REVENDO A TRILOGIA HOMEM-ARANHA
PARTE 1
Herói
aracnídeo tem que enfrentar o Dr. Otto Octavius outro cientista que vira cobaia
de um experimento frustrado, enquanto decide parar suas atividades de
super-herói e resgatar o amor por Mary Jane.
Já fazia um tempo que não revia
a trilogia do querido adolescente aracnídeo dos quadrinhos da Marvel dirigida por Sam
Raimi. Este
segundo filme continua sendo imbatível em minha opinião. Adoro o fato do Parker
querer desistir por sentir que sua vida pessoal esta bastante negligenciada no
famoso quadrinho SPIDER-MAN NO MORE em:
O Espetacular Home-Aranha edição #50,
aliás, muito bem adaptado nesse segundo script
assinado por Alvin Sargent (era casado com a produtora Laura
Ziskin, que
infelizmente faleceu em 2011 e que juntos haviam escrito, citando o meu
predileto, “Herói Por Acidente”, 1992, dirigido por Stephen Frears) e também por: Alfred
Gough e Miles
Millar,
roteiristas da série Smalville (o Superboy, 2001-2011) e Michael
Chabon, autor
do ótimo Garotos Incríveis (Wonder Boys, 2000 de Curtis Hanson e que também trazia Tobey Maguire no elenco!). No primeiro filme (leia aqui), Raimi havia
conseguido muita polêmica com a famosa cena deletada nas Torres Gêmeas pós 11
de setembro, conseguiu um enorme sucesso de bilheteria e cenas icônicas como a
do beijo de cabeça para baixo (aqui temos o quase beijo na cena da padaria,
interrompido pelo sensor aranha e Otto
arremessando um carro no local). Como superar um sucesso como esse? Em um filme
que estava sendo aguardado por tantos anos, passando nas mãos de diferentes
talentos como a do cineasta James Cameron
que chegou a cogitar dirigir o projeto. Enfim, eis um super-herói querido. Identificamos-nos
com as atitudes de um Peter Parker, de adolescente normal
a super humano, com poderes incríveis que qualquer garoto desejaria ter. Ou não
(acho pertinente ele perder os poderes). Apenas uma vida normal. Pois é, essa é a forma motriz deste excelente
segundo capítulo e que sim, supera o original. O elenco esta mais confortável, a
direção de Raimi segue uma linha de verossimilhança adequada para este tipo de
material e o filme espanta com ótimos efeitos especiais encabeçados pelo gênio John
Dystra (de Star
Wars e tantos outros...) Homem-Aranha
2 (Spider-Man 2, 2004),
facilmente se tornou um sucesso garantido.
Recentemente, também revi o reboot assinado por Marc
Webb, gosto do
Andrew
Garfield, só que em
outros papéis (e uma sequência vem aí em 2014
e pode ser um apêndice...). Estava bem empolgado e me antecipei dizendo que
seria foda, mas paguei com a língua.
A fita de 2012 nem sequer tem o mesmo carisma que o original de dez anos atrás
e muito menos ainda um roteiro mais amarrado e consistente como esse segundo. A
única coisa que sempre me irritou mesmo é a voz estranha de Tobey
Maguire, mesmo
sendo um excelente ator, putz, a voz
do cara não ajuda nem um pouco. É mais feio que taquara rachada e inadequada
até mesmo para um adolescente que esta mudando a voz. Pior aqui, que já é um
homem, defendendo a cidade de Nova York algum tempo. Maduro e com
conflitos internos. Homem-Aranha do
Raimi é um raro exemplo dentre os filmes de heróis na qual prefiro assistir
dublado no caso na voz do ótimo Manolo Rey (e quando diz: “Vai teia, vai!” No primeiro filme é
clássico!). O filme também revela a identidade do Aranha concebida numa das cenas mais sensacionais de altruísmo,
quando o herói tem que defender passageiros de um trem prestes a descarrilar.
A premissa segue alguns anos
após os eventos que o antecedem e foca em Parker (Maguire), um jovem
trabalhador e herói nas horas vagas, quer dizer, sempre surge um salvamento a
cada momento: criancinhas atravessando o sinal correndo pedindo para serem
atropeladas ou qualquer coisa que o valha, fazendo com que o pobre (de marré, marré deci) Peter, seja o Aranha quase em tempo integral. Vive de
aluguel num complexo pobre (o dono é um russo, creio, e tem uma filha nerd apaixonada por Parker. Risos), mal
consegue um emprego fixo no jornal – continua a tirar as mesmas fotos do Aranha para o J. J. Jameson (O magnífico
J.K.
Simmons o criador de fofocas
sensacionalistas de ódio doentio ao herói) faz freelancer, o último como entregador de pizza e sai por aí numa
lambreta arriscando a vida no rotineiro trânsito Nova-iorquino. Mas, como não sossega
um segundo de escalar paredes, acaba tendo dificuldade de ter a vida normal
como universitário, por exemplo. Suas notas estão baixas e sua ausência é constante (a
aparição do professor Curt. Connors,
Dylan
Baker é
interessante, mas que infelizmente é impedida de se desenvolver) e
principalmente, fica distante dos amigos, sobretudo a tia May (Rosemary
Harris), ainda
frágil pela morte de Ben e orgulhosa demais por não compartilhar os problemas
com o sobrinho. Ou seja, são problemas do mundo real. O que mais fere Peter é
ter que reprimir o amor que sente por Mary Jane, a sempre ótima Kirsten
Dunst, agora
uma promissora atriz da Broadway. Confusos, ambos sentem esse amor, mas a vida
faz com que ele continue sendo o Aranha
e ela, no caso, a noiva do filho de Jameson, John (Daniel Gillies), frustrada e irritada com
Peter, um amigo que nunca comparece no espetáculo em que esta representando.
Assento vazio e coração partido. Harry Osborn (James Franco que começa a demonstrar
vestígios de astro) é agora chefe de divisão de pesquisas da Oscorp, herança de
seu pai, e investe pesado na pesquisa do egocêntrico e conseguintemente excêntrico
Otto Octavius – nome sugestivo- interpretado por Alfred Molina, um ídolo de Peter que também
estuda suas teses e pesquisas. O cara almeja fazer um experimento de fusão
estável e para tanto, desenvolveu quatro braços mecânicos artificialmente
inteligentes controlados por ele e fixados como uma injeção em seu corpo. Mas é
claro, os braços seriam controlados por um chip inibidor para não terem vontade
própria. Evidentemente que houve um erro de cálculo, como temia Peter (bom
senso, não sensor aranha) e a fusão começa a reagir ferozmente desestabilizando
com um forte campo magnético destruindo o laboratório e acidentando Otto o
deixando sem o ship e com os braços mecânicos acoplados em si. Eis que surge um
dos melhores vilões da galeria do Homem-Aranha, “Doc. Ock”.
O gênio maluco fica enfurecido,
perdeu a mulher no acidente, Rose (Donna Murphy) e custe o que custar,
pretende construir um novo reator e repetir o feito nuclear. A cena de Ock no
hospital é puro Sam Raimi! Matando todos os médicos violentamente com direito a
defesa com serra elétrica me lembrando automaticamente de Evil Dead (aqui). Molina sabe transpor
em suas magníficas expressões faciais a reação escrava perante os braços, uma perfeita
criação computadorizada, sofrendo influência doentia. Doc é o típico vilão
trágico, uma criatura acidentalmente criada pelo criador que se autodestrói, como
no clássico romance de “O Médico e o
Monstro”, Dr. Jekyll e Mr.Hyde de
Robert Louis Stevenson. Seu covil
fica sendo um galpão abandonado nas margens do Rio Hudson e o dito cujo passa a
fazer inúmeros assaltos para conseguir adquirir fundos para os equipamentos e
reconstruir seu plano diabólico (não me pergunte como ele comprava tudo isso).
Almeja um reator muito maior. O item principal é o trítio e que apenas Harry o
tem guardado em um cofre. Em troca, Otto deve entregar a cabeça do Aranha se deseja ficar com o valioso
isótopo de hidrogênio. Harry continua obcecado pelo Aranha pensando que foi ele quem matou seu pai, Norman: Aka: Duende Verde e a revelação,
quando o herói é capturado pelo vilão, será chocante.
Pra piorar ainda mais a
situação do herói, Mary Jane acaba se tornando refém de Otto e a identidade de
Peter será revelada. O que é bom e ruim. Sinceramente? Gosto dessa revelação
não planejada por assim dizer, tudo fica mais crível e emocionante no filme. Raimi
cria situações limite para o protagonista, onde tudo começa a dar errado na sua
vida. Apanha e apanha, literalmente. Perde a vontade de combater o crime,
ficando sem rumo e numa decisão sábia, não um ímpeto, resolve abandonar
temporariamente a vida de super-herói numa das melhores participações da fita,
a do saudoso Cliff Robertson como tio Ben numa cena capaz
de tirar algumas lágrimas: “Segure a
minha mão filho. Não tio Ben, eu sou apenas Peter Parker. Homem-Aranha nunca
mais!” Em outras palavras, Spider 2 é o característico segundo ato
de uma trilogia, sem começo e fim e na qual o mocinho passa por péssimas e
hostis circunstâncias.
Com grandes elogios de público
e crítica, o filme é um destaque importante em listas que elegem os melhores
filmes de super-heróis de quadrinhos de todos os tempos. Sem exageros. A
produção muito bem investida pela Sony acabou arrecadando em torno de 783
milhões de dólares e venceu o Oscar de
Efeitos Visuais merecidamente (Dykstra
e equipe: Scott Stokdyk,
Anthony
LaMolinara e John
Frazier).
Principalmente pela concepção dos braços mecânicos e detalhes na nova roupa do Aranha do figurinista James
Acheson.
Algumas curiosidades: Robert De Niro foi considerado para
viver o atormentado Otto Octavius. Maguire, que sofria por graves dores nas
costas, por algum tempo, cogitou em não voltar para o papel central que chegou
a ser oferecido para Jake Gyllenhaal
e que inclusive já havia começado a preparação! No filme, há uma piada em torno
disso quando Peter dá aquele salto gritando: “Eu voltei!”, mas cai de
maneira violenta e super engraçada num beco e depois do baita rola completa: “Ah, as minhas costas, minhas costas!”
Na cena em que Jameson, no Clarim Diário,
esta precisando de um novo nome para o recém-vilão, Hoffman (Ted
Raimi, irmão do
diretor que sempre faz suas ligeiras e engraçadas aparições) sugere ao chefe uma alcunha
de “Doutor Estranho”, sobre o qual
Jameson sarcasticamente diz que já foi inventado antes. É uma referência a
outro grande personagem de Stan Lee e Steve Ditko, também do universo Aranha, o mago supremo dos quadrinhos
Marvel.
Com muito heroísmo e dedicação, um vilão irremediavelmente redentor, e é claro, pipoca para dar e render, Homem-Aranha 2 salva o meu dia toda vez que assisto. Um filme
humanístico de super-herói. De um verdadeiro herói.
EUA
2004
AÇÃO/AVENTURA
COR
127 min.
SONY
★ ★ ★ ★ ★
COLUMBIA PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO MARVEL
ENTERPRISES/LAURA ZISKIN
TOBEY MAGUIRE KIRSTEN DUNST JAMES FRANCO
ALFRED MOLINA ROSEMARY
HARRIS DONNA MURPHY
J.K. SIMMONS DANIEL GILLIES DYLAN BAKER
BILL NUNN VANESSA FERLITO AASIF MANDVI
ELIZABETH BANKS TED RAIMI
Participações Especiais: WILLEN DAFOE
CLIFF ROBERTSON
Música Composta por DANNY
ELFMAN
Figurinos JAMES ACHESON GARY JONES
Supervisor de Efeitos Especiais
JOHN DYKSTRA
Animados por SONY PICTURES
IMAGEWORKS INC.
Co-produtor GRANT CURTIS Edição BOB MURAWSKI
Cenografia NEIL SPISAK Fotografia de BILL POPE
Produtores Executivos
STAN LEE KEVIN FEIGE
JOSEPH M. CARACCIOLO
Baseado nos Quadrinhos
publicados na Marvel por STAN LEE & STEVE DITKO
Roteiro para a Tela por ALFRED
GOUGH & MILES MILLAR E MICHAEL CHABON
Escrito por ALVIN SARGENT
Produzido por LAURA ZISKIN AVI ARAD
Dirigido por SAM RAIMI
Spider-Man 2 ©2004 Columbia Pictures Corporation
MARVEL Enterprises /Laura Ziskin
Productions














6 comentários:
mto boa a crítica
Realmente, Homem-Aranha 2 é excelente. De longe o melhor filme do personagem. :)
Eu já coloquei as mãos no roteiro que o James Cameron iria dirigir, mas não cheguei a ler, tenho que procurar. :P
E eu já gosto do reboot do Marc Webb, eu acho que ele perde muito da essencia das HQs que o Sam Raimi adaptou muito bem nos seus dois primeiros filmes, mas ainda assim eu gosto. Espero que o Marc Webb melhore no segundo filme, deixe ele mais colorido. Hehe.
Mas uma coisa é certa... Homem-Aranha 2 tem cenas de tirar o folego que funcionam até hj, e ele fez isso em 2004. Realmente está entre os meus favoritos.
Rodrigo, parabéns pelo post e pelo blog. :)
Você foi bonzinho com a versão de 2012.....não tem carisma, não leram quadrinhos......como a Mary Jane nem é citada? como o mala do dono do jornal não aparece?
falhas graves ao meu ver.
abs
É um bom filme, sem dúvidas, mas me incomoda esta exposição excessiva da identidade secreta dele. Não é tanto quando a nova versão, em que Andrew Garfield tira a máscara como quem tira um chapéu, mas ainda assim, é muito exposta. No mais, um belo filme.
bjs
É o meu preferido da trilogia também. Fico até hoje me pensando o que seria do Aranha no cinema se Gyllenhaal tivesse mesmo de ter substituído Maguire...
Enfim, concordamos quanto à opacidade do remake. Algo me diz que, com o passar do tempo, a trilogia de Raimi - em especial esse segundo filme - ganharão ainda mais força.
Abs
Obrigado, Rodrigo.
Luan: Onde você conseguiu ler algum script, rascunho do Cameron??
Obrigadão!!! Abs.
Renato:O reebot irritou muitos fãs. Nem acho tanto pelos detalhes com os quadrinhos (mas como HQ é visual e praticamente cinema deveriam se atentar a isso, ao menos no que é óbvio). Certamente, o estúdio foi infeliz de recriar o personagem tão recentemente após a 'trilogia' de Raimi. Queriam reperir o êxito de "Cavaleiro das Trevas" e foram infelizes.
Abs.
Amanda: Discordo de você aqui. A exposição foi necessária para uma dramaticidade que não sucedeu no terceiro. Com a revelação do herói, por exemplo, Raimi pode criar a fantástica sequência no trem que é uma das melhores já feitas.
Bjs.
Reinaldo: Não consigo visualizar Gyllenhaal. Me acostumei com Maguire, embora já tenha citado a minha opinião quanto a sua voz, rs
Concordo com vc que com o tempo, os filmes de Raimi ganharão mais prestígio. O primeiro por motivos óbvios, mas esse segundo, pela qualidade e amadurecimento da série. Uma pena que o terceiro, não. Se fosse, teríamos um quarto capítulo para discutir
Abs.
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