar alguns efeitos especiais desafiadores, além do mar vermelho, a tempestade de areia, De Mille pediu gentilmente a Força Aérea Egípcia uma máquina especial – como se fosse um ventilador gigante – para criar as ventanias. Era tudo na raça e com imaginação, para então pular obstáculos num tempo que não existia tecnologia digital e computação gráfica. Até mesmo na cena da bola de fogo, tudo realizado sem computador e a reação as tais proezas ainda funciona e é muito mais eficiente e real do que qualquer manipulação falsa de produções atuais.

Neste filme tem tanta gente trabalhando que só depois fui conferir curiosidades como a ponta da filha de Hitchcock, Patricia, fazendo uma lady na corte do Faraó ou mesmo a presença notável (e demorei para perceber) do ator H. B. Warner, de filmes como A Felicidade Não Se Compra, de Capra,  um velho amigo e colaborador de De Mille que tem neste filme seu último papel. Nem havia percebido que ele fazia aquele senhor que pede para morrer durante a tensa sequência do êxodo dos hebreus pelo deserto.


Originalmente seria VICTOR YOUNG que ganhou um Oscar pela trilha musical de A Volta Ao Mundo em 80 Dias (Around The World in Eighty Days, 1956 de Michael Anderson, aliás, ganhou cinco prêmios incluindo o de Filme para o produtor Michael Todd) que faria a música. Young já era parceiro do diretor desde 1940, mas não aceitou o projeto devido a complicações de saúde, o que fez De Mille depositar as esperanças no então jovem ELMER BERNSTEIN (1922-2004) de fitas interessantes como, o premiado Thoroughly Modern Millie, 1967, de George Roy Hill e também autor de vários outros clássicos como Os Caça-Fantasmas (84 de Ivan Reitman), Sete Homens e um Destino (1960 de Sturges), O Sol É Para Todos (1962 de Robert Mulligan), Meu Pé Esquerdo (1989 de Jim Sheridan) e A Época Da Inocência (1993 de Scorsese) dentre outros. Bernstein era um mestre no que fazia e tão notável como Williams, Herrmann ou Goldsmith. A música-tema de Os Dez Mandamentos é um perfeito exemplo de sonoridade tão mítica quanto o próprio filme. O mais curioso é que a música é até sutil, mas consegue descrever os fatos apresentados (De Mille faz um ótimo prólogo como apresentador e depois narra todo o filme).

O legado de De Mille é evidente ainda mais quando produções referentes ao assunto se inspiraram em seu estilo e arte. Vide, por exemplo, o desenho da DreamWorks, o bonitinho O Príncipe do Egito (The Prince of Egypt, 1998) com direção de Brenda Chapman, Steve Hickner e Simon Wells, que fazem um filme tão familiar e acessível como qualquer produção Disney, isto é, bem desenhada, escrita e com canções chiclete. Já assisti muito na época e confesso também ter predileção.


Nem falei de todo o  elenco... Além de Heston (um galã dos deuses e o meu predileto dos filmes épicos), tem o grande YUL BRYNNER (1920-1985) como o vilão e irmão adotivo de Moisés, Ramsés, invejoso e impiedoso. Certamente é a melhor personificação deste lendário ator no cinema. No entanto, quem esbanja presença é a sensual e má (sempre foi ela A Malvada e nunca a Bette Davis!) ANNE BAXTER (1923-1985) como a obcecada por Moisés, louca e ambiciosa, Nefretiri, uma cobra criada no palácio. Ela rouba todas as atenções do filme em praticamente todas as suas cenas. De fato, Baxter era linda de morrer, fora uma grande estrela e o Oscar apenas como melhor atriz coadjuvante em O Fio Da Navalha (The Razor´s Edge, 1946 de Edmund Goulding, diretor do regular Grande Hotel) foi muito pouco! Demorei algum tempo até apreciá-la, sua entrega ao papel de Eve em “A Malvada” foi tão envolvente que fiquei com sentimento de rancor por ela (risos), mas depois de vê-la em A Tortura do Silêncio (I, Confess, 1953, de Hitchcock, fui-me afeiçoando). 


BRYNNER e BAXTER malvados! Sensacionais!

Tem ainda o sensacional EDWARD G. ROBINSON um homem inescrupuloso que faz política com a vossa majestade em troca de favores, o mais odiável de todo o filme, Dathan, que no final passa para o lado de Moisés para depois ficar contra o herói chagando a irritação. 

E ainda tem VINCENT PRICE interpretando um papel totalmente diferente do que faria posteriormente, como outro vigarista da corte, Baka, e ainda as belezas femininas de YVONNE DE CARLO, DEBRA PAGET e NINA FOCH!

Megalomaníaco, eis um cineasta de mão cheia. DE MILLE realiza o maior feito em toda sua carreira. Digam o que quiserem, mas Os Dez Mandamentos é uma aventura história bíblica dramática e familiar das mais tradicionais e clássicas. Em todos os tempos é um filme seminal. Pode não ter sido feito exatamente do jeitinho que estava escrito, mas na bíblia de De Mille não tem como negar a frase: “Assim está escrito... e assim será feito!” E o fez. Amém.


E só para lembrá-los:

1º - Amar a Deus sobre todas as coisas.
2º - Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
3º - Lembra-te do dia de Domingo para santificá-lo.
4º - Honrar pai e mãe.
5º - Não matarás.
6º - Guardar castidade nas palavras e nas obras.
7º - Não roubar.
8º - Não levantar falsos testemunhos.
9º - Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
10º- Não cobiçar as coisas do próximo



EUA
1956
AVENTURA/DRAMA/BÍBLICO
COR
220 min.
PARAMOUNT
        
      
     


 PARAMOUNT PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO CECIL B. DEMILLE
THE  TEN  COMMANDMENTS
ESTRELANDO: CHARLTON HESTON. YUL BRYNNER. ANNE BAXTER
EDWARD G. ROBINSON. YVONNE DE CARLO. DEBRA PAGET. JOHN DEREK
SIR. CEDRIC HARDWICKE. NINA FOCH. MARTHA SCOTT
JUDITH ANDERSON. VINCENT PRICE. JOHN CARRADINE
Roteiro para a Tela AENEAS MACKENZIE. JESSE L. LASKY, JR.
JACK GARISS. FREDRIC M. FRANK
Baseado nas SAGRADAS ESCRITURAS e outros escritos antigos e modernos
Baseado também em: “Prince Of Egypt” de DOROTHY CLARKE WILSON
“Pillar of Fire” de J. H. INGRAHAM & “On Eagle´s Wing” de  A.E. SOUTHON
Música de ELMER BERNSTEIN Produtor Associado HENRY WILCOXON
Fotografado por LOYAL GRIGGS Montagem por ANNE BAUCHENS
Direção de Arte por ALBERT NOZAKI. HAL PEREIRA. WALTER TYLER
Produzido por MOTION PICTURE ASSOCIATES, INC.
DIREÇÃO CECIL B. DEMILLE
TECHNICOLOR ® UM FILME PARAMOUNT 
THE TEN COMMANDMENTS ©1956


6 comentários:

Hugo disse...

Gosto destes clássicos grandiosos, com longa duração e um enorme elenco.

Realmente "Os Dez Mandamentos" é um filmaço, graças ao maluco Cecil B. DeMille.

Abraço

M. disse...

O filme é muito longo e intenso. Uma de minhas cenas preferidas é a passagem do Mar Vermelho! Eu tenho esse clássico em minha DVDteca! Excelente texto!

Amanda Aouad disse...

Belo resgate, Rodrigo. Daqueles clássicos de antigamente, hehe. Pomposo, épico e com ótimos momentos. Vi várias vezes com minha mãe que sempre adorou esse tipo de filme.

bjs

Jefferson C. Vendrame disse...

Grande Post, muito bem escrito e organizado! Parabéns Rodrigo!
Esse épico bíblico, ao meu ver, é o maior de todos entre seu gênero. Cecil B.De Mille encerrou com chave de ouro sua participação na história do cinema. As interpretações de Heston, Brynner e Baxter são dignas de Oscar e a trilha sonora inesquecível. A última versão do dvd, como você já deve ter visto,lançada pela Paramount, é uma preciosidade, repleto de extras (incluindo a primeira versão do filme de 1921), desde sua embalagem, até sua remasterização, é show! Um filme obrigatório em qualquer coleção.

Abração

Rodrigo Mendes disse...

Hugo: Faço coro: De Mille era maluco. Rs Graças a Deus. Meu primo também é fascinando por obras épicas clássicas, com multidões de gente e tudo mais...
Abs.

M: A cena mais antológica e a mais funcional dentre todas as versões de Moisés (mesmo o desenho "O Príncipe do Egito" ter sido fofo e emocionante). É um filme de cabeceira mesmo. É pra ser!
Bjs. e obrigado querida.

Amanda: Minha Avó é fã tb. Vi com elas algumas vezes. De Mille fazia filmes pomposos, realmente.
Bjs.

Jefferson: Compartilhamos da mesma opinião e a mesma edição deste DVD. Tb tenho e adoro. A versão muda é uma raridade e naquele tempo já era grandiloquente.
Obrigado Jeff, mesmo!
Abração!

Paulo Telles disse...

Olá Rodrigo, estive revisitando seu espaço nobre quando me deparei com este artigo sobre OS DEZ MANDAMENTOS, pois sei que andei afastado tanto de escrever em meu espaço quanto de visitar os espaços amigos.

DeMille na minha concepção pode ser enquadrado de "maluco" hoje em dia, mas não creio que fosse, pois maluquice e excentricidade são duas coisas bem diferentes. Difícil mesmo nos dias de hoje que haja um cineasta, gaste o quanto gaste e seja o melhor em seu ramo, que saiba coordenar tão bem cenas de multidão, mesmo tendo o apoio de diretores de segunda unidade.

OS DEZ MANDAMENTOS foi uma obra reprisada ao longo dos anos em muitos cinemas brasileiros desde seu lançamento aqui em 1957, principalmente em passagens de Natal e Semana Santa, mas imaginem aos mais jovens que não havíamos nem vídeo cassete ou vídeo-locadoras, o que explica tal obra (e entre outras, como E O VENTO LEVOU, BEN-HUR, QUO VADIS...) reprisar constantemente em muitas de nossas salas nos períodos entre os anos de 1960 e 1970.

Bela matéria Rodrigo!

Nobre abraço!
PAULO TELLES
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