terça-feira, 9 de abril de 2013

CABARET

A VIDA É UM CABARET!

Artista americana envolve-se com dois homens, enquanto o partido Nazista sobe ao poder na Alemanha dos anos 30.
Este é o grande musical, um super espetáculo dos anos 70, o maior prestígio da carreira de LIZA MINNELLI e do diretor BOB FOSSE (1927-1987) que realiza aqui o seu segundo longa metragem depois do também notável Charity, Meu Amor (Sweet Charity, 1969 com Shirley MacLaine). Na verdade, eu comecei a apreciar os musicais (até mesmo Cantando na Chuva, West Side Story, dentre outros) depois de observar que existiu um dos maiores nomes do gênero capaz de deixar uma marca registrada em tudo que fazia. Esta figura é Fosse o lendário e cínico (no bom sentido) bailarino, coreógrafo, diretor e fenômeno da Broadway. Tão cheio de estilo quanto Busby Berkeley. Cada movimento corporal em uma dança concebida por Fosse é facilmente reconhecido. Dirigiu pouco, mas filmes belíssimos e é o homem por trás de obras como Chicago (Idem, 2002 – outro triunfo e só não foi melhor porque não foi realizado por ele). É dele, também, o especial televisivo LIZA com Z, outro grande momento da estrela Liza; Lenny (Idem, 1974) outro musical, estrelado por Dustin Hoffman em papel subestimado apesar de ter tido seis indicações ao Oscar (incluindo Hoffman e Fosse!), o sensacional ALL THAT JAZZ - O Show Deve Continuar, 1979, também vencedor do Oscar e provavelmente sua obra-prima numa trama que chegou a prever sua própria morte, estrelada brilhantemente por Roy Scheider (1932-2008) no maior papel de sua carreira e que certamente é um musical autobiográfico na qual é visível notar Scheider interpretando Fosse e todas aquelas rubricas poéticas no script na qual o protagonista conversava com um anjo da morte interpretada por Jessica Lange. Seu último filme foi STAR 80 (Idem, 1983) com Mariel Hemingway e Eric Roberts e novamente no submundo dos bastidores do show business e curiosamente não é um musical, sendo inspirado na história verídica da Playmate Dorothy Stratten.


O mais curioso e impressionante é que o filme papou os principais prêmios da Academia daquele ano conseguindo vencer o favorito, O PODEROSO CHEFÃO de Francis Ford Coppola. Ganhou de Diretor, Atriz, Ator Coadjuvante, o inesquecível JOEL GREY, como o “Mestre Das Cerimônias”, Direção de Arte, Fotografia, o mestre GEOFFREY UNSWORTH (1914-1978/ de 2001 – Uma Odisséia No Espaço, Superman, Assassinato No Expresso Oriente), Edição, Música e Melhor Som. Foi indicado para Melhor Filme e Roteiro escrito por JAY PRESSON ALLEN (roteirista de Marnie, Confissões de Uma Ladra, de Hitchcock e também indicada ao Oscar por O Príncipe da Cidade de Lumet) que faz uma adaptação interessante. Trata-se de uma peça teatral I´m Camera de John Van Drutten e no próprio musical escrito originalmente por Joe Masteroff. Só que a base de toda esta salada é um livro escrito por Christopher Isherwood, ADEUS, BERLIM! Fosse, um artista precoce criado no vaudeville e tendo vivido grande parte de sua juventude nas boates burlescas, era o único sujeito apropriado para o trabalho. Seu filme é um grande feito e o ápice do gênero naquele período impopular para musicais. O filme tem uma série de números dos mais formidáveis (meu predileto é quando Liza e Joel Grey cantam “Money” – Money Makes The World Go Around...) e é claro, Liza interpretando “Mein Herr”, é um daqueles momentos antológicos. Grande Diva! 





Fosse insere cortes incisivos entre o espetáculo sexy, marginal e sombrio do Cabaret e o mundo do lado de fora, tal artifício capaz de criar um tom enregelado com relação ao cruel destino dos personagens, seus amores incompreensíveis e de toda uma ambição em meio à conturbada época em que nascia na famosa Berlim o nazismo cruel de Adolf Hitler.


Sally Bowles (Minnelli) envolve-se ao mesmo tempo com um professor inglês, Brian Roberts (MICHAEL YORK) e um nobre alemão (HELMUT GRIEM no papel de Maximilian Von Heune). Ela trabalha no ramo artístico com pretensões ambiciosas e vive sob forte tensão constante das ameaças nazistas em shows que têm como mestre de cerimônias a figura enigmática e assustadora de Joel Grey. Mas o que Sally deseja mais do que tudo é sair dos palcos e receber um convite dos estúdios de cinema alemão, a UFA, uma Hollywood da Alemanha, para assim realizar seu sonho de se tornar uma grande estrela das telas. Liza é a força motriz do filme. Seu espírito agitado, suas tiradas cômicas, e seu desespero, bom, no final das contas, o filme é só dela e seu prêmio de melhor atriz dramática é merecido.


Liza criou sua própria maquiagem e penteado. Num orçamento de seis milhões de dólares, o projeto era, para os padrões da época, bastante conturbado. Billy Wilder e Gene Kelly recusaram a oferta para dirigir. O filme ocupa uma merecida colocação na lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI), divulgada em 2006 e que na ocasião, esta em quinto lugar.


Sally foi baseada em Jean Ross, uma aspirante a atriz, cantora e escritora. A mesma relatou que o retrato no livro de Isherwood era de uma mulher apocalíptica e um pouco anti-semita o que a deixou infeliz para o resto da vida. A retratação de Liza no filme foi severamente criticada por amigos e parentes que conviveram com Ross.

A canção “Married”, originalmente da Broadway, foi cortada do filme. Uma curiosidade é que a canção pode ser ouvida quando toca num rádio em segundo plano durante a cena em que Brian e Sally estão discutindo o casamento.


Joel Grey como o antológico "Mestre das Cerimônias"
Tomorrow Belongs To Me” foi escrito pela dupla John Kander e Fred Ebb no estilo de uma música tradicional alemã, que é cantada pelos jovens nazistas no filme e a intenção era que a canção impulsionasse o patriotismo alemão, mas durante anos e até mesmo hoje em dia, vem sido confundida como o hino nacional nazista. Com isso, os compositores chegaram a ser acusados de anti-semitismo. O mais curioso é que Kander e Ebb são judeus, por isso a polêmica não criou grandes proporções. É um momento curioso, já que é a única canção interpretada fora do ambiente de Cabaret durante todo o filme.


O filme calou a boca de algumas profecias de que Cabaret seria “A Primavera Para Hitler” de Bob Fosse já que era questionável o fato de que o público não estaria interessado em prestigiar um musical com nazistas. Vale ressaltar que a piada vem do filme de 1968, The Producers Ou “Aprenda a Perder Dinheiro”, dirigido por Mel Brooks, com Gene Wilder e Zero Mostel sobre a produção do pior musical já feito (Primavera Para Hitler), um golpe que consistia lucrar vendendo um dos piores musicais da Broadway! Chegou a ser refilmado (sem sucesso) em 2005 por Susan Stroman, com Uma Thurman, Nathan Lane e Matthew Broderick. E o pior é que é cheio de números musicais grotescos (acho que não era para ser neste caso!). Sem graça.

CABARET é deslumbrante. Sem mais. Confesso a minha predileção! What good is siting alone in your room? Come hear the music play… Life is a Cabaret, old chum…come to the Cabaret!



EUA
1972
DRAMA/MUSICAL
124 min.
COR
WARNER (EUA)
           




LIZA MINNELLI
UM FILME DE BOB FOSSE

Também estrelando: MICHAEL YORK  HELMUT GRIEM  
E  JOEL GREY como o “Mestre Das Cerimônias”
Com:   FRITZ WEPPER   MARISA BERENSON
ELISABETH NEUMANN-VIERTEL    HELEN VITA

Música de JOHN KANDER    Letras de FRED EBB
Fotografado por 
GEOFFREY UNSWORTH

Montagem DAVID BRETHERTON  Casting  RENATE NEUCHL
Cenografia ROLF ZEHETBAUER    Desenhos de Arte  JURGEN KIEBACH
Coreografias por BOB FOSSE    Figurinos CHARLOTTE FLEMMING
Produzido no palco de Nova York por HAROLD PRINCE
Supervisor de música, organizadas e conduzidas por RALPH BURNS

Produtor Associado HAROLD NEBENZAL    Produtor Executivo MARTIN BAUM
PRODUZIDO POR CY FEUER

Baseado no musical “Cabaret” de JOE MASTEROFF
Baseado na peça “I am A Camera” de JOHN VAN DRUTEN
Inspirado no livro de  CHRISTOPHER ISHERWOOD
Escrito por 
JAY PRESSON ALLEN

Dirigido por 
BOB FOSSE

CABARET ©1972 Allied Artists Pictures/ABC Pictures/Bavaria Film

7 comentários:

Jefferson C. Vendrame disse...

Sensacional sua postagem Rodrigo! Ótimo Texto, como sempre!
Não sou muito fã de musicais, porém alguns me despertaram a atenção, como MODELOS, CANTANDO NA CHUVA, AMOR SUBLIME AMOR E outros mais antigos de Fred Astaire e Ginger Rogers. Tento gostar do gênero, até compro alguns títulos (mas enrolo para assistir, kkk) Quanto CABARET, eu vergonhosamente ainda não vi mas confesso que já li algumas coisas sobre ele e pelo visto me parece ser um ótimo filme. Eu nem imaginava que Kelly e Wilder tinham sido convidados para dirigir esse sucesso! Vou procurar adquirir esse clássico moderno, seu texto me instigou a fazê-lo.

Grande Abraço!

ANTONIO NAHUD disse...

Olá, parceiro, estou de volta, pronto para trocar comentários e seguir suas postagens. Fico feliz em ver que seu blog continua a todo vapor.
Cumprimentos cinéfilos!

O Falcão Maltês

Cleidson Lourenço disse...

Que massa, Rodrigo. Uma ótima resenha para um ótimo filme, deu vontade de rever!

Amanda Aouad disse...

"Money Makes The World Go Around, the world go around, the world go around". hehehe.

Cabaret é clássico, o jogo dos três psicológico dos três, os espetáculos, a questão política, tudo fica em nossa memória de uma maneira mágica.

Belo texto.

bjs

Alan Raspante disse...

Não me pergunte o motivo, mas eu ainda não vi. E lendo agora o seu texto eu fiquei mais do que "curioso" para conferir o quanto antes! Adoro musicais!

Reinaldo Glioche disse...

Uau! Que texto! Sem mais!

Abs

Ps: Bob Fosse is a genius!

Rodrigo Mendes disse...

Jefferson: Tô ligado que você prefere os mais clássicos e não muito este período que foi produzido Cabaret, mas o filme, hoje, naturalmente já é um classicão. Até mesmo a época em que é retratado. Acredito que vai gostar. Abs.

Antonio: Sempre a todo vapor. Bem vindo e ótimo retorno. Falcão tá bonitão e cheio de novidades mesmo!
Abs!

Cleidson: Obrigado cara!

Amanda: O filme é realmente mágico, disse tudo, ele encanta! Amo.
Valeu!
Bjs.

Alan: Vai amar!!!!

Reinaldo: Fosse realmente era o melhor!
Valeu amigo.
Abs!

🚪 Acervo de Películas

00's 007 10's 20's 30's 3D 40's 50's 60's 70's 80's 90's ALIEN ANG LEE ARNOLD SCHWARZENEGGER Adoro Cinema Akira Kurosawa Al Pacino Alec Guinness Alfonso Cuarón Almodóvar Angelina Jolie Animação Arthur P. Jacobs Audrey Hepburn Aventura Ação Batman Bela Lugosi Bernardo Bertolucci Bette Davis Billy Wilder Blake Edwards Blaxploitation Bob Fosse Boris Karloff Brian De Palma Bryan Singer Buster Keaton CINE TRASH CINEASTAS CINEMA PRETO & BRANCO CULTS Carl Laemmle Carol Reed Carrie Fisher Cary Grant Cecil B. DeMile Chaplin Charlton Heston Christopher Nolan Cine-Doc Cinebiografia Cinema Asiático Cinema Europeu Cinema LGBT Cinema MUDO Cinema Marginal Cinema Rodrigo Clark Gable Claude Rains Clint Eastwood Clássicos Colin Trevorrow Comédia Coppola Crepúsculo Curt Siodmak Curta-metragem Curtis Hanson DANNY BOYLE DAVID LYNCH DC Comics Daniel Craig Danny DeVito Dario Argento Darren Aronofsky David Bowie David Cronenberg David Fincher David Lean David O. Selznick Denzel Washington Disney Documentário Drama Drogas ESPECIAIS Eduardo Coutinho Eisenstein Elia Kazan Elvis Presley Erotismo Errol Flynn FERNANDO MEIRELLES FILMES IRREGULARES FOX FRANK CAPRA FRANÇOIS TRUFFAUT Fantasia Fatos Reais Fellini Filmes Natalinos Frank Darabont Frank Oz Fritz Lang GUEST SERIES Gangsters Gene Wilder George A. Romero George Cukor George Lucas George Miller George Stevens George Waggner Georges Méliès. Giallo Gillo Pontercorvo Grace Kelly Greta Garbo Guerra Guillermo del Toro Gus Van Sant Gérard Depardieu HARRY POTTER HQ Halloween Harold Lloyd Harrison Ford Henri-Georges Clouzot Henry Selick Hitchcock Home Video Homem-Aranha Howard Hawks Humphrey Bogart INDIANA JONES Infantil Ingmar Bergman Ingrid Bergman Irmãos COEN Isabelle Huppert Ivan Reitman J.J. Abrams JAMES WHALE JEAN-LUC GODARD JOHN HUGHES Jack Arnold Jack Nicholson Jacques Tourneur James Cameron James Ivory James Stewart Janet Leigh Japão Jason Jim Henson Joan Crawford Joel Schumacher John Carpenter John Ford John Huston John Landis John Waters Jonathan Demme Joon Ho Bong Joseph L. Mankiwicz José Mojica Marins Judy Garland KING KONG KRZYSZTOF KIESLOWSKI Kate Winslet Katharine Hepburn Kevin Spacey Kirk Douglas Lars Von Trier Lawrence Kasdan Leonardo DiCpario Liza Minnelli Lon Chaney Jr Luc Besson Luca Guadagnino Luis Buñuel M.Night Shyamalan MARVEL MONSTERS COLLECTION Marilyn Monroe Mark Hamill Marlene Dietrich Marlon Brando Martin Scorsese Matinê Mel Brooks Melhores do Ano Michael Curtiz Michael Douglas Michael Haneke Michael Jackson Michael Powell Michel Gondry Michelangelo Antonioni Milos Forman Monstros Musicais Mário Peixoto NOUVELLE VAGUE Nacional Noir O Senhor Dos Anéis Oliver Stone Olivia de Havilland Orson Welles Oscar Outubro Das Bruxas P.T. ANDERSON PERFIL PETER JACKSON PIXAR Pam Grier Paramount Park Chan-wook Paul Verhoeven Peter Bogdanovich Philip K. Dick Pier Paolo Pasolini Pierce Brosnan Piores do Ano Pipoca Planeta Dos Macacos Policial Pânico Quentin Tarantino RIDLEY SCOTT RKO Rian Johnson Richard Donner Road-Movie Robert De Niro Robert Rodriguez Robert Wise Robert Zemeckis Roger Moore Rogério Sganzerla Roman Polanski Romance SAM RAIMI SESSÃO TRAILER SEXTA-FEIRA 13 SUPER HERÓIS Sam Mendes Sam Peckinpah Sangue Scarlett Johansson Sci-Fic Sean Connery Sean Penn Sergio Leone Sessão DUPLEX Cinema MUDO Sessão Da Tarde Sessão Dinossauro Sessão Surpresa Sexo Sharon Stone Sidney Lumet Sigourney Weaver Sofia Coppola Spielberg Stan Lee Stanley Donen Stanley Kubrick Star Trek Star Wars Stephen King Suspense TOD BROWNING TV Terror Thriller Tim Burton Timothy Dalton Tom Cruise Tom Hanks Tom Tykwer Trash UNIVERSAL STUDIOS Uma Thurman Universo Jurassic Park Victor Fleming Violência Vivien Leigh Wachowski Walter Hugo Khouri Walter Salles Warner Wes Craven Western William Castle William Friedkin Wolfgang Petersen Wong Kar Wai Woody Allen Zé do Caixão Épico Época