ACORRENTADO!
Barnabas Collins,
de uma rica família influente, é amaldiçoado pela criada bruxa que o amava e
depois de ser renegada o transforma em um asqueroso vampiro e o deixa preso, acorrentado
dentro de seu caixão por séculos. Posto em liberdade, ele retorna à sua antiga
mansão, onde seus descendentes disfuncionais necessitam de sua proteção.
SESSÃO SURPRESA < Parte 2>
Muita gente torce o nariz para
este que é uma retomada surpreendente do diretor TIM BURTON depois de algumas decepções (preciso falar de “Alice”?) Na verdade é
uma comédia sobre o tema familiar, macabro (não poderia ser de outra forma em
um material desenvolvido por Burton) e uma grata surpresa pessoal e
evidentemente, depois de adquirir o filme recentemente e revê-lo, não poderia
faltar na segunda sessão sem aviso prévio no Cinema Rodrigo! Não sei, mas acho
que provavelmente eu estou sozinho na escuridão por ser um dos poucos a amar
este filme. Sim, gostei mesmo! Não vou dizer apenas que gosto da fita por ser
fã do diretor, que, aliás, já me decepcionou amargamente pelo menos duas vezes.
Não é o caso aqui. Desta vez, Depp, além de produtor do filme, esta no papel
central, vivendo um aristocrata do século XVIII que foi amaldiçoado,
transformado numa besta sugadora de sangue, mas com princípios e totalmente
descolado no tempo quando é despertado, ou melhor, libertado, no século XX (os
loucos anos 70!).
Em 1752, uma família inglesa (os
Collins), parte de navio do porto de Liverpool
para tentar a vida na America do Norte.
O filho, Barnabas (Depp), torna-se um
playboy inveterado, poderoso e de muita fama em Collinsport. Seu erro foi se envolver com a sedutora Angelique Bouchard, a ótima EVA GREEN, uma bruxa de imenso poder que
decide vingar-se depois do riquinho ter partido seu coração decidindo se casar
com alguém de sua classe, Josette DuPres
(a também ótima BELLA
HEATHCOTE – talvez
o maior erro foi mostrá-la pouco no meio da trama e a atriz retorna em outro
papel). Com isso, Angelique se enfurece de vez e o transforma em um vampiro,
isso depois de ter enfeitiçado Josette fazendo-a se atirar de um penhasco. Como
ela desejava que Barbabas sofresse eternamente como um imortal, a víbora do
capeta ainda decide enterrar o coitado, acorrentado e vivo!
Séculos depois, no ano de 1972,
Barnabas é libertado e retorna para encontrar sua mansão, que se encontra em
estado deplorável, em ruínas, porém habitável, ocupada por seus descendentes disfuncionais
e outros moradores, dois criados, uma velhinha nem um pouco tagarela e o ótimo JACKIE EARLE HALEY
(que demorou para
acertar depois de Pecados Íntimos e Watchmen – O Filme) como Willie Loomis. A matriarca
da família, Elizabeth Collins Stoddard
não poderia ser outra beldade, afinal é a diva e estonteante MICHELLE PFEIFFER (Batman– O Retorno)
em um grande retorno com Burton e também afirmou ser fã da série na qual se
origina. Ela aceita Barnabas rapidamente com a condição de manter a verdade
horripilante em segredo. Outra que acaba descobrindo a maldição da família é uma
psiquiatra contratada para atender os problemas psicológicos de um garotinho (David Collins – a revelação mirim GULLIVER McGRATH), a sempre caricata nos filmes
do marido, mas aqui acerta no tom, HELENA
BONHAM CARTER,
vivendo a curiosa Dr. Julia Hoffman,
outra que se envolve quase romanticamente com o herói por interesse. Na família
ainda há um pai irresponsável, Roger
Collins, JONNY
LEE MILLER que
também esta interessante, mas sai da trama abruptamente; e uma adolescente
típica que adora se trancar no quarto e ouvir um rock da pesada, a sempre ótima
CHLOË GRACE
MORETZ (de Kick-Ass
e A Invenção de Hugo Cabret)
num papel que é a sua cara: Carolyn
Stoddard, que também é amaldiçoada, assim como o primo (que vê figuras
fantasmagóricas), no caso dela, vira lobisomem (ou Wolfgirl
se preferir)! Só que apenas conhecemos esses membros esquisitos (poderiam ser
vizinhos da Família Adams), através
de uma garota que vai até a cidade litorânea com a intenção de ser tutora do
menino, Victoria Winters, a
reencarnação de Josette que acaba sendo o novo interesse óbvio romântico de
Barnabas.
É esta trama saborosa, ágil e criativa, que fez de 2012 um bom ano para Burton que depois lançaria outro ótimo divertimento, a animação Frankenweenie.
É esta trama saborosa, ágil e criativa, que fez de 2012 um bom ano para Burton que depois lançaria outro ótimo divertimento, a animação Frankenweenie.
Dark Shadows foi, na verdade, a pioneira no conceito de uma novela, ou como os americanos chamam de soup opera (ópera de sabão) que trouxe perfeitamente elementos do sobrenatural. A criação de DAN CURTIS (1927-2006) acabou sendo massivamente imitada nos anos seguintes. O ator canadense que viveu o Barnabas na telinha (entre 1967-71) atende pelo nome de JONATHAN FRID (1924-2012) que faz uma ponta no filme como um dos visitantes da festa.
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| JONATHAN FRID |
A série se tornou popular por ser uma atração caseira de matinê nunca antes vista e a rede de TV ABC apostou no projeto de Curtis que dizia que a inspiração surgiu depois de um sonho que consistia em uma bela garota fazendo uma longa viagem de trem indo em direção a uma mansão misteriosa. Depois de exibir o vampiro principal, Curtis e diversos roteiristas, incluindo Art Wallace (que escreveu em grande quantidade e depois retornaria com a série numa adaptação para os anos 1990), incluíram fantasmas, lobisomens, zumbis, bruxas, monstros de todo o tipo, viagem no tempo, universo paralelo e tudo que é necessário na construção de um plot do gênero fantástico alavancando e entorpecendo a audiência. Acredito que outros seriados clássicos como The Twilight Zone – Além da Imaginação (1959-1964) de Rod Serling exibido na concorrente CBS tenha sido alguma inspiração para Curtis. O mais atrativo é que a obra consegue manter elementos dramáticos e a série é famosa por ter trazido desempenhos seminais de seu elenco original. É tanta hibridização e o “de se levar a sério” numa série de situações vividamente tiradas de filmes B de terror e ficção-científica antigos, que a novela até hoje, ao menos nos Estados Unidos (e confesso que ainda não assisti nenhum episódio, só vi alguns trechos e documentários na internet) mantêm seu status de cult.
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| Menosprezo e Obsessão |
A trilha sonora é brilhantemente
selecionada com músicas da época, incluindo o ícone ALICE COOPER que inesperadamente faz uma participação
especial no filme como ele mesmo. A música (a orquestrada continua assinada por
Danny Elfman) faz com que o cenário
cultural dos anos 70 aflore de maneira vigorosa. Burton nunca havia explorado
este período tão explicitamente, já que a premissa cai novamente num âmbito
massivamente explorado pelo diretor em outras fitas (A
Lenda Do Cavaleiro Sem Cabeça, Sweeney Todd, Alice). No entanto, graças à própria
estória original, ele pode usar e abusar dos tempos em que os Carpenters se apresentavam ao vivo pela
TV cantando “Top of The Word”. Enfim,
simplesmente tenho grande predileção pela trilha e principalmente nas
divertidas passagens de tempo mostrando Barnabas tentando se acostumar com os
novos hábitos (morro de rir quando ele faz de tudo para dormir bem fora de seu
caixão!).
Acreditem se quiser, mas “Sombras” já é o oitavo filme de Burton com Depp e o sétimo com a mulher, Helena, além de ser o quinto com o lendário CHRISTOPHER LEE, grande amigo seu que faz uma pontinha como um capitão pesqueiro.
Soube que o filme conseguiu ser muito fiel à série, por exemplo, na primeira cena em que Barnabas desperta e sai caminhando em 1972, se aproximando de Collinsport questionando as aparências de um novo mundo, é uma cópia direta da primeira cena de Frid na novela.
As ondas sucessivamente constantes nas pedras do penhasco é também uma representação fiel da concepção original. Evidente que o filme traz mais características do estilo Burton (Depp escovando os dentes sem refletir no espelho ou mesmo a sequência com os hippies) já são momentos discursivos, alguns desde o trailer já evidenciavam, como por exemplo, a entrada de Depp num armazém com a família extremamente gótico e com um guarda chuva nem um pouco atípico, outros, acabaram sendo momentos de graça geniais como confundir o logotipo do McDonald´s com um símbolo de satã (Mephistopheles)!
Anne Hathaway e Jennifer Lawrence (bem antes do rebuliço do Oscar, mas já notável em Inverno Da Alma) fizerem testes para viver Angelique. Além de Frid, outros membros da série fizeram pontas na figuração da festa: Lara Parker (Angelique), David Selby (Quentin Collins) e Kathryn Leigh Scott (Maggie Evans/Josette).
Para se preparar para o papel, Depp encarou um regime complicado numa dieta cruel de chá verde e de baixo açúcar. O maquiador Joel Harlow (que trabalhou com Depp na série Piratas do Caribe) aplicou diversas camadas de maquiagem branca personalizada no ator para criar a pele giz branco de Barnabas. Em vários momentos, Green também esta “pesada” com sua maquiagem, assim como a personagem de Bonham Carter quando começa a aplicar o sangue vampiresco e a se transformar.
Burton queria que o filme refletisse a época de sua criação (e a trama se passa um ano depois do cancelamento da série), portanto, para obter o resultado desejado, o cineasta mostrou ao diretor de fotografia Bruno Delbonnel (que já fotografou obras como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean-Pierre Jeunet e Across the Universe de Julie Taymor) vários filmes de vampiros dos anos 70 para ajudá-lo a compreender o modo como o filme deveria ser captado.
Vale ressaltar que este é o último filme produzido pelo lendário produtor RICHARD D. ZANUCK (1934-2012) parceiro de Burton desde 2001 com Planeta dos Macacos. Ele também já produziu outros inúmeros filmes de sucesso como o pai dos blockbusters, Tubarão – Jaws de Spielberg!
Esta já é a terceira adaptação para o cinema, os outros são: Nas Sombras Da Noite (House of Dark Shadows) e Maldição Das Sombras (Night of Dark Shadows) dirigidos pelo próprio Dan Curtis em 1970/1971 e sempre estrelado por Frid como Barnabas. Sem contar nas versões para TV, em 1991 estrelada por Ben Cross (ator do famoso As Carruagens de Fogo - como Barnabas) e o hoje famoso Joseph Gordon-Levitt em um de seus primeiros papéis de destaque, vivendo Daniel Collins (ele já atuava desde 1988 e na época da série já tinha 10 anos).
No filme, Angelique constrói
uma fábrica pesqueira rival, o Angel Bay
Seafood, a fim de derrubar os Collins. Esse fato acontece na primeira
temporada da série através do personagem Burke
Devlin interpretado primeiramente
por Mitch Ryan e depois substituído
por Anthony George.
Visualmente Tim Burton, Sombras Da Noite é um aperitivo macabro e selvagem, repleto de humor negro e pitadas sexuais, e quero deixar bem claro que não uso LSD, maconha ou qualquer coisa que o valha ao afirmar isso.
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| Nos bastidores: Pfeiffer parece concentrada. Burton orienta Lee Miller |
2012
COMÉDIA
COR
113 min.
WARNER
★ ★ ★
WARNER BROS. PICTURES Apresenta
UM FILME DE TIM BURTON
JOHNNY DEPP
DARK SHADOWS
MICHELLE PFEIFFER
HELENA BONHAM CARTER
EVA GREEN
JACKIE EARLE HALEY
JONNY LEE MILLER
CHLOE GRACE MORETZ
BELLA HEATHCOTE GULLY McGRATH
Com: ALICE COOPER CHRISTOPHER LEE
Elenco SUSIE FIGGIS Trilha Musical de DANNY ELFMAN
Co-produtor KATTERLI FRAUENFELDER Figurinos COLLEEN ATWOOD
Montagem CHRIS LEBENZON Cenografia RICK HEINRICHS
Diretor de Fotografia BRUNO DELBONNELL, AFC,
ASC
Produtores Executivos CHRIS LEBENZON
TIM HEADINGTON e BRUCE BERMAN
Baseado na Obra de DAN CURTIS
Argumento JOHN AUGUST SETH GRAHAME-SMITH
Roteiro SETH GRAHAME-SMITH
Produzido por GRAHAM KING JOHNNY
DEPP
CHRISTI DEMBROWSKI DAVID KENNEDY
& RICHARD D. ZANUCK
Dirigido por
TIM BURTON
DARK
SHADOWS
©2012 Warner Bros. Pictures
Village Roadshow/Infinitum Nihil/GK
Films

















5 comentários:
Não é mesmo dos piores, mas também não tem o brilho de outras obras de Tim Burton. Não acompanhei a série para fazer a comparação, mas mesmo assim, achei interessante.
bjs
O filme é bacana e tem os seus bons momentos, mas eu esperava mais do filme. Ficou faltando algo, sei lá... É divertido, mas só.
Nanda: Preciso comprar esta série por tudo que li em pesquisas, deve ser muito legal. Em matéria de soup opera, foi a mais discursiva nos EUA e tem uma legião de fãs. O filme do Burton em comparação com os demais que ele fez, realmente não chega a ter um brilho de Edward Mãos de Tesoura, mas em compensação é bastante alegre, gótico e uma surpresa.
Bjs.
Alan: Às Vezes o pouco é muito. Se formos comparar com o "Alice", né?
rs
Abs.
Como sempre esperamos muito de Tim Burton e Johnny Depp, o filme acabou ficando abaixo da expectativa, mas com certeza tem momentos divertidos.
Abraço
Hugo: Eu achava que o filme seria um total desastre na primeira vez que ouvi falar dele. Depois de Alice, fiquei desesperançoso com Burton/Depp. Logicamente que foi uma grata surpresa!
Abs.
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