REVENDO A TRILOGIA HOMEM-ARANHA
FINAL: EGO DE SUPER-HERÓI
Uma
estranha forma alienígena que sobrevive como um parasita gruda literalmente na
roupa do Homem-Aranha mudando sua
personalidade.
Desfecho decepcionante da
trilogia dirigida por SAM RAIMI, que
mesmo alcançando imenso sucesso de bilheteria pelo mundo, com dois ótimos
filmes antecessores, infelizmente sai do controle numa fita que mesmo com
impressionantes efeitos especiais, não retorna com a essência de cada
personagem, aliás, tem personagens demais e nenhum deles encontra uma motivação
plausível e ou/ enriquecedora. Vilões fracos, mocinhas sem graças (até mesmo
Mary Jane) e um herói que fica se pagando de emo (apenas visual, não
nas atitudes e personalidade), sendo automaticamente
bullynado pela plateia que não resta
a não ser caçoar de situações tão aviltantes e sem sentido. O que era para ser
engraçado é, de fato, até em certo momento, no entanto, revendo o filme, a
premissa ganha o troféu por ser a mais vergonhosa do aracnídeo. Em minha
opinião, nem mesmo a tosca série de TV que a Marvel produziu entre 1977-79 foi
tão ruim. O que salva, ainda, são os efeitos, principalmente a transformação do
Homem-Areia e a evolução bisonha do Venom. Em outras palavras, tive muita
força de vontade e tentei mesmo gostar do filme, mas não deu. Parece que é
sina. Toda franquia de sucesso de um super-herói dos quadrinhos começa
lindamente e termina desastrosamente. Vide o Superman de Richard Lester e Sidney J. Furie e o Batman de Joel Schumacher. É preciso
tempo e preparação (nem tanto dinheiro e merchandising
feroz) para conceber uma nova leitura cinematográfica desses personagens, o que
felizmente aconteceu com o Homem-Morcego
pelas mãos de Christopher Nolan, mas que tem se concretizado abaixo da média
com esse recente reboot do Aranha por Marc Webb e veremos se a continuação
mudará algo para melhor.
Raimi foi relutante em muitos quesitos, mas acabou caindo na vontade do estúdio e fez algo puramente encomendado. Mesmo por que, a fita tem pouco de sua personalidade como realizador. Por exemplo, ele foi originalmente veementemente contra em ter Venom como vilão do filme e nunca escondeu o fato de odiar o personagem, só que a Marvel e o produtor AVI ARAD convenceram o diretor, explicando que Venom teve um forte apoio em todo o mundo através dos fãs. Raimi fechou os olhos, com toda a certeza, e aceitou o script de AlVIN SARGENT e ao lado do irmão, IVAN RAIMI, tentou de todas as maneiras evitar a falta exacerbada de humanidade no vilão que sempre o incomodou, trabalhando mais no alienígena gosmento e no ator TOPHER CRACE (da série televisiva That 70´s Show) como o fotógrafo plagiador e inescrupuloso Eddie Brock, deixando o venenoso falso aranha mais para o final. O apelo para ter a criatura nesse filme era tamanha que Raimi, mesmo com raiva em ter que desenvolvê-lo para o filme não teve escolha, e no dia 22 de julho de 2006, na cidade de San Diego no famoso festival da Comic-Con, apresentou para o público as primeiras imagens do personagem misterioso, muito embora os efeitos estivessem inacabados.
Raimi foi relutante em muitos quesitos, mas acabou caindo na vontade do estúdio e fez algo puramente encomendado. Mesmo por que, a fita tem pouco de sua personalidade como realizador. Por exemplo, ele foi originalmente veementemente contra em ter Venom como vilão do filme e nunca escondeu o fato de odiar o personagem, só que a Marvel e o produtor AVI ARAD convenceram o diretor, explicando que Venom teve um forte apoio em todo o mundo através dos fãs. Raimi fechou os olhos, com toda a certeza, e aceitou o script de AlVIN SARGENT e ao lado do irmão, IVAN RAIMI, tentou de todas as maneiras evitar a falta exacerbada de humanidade no vilão que sempre o incomodou, trabalhando mais no alienígena gosmento e no ator TOPHER CRACE (da série televisiva That 70´s Show) como o fotógrafo plagiador e inescrupuloso Eddie Brock, deixando o venenoso falso aranha mais para o final. O apelo para ter a criatura nesse filme era tamanha que Raimi, mesmo com raiva em ter que desenvolvê-lo para o filme não teve escolha, e no dia 22 de julho de 2006, na cidade de San Diego no famoso festival da Comic-Con, apresentou para o público as primeiras imagens do personagem misterioso, muito embora os efeitos estivessem inacabados.
JOHN DYKSTRA, o premiado criador dos efeitos visuais, não retornou para o terceiro filme (assim como outra figura importante, o compositor DANNY ELFMAN). Outro cara, aliás, muito bom, chamado SCOTT STOKDYK que integrou a equipe desse departamento nos filmes anteriores, assumiu o posto. Cito-o devido sua importância por me fazer curtir o filme um tiquinho. O cara já trabalhou para Luc Besson (O Quinto Elemento) e James Cameron (Titanic) e faz um ótimo trabalho aqui, criando, por exemplo, uma miniatura de um edifício ao invés de imagens geradas por computador, ou seja, um artista ainda interessado na imaginação do ver e tocar que é muitas vezes bem mais eficaz, deixando tudo um tanto mais realista e oportuno. Muito mais desafiador era compreender as características do Homem-Areia. Portanto, experimentos foram feitos com doze tipos de areias e não apenas situações em CGI, mas figurantes, dublês e objetos recebiam despejamento real de toneladas de areia diariamente nas filmagens. Eles utilizaram um tipo de areia que se localiza no estado do Arizona para ser o modelo principal recriado por computador nas cenas impossíveis de se recriar fisicamente e o ator THOMAS HADEN CHURCH (de Sideways) foi primeiramente filmado sozinho e colocado sobre as imagens já geradas por computadores. É dramático quando toneladas de areia vão se transformando na figura de um homem e é muito bacana observar o momento em que uma espécie de tempestade de areia atravessa Nova York e até mesmo as lutas com o herói, sim, são bem feitas. O problema é que a figura de Flint Marko, o homem sem sorte e arrependido, vai cansando com o tempo e não cola, aliás, nada gruda nesse filme, apenas a meleca preta (simbionte). E, para animar o Venom, Stokdyk e equipe tiveram que observar o comportamento de grandes felinos, como leões e leopardos, a fim de recriar os movimentos ágeis e traiçoeiros do monstro.
Realmente, não tem como negar a capacidade técnica e o difícil trabalho dos animadores para tantas cenas de lutas, perseguições e batalhas como a do Novo Duende e do Aranha logo no início que também diverte. O problema esta mesmo na premissa, várias sub-tramas irregulares. A começar pelo Novo Duende que não recebe a alcunha de Duende Macabro como nos quadrinhos porque não faz parte do grupo de diversas personalidades da galeria de vilões que usariam o disfarce e o planador, como o valentão do colégio de Peter Parker, Flash Thompson. Com isso, sobra para o imaturo e mimado Harry Osborn, pelo menos interpretado pelo já astro JAMES FRANCO dando sua graça e simpatia, o fardo de seguir estupidamente com a vingança de seu pai. Nunca entendi porque ele passou a vê-lo e ter alucinações antes mesmo de começar a usar a fórmula secreta. Fora ele, esta a perdidinha da Mary Jane, KIRSTEN DUNST pessimamente dirigida e pouco a vontade, como a fracassada atriz que não consegue cantar em um musical a ponto de evitar o encantamento dos menos afortunados sentados nas últimas fileiras do teatro. O chato é que Dunst não consegue achar o tom aqui e acaba descendo ao fundo do poço quando é dispensada e o pior, fica na babaquice de um triângulo amoroso mal resolvido fazendo duvidar o seu amor pelo herói que a negligencia, mas a mesma acaba ficando enciumada e egoísta. Na verdade, ela é o que foi o Aranha no segundo filme e por outro lado, o super-herói é agora a Mary Jane que brilhava na Broadway. O que não aprecio é a falta de atitude, destreza, desses personagens que tanto amadureceram no excelente Homem-Aranha 2 (vide abaixo). Raimi troca tudo isso por um ego. O de fazer o melhor filme de todos os tempos. O sucesso garantido. Isto é, já estamos feitos com o Homem-Aranha e parece que não precisamos nos concentrar tanto na trama e nos personagens.
TOBEY MAGUIRE pagando o maior mico fazendo-se de canalha e malvado com aquele cabelinho moreno e levemente maquiado como um emo. Todo mundo se debruça em risos. Pior ainda, é o novo interesse romântico, que originalmente antecedia Mary Jane, Gwen Stacy, interpretado pela apática BRYCE DALAS HOWARD que nunca apreciei como atriz. Sem muita importância, a moça só presta para aparecer sendo salva pelo Aranha e depois beijada por ele, de cabeça para baixo, óbvio, causando uma briga besta de ciúmes entre o casal enamorado (aliás, a cena de jantar quando Parker quer pedir Mary Jane em casamento só é hilária pela presença do sempre ótimo BRUCE CAMPBELL, amigão de Raimi em mais uma notável participação especial). Seria conveniente se ela se envolvesse amorosamente com Osborn ou até mesmo com Brock. Salgaria mais as relações. Ou tivesse mais importância. Mas não, apresenta-se como uma patricinha fútil e que só tira boas notas na facul pelo fato de ser ajudada pelo nerd do Peter. Só isso? Pois é, e ela é a Gwen! Triste.
Apesar da maravilha dos efeitos visuais, é o tolo do Flink Marko (Church) que se revela como sendo o verdadeiro “assassino acidental” do tio Ben (outra marcante aparição de CLIFF ROBERTSON para dar o tom de dramaticidade necessária). Coitado, pobre e sem sorte e com uma mulher combalida (THERESA RUSSELL em pontinha) e uma filhinha doente. O crime não compensa, mas ele sabe e mesmo assim insiste. Mal desenvolvido como personagem, ou melhor, como humano, é de longe o mais chatinho entre todos os vilões, mas é praticamente invencível. A conclusão e todo o arrependimento perante o herói soam clichês demais, querendo fazer similaridade com a situação entre Peter e Harry. Uma variedade de perdões desnecessários. Norman se matou e o planador entrou pela culatra e foi muito bem feito e quanto ao Ben, enfim, foi vítima de um acidente. Ponto. Pra quê ficar nesse lugar comum do blá-blá-blá e choramingo? Tia May (ROSEMARY HARRIS que mais parece tia-avô) e hilário Jameson (J.K. SIMMONS), ambos praticamente somem da premissa em determinado momento como se não fossem importantes. Não gostei, sobretudo ofuscando o engraçado Simmons, perfeito para o papel com poucas cenas boas, a dos remédios, por exemplo, sua entrada. Depois fica pra escanteio. E por aí vai. Uma série de erros inverossímeis e desinteresse imediato pela trama, graças a um roteiro pessimamente lapidado. Tudo é em excesso, confuso e sem brilho.
Não tem muita novidade. A trama sucede meses após os eventos do segundo filme. Parker e Mary Jane apaixonados e com um namoro que vai de vento em polpa e o herói tornando-se um fenômeno cultural, símbolo da cidade, Osborn Jr. com seu desejo de vingança e utilizando do poder deixado pelo seu pai e um fugitivo perigoso que cai em um acelerador de partículas e é transformado em uma criatura capaz de manipular a areia, mudando de forma. Tudo isso em poucos minutos de filme. Ah, sem contar na tal forma estranha, um simbionte extraterrestre que cai na Terra misteriosamente e gruda na lambreta de Parker para depois acoplar no uniforme do Homem-Aranha mudando seu comportamento para o mal. Todo ódio, vingança e egocentrismo, se resumem (para visualizar a explicação) nessa gosma preta, mas quando o herói cai em si (por exemplo, depois de estapear a namorada, chocando os espectadores), abandona a roupa que encontra um novo corpo, no caso o fotógrafo rival de Peter, Eddie Brock Jr. (muito otário), o transformando no Venom, que no filme nem sequer é mencionado, mas sabemos quem é. São muitos acontecimentos tudo de uma vez e o espectador não sabe exatamente o que esta assistindo. Se for apenas pelos efeitos, para muita gente o filme pode ser classificado como uma divertida guilty pleasure. Achava, também, que JAMES CROMWELL, como o Capitão Stacy teria maior envolvimento, mas torna-se apenas um objeto de decoração.
Por mais que o resultado seja uó. Homem-Aranha 3 acabou sendo o segundo filme mais bem sucedido da Marvel depois de Os Vingadores (leia aqui). Por divergências criativas com o estúdio (Sony), Raimi foi demitido da franquia e o aguardado HOMEM-ARANHA 4 nunca aconteceu. Consequentemente Maguire e Dunst e todo o elenco original também não retornariam. Foi um filme inconsequente para a série. O dinheiro falou mais alto e o padrão de qualidade narrativo ignorado totalmente. É uma trilogia pelo fato de ter três filmes, mas percebe-se que o final não é conclusivo. Nunca foi intencional em contar essa saga em três capítulos como em O Cavaleiro Das Trevas. Spidey 3,pelo menos, faz jus a essa batalha interna do herói onde o ego da supremacia dos estúdios de Hollywood escureceu a felicidade dos fãs.
2007
AÇÃO/AVENTURA
COR
139 min.
SONY
★ ★
COLUMBIA PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO MARVEL
STUDIOS/LAURA ZISKIN
THOMAS HADEN CHURCH TOPHER
GRACE BRYCE DALLAS HOWARD
JAMES CROWWELL ROSEMARY
HARRIS J.K. SIMMONS
THERESA RUSSELL DYLAN BAKER BILL
NUNN
BRUCE CAMPBELL ELIZABETH
BANKS TED RAIMI PERLA HANEY-JARDINE
Participações: WILLEN DAFOE CLIFF
ROBERTSON MICHAEL PAPAJOHN
Tema Musical Original de DANNY ELFMAN
Trilha de CHRISTOPHER YOUNG
Figurinista JAMES ACHESON Supervisor de Efeitos Especiais SCOTT STOKDYK
Criado na SONY PICTURES IMAGEWORKS INC. Edição BOB MURAWSKI
Direção de Arte NEIL SPISAK & J. MICHAEL RIVA
Diretor de Fotografia BILL POPE
Produtores Executivos
STAN LEE KEVIN FEIGE JOSEPH M. CARACCIOLLO
Baseado nos Quadrinhos de STAN
LEE & STEVE DITKO
Argumento de SAM RAIMI & IVAN RAIMI
Escrito por SAM RAIMI & IVAN RAIMI
E ALVIN SARGENT
Produzido por LAURA ZISKIN AVI ARAD
GRANT CURTIS
Dirigido por SAM RAIMI
Spider-Man™ 3 ©2007 Columbia/
Marvel/ Laura Ziskin Productions















8 comentários:
Rô,
BoaNoite!
Confesso, que gosto deste filme.
Flink me encanta,rs.
besoooooooooooooooos
Ah! No creo Pati! rsrsrs
Besos.
Com toda certeza é o episódio mais fraco da franquia. Lamentável, sendo que prometia muito e simplesmente não chegou nem perto de ser regular.
abraço
Rodrigo, ótima crítica. :)
E sobre Homem-Aranha 3...
O que eu mais gosto do filme é a conclusão do arco do Harry (algo que já ouvi dizer que aconteceu nas HQs tbm, mas eu não li. Hehe.).
E o que eu mais odeio no filme é eles desconstruírem o primeiro, a morte do Tio Ben já estava tão bem "resolvida", para que mexer?! Eu realmente não gostei disso. :/
Entre todos gosto mais do primeiro. É mais impactante. Belo blogger, Rodrigo. Prazer conhecer seu espaço... até...
Marcelo: Dou mais uma estrelinha pelos efeitos visuais. Mas entendo sua decepção.
Abs.
Luan: O Harry merecia (apesar do Franco ser ótimo e demonstrar confiança e posto de grande astro, não mais aquele rosto desconhecido e adolescente) muito mais melhorias nesse ato. Achei insatisfatório e infantil seu antagonismo e todas as suas armadilhas para destruir o Aranha e Peter. Besta. Parece vilão de "Malhação" rs
E sim, concordo que a morte do Tio Ben se torna aqui um drama redundante. Pior ainda é saber o 'vilão' que o matou para então se arrepender.
Abs.
Maxwell: Obrigado pela visita meu caro. Grande abraço.
E sim, o primeiro H.A. foi um baita evento na telona, mesmo gostando mais do segundo.
Acho que vc foi completo na sua análise. Um filme que se oferece ao bullying do público com ímpeto impressionante. São muitas as escolhas erradas desse filme. Só discordo de vc em um detalhe, que nem mesmo diz respeito a sua avaliação desse filme. Acho que O cavaleiro das trevas ressurge repisa temas e fundamentos esgotados nos dois primeiros filmes. Portanto, ainda que por razões diversas, se irmana a "homem aranha 3" em sua irrelevância narrativa nos propósitos da trilogia.
Abs
Reinaldo: Concordo que o terceiro Batman/Nolan acaba sendo um apêndice em alguns detalhes e incoerente em muitas passagens (como o surgimento de Wayne, por exemplo, em Gothan depois de ter escapado do poço. E detalhe: a cidade estava interditada e ele sem transporte), ainda assim, em comparação ao Spidey 3, putz, deixa a fita de Raimi no chinelo. Mesmo porque, as escolhas narrativas de Nolan sempre foram mais sérias do que as de Raimi. Homem Aranha é naturalmente bem mais infantojuvenil. E acho que se repete ainda mais, sobretudo o drama da morte do Tio Ben como ressaltou Luan.
Abs.
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