Artista
americana envolve-se com dois homens, enquanto o partido Nazista sobe ao poder
na Alemanha dos anos 30.
Este é o grande musical, um
super espetáculo dos anos 70, o maior prestígio da carreira de LIZA MINNELLI e do diretor BOB FOSSE (1927-1987) que realiza aqui o
seu segundo longa metragem depois do também notável Charity,
Meu Amor (Sweet Charity, 1969 com Shirley MacLaine).
Na verdade, eu comecei a apreciar os musicais (até mesmo Cantando na Chuva, West Side Story,
dentre outros) depois de observar que existiu um dos maiores nomes do gênero
capaz de deixar uma marca registrada em tudo que fazia. Esta figura é Fosse o
lendário e cínico (no bom sentido) bailarino, coreógrafo, diretor e fenômeno da
Broadway. Tão cheio de estilo quanto Busby Berkeley. Cada movimento corporal em uma dança concebida por Fosse é
facilmente reconhecido. Dirigiu pouco, mas filmes belíssimos e é o homem por
trás de obras como Chicago (Idem, 2002 – outro triunfo e
só não foi melhor porque não foi realizado por ele). É dele, também, o especial
televisivo LIZA com Z, outro grande momento da
estrela Liza; Lenny
(Idem,
1974) outro musical, estrelado por Dustin
Hoffman em papel subestimado apesar de ter tido seis indicações ao Oscar
(incluindo Hoffman e Fosse!), o sensacional ALL THAT JAZZ - O Show Deve Continuar,
1979, também vencedor do Oscar e provavelmente sua obra-prima numa trama
que chegou a prever sua própria morte, estrelada brilhantemente por Roy Scheider (1932-2008) no maior papel
de sua carreira e que certamente é um musical autobiográfico na qual é visível
notar Scheider interpretando Fosse e todas aquelas rubricas poéticas no script na qual o protagonista conversava
com um anjo da morte interpretada por Jessica
Lange. Seu último filme foi STAR
80 (Idem,
1983) com Mariel Hemingway e Eric Roberts e novamente no submundo
dos bastidores do show business e
curiosamente não é um musical, sendo inspirado na história verídica da Playmate Dorothy Stratten.
O mais curioso e impressionante é que o filme papou os principais prêmios da Academia daquele ano conseguindo vencer o favorito, O PODEROSO CHEFÃO de Francis Ford Coppola. Ganhou de Diretor, Atriz, Ator Coadjuvante, o inesquecível JOEL GREY, como o “Mestre Das Cerimônias”, Direção de Arte, Fotografia, o mestre GEOFFREY UNSWORTH (1914-1978/ de 2001 – Uma Odisséia No Espaço, Superman, Assassinato No Expresso Oriente), Edição, Música e Melhor Som. Foi indicado para Melhor Filme e Roteiro escrito por JAY PRESSON ALLEN (roteirista de Marnie, Confissões de Uma Ladra, de Hitchcock e também indicada ao Oscar por O Príncipe da Cidade de Lumet) que faz uma adaptação interessante. Trata-se de uma peça teatral “I´m Camera” de John Van Drutten e no próprio musical escrito originalmente por Joe Masteroff. Só que a base de toda esta salada é um livro escrito por Christopher Isherwood, ADEUS, BERLIM! Fosse, um artista precoce criado no vaudeville e tendo vivido grande parte de sua juventude nas boates burlescas, era o único sujeito apropriado para o trabalho. Seu filme é um grande feito e o ápice do gênero naquele período impopular para musicais. O filme tem uma série de números dos mais formidáveis (meu predileto é quando Liza e Joel Grey cantam “Money” – Money Makes The World Go Around...) e é claro, Liza interpretando “Mein Herr”, é um daqueles momentos antológicos. Grande Diva!
Fosse insere cortes incisivos entre o espetáculo sexy, marginal e sombrio do Cabaret e o mundo do lado de fora, tal artifício capaz de criar um tom enregelado com relação ao cruel destino dos personagens, seus amores incompreensíveis e de toda uma ambição em meio à conturbada época em que nascia na famosa Berlim o nazismo cruel de Adolf Hitler.
Sally Bowles (Minnelli) envolve-se ao mesmo tempo com um professor inglês, Brian Roberts (MICHAEL YORK) e um nobre alemão (HELMUT GRIEM no papel de Maximilian Von Heune). Ela trabalha no ramo artístico com pretensões ambiciosas e vive sob forte tensão constante das ameaças nazistas em shows que têm como mestre de cerimônias a figura enigmática e assustadora de Joel Grey. Mas o que Sally deseja mais do que tudo é sair dos palcos e receber um convite dos estúdios de cinema alemão, a UFA, uma Hollywood da Alemanha, para assim realizar seu sonho de se tornar uma grande estrela das telas. Liza é a força motriz do filme. Seu espírito agitado, suas tiradas cômicas, e seu desespero, bom, no final das contas, o filme é só dela e seu prêmio de melhor atriz dramática é merecido.
Liza criou sua própria maquiagem e penteado. Num orçamento de seis milhões de dólares, o projeto era, para os padrões da época, bastante conturbado. Billy Wilder e Gene Kelly recusaram a oferta para dirigir. O filme ocupa uma merecida colocação na lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI), divulgada em 2006 e que na ocasião, esta em quinto lugar.
Sally foi baseada em Jean Ross, uma aspirante a atriz, cantora e escritora. A mesma relatou que o retrato no livro de Isherwood era de uma mulher apocalíptica e um pouco anti-semita o que a deixou infeliz para o resto da vida. A retratação de Liza no filme foi severamente criticada por amigos e parentes que conviveram com Ross.
A canção “Married”, originalmente da Broadway, foi cortada do filme. Uma curiosidade é que a canção pode ser ouvida quando toca num rádio em segundo plano durante a cena em que Brian e Sally estão discutindo o casamento.
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| Joel Grey como o antológico "Mestre das Cerimônias" |
O filme calou a boca de algumas profecias de que Cabaret seria “A Primavera Para Hitler” de Bob Fosse já que era questionável o fato de que o público não estaria interessado em prestigiar um musical com nazistas. Vale ressaltar que a piada vem do filme de 1968, The Producers Ou “Aprenda a Perder Dinheiro”, dirigido por Mel Brooks, com Gene Wilder e Zero Mostel sobre a produção do pior musical já feito (Primavera Para Hitler), um golpe que consistia lucrar vendendo um dos piores musicais da Broadway! Chegou a ser refilmado (sem sucesso) em 2005 por Susan Stroman, com Uma Thurman, Nathan Lane e Matthew Broderick. E o pior é que é cheio de números musicais grotescos (acho que não era para ser neste caso!). Sem graça.
CABARET é deslumbrante. Sem mais. Confesso a minha predileção! What good is siting alone in your room? Come hear the music play… Life is a Cabaret, old chum…come to the Cabaret!
1972
DRAMA/MUSICAL
124 min.
COR
WARNER (EUA)
★ ★ ★ ★ ★
LIZA MINNELLI
UM
FILME DE BOB FOSSE
Também estrelando: MICHAEL YORK HELMUT GRIEM
E JOEL GREY como o “Mestre Das Cerimônias”
Com: FRITZ WEPPER MARISA
BERENSON
ELISABETH
NEUMANN-VIERTEL HELEN VITA
Música de JOHN KANDER Letras de FRED EBB
Fotografado
por
GEOFFREY UNSWORTH
GEOFFREY UNSWORTH
Montagem DAVID BRETHERTON Casting RENATE NEUCHL
Cenografia ROLF
ZEHETBAUER Desenhos de Arte JURGEN KIEBACH
Coreografias
por BOB
FOSSE Figurinos CHARLOTTE FLEMMING
Produzido
no palco de Nova York por HAROLD PRINCE
Supervisor
de música, organizadas e conduzidas por RALPH BURNS
Produtor Associado HAROLD NEBENZAL Produtor Executivo MARTIN BAUM
PRODUZIDO
POR CY FEUER
Baseado no musical “Cabaret” de JOE MASTEROFF
Baseado
na peça “I am A Camera” de JOHN VAN DRUTEN
Inspirado
no livro de CHRISTOPHER ISHERWOOD
Escrito
por
JAY PRESSON ALLEN
JAY PRESSON ALLEN
Dirigido por
BOB FOSSE
CABARET ©1972 Allied Artists Pictures/ABC Pictures/Bavaria Film













7 comentários:
Sensacional sua postagem Rodrigo! Ótimo Texto, como sempre!
Não sou muito fã de musicais, porém alguns me despertaram a atenção, como MODELOS, CANTANDO NA CHUVA, AMOR SUBLIME AMOR E outros mais antigos de Fred Astaire e Ginger Rogers. Tento gostar do gênero, até compro alguns títulos (mas enrolo para assistir, kkk) Quanto CABARET, eu vergonhosamente ainda não vi mas confesso que já li algumas coisas sobre ele e pelo visto me parece ser um ótimo filme. Eu nem imaginava que Kelly e Wilder tinham sido convidados para dirigir esse sucesso! Vou procurar adquirir esse clássico moderno, seu texto me instigou a fazê-lo.
Grande Abraço!
Olá, parceiro, estou de volta, pronto para trocar comentários e seguir suas postagens. Fico feliz em ver que seu blog continua a todo vapor.
Cumprimentos cinéfilos!
O Falcão Maltês
Que massa, Rodrigo. Uma ótima resenha para um ótimo filme, deu vontade de rever!
"Money Makes The World Go Around, the world go around, the world go around". hehehe.
Cabaret é clássico, o jogo dos três psicológico dos três, os espetáculos, a questão política, tudo fica em nossa memória de uma maneira mágica.
Belo texto.
bjs
Não me pergunte o motivo, mas eu ainda não vi. E lendo agora o seu texto eu fiquei mais do que "curioso" para conferir o quanto antes! Adoro musicais!
Uau! Que texto! Sem mais!
Abs
Ps: Bob Fosse is a genius!
Jefferson: Tô ligado que você prefere os mais clássicos e não muito este período que foi produzido Cabaret, mas o filme, hoje, naturalmente já é um classicão. Até mesmo a época em que é retratado. Acredito que vai gostar. Abs.
Antonio: Sempre a todo vapor. Bem vindo e ótimo retorno. Falcão tá bonitão e cheio de novidades mesmo!
Abs!
Cleidson: Obrigado cara!
Amanda: O filme é realmente mágico, disse tudo, ele encanta! Amo.
Valeu!
Bjs.
Alan: Vai amar!!!!
Reinaldo: Fosse realmente era o melhor!
Valeu amigo.
Abs!
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