OUTUBRO DAS
BRUXAS
☠
TERCEIRA TEMPORADA
CINE-DOC.
TERROR : Capítulo 6
Elas são irresistíveis. A ideia de mulheres lindas que escondem por trás de si um monstro frio e calculista se
tornou marca registrada dos romances policiais do início do século. Os filmes noir repetiram a dose várias vezes. Evidentemente
que nos filmes de terror, uma das primeiras mulheres a aparecer como uma
criatura sinistra foi A NOIVA DE FRANKENSTEIN (The Bride of Frankenstein,
1935), de James Whale. ELSA LANCHESTER (1902-1986), nesse
quesito, sempre foi a minha predileta. Embora apareça pouco no filme, sua
personagem de cabelos esticados, é icônica.
Ela esta ao lado do
lendário Boris Karloff, que faz o
monstro e marido da também trágica criatura feminina. O diretor Whale é o
grande responsável pela criação da Noiva,
um cineasta gênio e perfeccionista, um injustiçado da sétima arte, que teria
sido diversas vezes discriminado por sua homossexualidade. Na verdade, Whale
teve a sensibilidade necessária para criar uma bela história de amor e fazer
nascer a bela e misteriosa mulher monstro. Sem dúvida, a ótima Elsa Lanchester
contribuiu demais – interpretou a própria Mary Shelley no prólogo do filme,
outra sacada genial de Whale – e sua interpretação é digna de todos os méritos. Seu
medo. Revolta. Ela rejeita o monstro. Enfim, é uma das melhores interpretações,
em minha opinião, coadjuvantes da história do cinema.
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| A atriz Elsa Lanchester como "A Noiva", um dos primeiros filmes de terror em que o monstro é feminino. |
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| Helena Bonham Carter foi a outra Noiva na refilmagem de Kenneth Branagh Frankenstein de Mary Shelley (1994) |
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| Cartaz do clássico A MALDIÇÃO DE SANGUE DA PANTERA (The Curse of the Cat People, 1944), do lendário diretor ROBERT WISE e também co-dirigido por GUNTHER VON FRITSCH nos estúdios RKO. |
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| Outra pantera: mais sensual e mortífera, vivida por NASTASSJA KINSKI. A MARCA DA PANTERA (Cat People, 1982), de PAUL SCHRADER. |
No entanto, essas
mulheres bizarras e envolventes, levariam muito tempo para voltar a encarnar
seres tão bizarros quanto. Um exemplo, da década de 1950, é uma atriz
finlandesa conhecida como VAMPIRA (teria tido um caso romântico com James Dean, reza a lenda) , a esquisita MAILA
NURMI (1922-2008), então apresentadora de um programa de TV e que estrelou,
em 1959, o filme de Ed Wood: PLANO
9 DO ESPAÇO SIDERAL. Aliás, há
um caso curioso que envolve a personagem ELVIRA
de Cassandra Peterson, que fazia um
número parecido com o dela, também apresentadora de filmes de baixo orçamento
do gênero horror e ainda era atriz. Resultado: foi processada por Nurmi por
roubar sua ideia Por outro lado, cultuada e famosa, Peterson como Elvira, não
pode ser considerada “monstra”, e sim uma bela, sensual, host do mundo assombroso.
Ainda no período anos 50,
algumas produções propositalmente bizarras estamparam nas telas mulheres
monstros, como A MULHER VESPA.
Foi nos anos 70, com as
produções de terror barato, numa linha mais radical de filmes de
exploração (exploitation) e que alguns generalizaram como trash, que surgiram as mais diferentes e sedutoras mulheres monstro
(embora eu nunca tenha gostado desse machismo exorbitante para com a imagem da
mulher). A começar pelo produtivo e incansável diretor espanhol já citado no Cinema Rodrigo, Jesus Franco, que apontou uma tendência do erótico monstruoso com
as vampiras de Vampyros Lesbos, de 1971, terror erótico, no qual uma vampira
lésbica atrai vítimas femininas para uma ilha remota, para curti-las, amá-las e
matá-las eventualmente.
No ano anterior, o
diretor Roy Ward Baker realizou uma versão
do livro homônimo do escritor irlandês JOSEPH
SHERIDAN LEFANU (1814-1873 – conhecido autor de obras como Vampyr,
1932, de Dreyer), CARMILLA – A VAMPIRA DE KARNSTEIN e ou/ OS
VAMPIROS AMANTES (The Vampire lovers,
1970). A premissa trata-se de uma raríssima vampira da literatura, que
retornaria em mais dois filmes do mesmo diretor. São desse período filmes com
possessões demoníacas, e como esquecer o clássico de WILLIAM FRIEDKIN, O EXORCISTA (The Exorcist, 1973 - leia aqui) na qual uma garotinha inocente se transforma em
uma asquerosa entidade dos infernos, Regan,
papel antológico de LINDA BLAIR? O sucesso do filme foi tão estrondoso,
polêmico, falacioso, que a fita de Friedkin acabou inaugurando uma série de
livros e filmes com meninas endemoniadas. Alguns exemplos importantes: CARRIE, A ESTRANHA (leia o post AQUI), de 1976, do diretor BRIAN DE PALMA, AS DUAS VIDAS DE AUDREY-ROSE (1977), de Robert Wise; e CHAMAS DA VINGANÇA (1984), de Mark Lester.
Um filme na qual acredito ser desconhecido pela maioria, e que faz o Exorcista de
Friedkin parecer filme de sessão da tarde é a obra do diretor mexicano JUAN LÓPEZ MOCTEZUMA, também baseada em
romance de LeFanu envolvendo a figura feminina, o assustador ALUCARDA, A FILHA DAS TREVAS (Alucarda, La Hija de lãs tinieblas, 1977), estrelando SUSANA KAMINI, no papel de Justine, que assim como Regan é uma
frágil e ingênua garota de quinze anos, mas que perde os pais tragicamente. É
enviada a um monastério, onde será cuidada e educada por freiras católicas. Ao
chegar, conhece uma jovem órfã de sua idade chamada Alucarda. As duas se tornam amigas inseparáveis e chegam a fazer um
estranho pacto: se tiverem de morrer, farão isso juntas.
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| Uma das cenas chocantes de Alucarda. |
Alucarda, aos poucos, revela hábitos
estranhos e um olhar macabro. Todos não demorarão a descobrir que ela tem uma
relação muito íntima com o demônio. E seus atos passam a desafiar a lógica e a
ciência. Nessa produção do cinema mexicano, cultuada por fãs e classificadas
por outros apenas como um típico filme trash,
religião, demônios, exorcismo e muito erotismo lésbico despirocado se misturam em
uma produção cheia de um bom suspense. É, sem dúvida, um dos filmes mais
heréticos blasfemos realizados.
De volta com as vampiras, muitas
sugadoras de sangue apareceram nas três décadas seguintes, quase sempre em
papéis secundários, na sombra de viris homens vampiros, nem sempre tão machos.
Isso explica, por exemplo, o fato de lindas moças serem contaminadas
inicialmente por vampiros masculinos. O papel se inverte em VAMP- A NOITES DOS VAMPIROS (Vamp, 1986), de Richard Wenk. A cantora, modelo e atriz GRACE JONES (foi vilã redentora no último filme de Roger Moore como
James Bond – 007- Na Mira dos Assassinos,
1985) faz uma exótica stripper chamada
Katrina, líder de uma horda de
criaturas satânicas que usam o clube noturno para atrair as pobres vítimas.
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| Grace Jones irreconhecível? |
Além do terror, as monstras deram o
ar da graça em outros gêneros, como o premiado MONSTER – DESEJO ASSASSINO (Monster,
2003), da diretora PATTY JENKINS,
que deu o Oscar de Melhor Atriz a CHARLIZE
THERON, no papel de uma serial killer,
Aileen Wuornos, filme baseado em
fatos verídicos.
Como diz o velho ditado: “por trás de todo grande homem existe uma
mulher.” Faço coro. Elas são poderosas, sensualizam, assustam. São capazes
de tudo e muito mais... Monstruosas ou belas, sempre com o toque feminino.
CONTINUA.......






















2 comentários:
Que matéria maravilhosa, Rodrigo! Aliás, adorei o fato de você ter diversificado e não ter pego apenas personagens de filmes de terror e etc...
A atuação de Theron em "Monster" é, de fato, monstruosa! Sou fã da Elvira (aliás, esses dias eu tentei ver a continuação do filme pelo youtube, mas achei fraco demais e abandonei na metade rs Tenho que terminar, aliás!). E sobre a Vampira... Bem, só conheço de nome =/
Aliás, boa parte do que você citou eu só conheço de nome. Tenho que ver a maioria dos filmes...
E, nossa, me deu uma puta vontade de rever "Buffy", o filme. Lembro de pouca coisa por conta da Sessão da Tarde (quando ainda passava coisas bacanas). Vou baixar pra rever!
Abração ;)
Obrigado Alan. Há filmes que dá vontade de rever, né? Relembrar os velhos tempos, principalmente com a Sessão da Tarde. A vampira eras tão esquisita, sem graça, prefiro a nossa divertida e eterna Elvira.
Abs.
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